LÍDICE

Ana Maria Coelho Carvalho – Bióloga

Morei no bairro Lídice, em Uberlândia, durante 47 anos. Meus filhos nasceram e foram criados nesse bairro e apenas recentemente descobri por que ele recebeu esse nome. Várias cidades e locais ao redor do mundo chamam-se Lídice em homenagem a uma vila da antiga Tchecoslováquia, para que ela jamais seja esquecida. A vila foi totalmente destruída pelos alemães durante a Segunda Guerra Mundial e se tornou símbolo da crueldade nazista .
É uma história muito triste, conforme pesquisei. Tudo aconteceu como vingança pela morte de Reinhard Heydrich, comandante nazista, segunda maior autoridade do Serviço Secreto (SS) e um dos mais cruéis líderes do regime. Seguidor fiel de Hitler, era seu protegido especial e foi nomeado Protetor do Terceiro Reich. No dia 27 de maio de 1942, dirigia-se da vila onde morava para seu escritório, no centro de Praga, capital do país, então sob domínio alemão. O carro em que viajava foi emboscado por dois integrantes da resistência tcheca, treinados na Inglaterra e lançados de paraquedas no país. Atingido pelos disparos, Heydrich morreu uma semana depois, no hospital, em consequência de uma infecção generalizada.
Enraivecido, Hitler ordenou que se fizesse de tudo, sem poupar vidas, para encontrar os responsáveis pela morte do oficial nazista e vingar-se dos tchecos. Aconteceu uma retaliação sangrenta e generalizada das tropas nazistas contra a população civil da Tchecoslováquia. Lídice, uma pequena vila próxima à capital e dedicada à mineração, foi considerada hostil aos alemães e apontada como ponto de reunião dos assassinos de Heydrich. Por isso, foi escolhida para ser massacrada.

No dia dez de junho, a vila foi cercada por tropas nazistas, que impediram a saída de seus moradores. Os homens com mais de quinze anos foram separados, colocados em celeiro e fuzilados em pequenos grupos. As mulheres e crianças foram enviadas para campo de concentração, onde a maioria morreu de tifo ou de exaustão pelos trabalhos forçados. A vila inteira foi demolida com explosivos e o terreno foi aplainado por tratores. Os alemães espalharam grãos por toda a área para transformá-la em pasto e a riscaram dos mapas da Europa. Cerca de 340 habitantes de Lídice morreram no massacre alemão, entre homens, mulheres e crianças. Outra pequena aldeia de Lezaky também foi destruída, e seus habitantes, executados. A vingança alemã causou cerca de 1500 mortes em toda a Tchecoslováquia. Os resistentes que atiraram em Heydrich acabaram se suicidando em Praga, quando estavam prestes a ser presos pela SS.
Os nazistas costumavam ocultar seus crimes de guerra. No caso do massacre de Lídice, porém, fizeram questão de divulgá-lo para que servisse de ameaça à população da Europa ocupada pela Alemanha. O fato provocou uma onda de terror e indignação em todo o mundo. Atualmente, o local onde existia Lídice foi transformado em um campo santo e memorial nacional, onde arde uma chama eterna. Existe ali um memorial especial, esculpido em homenagem às 88 crianças que foram mortas. Estão todas de pé, com roupas simples, com expressão séria e enfileiradas, algumas de mãos dadas. É tenebroso pensar que foram todas, em sua inocência, mortas por vingança, em meio a uma guerra. Em 1949 reconstruíram a vila nas proximidades daquela que havia sido retirada do mapa, mas nada apaga da história da humanidade a tragédia que aconteceu em Lídice.

Como moradora do bairro Lídice, em Uberlândia, sinto que, de alguma maneira, convivo com essa história. Enquanto o nosso bairro pulsa de vida, em algum lugar do passado, uma cidade inteira foi silenciada e eliminada pelo ódio e pela vingança. É preciso lembrar que esse nome carrega uma história. Cabe a todos nós transformar o nosso bairro em um lugar onde a memória se transforme em sementes de paz e harmonia. É preciso também fazer uma prece silenciosa por tantos habitantes de Lídice que morreram porque o ódio venceu a razão. Que descansem em paz. E que sejam lembradas não apenas pela violência que sofreram, mas por nos mostrarem que sempre é preciso cultivar a paz, o respeito e a fraternidade , para que tragédias como essa nunca mais encontrem lugar na história da humanidade.

 

Falam em falta de segurança em SP, porém, escondem o déficit enorme de policiais nos efetivos das corporações!

Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Membro da Academia Bauruense de Letras, Blogger, Analista Político e Graduado em Gestão Pública.

O PSDB ficou no comando do maior Estado da nação de 1995 a 2022, entre 2023 e 2026 estamos convivendo com a gestão do partido Republicanos com Tarcísio de Freitas no comando do Estado mais rico da Nação. Neste período, houve um desmonte na segurança pública do Estado. Permitindo que chegássemos a um déficit de aproximadamente 42 mil pessoas no efetivo das polícias, sendo 25.443 mil na Polícia Militar, 9.363 na Polícia Civil e 3.979 na Polícia Rodoviária Estadual.
Esse contingente torna impossível o combate à criminalidade com a eficiência que a sociedade espera e merece em SP. Nas rodovias os postos de policiamento sumiram das estradas em decorrência da falta de novos policiais para o efetivo policiamento.
A polícia civil carece de policiais em diversas categorias profissionais como delegados, datiloscopistas, médicos legistas, investigadores, entre outras. Nas delegacias falta de tudo e principalmente condições de trabalho.
A polícia militar talvez seja a que mais sofra com esse absurdo cometido pelos tucanos e pelo bolsonarista Tarcísio ao longo de três décadas à frente do Estado. Esse desmonte é sentido pela população diariamente sem que a grande maioria saiba os verdadeiros motivos. Sendo que, a população cresce, a criminalidade aumenta e se especializa, sabendo que sua ação está cada dia mais facilitada pela ausência de combate.
Além do fator humano, faltam aos integrantes das três corporações informatização entre as policias, uniformes novos, coletes resistentes aos projéteis de grosso calibre, condições plenas de trabalho, veículos potentes, armamentos condizentes com a necessidade de enfrentamento de organizações criminosas cada vez mais fortalecidas e treinamento.
Para se ter uma ideia, em 1995 a população do Estado era de aproximadamente 33.487.000 (Trinta e três milhões, quatrocentos e oitenta e sete mil) habitantes. Em 2026, essa população saltou para cerca de 46.650.000 (Quarenta e seis milhões, seiscentos e cinquenta mil). Ou seja, houve um crescimento populacional de 39%.
Sendo assim, torna-se inaceitável que no mesmo período haja um déficit de quase quarenta mil no efetivo das três corporações. Durante todo o período, e em especial nas nove eleições, a conversa era de que haveria segurança e que os números da criminalidade eram favoráveis. Porém, mentiras eram espalhadas para favorecer a candidatura dos governadores de direita que foram eleitos infelizmente.
Em 2023 começou a gestão do bolsonarista Tarcísio de Freitas (Republicanos), o que deixou claro para os especialistas em política e segurança pública que a reformulação não foi realizada em quatro anos de seu mandato.
A situação é caótica, na cidade de Bauru no Centro Oeste Paulista os comerciantes estão reclamando da completa falta de segurança. Estão sendo roubados diariamente nos pontos de comércio, e a noite, quando as lojas estão fechadas são subtraídos produtos, fios de cobre e toda sorte de materiais, causando prejuízos gigantescos.
Quem viver verá. Eu não estou otimista, não acredito que essa tarefa será realizada pelo atual governador caso ele seja reeleito para mais um mandato em SP. Tenho a impressão de que continuaremos a ter pouca ou nenhuma eficiência na gestão para reconstrução do Estado. A educação, saúde e habitação popular igualmente padecem de gestão pública estadual.

BOM GOVERNO DE ESQUERDA

João Batista Domingues Filho – Cientista Político – Professor UFU/INCIS

Governo de esquerda é bom quando tem a crença na economia de mercado, submetida a regras democráticas, e na democracia. As rotas singradas apontam a bússola da administração pública para o papel do Estado na economia, o Estado de Direito, a propriedade, a transparência, a liberdade e a justiça social. A democracia como valor universal.
O objetivo último da boa esquerda é a construção do Estado de bem-estar: vida boa para a maioria da sociedade civil. Bom governo identificado com o bem comum. Sem esses ideais colocados em prática, não se governa bem. No bom governo, o governante exerce o poder em conformidade com as leis, atuando para reduzir desigualdades e ampliar oportunidades.
O bom governo de esquerda deve perseguir o bem comum; o mau governo busca o bem próprio. O conflito aqui é estabelecido entre o interesse comum e o interesse particular, entre vantagem pública e vantagem privada: qual fim deve ser perseguido?
O cientista político Peter Gourevitch, professor da Universidade da Califórnia, em estudo citado pelo jornal Valor Econômico em fevereiro de 2011, ao analisar a política econômica de diversos países, chegou a uma conclusão contrária à visão tradicional: governos de esquerda também podem atrair capital e investimentos.
Um bom governo de esquerda entra em harmonia com os interesses do “capital”, quando este se apresenta como investimento produtivo e benéfico à sociedade civil. Governos de esquerda podem ser bons para os investidores quando oferecem estabilidade institucional, segurança jurídica, políticas sociais consistentes e condições favoráveis ao desenvolvimento econômico.

