Desacreditado

Iria de Sa Dodde*

Quem ainda acredita em Bolsonaro? Muita gente, em especial, os bolsonaristas. Cumpriu parte de sua missão. Era importante detonar o lulismo-petismo, a grande chaga nacional. Só produzem baixarias. Mas parou por aí. A NASA nunca vai estudá-lo. Só cria casos, mais nada. Seu entorno é pior que as claques petistas. Só produzem mentiras. Já desisti dele faz tempo.

*Professora

Zema participa do lançamento de terminal rodoferroviário em Iturama

Gov. MG/Imprensa

Empreendimento da usina Coruripe tem investimento R$ 70 milhões e capacidade de movimentar 2 milhões de toneladas de açúcar por ano

O governador Romeu Zema participou, nesta quinta-feira (29/10), em Iturama, no Triângulo Mineiro, do lançamento da pedra fundamental do Terminal Rodoferroviário Comendador Rubens Montenegro Wanderley, na usina Coruripe, uma das maiores do estado no setor sucroenergético.

Com investimento direto da empresa, no valor de R$ 70 milhões, o projeto prevê a instalação de uma unidade de transbordo rodoferroviário interligada à empresa Rumo Malha Central (Ferrovia Norte-Sul). A unidade vai começar a operar em 2022 e terá capacidade de movimentação de cerca de 2 milhões de toneladas de açúcar VHP por ano para exportação via Porto de Santos, em São Paulo.

Durante o lançamento, o governador ressaltou a importância do investimento em infraestrutura e logística para a retomada econômica de Minas.

“Um dos problemas que temos hoje no Brasil é a questão da eficiência logística. Conseguimos produzir bons produtos, mas, muitas vezes, não conseguimos transportá-los. Para Minas Gerais, que está distante dos portos, uma obra como essa é mais importante ainda. Esse terminal vai solucionar o problema no setor do açúcar e com certeza vamos ter outros, futuramente, para grãos e outros produtos”, afirmou.

Zema também destacou o esforço do governo estadual para melhorar a malha viária mineira.

“O nosso orçamento, infelizmente, não possibilita grandes obras. Mas estamos investindo R$ 1 bilhão em projetos que estavam engavetados e já tinham recursos prontos para serem utilizados, vindos do governo federal e da iniciativa privada. Ano que vem, vamos começar a fazer concessões de trechos rodoviários, para que o setor privado, que tem recursos, participe dessa melhoria da malha viária do estado. Também temos contado com a ajuda de deputados estaduais e federais, por meio de emendas parlamentares”, explicou.

Desenvolvimento

O presidente da Usina Coruripe, Mário Luiz Lorencatto, destacou o impacto do terminal rodoferroviário para o desenvolvimento do setor e da região.

“Um dos grandes problemas para o desenvolvimento e alavancagem do sucroenergético aqui no Triângulo Mineiro é a infraestrutura. Esse evento não vai beneficiar apenas Minas, mas também Goiás e uma parte do Mato Grosso do Sul. Grandes coisas virão daqui e temos planos de expansão nas unidades do Triângulo, assim como outras companhias. E, como todos sabem, o sucroenergético traz emprego, renda e desenvolvimento”, afirmou.

A obra tem início previsto para janeiro de 2021 e a previsão de conclusão é o primeiro semestre de 2022. Quando estiver operacional, o terminal vai gerar cerca de 300 empregos diretos e indiretos em vagas nas áreas de operação de tombador, armazenagem e expedição. Para a construção, é estimada a geração de 150 empregos diretos.
O presidente da Rumo Logística, João Alberto Abreu, lembrou ainda que o empreendimento vai ajudar a aumentar a competitividade do setor e a sustentabilidade do agronegócio.

“Neste ano, serão 30 milhões de toneladas de açúcar exportadas no Brasil. Esse produto gera, em termos de divisa, R$ 50 bilhões por ano para o país. E esse tipo de negócio (a ferrovia) é absolutamente fundamental para continuar aumentando a competitividade. Também vale lembrar que quando uma tonelada de produto sai de trem em vez de caminhão a emissão de CO2 é reduzida em 85%”, disse.

