Caminhoneiros

Iria de Sa Dodde – Professora – RJ

Age mal Bolsonaro, para variar, a dar ajudas aos caminhoneiros. Sobrecarrega a já tão combalida política fiscal. E também o povo que arcará com mais impostos. O que deveria fazer no meu entendimento era liberar o pagamento dos pedágios nas rodovias enquanto durar a crise. Como é uma concessão, que tem altos lucros, deveriam, por um tempo, colaborar com o governo. Talvez o valor que deixará de ser pago supere em muito os 400 reais.

Arthur Lira

Tania Tavares – Professora – SP

Esta é uma das piores Câmara de deputados que já tivemos, a começar pelo presidente Arthur Lira (PP-AL), acusado de ações penais no Supremo Tribunal Federal-STF, que não sabemos o porquê de ainda não o terem julgado, além de acusações na Vara de Violência Doméstica do Distrito Federal. Muitos deputados tem pendências com o Supremo, por isto tentam interferir nas escolhas do Procuradores do Ministério Público. Ao colocarem a votação da PEC contra o Conselho Nacional do Ministério Público(CNMP), estão querendo ser inocentados em futuros desvios. Os Votos ontem na Cãmara desta PEC foram: Abstenção 04; Contra 182 e à Favor 297. Os que votaram à favor, nós os eleitores temos a obrigação de informar que são e em 2022 “julgá-los” incompetentes para o cargo. Quero também saber: são 513 deputados, tirando os presentes na votação (297+182+04), onde estão os 30 faltantes? SOS!

FRASE

Tania Tavares – Professora – SP

O deputado e presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL), pode muito, mas NÃO pode tudo. Muito menos desrespeitar seus colegas sem discutir corretamente as pautas!

Yara Ilse

Ana Maria Coelho Carvalho*

Yara Ilse foi uma pessoa especial, a começar pelo nome. Yara, nome indígena que significa rainha das águas, foi escolhido pela mãe brasileira e Ilse, escolhido pelo pai alemão. Com um nome composto homenageando duas nacionalidades, Yara Ilse foi um anjo de bondade, luz e beleza que desceu á terra e voltou ao céu.

Ela era minha cunhada, minha amiga e meu ídolo. Um exemplo de esposa, de mãe, de pessoa íntegra, realizada e feliz. Casada com o meu irmão Paulo, formaram um casal que conseguiu caminhar ao longo de 70 anos de mãos dadas e com os pés na mesma estrada. Era bom ver a harmonia entre os dois, o companheirismo, o respeito, a admiração de um pelo outro. Sempre unidos pelo momento sagrado e diário de rezarem juntos o terço. Tiveram nove filhos e vinte e três netos. Destes, cinco filhos e dois netos (o clã Zech Coelho) foram campeões de vôlei e fizeram história no Minas Tênis e na Seleção Brasileira. Os filhos herdaram dos pais qualidades como honestidade e determinação e cuidaram dos pais velhinhos com muito amor. Um deles escreveu no santinho que foi distribuído na missa de sétimo dia : ” Saudade do seu doce colo, Mãe, de suas sábias palavras, do seu sorriso amoroso, de sua mão que acalentava, da sua voz que educava e repreendia na medida certa. Que Deus envie mais anjos como você pois, se assim for, a Humanidade será muito melhor”.

Realmente, a saudade é doída. Principalmente saudades do seu eterno sorriso, da sua serenidade, da sua sabedoria. Tive o prazer de morar com ela em Belo Horizonte, durante três anos, quando fiz o curso normal no Colégio de Aplicação. Éramos quinze pessoas: o casal, os nove filhos, um sobrinho, eu e meus dois irmãos. A casa parecia elástica e o carinho da Yara para com todos também. Nunca a vi elevar a voz e reclamar da vida. Ou deixar de dar conselhos ou orientar os filhos quando precisavam. Sempre foi uma dama. Parecia uma deusa com seus cabelos claros, a figura esguia, a fala mansa e serena, a risada gostosa. Lembro-me dela de avental molhado, pois todos os dias, de manhã, lavava na máquina a roupa da família inteira e colocava no varal para secar. Na sequência, ia ajudar com o almoço, pois a turma comia paneladas de comida. Nessa época, ela gostava de assistir ao programa da Jovem Guarda, com o Roberto Carlos. Eu também gostava, principalmente de ficar sentada perto da Yara, desfrutando de seu calor humano. Sentirei falta da sua figura quando, já velhinha (mas ainda uma dama), sentava-se no sofá da sala, com batom nos lábios, arrumadinha e perfumada, acariciando seu gato. Eu gostava de pegar em suas mãos macias e de conversar com ela. Todos nós que a amávamos perdemos um porto seguro, um colo contra as agruras da vida.

Como lembrança da mãe, os filhos distribuíram aos amigos uma foto com um poema de Santo Agostinho. Há trechos assim: “Vocês continuam vivendo no mundo das criaturas, eu estou vivendo no mundo do Criador. Porque eu estaria fora de seus pensamentos agora que estou apenas fora de suas vistas? Eu não estou longe, apenas estou do outro lado do caminho. Você que aí ficou, siga em frente, a vida continua, linda e bela como sempre foi”. É verdade, a vida continua, a Yara está apenas do outro lado, na forma de um anjo de luz, ela e o Paulo juntinhos. Do lado de cá, ela estará sempre em nossos pensamentos, pois pessoas especiais como ela são eternas. E mesmo com saudades, agradecemos a Deus por ela ter existido. Descanse em paz, Yara Ilse.

