O Brasil poderá ser polo industrial regional no futuro

Ivan Santos – Jornalista

Os dirigentes petistas de Uberlândia anunciam a vista do pré-candidato a presidente da República, Lula da Silva, a esta cidade no dia 10 de junho. Que seja bem-vindo Lula, Bolsonaro e todos os outros aspirantes ao Palácio do Planalto. Uberlândia sempre foi e continua a ser uma cidade civilizada.
Particularmente espero que Lula e os outros pré-candidatos cheguem com projetos concretos para administrar o Brasil. Quero ouvir de cada candidato as propostas para a Saúde, Educação, Segurança, apoio do Governo para modernizar a indústria e reformas estruturais para inserir o País na economia mundial.
Neste momento o governo dos Estados Unidos da América do Norte estuda providências para retirar da China parte da produção de insumos para a produção industrial. O presidente Biden, estrategicamente convidou o presidente Bolsonaro o próximo Encontro0 de estadistas americanos a realizar-se em Washington. Até o momento não se viu manifestação do governo brasileiro sobre projetos de inserção do Brasil no desenvolvimento econômico global.
A hora é boa para o presidente Bolsonaro discutir como o chefe do governo dos EUA a inclusão do Brasil como um dos polos mundiais de produção de insumos industriais. Para isto o Brasil precisa realizar uma reforma tributária realista que crie neste país um ambiente para investimentos de longo prazo, como fez a China. Isto não é difícil. Basta que haja vontade política e visão realista no futuro.
Para modernizar a produção econômica no Brasil é preciso que o País conte com um governo competente que não privilegie politicagem, politiquice nem politicalha. Esta advertência vale para o atual presidente e para todos os pré-candidatos a chefe do Governo do Brasil.

Dom Arns confirma as sevicias

Cesar Vanucci*

“Atormenta-me (…) a perspectiva de não poder
prosseguir na vida de apostolado que escolhi em meu país.”
(Carta de Madre Maurina do exílio, no México)

A carta dirigida por Madre Maurina ao ex-Ministro da Justiça Alfredo Buzaid, dando conta das violências a que se achava exposta no cárcere, acusada injustamente de participação em ações contrárias ao regime militar, não mereceu qualquer atenção digna de nota da parte do governo. Seu apelo angustiado esbarrou em glacial e cruel indiferença.

Dom Paulo Evaristo Arns, falando ao “Jornal do Brasil” em 16.11.2003, confirmou as sevicias infligidas à religiosa durante o período em que permaneceu detida. Disse, a propósito: “Não negarei as evidências das sevicias sexuais, pois isso ficou demonstrado no depoimento dela e de outras presas que estavam com ela em Ribeirão Preto e também passaram por esses horrores.”

No mesmo depoimento, o Cardeal desmentiu enfaticamente um boato maldoso posto a circular, ao que tudo faz crer, pelos próprios agentes policiais e militares que a mantinham encarcerada, a respeito de que a freira estaria grávida em consequência de seu “relacionamento promíscuo” com “companheiros de militância política”. A sórdida maquinação ia mais longe: por causa da “inconveniente gravidez”, Madre Maurina havia decidido fazer “aborto”. À vista de tudo, a Igreja “teria intercedido’, junto ao governo, para que a religiosa figurasse numa lista de presos políticos encaminhados a exílio no México em troca da libertação de um cônsul japonês sequestrado pela guerrilha urbana.

O combativo Dom Evaristo expressou-se, anos depois, a respeito, desfazendo toda a rede de intrigas, de forma bastante categórica: – “Está na hora de acabar com as mentiras e os boatos que rondam esse episódio. Penso que a inclusão do nome de Madre Maurina na lista de presos trocados pelo cônsul japonês se deve aos próprios militares. Eles queriam, naquele momento, demonstrar para a opinião pública o quanto a Igreja estava comprometida com a causa. Essa foi a forma de desmoralizar os religiosos, exibindo-os como terroristas, numa espécie de vingança. Ela era mulher e freira. Isso chamava a atenção mais que tudo. Era como estarem dizendo: “Olha, precisamos agir, pois até as freiras já estão metidas nisso.”

