por uberlandiahoje | jan 2, 2026 | Ponto de Vista |
Ana Maria Coelho Carvalho – Bióloga
Quando se pensa nas abelhas, geralmente lembramos das ferroadas e do mel. Existe até um caso curioso, envolvendo ferroada, relatado no livro “Insetos no Folclore”, ocorrido com uma senhora que apareceu no museu da USP querendo informações sobre insetos. Ela estava aflita e amedrontada, dizendo que seu filho, já adulto, havia sido ferroado por um inseto e ela desejava saber se tal inseto era perigoso ou não. O funcionário do museu mostrou-lhe várias gavetas da coleção e quando a mulher viu os exemplares de abelhas mamangavas, disse alvoroçada:-“Foi essa, foi essa!” Perguntou se a ferroada era mortal e explicaram que era muito dolorosa e causava inchaço no local, mas se a vítima não fosse alérgica, não haveria perigo maior. Reconfortada e mais tranquila, explicou que o filho, há tempos, havia sido ferroado por uma mamangava e os colegas de trabalho garantiram, na época, que ele morreria depois de sete anos. E acrescentou: -“É nessa semana que se completa o prazo…”
Mas, além das ferroadas, as abelhas têm seu encantamento. Jataí, irapuá, mandaçaia, europa, mamangava, uruçu, jandaíra, moça-branca e várias outras, em várias cores: pretas, amarelas, azuis metálicas, verdes, listradas, lindas. Todas dignas de admiração e de respeito. Olhando para elas, dá para pensar naquela música: “quando Deus te desenhou, Ele tava namorando, na beira do mar do amor…”
No aspecto morfológico, não passam de um pequeno inseto, a maioria das espécies com menos de um centímetro. Mas complexas, com coração, aorta, cérebro, gânglios nervosos, glândula salivar. Com sofisticado sistema sensorial e neuro motor e capacidade de aprendizagem. Com olhos compostos que percebem tons que nem o olho humano consegue, como o ultra violeta. Uma flor azul, por exemplo, para elas aparece em vários tons azulados e ultra violeta. Antenas com função de tato, olfato, audição e gustação, extremamente eficientes. Por exemplo, um zangão é capaz de sentir o cheiro de uma rainha virgem a dez quilômetros de distância. Com papo de mel, onde carregam o néctar e com escopas ou corbículas, para transportar o pólen. Uma perfeição.
Além de tudo isso, possuem um incrível sentido de orientação para encontrarem o caminho de volta para o ninho. Algumas comunicam a fonte de alimento com dança e outras usam trilhas de cheiro. Também na reprodução há comportamentos fascinantes. As abelhas solitárias cavam o solo, fazem os túneis, aprovisionam as células, ovipositam e morrem antes da cria nascer, mas deixam garantido o sustento e a proteção. Nas que vivem em sociedade, os zangões morrem depois da cópula, mas para eles significa que tiveram êxito. A rainha armazena espermatozoides viáveis para toda sua vida (cerca de cinco anos), pois só copula uma vez. E as operárias são altruístas, pois deixam de ter sua própria prole para cuidar da prole da rainha.
E tem mais: as abelhas são arquitetas fantásticas. No ninho, usam cera, batume e cerume para construir as várias partes, como a entrada, os potes de alimento, o invólucro que mantêm a temperatura constante, o depósito de detritos, a galeria de drenagem da água. Uma obra caprichada. E a divisão de trabalho entre as operárias é outra perfeição. De acordo com a idade, são faxineiras, nutrizes, engenheiras, guardas, campeiras. Estas últimas morrem com cerca de 60 dias, com as mandíbulas e asas gastas de tanto ir para as flores, coletar e voltar para o ninho. Enfim, conseguem construir uma sociedade perfeita, e o homem não.
Isso tudo sem mencionar que as abelhas são os mais importantes polinizadores do planeta. Sem elas, muitas plantas não dariam frutos e a fome no mundo seria muito maior. Mas parece que o homem não se preocupa com isso, pois, entre outros danos que causa às abelhas, utiliza inseticidas que as desorientam e elas não conseguem voltar para o ninho, reduzindo drasticamente suas populações.
Enfim, onde houver flores, aí estarão também as abelhas, em uma interação abelha-planta que vem evoluindo ao longo dos anos. Estudei essa maravilhosa interação no meu doutorado, esperando contribuir para um melhor conhecimento sobre elas. E quem sabe, ajudar a preservá-las, pois só se respeita e se preserva aquilo que se conhece.
por uberlandiahoje | jan 1, 2026 | Ponto de Vista |
Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Acadêmico da ABLetras, Blogger, Analista Político e Graduado em Gestão Pública.
A operação Lava Jato, a prisão de Lula e a atuação de Sergio Moro na Operação Banestado foram coisas que aconteceram à revelia da lei e deixaram marcas profundas que precisam por demais serem esclarecidas e os culpados responsabilizados.