O argumento apresentado por Gourevitch questiona a concepção tradicional de que capital e trabalho estão sempre, necessariamente, em conflito. Isso não ocorre quando a esquerda realiza um bom governo para a sociedade civil, conciliando desenvolvimento econômico, proteção ao trabalho e redução das desigualdades.
De fato, determinados setores do “capital doméstico” podem rejeitar o “capital estrangeiro”, evitar a concorrência e buscar o protecionismo estatal. O nacionalismo é usado, em algumas circunstâncias, para proteger os interesses do capital nacional.
A esquerda e a direita, quando não realizam o bem comum, refugiam-se, por meio do Estado, na proteção de interesses particulares e na concessão de privilégios, impedindo a criação de mais empregos, maior produtividade e mais prosperidade.
No contexto em que este artigo foi originalmente escrito, os dois primeiros governos Lula eram apresentados como exemplo de uma esquerda que procurava atender aos trabalhadores e aos mais pobres, sem deixar de atrair investimentos estrangeiros.
Esse tipo de eficiência da gestão estatal pode reduzir a influência excessiva e a concentração de poder dos grupos econômicos nacionais, desde que o Estado preserve a concorrência, fiscalize os mercados e submeta os investimentos ao interesse público.
A distinção entre esquerda e direita, feita de maneira tradicional, não explica quando a esquerda realiza um bom governo. A aliança entre o capital doméstico e o trabalho se expressa no nacionalismo em qualquer governo de esquerda que não tenha sucesso em relação às demandas da sociedade civil.
Peter Gourevitch afirma que “há um tipo de esquerda que os investidores não gostam, assim como há um tipo de direita que eles também não querem”. Investidores e cidadãos tendem a rejeitar governos autoritários, instáveis, corruptos ou personalistas, independentemente de sua identificação com a esquerda ou com a direita.

É bom para a sociedade civil e para os investimentos produtivos que o governo seja democrático, moderado, transparente e comprometido com o bem comum. A qualidade do governo não deve ser medida apenas por sua identificação ideológica, mas por sua capacidade de transformar princípios em resultados sociais.
Para atender melhor às necessidades da sociedade civil, atraindo investimentos nacionais e estrangeiros, os bons governos de esquerda tentam estabilizar a economia, criar políticas para o mercado, investir na educação e na saúde, facilitar a vida econômica e ampliar os investimentos sociais em infraestrutura, comunicação e estradas.
Também devem assegurar trabalho digno, proteção social, responsabilidade na administração dos recursos públicos e condições para que o crescimento econômico alcance a maioria da população.
O bem-estar dos cidadãos é o objetivo do bom governo de esquerda, independentemente da origem do capital mobilizado para promover o desenvolvimento do país.

Quem é o melhor?

Paulo Henrique Coimbra de Oliveira – Economista – RJ

Lula precisa entender a seguinte equação que é o fluxo de imigração entre os países. Segundo dados do próprio Itamaraty ratificados pelo IBGE, 2 milhões de brasileiros vivem nos EUA enquanto apenas 23 mil americanos vivem no Brasil. Porque será ? Então antes de vociferar Lula deveria se preocupar com esses simples números.Traduzindo em miúdos : devemos nos recolher a nossa insignificância. Assunto encerrado.

Leis a torto e a direito…

Marília Alves Cunha – Educadora e escritora

“Só existe liberdade de verdade, quando a regra vale igualmente para todos.”

Os deputados federais têm como função precípua fazer leis e as leis são necessárias para reger este país. No Brasil elas não fazem falta, já as temos em excesso, assim como decretos e resoluções, algumas até para “mostrar serviço” e agradar ou beneficiar algum setor da sociedade. Em 2026 os deputados apresentaram mais de três mil e trezentos projetos de lei, alguns irrelevantes, absurdos e de caráter insólito. Temos aqui alguns exemplos citados pela Gazeta do Povo:

1 – Declarar as barracas, feirantes e feirinha da Pavuna como Patrimônio Cultural Brasileiro, a da Pavuna considerada como expressão autêntica da cultura popular carioca e fluminense – Justificativa: variedade de produtos – frutas legumes e até vestimentas. Uai, feiras são realizadas para vender algo diferente disto? Não é insólito este projeto?

