por uberlandiahoje | jul 16, 2026 | Ponto de Vista |
Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Acadêmico da ABLetras, Blogger, Analista Político e Graduado em Gestão Pública.
Todos sabemos que manter os deputados federais em Brasília custa muito caro. São ao todo 513 deputados eleitos para mandatos de quatro anos. Essa afirmação verdadeira sempre aparece em discussões sobre salários, benefícios e privilégios da classe política brasileira. Mas, para entender quanto custa um deputado federal, é preciso olhar além da remuneração mensal.
O funcionamento desta engrenagem que consegue moer milhões de reais anualmente envolve salários de assessores, estrutura de gabinete, passagens aéreas, deslocamentos, comunicação institucional e recursos destinados à atividade parlamentar. Além disso, deputados também participam da distribuição de emendas parlamentares, que movimentam bilhões de reais do Orçamento da União.
Embora a maioria dos brasileiros não utilize, essas informações estão à disposição de todos para consulta pública. Nos últimos anos, a transparência sobre gastos parlamentares, emendas e execução orçamentária se tornou tema central de debates entre Congresso, Executivo, órgãos de controle e Supremo Tribunal Federal.
É vital entender quanto gastam os deputados e quanto eles custam aos cofres públicos, já que são bancados pelos recursos de nossos impostos. Cada deputado federal recebe atualmente um salário bruto de R$ 46.366,19 por mês, conforme informações da Câmara dos Deputados no ano de 2026.
Apesar de ser um salário aviltante se compararmos com os vencimentos dos professores, médicos, engenheiros e demais profissões esse custo não se limita apenas à remuneração de cada parlamentar. Além do salário, cada gabinete dispõe de recursos destinados à contratação de assessores parlamentares. A Câmara disponibiliza uma verba mensal de R$ 227.000,00 para custear a equipe de apoio ao mandato. Com esse valor, os deputados podem contratar entre 5 e 25 secretários parlamentares, responsáveis por atividades legislativas, atendimento à população, comunicação e acompanhamento de projetos.
A justificativa dada pelos políticos é que essa estrutura existe porque a atuação parlamentar vai além das sessões realizadas em Brasília. Deputados participam de comissões, acompanham políticas públicas, recebem demandas de municípios e realizam atividades em seus estados de origem. Isso é obviamente muito discutível e carece de informações que as comprovem.
Então, já sabemos que cada deputado federal recebe R$ 46.000,00 + R$ 227 mil de verba de gabinete, somados, fazem com que o valor mensal destinado à remuneração de um deputado chegue a obscena casa dos R$ 273 mil. Em um ano, esse valor supera R$ 3,2 milhões. Como a Câmara possui 513 deputados representantes dos nossos Estados esse gasto anual salta para R$ 1.680.000.000 (Um bilhão, seiscentos e oitenta milhões de reais). Como o mandato dura quatro anos o custo aproximado seria de R$ 6.723.000,00 (Seis bilhões e setecentos e vinte e três milhões aproximadamente.
Esse cálculo, porém, não inclui outras despesas vinculadas ao exercício do mandato, como recursos da cota parlamentar, passagens aéreas, auxílio-moradia em situações previstas pelas regras da Câmara e demais estruturas administrativas disponibilizadas pela instituição.
O que são as cotas parlamentares?
Outro componente importante dos gastos parlamentares é a Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar (CEAP), conhecida como cota parlamentar ou, até mesmo, “cotão”.
Esse recurso é destinado a despesas relacionadas ao exercício do mandato, incluindo:
• passagens aéreas
• aluguel de escritórios de apoio
• hospedagem
• combustível
• serviços postais
• divulgação da atividade parlamentar
• contratação de consultorias
• despesas de transporte
O valor da cota varia de acordo com o estado representado pelo deputado, considerando fatores como distância de Brasília e custos logísticos. A utilização desses recursos precisa ser comprovada por meio de notas fiscais e documentos apresentados à Câmara dos Deputados. Nem sempre isso é garantia de probidade, tem parlamentar que apresentas NFs de combustíveis em dois estados ao mesmo tempo.
