Diógenes Pereira da Silva
“O que me preocupa não é o grito dos maus, mas o silêncio dos bons.”
Essa frase, frequentemente atribuída a Martin Luther King Jr., traz uma reflexão que permanece extremamente atual. Todos os dias, assistimos pela televisão, lemos nos jornais, nas redes sociais e ouvimos no rádio notícias que revelam o avanço preocupante da criminalidade em nossa sociedade.
O furto parece crescer, a violência contra as mulheres continua produzindo vítimas, os homicídios chocam famílias e comunidades, e diferentes modalidades criminosas passam a fazer parte, infelizmente, do cotidiano de milhares de brasileiros.
É lamentável que, em um ano de eleições para governador, presidente da República, deputados e senadores, as falas, propostas e projetos apresentados nas campanhas ainda não evidenciem, com a necessária profundidade, um compromisso claro e efetivo com a melhoria da segurança pública brasileira.
Segurança pública não pode ser apenas um discurso de ocasião, utilizado em períodos eleitorais. O cidadão precisa conhecer propostas concretas: como os candidatos pretendem combater o crime organizado, reduzir homicídios e furtos, enfrentar a violência contra as mulheres, fortalecer as polícias, investir em inteligência e tecnologia e oferecer melhores condições de trabalho aos profissionais que diariamente colocam suas vidas em risco para proteger a sociedade.
Diante desse cenário, precisamos perguntar: até quando permaneceremos em silêncio?
O combate à criminalidade não pode ser responsabilidade exclusiva das forças de segurança. A polícia tem o dever constitucional de proteger e preservar a ordem pública, mas a sociedade também precisa compreender que a omissão fortalece aqueles que vivem à margem da lei.
Não podemos aceitar a banalização da violência. Não podemos considerar normal sair de casa com medo, evitar determinados lugares por receio de ser assaltado ou assistir diariamente a famílias destruídas pela violência.
É preciso que os bons se manifestem. Que cidadãos, autoridades, instituições, imprensa e sociedade civil não se calem diante daquilo que ameaça a paz e a segurança coletiva.
O silêncio diante do avanço do crime não é neutralidade. Quando os bons se calam, os maus encontram espaço para avançar.
Precisamos de políticas públicas eficientes, prevenção, educação, inteligência policial, valorização dos profissionais de segurança e, acima de tudo, uma sociedade que não aceite a violência como algo inevitável.
Neste ano eleitoral, mais do que promessas, o brasileiro precisa exigir propostas concretas, metas, responsabilidade e compromisso com a segurança pública. Afinal, não existe liberdade plena onde o cidadão vive com medo, nem democracia verdadeiramente fortalecida quando a população perde o direito básico de viver em segurança.
Diógenes Pereira da Silva
Tenente do Quadro de Oficiais da Reserva (QOR) da Polícia Militar de Minas Gerais – PMMG