Somente agora, 21 anos depois, ficamos sabendo oficialmente que o então Juiz Moro mandava gravar autoridades com foro privilegiado contra a lei para obter vantagens futuras em chantagens obscenas e ilegais.
Este mesmo juiz que se passava como “herói” nacional, acima de quaisquer suspeitas, ao lado de promotores que cometiam crimes e sabiam da extensão destes atos criminosos.
Até desembargadores do TRF4, que era justamente o que julgava os processos enviados por Sérgio Moro, foram gravados com escutas ilegais e até gravações em orgias praticadas num hotel em Curitiba.
Muito já se falou sobre estes assuntos, mas o que causa estranheza é que o JN da Globo, os telejornais da Globonews, Bandnews, Record, Folha e Estadão tenha ficado em silêncio constrangedor por todos estes anos sem nunca investigar ou divulgar aquilo que vinha sendo falado na mídia independente a exaustão.
Também é muito estranho que em nosso país tenhamos tanta gente de direita que se arvora contra o Supremo Tribunal Federal, mas aceita hipocritamente os fatos acima descritos por um juiz corrupto, criminoso que praticava a antítese que preconizam as leis em seu tribunal de exceção em Curitiba.
Enganou muita gente, mas estas pessoas permanecem acreditando no agora senador Sergio Moro pelo Paraná, e, não estranhem se em 2026, derem seus votos a este sujeito inescrupuloso, vil e canalha novamente.
No Congresso Nacional, o silêncio dos abutres é algo surreal. Nem na Câmara ou no Senado, casas inimigas do povo brasileiro, uma só palavra foi dita contra este sujeito. Ele vem participando de todas as comissões, entrevistas com ministros e autoridades no senado como se fosse um grande jurista idôneo e que preza pela ética.
A imoralidade de tudo que aconteceu no Brasil a partir de 2013, movimentos falsos nas ruas contra aumento de passagens de transporte coletivo, golpe contra Dilma Rousseff alegando pedaladas fiscais inexistentes para um impeachment vergonhoso e golpista. Entrando na gestão do traidor e golpista Temer, andando por Curitiba no golpe de Moro e seus moleques contra Lula sem nunca ter uma única prova para condená-lo, até chegar na eleição do vagabundo das motociatas, culminando com a tentativa de golpe de estado após sua derrota nas eleições de 2022.
Este foi o caminho que teve o auxílio de Sergio Moro, que virou ministro da Justiça, sonhava ser Ministro do STF, mas foi descartado por Bolsonaro e aceito pelos eleitores indigentes, alienados e mal informados que o levaram ao Senado em 2022.
por uberlandiahoje | dez 31, 2025 | Ponto de Vista |
Dr. Flávio de Andrade Goulart*
O conservadorismo no Brasil, apesar de um pequeno recuo em 2025, puxado por mulheres, idosos e gente baixa renda, continua mostrando forte presença. É o que revela um levantamento da Ipsos-Ipec divulgado na última segunda-feira, 28 de julho, mostrando índices mais baixos de uma série histórica construída desde 2021. Foram ouvidos dois mil entrevistados em 131 municípios entre os dias 3 e 8 de julho, com margem de erro é de dois pontos percentuais. Contudo, apesar de tal decréscimo, metade da população ainda tem perfil considerado de alto conservadorismo, com apenas 8% das pessoas mostrando um perfil mais, digamos, progressista. As pautas são as tradicionais: defesa de prisão perpétua e outros tipos de apoio a pautas de segurança; rejeição do casamento homoafetivo; redução da maioridade penal; apoio à pena de morte; leniência em relação a à posse de armas de fogo. A legalização do aborto, por exemplo, segue com ampla rejeição: 75% dos brasileiros se dizem contra, enquanto apenas 16% apoiam a medida. Alguns segmentos sociais específicos se mostraram mais expressivos em tal redução do índice geral de conservadorismo, embora de forma discreta, foram eles: as mulheres, em geral; as pessoas com mais de 60 anos, curiosamente; as pessoas com ensino fundamental e com renda familiar até 01 salário mínimo; os moradores das regiões N e CO. Por outro lado, certos grupos ficaram ainda mais conservadores, como foi o caso de homens; moradores de capitais; renda acima de 05 salários mínimos; pessoas com curso superior. A pesquisa não entra em detalhes sobre a questão de como essas pessoas percebem e reagem frente aos problemas de saúde, de si mesmas ou da população, mas analisando a questão à luz da proverbial constatação do surgimento no Brasil da estranha figura do pobre de direita, seria possível estimar algumas possíveis consequências deste renitente conservadorismo do modo de ser brasileiro.
1. A desconfiança no SUS e em toda ação pública e estatal no campo da saúde seria grande, em que pesem as evidências contrárias.