Madre Maurina ficou ainda mais arrasada psicológica e fisicamente – se isso fosse ainda possível de ser concebido face ao martírio imposto pelas arbitrariedades de que foi vítima – com o exílio forçado. Assinou declaração, reafirmando sua inocência “diante de Deus” com relação às acusações que lhe foram imputadas, dizendo não conhecer nenhum dos integrantes da lista dos prisioneiros trocados pelo cônsul geral do Japão, nem tampouco nenhuma das organizações “subversivas ou comunistas, ou o que quer que seja”, envolvidas nos acontecimentos daquela hora. Explicitou com clareza sua disposição pessoal em não sair do Brasil para qualquer outro país e, aqui, poder provar, perante a Justiça, a verdade dos fatos.

Já no exílio no México, dirigiu apelos dramáticos ao governo militar para que lhe permitisse o retorno, “a fim de ser normalmente processada e julgada (…) e demonstrar a minha inocência.” Palavras textuais de uma das cartas que enviou às autoridades, divulgada também no JB: “Não me atormenta a perspectiva de vir a ser, eventualmente, recolhida à prisão onde me encontrava. Atormenta-me, isto sim, a perspectiva de não poder prosseguir na vida de apostolado que escolhi em meu país, de não poder abraçar e beijar as minhas irmãs de vocação e a minha família, de não poder rezar ajoelhada sobre a terra que me viu nascer, onde caminhei pela primeira vez e que, abrigará, confio em Deus, meu corpo, quando então prestarei contas de minha vida ao Senhor Nosso Pai.”

Fica claro que esta história comporta outras considerações.

* Jornalista (cantonius1@yahoo.com.br)

Loucura geral! Diversidade para tudo, exceto para opiniões…

Percival Puggina

É sabido que não crer em Deus exige um ato de fé muito mais difícil do que crer nÊle. Pessoalmente, como trato em meu livro Pombas e Gaviões, a ideia do Grande Nada criador de tudo me resulta tão incompreensível quanto inútil para as interrogações propostas pela existência humana.

Tenho certeza de que a natureza, o cosmo e o microcosmo, o que se vê com o telescópio e com o microscópio, revela incessantemente ao observador a diversidade das coisas e dos seres criados. A diversidade é parte indispensável da primeira aula sobre tudo que nos envolve. Quem pensa que descobriu a diversidade conversando sobre empoderamento e pautas políticas numa mesa de bar está confundindo o peixe com o anzol. A diversidade é criação de Deus!

Um velho e querido amigo, já falecido, costumava definir situações como a “descoberta da diversidade” como ninhos de égua e explicava: “Éguas existem, mas não surgem em ninhos”. No entanto, há partidos políticos que se dedicam a criar ninhos de égua, operando diversidades segundo bem lhes convêm.

Como essa escalada busca o “empoderamento”, as diversidades articuladas em seus mal arranjados ninhos mentais dispara inesgotável pauta de direitos a reivindicar contra algo ou alguém, cria inimigos a derrotar, contas a apresentar, devedores de quem cobrar e prerrogativas a conquistar. Como o objetivo final é a hegemonia da parte sobre o todo, a palavra “luta” é proteína de toda a célula, de todo o discurso e de todas as correspondentes ações no ambiente cultural e político.

Surpresa! Imposta a hegemonia, a primeira vítima é a própria diversidade, exatamente o nome dado à “égua de ninho”. Trancam-se as portas e passam-se os ferrolhos nos catequéticos espaços dos meios culturais. Toda divergência é condenada aos gulags do esquecimento nas bibliografias e bibliotecas, nas salas de aula, nos comitês acadêmicos, no jornalismo, nos tribunais.

Por isso – exatamente por isso! – um ministro do STF, em recente pronunciamento, fez o elogio da mesmice uníssona das opiniões na “mídia tradicional” e relegou ao sanatório dos imbecis, aqueles que de algum modo estão a gritar nas praças e redes sociais:

Ei, senhores! Povo é uma palavra singular, mas define algo essencialmente plural. É o exemplo maior e mais perfeito da diversidade e está ausente onde ela não se manifesta. Não por acaso, lembrem-se, esse povo é o soberano das democracias. Haverá outubro!