Participaram do lançamento o secretário-geral, Mateus Simões; o secretário de Estado de Infraestrutura e Mobilidade, Fernando Marcato; os deputados federais Zé Vitor, Zé Silva e Franco Cartafina; o deputado estadual Raúl Belém; e o acionista da Usina Coruripe, Tércio Wanderley Neto; entre outras autoridades.

FÉ E FÉ

Gustavo Hoffay*

Tenho a impressão de que ser fiel dessa ou daquela igreja já tornou-se um diferencial para medir, incluir, excluir, afastar, atrair (ou não) alguma pessoa e até mesmo para uma colocação no mercado formal de trabalho. A religião vem tornando-se (novamente e talvez com maior intensidade) em oportunidade de medir-se a capacidade de alguém ser ou não racional, nocivo, trabalhador, inteligente, prestativo, sociável, amável……..Desde criança até à idade adolescente eu não tive conhecimento da existência de mais que três religiões e mesmo porque uma delas é a que fui batizado, abracei e sigo por todo o sempre e as outras duas porque tinham belos e grandes templos próximos à casa dos meus pais. Com o passar dos anos e até a presente data, verifico que são tantas as religiões e seitas em solo brasileiro que chega a ter uma espécie de disputa campal entre algumas delas, ao ponto de cidadãos serem objetos de rivalidade e alvos de assédio constante da parte de seus seguidores, pessoalmente ou por meio de mídias eletrônicas, aí incluída ( é claro) a televisão; sem contar as vezes que somos visitados por fanáticos adeptos de alguma crença, como a uma legião de seguidores captados, cativados, instruídos e ordenados a propagarem a idéia de que o seu “produto” é o melhor a ser “degustado” e que ele, somente ele, tem a resposta para indagações do tipo “ Porque eu vivo? Porque irei morrer? Porque sofro….”? Enfim uma salada de extasiantes movimentos que se chocam, causando uma profusão de mensagens, teorias, impressões e conversões a partir de suas próprias interpretações das sagradas escrituras. A necessidade de respostas para essas indagações vem evidenciando-se cada vez mais e especialmente nessa grave pandemia, quando muitos temem o sofrimento, a perda pelo estímulo de viver e até mesmo o sair de suas próprias casas. É nessa hora que teorias obscurantistas e credos diversos surgem com redobrado vigor, para apresentarem todas as respostas que, imaginam, possam satisfazer todas as nossas dúvidas em relação ao transcendental. Por outro lado a crença na ciência, na filosofia do progresso e do desenvolvimento tecnológico é o que unicamente interessa a muitos que preferem substituir a fé em
Deus. É notório em um momento desse , um retorno espontâneo de grande parte da população às questões relativas a Deus, diante de um ateísmo que tende extirpar a fé de um numero cada vez maior de pessoas, daí o empipocar de seitas e pastores que encontram eco fácil e rápido em meio a uma sociedade sedenta de um pronto-socorro espiritual, necessitada de descobrir um algo mais que a simples materialidade que enxerga ao seu redor e da qual, em vão, procura nutrir-se para saciar a dúvida da sua existência. E é nesse momento, penso, que o charlatanismo para a exploração da credulidade popular surge com todo um aparato para “saciar” os inquietos e insatisfeitos que, até, deixam-se contagiar por magias e superstições. Ora! A visão da finitude deveria levar todos os homens a desejarem superar os seus próprios limites, mas somente voltando-nos para Deus encontraremos a resposta para as nossas demandas sem no entanto deixarmo-nos alienar, enquanto alimentando-nos de fanatismos originados e propagados por grupos de pessoas que dão à nossa fé expressões inadequadas e caricaturais, fazendo que essas procurem em cisternas rotas aquilo de que carece (Jr 2,13) ou batam em portas falsas à procura de resposta para os seus anseios. Equilíbrio é o sentimento do qual mais necessitamos nos dias atuais e ele somente será pleno na graça da fé.