O deputado pode gastar o dinheiro como quiser?
Não. As despesas precisam estar relacionadas ao exercício do mandato e obedecer às regras estabelecidas pela Câmara dos Deputados. Os gastos devem ser comprovados por documentação fiscal e ficam sujeitos à análise administrativa.
No entanto, existem questionamentos sobre reembolsos de passagens, locação de veículos e despesas vinculadas ao exercício dos mandatos. Essas suspeitas já motivaram operações da Polícia Federal investigando supostos desvios envolvendo recursos da atividade parlamentar, além de pedidos de apuração encaminhados ao Tribunal de Contas da União (TCU) e ao Senado.
Essas informações deveriam servir de alerta aos eleitores que votam e elegem ou reelegem políticos que ao longo de quatro anos não cumprem suas promessas, não trabalham pela sociedade, fingem lutar por pautas que dizem ser relacionadas a família, enquanto na verdade estão enriquecendo suas próprias famílias as nossas custas.
por uberlandiahoje | jul 16, 2026 | Ponto de Vista |
Paulo Henrique Coimbra de Oliveira – Economista – 
O governo tenta sabotar a aposentadoria dos agentes de saúde falando do impacto negativo que vai de ser de 30 bilhões de reais ao longo de vários anos. É a chamada pauta bomba.Não defendo privilégio de nenhuma classe. Afinal a constituição diz que todos são iguais perante a lei. Mas ninguém fala nada do impacto causado pelos penduricalhos aos poderes judiciário, MP e órgãos assemelhados da elite do funcionalismo que custam mais de 30 bilhões POR ANO.É muita hipocrisia , cara de pau. e incompetência junto. Brasil é um país sem passado , sem presente e sem futuro. Esses dados financeiros são amplamente divulgados pelas mídias e pelo próprio governo.
por uberlandiahoje | jul 16, 2026 | Ponto de Vista |
Tania Tavares= Professora
O governo Lula colabora com a zombaria dos Correios, pois além de já ter ajudado os desgovernos dos Correios quer que outras estatais entrem nesta fria como o Banco do Brasil. Qualquer governante sério e comprometido com as contas públicas já teria privatizado os Correio$. Se o governo PT ainda não fez isto é porque algum lucro tem!
por uberlandiahoje | jul 15, 2026 | Ponto de Vista |
Gustavo Hoffay –
Agente Social
Nasci na fé católica e fui batizado no Santuário Nossa Senhora da Boa Viagem, primeira catedral da arquidiocese da capital mineira, minha terra natal. Por uma série de circunstâncias perdi a fé e o contato com Deus logo início da minha fase adulta, quando comecei a dedicar a maior parte do meu tempo à responsabilidade dos afazeres que assumi, em razão de um cargo de alta confiança a mim delegado pelo governo de Minas, enquanto funcionário de uma grande empresa de economia mista e graças a interferência direta de um senador biônico. Sem moral centrada em Deus e impulsionado por firme dedicação a muito do que as minhas funções laborais exigiam, inclusive representar o estado e mais especificamente a secretaria da Agricultura em alguns eventos oficiais em algumas cidades interioranas, cumpri com desvelo o que me cabia. Almoços, jantares, recepções e reuniões diversas lá estava eu, com os meus vinte e poucos anos, engalanado pelas incumbências a mim delegadas pelo Estado. Corriam os anos setenta. Então recém-casado acumulei as funções de professor de Segundo Grau Técnico em uma escola particular, quando então comecei a colocar-me a serviço do pior e mais completo dos males: o ataque à própria vida; sim, por meio de uma existência entregue à luxúria e aos prazeres imediatos originados das bebidas alcoólicas. Sem descer a detalhes que julgo não serem necessários reportar, falhei como marido e pai de duas crianças e ainda na honrosa qualidade