2. A preferência por especialistas e atendimento direto em hospitais dominaria o cenário, sendo opções como a estratégia de saúde da família consideradas como um típico recurso “pobre e para pobres”.
3. A filiação a um plano de saúde seria um sonho de consumo, seja de sindicalistas ou da população em geral, sendo isso de preferência pago integralmente pelo governo ou pelos patrões.
4. Os servidores públicos do próprio setor da saúde dariam preferência, diante de necessidades próprias ou de familiares, a recorrer aos hospitais privados e planos de saúde.
5. As listas de medicamentos ora oferecidos no sistema público deveriam ser ampliadas, de forma a contemplar tudo o que as drogarias oferecem pelo país a fora, independente da aprovação formal da Anvisa.
6. Deveriam ser oferecidas mais vagas nas faculdades de medicina, para que cada vez mais jovens pudessem realizar “o sonho de ajudar ao próximo”.
7. As vacinas deveriam ser oferecidas apenas a quem acredite nelas ou as solicite especifica e formalmente, não devendo fazer parte de nenhuma obrigatoriedade, por exemplo, para filiação a programas sociais ou admissão na rede escolar.
Para inferir tais coisas, admito, não precisei fazer nenhuma pesquisa. Apenas me baseei em coisas que ouço na fila do supermercado, nas declarações de certos políticos, nos debates legislativos, em alguns artigos da imprensa, além de eventual contágio, digo contato, com as chamadas redes sociais. Sim, porque é preciso deixar claro que a pobreza direitista de que falo aqui não é, necessariamente, de natureza material, mas muitas vezes é apenas de espírito. Alguns desses “pobres” consomem uísque de 20 anos e passam suas férias, com as famílias, em Miami. Simples assim.
Isso é apenas um exercício de livre pensamento, ok? Mas nada impede que a realidade seja ainda pior…
por uberlandiahoje | dez 30, 2025 | Ponto de Vista |
Tania Tavares – Professora – SP
Não concordo com qualquer tipo de taxa para que um brasileiro possa conhecer o seu país e fazer viagens às praias e outros locais. Será que pensam que só os ricos vão para as praias? Já não chegam os pedágios caros? Cidades em ilhas podem limitar o número de visitantes devido sua capacidade. É mais arrecadação para os políticos fazerem o que quiserem*!!!
*desviarem igual as emendas parlamentares.
por uberlandiahoje | dez 29, 2025 | Ponto de Vista |
Diogenes Pereira da Silva – Tenente do Quadro de Oficiais da Reserva Remunerada da PMMG.
Brasil, o País dos Privilégios: onde está a esperança?
O problema não é a sociedade. É o sistema de poder que ela sustenta e que se protege com zelo absoluto.
No Brasil, quanto mais alto o cargo, maior o privilégio. Quem deveria servir é quem mais se serve. Ética, respeito e solidariedade viraram palavras decorativas. O poder não dá exemplo; dá as costas.
A desigualdade cresce, a pobreza avança, a violência se espalha. Mas o topo permanece intacto. Crises não atingem o andar de cima. Ao contrário: são administradas para preservar benefícios. O sacrifício é sempre do povo.
No Legislativo, salários elevados são apenas o começo. Somam-se carros oficiais, motoristas, diárias, auxílios e penduricalhos que afrontam o bom senso.
No Judiciário, a situação não é diferente. Supersalários, verbas indenizatórias, auxílios diversos, férias estendidas e benefícios acumulados criaram uma casta blindada da realidade do país que julga.
Enquanto isso, o trabalhador comum, o que produz, paga impostos e move a economia, arca sozinho com transporte, alimentação e deslocamento diário. Quem ganha menos paga mais. Quem ganha mais quase não gasta. O Estado cobra de quem não tem e protege quem já tem demais.
Que país é esse em que o privilégio virou regra e o dever exceção? Que justiça se pode esperar quando aqueles encarregados de legislar e julgar vivem apartados da vida real?
Não existe justiça social quando a desigualdade é institucionalizada. Não há moral pública quando o próprio Estado legaliza o privilégio. O problema nunca foi falta de recursos. Sempre foi excesso de benefícios para poucos.
Não se trata de erro, nem de excesso pontual, trata-se de escolha. Escolheu-se proteger castas e sacrificar o povo. Escolheu-se legalizar privilégios e chamar isso de normalidade. Escolheu-se blindar quem manda e esmagar quem sustenta o Estado.
Enquanto esse modelo persistir, não haverá reforma suficiente, discurso convincente ou promessa salvadora. A esperança não está adormecida: foi deliberadamente sufocada por um sistema que sobrevive da desigualdade que produz.
por uberlandiahoje | dez 29, 2025 | Ponto de Vista |
Tania Tavares – Professora – SP
Desejo a todos os funcionãrios um FELIZ NATAL e ANO NOVO de Paz, Saúde e realizações!!!