*Agente Social
Uberlândia(MG)

Fábrica de moleque malcriado…

Cesar Vanucci *

“Nenhum taverneiro poderá vender
farinha em cuia, que é ladroeira…”
(De um edital da Câmara da Vila de Catimbal,
Minas Gerais, publicado no ano de 1868)

Na reorganização, tempos atrás, de minha biblioteca, meti a mão no fundo do baú, desencavando algumas preciosidades em matéria de livros e textos soltos. Foi assim que andei redescobrindo um exemplar do “Elixir do Pagé”, sobre o qual João Dornas Filho assim se expressa: “Um injustiçado pudor sempre dificultou a leitura do que eu considero os melhores versos de Bernardo Guimarães, os seus poemas eróticos. Sugeri, por mais de uma vez, a inclusão desses versos numa antologia galante, que contivesse outras joias líricas da nossa poesia e continuo a pensar que constituiriam um escrínio precioso da nossa poética”.

Uma outra publicação rara, ofertada pelo próprio autor, a pessoa de meu apreço pessoal por ocasião de visita que lhe fez, na década de 30, em sua fazenda em Ponte Nova, é o livro que contém o desassombrado pronunciamento nacionalista de Arthur Bernardes, na sessão de 18 de junho de 1937, na Câmara dos Deputados, sobre a Itabira Iron.
Sem que me veja em condições de poder explicar em detalhes, recorrendo apenasmente à memória, como foram parar em meus “arquivos implacáveis”, deparei-me, também, nessa mexida, com documentos de nítido caráter picaresco que me disponho, agora e em dois outros momentos na sequência, pelo seu sabor hilário, a trazer ao conhecimento de meus preclaros leitores. Os textos republicados ajudam a quebrar a sisudez dos comentários sobre a temática política e econômica desta hora de pandemia e pandemônio.

O que vem aí é a transcrição de uma portaria editada pela Câmara Municipal de Catimbau, Província de Minas Gerais, no ano de 1868. Foi encontrada nos arquivos do INPM.
“Antônio Pires de Noronha Franco, fiscal aprovado pela Câmara desta Vila de Catimbau Minas Gerais:
Faço saber aos povos desta vara que no dia 1° do mês que vem sairei em triunfo de correção aferindo os pesos de todos, bem como as respectivas.
Art. 1°- Ficam proibidos os regos. Aqueles que não mandarem tapar os que tiverem, bem como todos buracos, serão multados em 20$000 cobre.
Art. 2°- Nenhum animal de ordem das cabras poderá roer pelo vizindário.
Art. 3°- Nenhum negociante ou taverneiro, ainda mesmo Coronel da Guarda Nacional, poderá vender farinha em cuia, que é ladroeira.
Art. 4°- Negro sem bilhete, tarde da noite na rua, é ladrão. Multa no senhor de 6$000.
Art. 5°- Português de braço dado com negra cativa, alta noite, é fábrica de moleque malcriado e sem-vergonha. Cadeia nos dois, um em cada xadrez, para evitar dúvidas.
Art. 6°- Boi ou vaca deitado na rua de noite, sem lamparina no chifre, do modo que os andantes não o vejam bem, multa de 5$000.
E para que não digam que não sabiam mando afixar este edital e mais outro na porta de frente e de trás do boticário, que é o lugar onde se fala da vida alheia.
Em 4 de março de 1868.”

* Jornalista (cantonius1@yahoo.com.br)

Vacina chinesa, não!

Percival Puggina*

Discute-se se o Brasil deve, efetivamente, comprar milhões de doses da vacina chinesa. Sem a menor intenção de magoar a sensibilidade do governador João Doria, que tem revelado particular afeição pelos interesses chineses no Brasil, quero proclamar minha completa aversão a esse negócio. Aplica-se a ele a regra segundo a qual jamais compre mercadoria que venha empacotado por algum partido comunista.