2 – Incluir condenados por homofobia na lista de inelegíveis da lei da Ficha Limpa. (autor: Sâmia Bonfim – PSOL). Senhora Deputada, o STF já equiparou isto ao racismo. A lei atual já barra os homofóbicos.

3 – Determinar quais cores podem ser usadas nas camisas das Seleção Brasileira de futebol ( Eros Biondini -PL). O ilustre parlamentar quer regular assunto de exclusiva competência de entidade privada.

4 – Confere ao município de Guapumirim (RJ) o título de “Capital Nacional do Dedo de Deus” – (Luciano Vieira -PSDB). Dedo de Deus é uma formação rochosa existente em Teresópolis, RJ. Muito interessante, por sinal. O ilustre deputado considera a melhor forma de reconhecer o município onde ele está incrustrado –“Capital Nacional do Dedo de Deus”. Assim como por ex., Holambra (SP) é a “Capital Nacional das Flores”. A diferença é que existem no país várias cidades das flores, mas o Dedo de Deus só existe em uma cidade. Proposta inócua e sem sentido. Pensem, deputados, pensem!

5 – Reconhece a relevância jurídica e social do vínculo afetivo entre seres humanos e animais domésticos – (Marcos Tavares-PDT) Cria um novo modelo de família – a multiespécie – um núcleo de convivência formado por pessoas e animais domésticos unidos por laços de afeto, cuidado e responsabilidade. Já temos leis suficientes à proteção animal, com direitos e deveres. São obedecidas por quem pelo menos respeita os animais? Lembram-se do caso do cão Orelha, violentamente agredido e morto por 5 rapazes? Nada aconteceu em defesa do cão, apenas o clamor daqueles que não aceitam agressão e consideram os animais. Vamos fazer cumprir o que já está escrito, ao invés de colecionar letras que já nasceram mortas?

6 – Concede prêmio de 500.000,00 (meio milhão)de reais às jogadoras da Seleção da Copa do Mundo Feminina em 1995.
(assinado por Davi Alcolumbre – Presidente do Senado). Vale lembrar que esta seleção de 1995 teve duas derrotas, 1 vitória e caiu fora. Este projeto recebeu parecer favorável e tramita em regime de urgência. Parece até brincadeira, mas não é!

7 – Institui a Política Nacional de Proteção, Valorização e Promoção da Dignidade dos Traviarcas – (Rejane – PcdoB e Érica Hilton – PSOL) – Justificativa: Traviarcas são “travestis ou mulheres trans reconhecidas por sua trajetória histórica de liderança, acolhimento, resistência, defesa de direitos ou contribuição para a construção da cidadania da população trans e travesti, especialmente as com mais de 50 anos”. O que virá depois? Cotas, bolsas?

8 – Estabelece Critérios para Convocação de Atletas e Membros da Comissão Técnica da Seleção Brasileira de Futebol – (Luiz Carlos Hauly – Pode) – Só poderão convocar jogadores brasileiros, que atuam em clubes brasileiros. A mesma restrição estaria imposta à comissão técnica. O negócio é jogar futebol e vencer ou proteger a “função social” do futebol no país?

9 – Estimula a adoção de cacau e derivados, como chocolate, na merenda escolar. (Zé Neto – PT) – Justificativa: ajudar a produção de cacau. Quando ingerido com moderação por crianças e adolescentes, pode fornecer benefícios cognitivos. Quais os critérios desta “moderação”? Não tem alimento melhor para ofertar à criançada não? Putz!

10 – Aqui vai a cereja do bolo: Cria o Estatuto de Proteção Integral à Mãe solo (Yandra Moura – União). Justificativa- o projeto garante uma série de direitos à mãe solo, como: prioridade no acesso a programas de moradia popular ou transferência de renda e prioridade de vagas em escolas ou creches públicas. Jornada de trabalho flexível, estabilidade pelo período de 6 meses após licença maternidade, atendimento preferencial no SUS.
Na prática, indiretamente, a proposta pode incentivar dissolução da família ou a não formação dela. Cria premiação gigante para Mães solo…

Acho que todos os deputados, sejam estaduais ou federais, devem pensar melhor ao solicitar o aceite de seus projetos. O que vocês pensam disto?