*Percival Puggina (77), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.

Pesquisassss…!

Tania Tavares

Mal foi definida, ou quase a terceira via e já sai uma pesquisa colocando a senadora Simone no mesmo lugar e Lula crescendo muito. Será que todos que votariam em Dória já migraram seus votos para um só candidato? A mídia se quiser pode ajudar a terceira via, entrevistando-a para que os brasileiros a conheçam, pois os outros dois candidatos já sabemos o que fizeram nos verões passados.

Homeschooling – A terceirização da Educação em marcha!

Rafael Moia Filho*

Se a nosso sistema educacional nunca foi um exemplo ao mundo e se os nossos professores nunca foram respeitados e tratados como deveriam e o são no primeiro mundo, imaginem se o projeto que tramita no Congresso nacional de Homeschooling for aprovado?
Os primeiros anos de vida são fundamentais e quase decisivos para a formação do caráter, da personalidade e das virtudes. O que é ensinado às crianças nesta idade pode durar para o resto de suas vidas. “Uma das ferramentas mais úteis na busca pelo poder é o sistema educacional”. (Schlossberg, Herbert, 1993).
Muitas pessoas começaram a pesquisar o que é homeschooling, especialmente a partir de 2018, ano que o assunto chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF). Antes de entender a polêmica, é preciso saber do que se trata.
Homeschooling é o termo em inglês para educação domiciliar ou educação em casa. Pode também significar escola em casa, embora não seja a intenção, pois não se trata de imitar a escola em casa, mas de mudar os métodos na busca do mais adequado.
A intenção é que os filhos sejam educados em casa, por seus pais ou por instrutores escolhidos por seus pais, e não na escola.
O ensino domiciliar é uma prática antiga, não é nova. Antes do surgimento das escolas e da escolarização, os mentores já educavam os filhos dos outros em casa.
No Brasil, infelizmente essa pauta está associada diretamente não aos pais que necessitam por motivos justos e plausíveis de educar seus filhos no lar, mas sim, pelos religiosos extremistas que querem afastar seus filhos dos “professores” comunistas e do contato de seus filhos do conhecimento de outras ideologias políticas e de gênero.
Em resumo, está ligado ao atraso, ao ranço de gente ignorante, intolerante e preconceituosa que quer manter seus filhos sob o manto da sua religião situada na Idade Média.
A organização Todos Pela Educação criticou o homeschooling e chamou a medida de “equivocada” e “fora do tempo”, sendo contra “qualquer incentivo” relacionado à prática. Segundo a entidade, o tema vem avançando na Câmara dos Deputados e estava na agenda prioritária do governo do presidente Jair Bolsonaro (PL) em 2021. A organização disse que a prática não consegue atender aos 3 objetivos da educação estabelecidos pela Constituição Federal: o “pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”. A nota afirma que o homeschooling pode inviabilizar o ensino da tolerância religiosa e o respeito às diferenças. Além disso, a entidade aponta também o uso dos recursos públicos para a educação, mencionando o dado da Associação Nacional de Ensino Domiciliar de que os recursos financeiros são direcionados para apenas 0,04% dos estudantes brasileiros.
O governo federal ao invés de investir pesado num projeto que possa elevar a qualidade do ensino brasileiro desde a tenra idade até a graduação superior, algo que possa valorizar os professores, modernizar escolas e conteúdos programáticos, prefere jogar novamente com seus aliados no sentido de atrasar ainda mais a possibilidade de evolução do sistema educacional brasileiro.
Na campanha em 2018, a pauta eram as escolas militares, que não foram construídas pelo atual governo. Agora joga a favor do ensino em casa, contrariando o bom senso e a lógica. Com isso, perdemos mais quatro anos sem ter ao menos um projeto e um norte para a educação no país.

* Escritor, Blogger, Analista Político e Graduado em Gestão Pública.