por uberlandiahoje | jan 4, 2026 | Ponto de Vista |
Diógenes Pereira da Silva – Tenente do Quadro de Oficiais da Reserva Remunerada da PMMG.
A PEC da Segurança Pública (PEC 18/2025) escancara a dificuldade do país em tratar a segurança como política de Estado. Adiada para 2026, em pleno ano eleitoral, corre o risco de permanecer refém do calendário político, enquanto a criminalidade avança e a sensação de insegurança se consolida nas ruas.
A proposta contém avanços relevantes, especialmente na integração entre os entes federativos e no enfrentamento ao crime organizado. Para que saia do papel, porém, exige ajustes objetivos. É indispensável definir com clareza as competências da União, dos estados e dos municípios, evitando sobreposições, disputas institucionais e ineficiência operacional.
Sem financiamento estável e transparente, qualquer reforma será inócua. Da mesma forma, a valorização e a capacitação permanente dos profissionais de segurança precisam ocupar posição central, com metas claras e avaliação de resultados.
A PEC também deve avançar na integração de bancos de dados, no uso inteligente da tecnologia e na cooperação efetiva entre as forças policiais, sempre respeitando o pacto federativo. Segurança pública não admite improviso.
A sociedade não espera discursos nem adiamentos. Espera decisões firmes, ajustes técnicos e compromisso real com a proteção da vida e da ordem pública. A PEC 18/2025 pode ser um passo decisivo se tratada com a urgência que o tema exige.
por uberlandiahoje | jan 3, 2026 | Ponto de Vista |
José C> Martelli – Advogado e professor
Estava eu para tecer comentários sobre o meu primeiro diploma universitário, que foi o de Asno, como podem ver pela impressão digital à esquerda da foto, outorgado pelo Presidente do Centro Acadêmico XI de Agosto, em 1958, quando adentrei a Faculdade de Direito do largo São Francisco em São Paulo, ocasião em que percebi, na referida foto, saiu também o letreiro que ornava a porta de um escritório de advocacia que compartilhei, com vários advogados, até o ano de 1997.
Como um assunto puxa outro, resolvi aproveitar a oportunidade para defender, com exemplos concretos, a classe dos advogados.
No sentido de denegrir essa valorosa classe, há uma piada contada a boca pequena. Diz a piada que São Pedro resolveu fazer um campeonato de futebol lá no céu. Cada time representaria uma profissão. Então formou time de médicos, um de dentistas e assim foi fazendo com as várias profissões existentes. Mas quando chegou a hora de formar o time de advogados não encontrou, lá no céu, número suficiente.
É para contrapor essa fama que relembro aqui apenas quatro que compunham aquele escritório: SETEMBRINO DE MELO, JOÃO BATISTA GIORDANO, PEDRO VISCHI E CARLOS BINELLI. As pessoas de Espírito Santo do Pinhal (SP) sabem que não preciso tecer encômios a esses cidadãos. Os seus nomes falam por si. Infelizmente os dois últimos já não estão mais entre nós.
Para finalizar aquele que simboliza todos, há o Advogado Mohandas Karamechand GANDHI, cuja história de vida é por todos conhecida.
Mas então por que a má fama os acompanha?
É simples. Todos que buscam um advogado têm uma pendência a ser resolvida. E obviamente nem sempre ela é resolvida a seu favor. E ficam mal satisfeitos.
Já os casos não litigiosos, são morosos. E a culpa da morosidade, inerente à nossa justiça, sempre recai sobre o advogado.
Vamos fazer justiça aos advogados. Como em qualquer profissão há uns poucos que não a honram. Mas são muito poucos para desonrar uma classe inteira. E basta isso, como diria meu amigo Clécio Ribeiro.