Paura!

Tania Tavares – Professora – SP

O presidente Lula diz não quer participar dos debates para não “ouvir bobagens”, ou será para não responder perguntas embaraçosas: dívida Pública de R$10 trilhões; propaganda eleitoral com gastos de R$ 255,3 milhões e outros gastos institucionais em ano eleitoral. As inseguranças da população sendo mortas ao usar seu celular nas ruas, correligionários envolvidos com o caso do banco MASTER, viagens, Lulinha, Correios, etc…

A arte da guerra no cotidiano mundial

A Arte da Guerra não ensina apenas a vencer inimigos, ensina a controlar sistemas. No mundo atual, essa lógica tornou-se regra. A guerra já não se anuncia; ela se impõe. Está entranhada na economia, no funcionamento do sistema político e na organização social, operando de forma contínua, silenciosa e calculada.

A revolução tecnológica não libertou, refinou o domínio. O mundo cibernético transformou a informação em arma, a economia em campo de batalha permanente e a política em engenharia de manipulação. Vencer sem lutar, princípio central de Sun Tzu, tornou-se prática cotidiana: desestabilizar sociedades, dividir pessoas, controlar narrativas e governar pelo medo é hoje estratégia de poder.

Vejo um sistema político que não governa, administra conflitos. Alimenta crises para justificar controle, normaliza desigualdades e converte cidadãos em números, dados e estatísticas. A guerra moderna não mata apenas corpos; corrói valores, silencia consciências e condiciona pensamentos. O preço do alimento, o desemprego, a insegurança e a desesperança são armas tão eficazes quanto qualquer exército.

Acredito que a verdadeira revolução é romper com essa lógica de guerra permanente. Pensar tornou-se subversivo. Questionar virou ameaça. Manter autonomia intelectual é um ato político radical. Como ensina a Arte da Guerra, a maior vitória não é destruir o inimigo, mas desmontar o sistema que o sustenta antes que ele destrua a própria sociedade.

Diógenes Pereira da Silva
Tenente do Quadro de Oficiais da PMMG

ODELMO, UM LEÃO

Gustavo Hoffay – Agente Social

O que dizer de homens como Odelmo Leão Carneiro, baluarte e estrategista de escol na política mineira, tal e qual outros que já trabalharam por Uberlândia e seguem dispensando demagogias; avesso a programas mirabolantes, extravagancias, fórmulas mágicas e artimanhas ilusionistas enquanto ocupando cargos públicos da mais alta relevância? Nos poderes Executivo e Legislativo Odelmo sempre foi um incentivador dos setores de economia e com foco em atividades agropecuárias, de modo a deixar incompatíveis com os seus cargos quaisquer ameaças, atropelos, calotes, sustos e percalços. Em Uberlândia criou e disciplinou uma educação forte de base, favorecendo milhares de crianças e fomentando a prevenção ao uso de drogas, motivou professores com salários decentes, fez que a juventude uberlandense redescobrisse a alegria do lazer saudável, dos esportes, da política estudantil voltada para a construção de valores e ideais; exigiu e implantou um sistema de saúde mais condizente às necessidades populares, fez capacitar profissionais daquela área e de forma a irmanarem-se ao ideal de solidariedade e humanismo; diminuiu a burocracia na administração municipal (melhores e mais ágeis serviços de modo a aprimorar a esfera pública do cotidiano dos munícipes); carregou no coração a certeza de trabalhar prestando contas dos compromissos assumidos e não se aproximando dos eleitores apenas nos períodos eleitorais. Odelmo deixava sempre a impressão de mostrar-se compromissado com o ideal coletivo, menos sujeito a pressões, menos aferrado às ideias do utilitarismo monetarista e mais plural na forma de contemplar as demandas sociais, na capacidade de entender as dimensões e problemas de cada região de Uberlândia. A ordem, o respeito, a autoridade, a disciplina e o zelo pelas coisas públicas passava-nos a impressão de que sempre estiveram intrínsecos em seu modo simples de administrar. Odelmo enfrentou situações com disposição e sabedoria, jogou aberto, não tergiversou, assumiu o sentido de autoridade, fez cumprir a razão, exerceu com altanaria as suas altas funções públicas, sempre colocou o ideal da coletividade acima dos interesses personalistas de grupos e pessoas e o que, imagino, não lhe foi nada fácil em uma sociedade acentuadamente corporativista. Odelmo, o Leão, creio que não fechava posições com expectativas e demandas setorizadas, ao ponto de provocar um reducionismo no ideário social e que acabava inviabilizando políticas diversas. Nosso ex-prefeito, ex-deputado e ex-secretário da Agricultura do estado de Minas – entre outras nobres funções exercidas, fez da política uma missão e dentro da qual, não raras vezes com sacrifício, submeteu-se a passar décadas servindo ao povo. Cidadão de espírito moral elevado como a modéstia, a humildade, o senso de justiça, a fidelidade a princípios, a tolerância e a coragem de ser honesto e autêntico no ambiente político ( constantemente sujeito a pressões e contrapressões), Odelmo foi homem de palavra, coerente e com marca registrada no cartório do caráter. Ele foi o que foi. Não se agarrou ao populismo e evitou o afastamento das redes sociais; elegeu com ele a retidão como inspiração de vida; deixou-se embalar na utopia de transformação e, sobretudo, na crença de que qualquer avanço no caminho do progresso só é possível pela via da efetiva incorporação do povo no processo de controle e decisão das ações públicas. Valeu, Odelmo!