de representante do governo estadual em minha área de atuação na secretaria de Estado da Agricultura. Foram duas décadas suportando um peso moral intolerável, inimaginável, psicologicamente esgotado. Passados poucos anos a mão de Deus ajudou-me e um sacerdote franciscano, em Uberlândia(MG), impulsionou-me a sair do nada. Um dia, quando em tratamento da minha saúde física e mental em uma comunidade terapêutica, aquele religioso perscrutou-me e em seguida fez um convite para que o procurasse assim que eu concluísse aquele meu tratamento, ao qual estava submetendo-me de maneira voluntária. Eu aceitei! Ele era Santo Puglisi , atendia pelo nome religioso “Frei Antonino de Bronte” e já contava quase oitenta anos de idade. A partir daquele breve encontro nasceu entre nós uma profunda e respeitosa amizade e mesmo que mal interpretada e mal avaliada por alguns dos seus confrades; nossa proximidade era admirada e mesmo invejada por muitos. A nossa relação de amizade, sadia e diariamente cultivada ao longo de toda uma década….até o seu falecimento, aos oitenta e oito anos de idade, foi-me algo fantástico, extraordinário. Nossas conversas diárias serviram-me, também, para que eu pudesse basear mais firmemente as minhas convicções a favor da vida e, em pouco tempo, na fundação que ele criou e levava o nome da sua mãe, sra. Giuseppina Saitta, fui convidado a exercer as funções de Coordenador e poucos anos depois aceitei assumir um cargo na sua diretoria. Ali, nos anos 90 e inicio dos anos 2.000, tive a grata oportunidade de poder atender a centenas de pessoas necessitadas de orientações a respeito da doença dependência química e enquanto, também, encaminhava-as a cuidados específicos junto a profissionais da saúde física e mental, fundamentado em conhecimentos práticos e também teóricos, esses últimos adquiridos por meio de três cursos universitários e em diferentes estados, além de conhecimentos técnicos que obtive por meio de quatro viagens a clinicas de reabilitação de dependentes químicos nos Estados Unidos. Hoje, passadas todas essas fantásticas experiências e analisando friamente muito daquilo que amarguei, suportei e venci, percebo o quanto a mão de Deus trabalhou de maneira silenciosa a meu favor para que eu pudesse alcançar as funções de diretor do Conselho Municipal Antidrogas de Uberlândia, presidente do Conselho Deliberativo da Fundação Frei Antonino Puglisi, ter editado por dez anos consecutivos o único jornal (Palavra-Vida) que tratava da prevenção ao uso de drogas nesse mesmo município e ter sido convidado para promover mais de uma centena de palestras em escolas e empresas diversas no Triangulo Mineiro. Com o auxílio da minha esposa Eliane, a trinta anos saí da condição em que encontrava-me, apostei na minha capacidade de dar a vota por cima e recomecei a minha vida, mesmo desacreditado por muitos. Apostei na certeza de que eu podia e merecia ser feliz ao lado dela. Permitam-me concluir esse breve testemunho, dizendo-lhes que o amor é o poder mais duradouro deste mundo; essa força criadora e tão formosamente exemplificada na vida de Jesus Cristo é, sim, o instrumento do qual dispomos para buscar e fazer acontecer a paz e a justiça. Uma força que serviu para reestruturar a minha família, ser pai de uma moça cujo coração é maior que ela própria, rever meus filhos do primeiro casamento e obter a graça de ser avô de duas lindas norte-americanas. Creiam: o amor tudo pode!
por uberlandiahoje | jul 14, 2026 | Ponto de Vista |
Tania Tavares – Professora – SP
Dúvida atroz: e se nas pesquisas para Presidente da República as pessoas estiverem blefando esperando uma terceira via? E se o voto nulo for o ganhador, leva?