por uberlandiahoje | jan 3, 2026 | Ponto de Vista |
Gustavo Hoffay-Agente Social
Durante quase duas décadas e a pretexto de fazer um governo de caráter estritamente populista, o Partido dos Trabalhadores conseguiu a façanha de manipular milhões de pessoas e ao ponto de condiciona-las em favor de uma ideologia que prometia, literalmente, a comum participação da maioria do povo brasileiro em suas decisões governamentais e, a partir daí, obter e manter uma fidelidade e um consequente domínio sobre o pensamento e as convicções de milhões de trabalhadores e estudantes universitários, persuadindo todos eles de que somente um humilde trabalhador , no caso um ex-metalúrgico e ex-presidente de um dos mais poderosos sindicatos de todo o Brasil, teria plenas condições de persuadir , aos poucos e sempre mais, dezenas de milhões de brasileiros a subjugarem-se a uma doutrina politica que (entretanto) já dava sinais de falência em todo o mundo. Talvez comparando uma determinada massa de seus compatriotas a cães passíveis de adestramento ou a máquinas que podem ser programadas para aceitar e executar projetos de acordo com o desejo de influenciadores políticos exaustivamente instruídos, o regime político que manteve-se no poder durante os últimos anos especializou-se em domesticar eleitores e enquanto realizando uma espécie de lavagem de crânios preconizada por antigos ( e também atuais) agentes políticos. O roteiro propício e escolhido por todos os dirigentes de índole comunista, imagino, incluía fazer o povo manifestar-se absolutamente insatisfeito contra qualquer politico que viesse a contrariar aquela sua obsoleta doutrina e já em franca decadência, principalmente em alguns países europeus. Daí, penso, o constante propósito de seus sectários em disseminar a desordem, a mentira e o caos na sociedade, ante qualquer contrariedade imposta pelos seus opositores. Para eles, degradadores de instituições baseadas na fé e na união de famílias inteiras, a deformação de costumes e de históricos heróis nacionais é um meio de contaminar a juventude com ideias retrógadas e, daí, facilitar o seu domínio sobre a população menos esclarecida politicamente e ao que dá-se o nome de psicopolítica, uma estratégia ainda muito em voga em alguns outros países. A libertinagem social, o uso e mesmo a liberação de algumas drogas, filmes e telenovelas que sistematicamente abordam o ódio entre as pessoas, a criminalidade, a calúnia e mesmo o fatricídio são formas incontestes usadas para justificar meios de contrariar o povo e dessa forma, creio, atingirem objetivos que o convença a uma guinada no sistema de governo ou seja: fazer da degradação moral um meio eficaz e insidioso de deformação permanente e organizado, o que facilitaria grandemente um domínio político sobre considerável parcela da população; táticas de escravização mental e mais condizente com os atuais recursos disponibilizados, de modo a sabotar a consciência da maioria dos eleitores brasileiros, com pouca ou nenhuma instrução intelectual e política. Pessoas, essas, tidas por fantoches e por conseguinte facilmente manipuladas por grupos gananciosos, perversos e sedentos de poder. Se por um lado essas linhas suscitam a indignação em não poucos (e)leitores, de outro imagino contribuírem para esclarecer o ponto de vista de muitos a respeito da índole monstruosa, satânica mesmo, de um extremismo politico que chega às raias da praticar um persuasivo terrorismo psicológico/revolucionário. E a índole de um povo unido em torno de famílias e cristãs em sua grande maioria, obviamente não aprova sequer ser ameaçado de sedução por um aparato verbal e tecnológico de caráter persuasivo, quanto mais por agentes políticos incrustados nos três poderes. E é a eles que a parte sensata da nossa população dirige-se, impondo um sonoro grito de advertência:-“Aqui, não”!
por uberlandiahoje | jan 3, 2026 | Ponto de Vista |
Tania Tavares – Professora – SP
Como há pessoas importantes e influente$ ligados ao Banco Master, o mercado dá sinais de nervosismo, pois há chances do dito ser desdito e não acontecer mais a liquidação já decretada pelo Banco Central do MASTER, o que dá o que pensar e não é coisa boa. Como estas “pessoas influente$” tem muito que perder, o mercado derrubou as ações de todo setor financeiro na Bolsa. Como diz o ditado. “No Brasil, até o passado é incerto”.
por uberlandiahoje | jan 3, 2026 | Ponto de Vista |
Paulo Henrique Coimbra de Oliveira – Economista – RJ
Quem são os verdadeiros culpados do affaire Master? Pela ordem: Daniel Vorcaro e a sua ganância; a empresa de auditoria que auditava suas contas; Banco Central pois considero impossível não ter ciência das aplicações fora da curva e já há muito tempo; bancos e empresas que faziam divulgação das referidas aplicações e ganhavam corretagem – para mim deveriam no mínimo ter que devolver as comissões; autoridades e ex-autoridades que se prestaram ao papel de serem consultores ou alugavam seus nomes bem como participavam ativamente dos rega bofes que o Master patrocinava aqui e no exterior. Se tiverem vontade de esclarecer tudo não é difícil criar um powerpoint com todos os membros da quadrilha e como agiam que. Para que não sejam somente os ingredientes de uma grande pizza. Se não virar pizza vai faltar cadeia.