Odelmo Leão: o homem que fez da vida pública uma missão

A única certeza que acompanha todos os seres humanos é que, um dia, a vida chega ao fim. Diante da morte, desaparecem as diferenças, os cargos e os títulos. O que permanece é o legado construído, os exemplos deixados e a lembrança que continuará viva na memória das pessoas.

A morte de Odelmo Leão representa uma das maiores perdas para a história política de Uberlândia e de toda a nossa região. Durante décadas, ele fez da vida pública uma verdadeira missão, dedicando seu talento, sua experiência e sua capacidade de trabalho ao desenvolvimento do município e ao bem-estar da população. Sua trajetória ultrapassou mandatos e gerações, tornando-se parte da própria história de Uberlândia.

Há cerca de dez anos, logo após sua eleição para a Prefeitura de Uberlândia, tive a honra de conversar com Odelmo Leão. Naquele encontro, falei sobre minha atuação como presidente do Conselho Comunitário de Desenvolvimento Rural da Tenda do Moreno. Em vez de um conselho político, ele me fez uma pergunta simples, mas profundamente marcante:

“Você gosta de ser voluntário na arte de ajudar as pessoas sem querer nada em troca?”

Essa frase nunca saiu da minha memória. Ela passou a orientar minha caminhada e fortaleceu ainda mais meu compromisso com o serviço voluntário. Hoje, ao chegar ao quarto mandato como presidente da entidade, percebo o quanto aquelas palavras influenciaram minha forma de servir à comunidade.

Odelmo Leão sempre teve um olhar sensível para o produtor rural. Conhecia de perto as dificuldades enfrentadas por quem vive no campo e compreendia a importância da agricultura familiar para o desenvolvimento econômico e social do município. Por isso, apoiou os Conselhos Comunitários de Desenvolvimento Rural, fortaleceu políticas voltadas ao pequeno produtor e criou condições para que inúmeras famílias pudessem produzir com mais dignidade, segurança e esperança.

Os homens públicos passam. As obras permanecem. Os exemplos inspiram. A história, por sua vez, faz justiça àqueles que dedicam suas vidas ao bem comum.

Uberlândia se despede de um de seus maiores líderes. A política perde um homem experiente e conciliador; o campo perde um grande parceiro; e a população perde alguém que ajudou a construir uma cidade mais forte, mais próspera e mais humana.

Neste momento de dor, manifesto minha solidariedade à deputada Ana Paula Leão, aos familiares, amigos e a todos que tiveram o privilégio de conviver com Odelmo Leão. Que Deus conforte seus corações e o receba em Sua infinita misericórdia.

O tempo encerrará sua presença física, mas jamais apagará seu legado. O nome de Odelmo Leão permanecerá gravado na história de Uberlândia e na memória de todos aqueles que acreditam que a boa política é aquela exercida com responsabilidade, diálogo e compromisso com as pessoas.

Diógenes Pereira da Silva
Presidente do Conselho Comunitário de Desenvolvimento Rural da Tenda do Moreno e Tenente do Quadro de Oficiais da Reserva Remunerada da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG).

JURADOS!!!

Tania Tavares – Professora – SP

unca vamos defender bandidos, mas o assassinato em Paraisópolis não se justifica. Como PMs querem que a população os respeite como alguém que nos protege, se eles agem como se não houvesse treinamento para a abordagem? Com estes atos eles só nos causam pânico. E o jurados que absolveram os PMs estão corretos? A quem recorrer? Cruzes!!!