por uberlandiahoje | jul 14, 2026 | Ponto de Vista |
Marília Alves Cunha – Educadora e escritora
A guerra não esmoreceu entre Rússia e Ucrânia. Pessoas continuam morrendo, famílias se separam, cidades são destruídas, bombas explodem em clarão no céu. Choros escorrem, lamentos se levantam e morrem sem ecos, animais assustados são sacrificados ou morrem de fome…
Nós, de longe, quase não ouvimos mais falar dela, da guerra. Notícias poucas, a mídia tem outras manchetes, guerra velha e feia não tem mais lugar nos centro das atenções. Ficou natural, banalizou-se, acabou-se a novidade, mesmo que a morte e a violência, o desamparo e o medo continuem seu trabalho. É assim hoje, tudo rápido como o raio que corta o céu ou como a exígua vida de um girassol. Como a nossa ânsia besta por um acúmulo de informações que levam a nada…
Deixo aqui, completando o texto, tristes palavras de Mahmoud Darwish, poeta e escritor palestino já falecido.
“A guerra terminará e o líderes apertarão as mãos. Ficará aquela velha á espera do filho mártir, aquela mulher á espera do marido e aquelas crianças á espera do pai herói.
Não sei quem vendeu o país, mas vi quem pagou o preço.”
por uberlandiahoje | jul 13, 2026 | Ponto de Vista |
Diógenes Pereira da Silva – Tenente do Quadeo de Oficiais da Reserva Remunerada da PMMG.
Nem tudo precisa virar discussão
Quando o diálogo vira imposição
As redes sociais, especialmente quando o assunto é política, se transformaram em um verdadeiro campo de batalha. Não de ideias, mas de egos. O que deveria ser debate virou disputa. O que deveria ser argumento virou ataque. E o mais preocupante: muita gente já não percebe mais a diferença.
Hoje, praticamente toda conversa acaba no mesmo lugar: política. Não importa o assunto inicial, cedo ou tarde ele descamba para direita contra esquerda, como se o mundo se resumisse a isso. Discordar deixou de ser algo natural e passou a ser tratado como afronta. Há uma necessidade quase obsessiva de vencer o outro, de impor a própria visão, de ter a última palavra.
Participo de grupos de mensagens e vejo isso de perto. Na prática, me tornei mais um observador. Não por falta de posicionamento, mas por excesso de desgaste. Há pessoas que não conversam, não escutam e não admitem a mínima possibilidade de estarem erradas. Para elas, o mundo se divide entre os que concordam e os que precisam ser combatidos.
E há um detalhe ainda mais incômodo: a repetição. Os mesmos discursos políticos, as mesmas frases prontas, todos os dias, como um eco infinito. A impressão é que pensar dá mais trabalho do que repetir. E talvez dê mesmo.
Nesse cenário, a frase de Arthur Schopenhauer soa menos como exagero e mais como constatação: “Quanto mais conheço os homens, mais estimo os animais”. Dura? Sem dúvida. Mas basta observar o comportamento de muitos para entender o desconforto que ela provoca.
A pergunta inevitável surge: por que permanecer nesses espaços? Porque é neles que as máscaras caem. É ali, no calor das discussões, que se revela o que muitas vezes ficou escondido por anos. E nem sempre o que aparece é agradável. Já me surpreendi. Já me decepcionei.
Ficar um dia longe de um grupo e voltar para centenas de mensagens, quase sempre sobre as mesmas discussões políticas, no mesmo tom, não informa, não agrega, não aproxima. Apenas desgasta.