por uberlandiahoje | jan 2, 2026 | Ponto de Vista |
Ivone Gomes de Assis – Editora e escritora
Sempre fui apaixonada pela tecnologia. Durante meus 15 anos de atuação no campo tecnológico, vi e ouvi coisas bizarras, com as quais eu me divertia. Por exemplo, certa ocasião, enquanto eu desenvolvia um trabalho perto de BH, uma bibliotecária já idosa, ao retornar de uma internação prolongada, causada por uma forte gripe, convocou-me a uma audiência particular, para que eu explicasse o mal causado a ela, uma vez que o médico, segundo ela, garantira-lhe que sua doença se tratava de uma contaminação por vírus, e o tal pestilento, afirmou ela, veio do computador que eu havia instalado em sua sala.
Por respeito à sua ingenuidade, “jurei” solenemente que tomaria as devidas precauções, e que resolveria o caso de imediato. Que ela me perdoasse pelo infortúnio, pois aquilo não voltaria a se repetir. Claro que não se repetiria, pois tudo era uma questão de tempo, até que ela perdesse o medo da novidade desconhecida e, assim, compreendesse o mal-entendido. Mas, por educação, bom senso e respeito, permiti que ela vivesse o processo, a fim de compreender, por si, a evolução. No amanhã, quem sabe serei eu passando por um processo similar? Tudo muda a todo instante.
Agora, da pandemia para cá, a humanidade está de namoradinha nova, e só se fala nessa musa inspiradora, a senhorita I.A. Como escreveu nosso saudoso sonetista português Luís Vaz de Camões (1524-1580), “Amor é fogo que arde sem se ver, /é ferida que dói, e não se sente; /é um contentamento descontente, / é dor que desatina sem doer. //[…] /é um andar solitário entre a gente; /é nunca contentar-se de contente; /é um cuidar que ganha em se perder. //É querer estar preso por vontade; /é servir a quem vence, o vencedor; /é ter com quem nos mata, lealdade…”.
É nessa paixão ardente que vejo agora o novo surto tecnológico, em que mídias e pesquisadores se perdem no encantamento, anunciando que a inteligência artificial é a companheira de solitários, que robôs inteligentes combatem a solidão… e outros desvarios. Se de um lado a comunidade científica procura imputar aceitação de sua brilhante criatividade, e do outro a mídia batalha para angariar público em sua audiência, havemos de pensar na “terceira margem do rio”, em que a mente humana processa as ondas em diferentes tempos e formatos. Então, o que é incrível para um, é crível para o outro, e pode ser psicose para alguns extraordinários, por isso é necessário cautela nas palavras e ética na política tecnológica.
A solidão é fruto de um vazio de si, e não se contenta com um preenchimento de I.A., ao contrário, a artificialidade remete a uma ansiedade, uma expectativa inalcançável, cuja frustração pode levar à morte. A exemplo temos Sewell Setzer, um garoto americano que se apaixonou por uma personagem virtual, chegando ao ápice da loucura, quando tirou a própria vida. A solidão de Sewell se agravou com o “alucinógeno tecnológico”, promovendo uma tragédia que poderia ter sido evitada com diálogos, terapias, companhia de amigos, brincadeiras de criança, conversas ao redor da mesa… A culpa não se aplica a A ou B, e sim, ao sistema social. Temos uma sociedade gravemente adoecida.
O poeta americano Eugene Field (1850-1895), em sua literatura infantil, convida a conversas com os brinquedos. Em 1889, escreveu: “Acredite em mim, por todos aqueles encantos antigos e cativantes. […] criei uma coleção de malucos que são ridicularizados. […] até que a Fortuna me reajuste […] por minhas histórias e minhas rimas, você ainda continuará a confiar em mim”.
Ainda, em seu poema “Os brinquedos do menino”, Eugene Field diz: “O cãozinho de madeira, coberto de poeira, /Ainda está de pé, firme e forte. //Com o azul embolorado, o coitado do soldado /Não teve a mesma sorte. /[…] na estante do quarto os guardava. /”Não se mexam até eu voltar; /[…] E na poeira, enquanto passam os anos, /Perguntam, de si para si, /Por onde andará o menino risonho /Desde o dia em que os guardou ali”.
A vida é feita de emoções, com suas duas faces da moeda.
Publicado no Jornal Diário de Uberlândia, Coluna Literato (assinada por Ivone Gomes de Assis), em 23/01/2025.