Ao que se sabe, há duas hipóteses para a origem do coronavírus. Ou ele – em suposta teoria da conspiração – é produto de algum laboratório chinês, ou ele surgiu daqueles hábitos alimentares em que seres humanos acabam metabolizando insetos e animais silvestres com constante risco de trazer à humanidade doenças para as quais não temos imunidade.

A origem desses péssimos costumes é conhecida. Eles foram adquiridos nos tétricos episódios de fome impostos pelo Partido Comunista da China ao povo chinês. Ainda que seja motivo de pesar, é imperdoável que, sabido o alto risco que eles representam, nada tenha sido feito para extingui-los. Num mundo globalizado, não há limites para a expansão de novas pandemias. Portanto, a responsabilidade do PCC é indiscutível, como indiscutível é sua condição de soberano senhor do povo de seu país. Pode-se discutir a maior ou menor responsabilidade moral do Partido numa e noutra hipótese. Mas não se pode pôr em dúvida a responsabilidade.

As suspeitas se foram tornando mais incisivas quando a revista Exame, em matéria do dia 1de setembro (1), constatou que dezenas de economias nacionais estavam acusando quedas drásticas do PIB. Entre elas, Índia, Brasil, Estados Unidos, Japão e praticamente toda a Zona do Euro. Enquanto isso acontecia no mundo das vítimas, a China, “por haver controlado rapidamente a epidemia”, logo voltou a crescer. Em abril, o jornal El País (2), sobre cuja posição política não pairam incertezas, publicou matéria listando reações de governos europeus, notadamente França e Reino Unido, cobrando responsabilidades do governo chinês:

“Esperamos que a China nos respeite, como ela deseja ser respeitada”, declarou na segunda-feira o ministro francês de Relações Exteriores, Jean-Yves Le Drian. “Nada pode voltar a ser como antes” enquanto a China não esclarecer de forma cabal tudo o que está relacionado com o vírus, observou na semana passada seu homólogo britânico, Dominic Raab.

A interessante matéria destaca, ainda, uma guerra de narrativas, com a qual, propagandisticamente, a China exibe suas remessas de material médico e de enfermagem ao Ocidente, enquanto silencia o fato de haver o Ocidente feito o mesmo quando o problema se manifestou em Wuhan. A BBC, em 28 de julho, divulgou matéria em que médico chinês afirma haver, em 12 de janeiro, informado as autoridades chinesas sobre a transmissão humana do vírus. O alerta, contudo, só foi levado ao público em 19 de janeiro (3).

Por isso, penso que o PCC, soberano senhor do povo chinês, repito, deveria oferecer sua vacina de graça à humanidade. E a humanidade deveria devolver a mercadoria. Alias, gostaria que o presidente da República enviasse uma dose dela para os jornalistas que o recriminam por sua atitude de resistência. Quantos realmente iriam usá-la?

Enfim, a China deveria indenizar a humanidade pelo estrago que fez, deveria usar seu aparelho tecnológico para extinguir os riscos que provenientes dos maus hábitos alimentares de alguns de seus cidadãos, ou dos ensaios empreendidos por eventuais “doutores Nirvana” de seus laboratórios. Jamais, jamais, ganhar dinheiro vendendo vacina às vítimas do vírus que veio de lá.

(1) https://exame.com/economia/pandemia-provoca-recessao-recorde-e-derruba-pib-de-ao-menos-28-paises/
(2) https://brasil.elpais.com/internacional/2020-04-21/franca-e-reino-unido-lideram-endurecimento-do-tom-europeu-com-a-china.html
(3) https://www.bbc.com/portuguese/internacional-53569400

* Percival Puggina (75), membro da Academia Rio-Grandense de Letras e Cidadão de Porto Alegre, é arquiteto, empresário, escritor e titular do site Conservadores e Liberais (Puggina.org); colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil pelos maus brasileiros. Membro da ADCE. Integrante do grupo Pensar+.