Opinar é um direito. Mas transformar qualquer conversa em confronto político é uma escolha. E talvez esteja passando da hora de reconhecer o quanto essa escolha tem custado caro para o convívio, para o respeito e para a própria sanidade.
por uberlandiahoje | jul 13, 2026 | Ponto de Vista |
Paulo Henrique Coimbra de Oliveira – Economista – RJ
Qual seria a diferença entre as emendas parlamentares e os penduricalhos do judiciário, MP, tribunais de contas e órgãos assemelhados? Nenhuma é a resposta correta. Em comum todos têm como origem recursos públicos e todos inconstitucionais. Custo benefício ZERO para o país. Apenas privilegiam de forma ilegal e imoral classes de servidores que decidem ao arrepio das leis suas imorais benesses. Traduzindo em miúdos: corrupção institucionalizada. Não têm moral para chamar ninguém de corrupto.
por uberlandiahoje | jul 12, 2026 | Ponto de Vista |
Diógenes Pereira da Silva – É Tenente do Quadro de Oficiais da Reserva Remunerada da PMMG
Vivemos em uma época em que a vida virtual passou a ocupar um espaço cada vez maior na rotina das pessoas. Basta abrir as redes sociais para encontrar um mundo aparentemente perfeito: sorrisos constantes, viagens, festas, conquistas e felicidade sem fim. Ali, quase ninguém mostra as lágrimas, as noites sem dormir, as preocupações ou os momentos de desânimo.
A vida real, no entanto, é bem diferente. Ela não permite filtros nem edições. Existem dias em que tudo parece dar errado, em que o cansaço vence a disposição, os problemas se acumulam e a esperança parece enfraquecer. São momentos que testam nossa fé, nossa paciência e nossa capacidade de continuar caminhando.
Poucos percebem que ninguém constrói sua história sozinho. Somos dependentes uns dos outros desde o primeiro até o último dia de vida. O alimento que chega à nossa mesa é fruto do esforço do agricultor, do pecuarista, do caminhoneiro, do comerciante e de tantos outros trabalhadores anônimos. A roupa que vestimos, a energia que ilumina nossa casa, o atendimento nos hospitais, a segurança nas ruas e tudo aquilo que faz parte da nossa rotina existe porque milhares de pessoas cumprem, diariamente, a sua missão.
Talvez um dos maiores erros da sociedade atual seja acreditar que felicidade significa ausência de problemas. Não significa. A verdadeira felicidade está na capacidade de enfrentar as dificuldades sem perder a dignidade, a esperança e a vontade de recomeçar. É nas tempestades que descobrimos nossa força e aprendemos o verdadeiro valor da família, dos amigos e da fé.
Os antigos costumavam dizer que apenas uma coisa não tem solução: a morte. Todo o restante, por mais doloroso que pareça, pode ser enfrentado com coragem, perseverança e confiança em dias melhores.
A vida nunca foi fácil e jamais será. Ela exige sacrifícios, renúncias e muito trabalho. Mas é justamente essa mistura de desafios e superações que dá sentido à nossa existência. Cada obstáculo vencido nos torna mais fortes, mais humanos e mais conscientes de que o maior patrimônio que possuímos não é o dinheiro, nem o sucesso ou a fama, mas a capacidade de seguir em frente quando tudo parece perdido.
A vida como ela é não se mede pelas fotografias publicadas nas redes sociais. Ela se revela no silêncio das lutas diárias, na coragem de quem não desiste, na solidariedade de quem estende a mão ao próximo e na esperança de acordar, todos os dias, acreditando que amanhã poderá ser melhor do que hoje.
por uberlandiahoje | jul 11, 2026 | Ponto de Vista |
Ana Maria Celho Carvalho – Bióloga
Com a eliminação do Brasil pela Noruega, nesta Copa do Mundo de 2026, lembrei-me de um artigo divertido escrito por Roberto Pompeu de Toledo, publicado na revista Veja, sobre a Copa do Mundo de 2014. Com o sugestivo título “Conpozissão imfãtil”, o autor escreveu sobre essa Copa, como se fosse uma criança, uma menininha. Na época, fiz uma adaptação do texto desse autor, como se segue.
“O mundo é dividido em nações, que é o nome que tem os países, como o Brasil, o Japão. Quase nunca a gente percebe que o mundo é dividido em nações, porque aqui no Brasil só tem brasileiro, e a gente fica pensando que o mundo é como o Brasil. Mas, em Copas do Mundo, a gente percebe. Cada nação insiste em falar em uma língua diferente. Não sei porque todo mundo não fala português, que é tão fácil que até criança pequena fala, sem precisar estudar. Na Suíça e na Bélgica eles falam muitas línguas, além do suíço e do bélgico. Na hora do hino cada jogador canta numa língua e ninguém entende. Também no jogo, cada um fala com o outro numa língua, e isso é uma maneira de confundir o outro time, que não sabe o que eles estão combinando.
Cada nação tem uma camisa diferente. A melhor é a de um país chamado Croácia, onde vivem os croatas, que são pessoas que gostam muito de jogar xadrez. Por isso, a camisa deles é como um tabuleiro de xadrez, com quadradinhos brancos e vermelhos. A camisa da França é azul, e os jogadores são chamados de “azuis”, mas, na verdade, só a camisa é azul; eles são brancos ou pretos, como todo mundo.
As nações possuem bandeiras e hinos. Acho a bandeira do Brasil a mais bonita de todas, fora algumas, e muito bem feita para o futebol: tem o verde dos gramados, o amarelo da taça que o campeão vai ganhar e a bola. No meio tem uma faixa que, quando o Brasil é campeão, fica escrito “campeão” e, quando não é, fica escrito uma bobagem qualquer. Outras bandeiras são interessantes, principalmente para nós, meninas, como as que têm estrelinhas e outros desenhos. A mais engraçada é a da Argentina, que tem um solzinho com olho, nariz e boca. É uma bandeira amiga das crianças. Meu pai não gosta que eu torça para a Argentina, mas eu torço por causa do solzinho e não conto para ele.
Antes do jogo tem os hinos, e a televisão vai traduzindo. Aí eu tenho medo. O da França diz para os filhos formarem uns batalhões e atacarem os inimigos. Deve ser terrível viver na França. Lá tem inimigos que querem estrangular as crianças, e os franceses cantam essas coisas como se não fosse nada demais. Os ingleses também têm inimigos terríveis, cheios de truques maldosos, diz o hino deles, e eles juram que vão esmagar os inimigos. Nos Estados Unidos o hino explica que tem bombas e foguetes voando. Como os jogadores podem ser bonzinhos, depois de cantar essas coisas? Tem um que mordeu outro. Acho que foi pouco; coisas muito piores podiam acontecer.
Podia acontecer de morrerem, por exemplo. O hino da Itália pede para que todos estejam prontos para morrer, porque a Itália chamou. Como é que se pode chamar os outros para morrer? O do Uruguai pede para escolher a pátria ou o túmulo. O nosso, do Brasil, que eu prefiro, não dá para entender as palavras e, por isso, não ameaça ninguém. Mesmo assim, tem um pedaço que diz que a gente não teme a própria morte. A Fifa não devia deixar eles cantarem essas coisas. É um risco: no fim do jogo, o campo pode ficar cheio de mortos. Mas nossos jogadores cantaram sempre, todos, e choraram muito. Quem chorou mais, eu acho, foi o Thiago Silva. Aqui em casa até o meu pai chorou. Eu não. Tenho mais o que fazer.”
Enfim, doze anos se passaram desde a Copa de 2014. Mudaram os jogadores, mudaram os técnicos, mudaram os heróis e os vilões. Mas os adultos, antes de cada Copa, continuam pensando que o Brasil será o campeão. Depois da derrota, dizem que nunca acreditaram muito no time. Alguns choram, outros brigam, chamam o juiz de ladrão, prometem nunca mais assistir futebol. Mas a promessa dura somente até a próxima Copa.
Acredito que a menininha, dessa “conpozissão imfãtil”, olharia para os adultos com um sorrisinho de quem não entende tanta confusão, por causa de um jogo com vinte e dois jogadores correndo atrás de uma única bola. Daria de ombros e diria:
-“Perdeu? Que pena. Agora vou brincar. Tenho mais o que fazer”