*Bióloga – Uberlândia – MG – anacoelhocarvalho@terra.com.br

A farsa da geração de empregos da reforma trabalhista!

Rafael Moia Filho*

Quando o vice-presidente Michel Temer, um traidor, golpista e corrupto assumiu a presidência em 2016, tentou enganar a todos, se passando por um político reformador, que iria dotar o governo e o país das reformas necessárias. Entretanto, o que ele conseguiu foi enganar os economistas e jornalistas chapa branca que apoiam tudo que é feito pelo governo. Também ficou nítido que a Reforma Trabalhista era um arremedo daquilo que efetivamente o país precisava.
Fez a reforma para o empresariado, não promoveu a modernização e a atualização da CLT, que eram tão esperadas por todos. Na verdade, conseguiu destruir as garantias que os trabalhadores haviam conquistado depois de décadas de lutas. Exterminou com a Justiça do Trabalho e deixou os trabalhadores do país nas mãos dos empresários.
O fruto dessa reforma após quase quatro anos depois ter entrado em vigor foi que o “boom” de empregos prometido não se concretizou. Na época, o governo chegou a falar em dois milhões de vagas em dois anos, e seis milhões em dez anos. Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostram que o desemprego hoje está maior. No trimestre terminado em julho de 2021, a taxa de desocupação ficou em 13,7%. Esse número é quase dois pontos percentuais a mais que os 11,8% registrados no último trimestre de 2017. No período, o total de desempregados subiu de 12,3 milhões para 14,1 milhões.
O governo Jair Bolsonaro (sem partido) já tentou duas vezes aprovar uma nova reforma trabalhista, mas foi barrado no Congresso. Na tentativa mais recente, propôs a criação de modalidades de trabalho sem carteira assinada e sem férias, 13º salário e FGTS. O texto da reforma foi sancionado por Temer em julho de 2017 e entrou em vigor em novembro, mudando regras sobre férias, jornada de trabalho, contribuição sindical, dentre outras. Ou seja, quer a precarização definitiva do trabalhador brasileiro, só faltou Bolsonaro estipular que todos teriam que trabalhar de graça e ainda fazer hora extra aos finais de semana. O próprio Temer já chegou a reconhecer, no ano passado, que seus ministros superestimaram os números de geração de emprego na propaganda que embasou a reforma trabalhista de seu governo. Um pouco tarde demais para reconhecer que mentiu, que enganou a todos, ou quase todos, ao exagerar nas previsões.
Por que a nova legislação, que trouxe mais flexibilidade para os empregadores na hora de contratar e demitir, não foi capaz de aumentar os postos de trabalho? Para o emprego deslanchar, é preciso haver uma melhora da situação econômica e dos investimentos, e não a extinção ou redução de direitos trabalhistas. Além do aumento de empregos, outra promessa mentirosa de Michel Temer era reduzir a informalidade, o que também não aconteceu. Conforme o IBGE, no trimestre encerrado em outubro de 2017, antes das novas regras, a taxa de informalidade era de 40,5%. Entre maio e julho de 2021, a proporção de pessoas ocupadas trabalhando na informalidade ficou em 40,8%.
Essa situação deixa muito claro que, enquanto estivermos elegendo governantes míopes, fracos, ignóbeis e um Congresso Nacional com 80% de representantes de empresários, militares, religiosos e outros segmentos sem que haja representantes do cidadão brasileiro, fica impossível acreditar que um dia teremos uma Reforma Administrativa, Política e Fiscal e Tributária decente.
E nesse momento que vivemos, de diversas crises (Econômica, Moral, Social) agindo sobre a vida das pessoas, a possibilidade de um diálogo aberto não existe. Além do contingente e milhões de desempregados, subempregados e daqueles que desistiram de procurar emprego com carteira assinada, a reforma reduziu o acesso das pessoas à Justiça do Trabalho, porque quem perde a ação, mesmo sendo beneficiário da Justiça gratuita, é obrigado a pagar honorários para os advogados da parte vencedora.
Em 2020, a Justiça do Trabalho recebeu 2.867.673 processos, uma queda de 27,7% em relação a 2017. Conforme série histórica do TST (Tribunal Superior do Trabalho), iniciada em 1970, o maior registro de ações trabalhistas aconteceu em 2017, com 3.965.563 processos. Veja a evolução das ações recebidas na Justiça trabalhista desde a reforma: 2017: 3.965.563; 2018: 3.222.252; 2019: 3.402.392; 2020: 2.867.673 e 2021 (até setembro): 1.885.620. A reforma trabalhista de Temer se constituiu no pior golpe contra o já sofrido trabalhador brasileiro. Sem direitos, com salários miseráveis, sem poder reclamar na Justiça e vendo seus patrões aplicarem dinheiro em paraísos fiscais, montarem offshore enquanto a massa trabalhadora passa fome.

*Escritor, Blogger, Analista Político e Graduado em Gestão Pública.

Desmatamento e aquecimento, mistura explosiva

Cesar Vanucci *

“O regime de chuvas entrará em colapso.”
(Paulo Nobre, pesquisador do Inpe)

Nada disso. Não se trata de informação distorcida. Tampouco de suposição sem fundamento, formulada com maléfico intuito de comprometer a imagem do país no panorama internacional. A verdade nua e crua, vastamente documentada, justificando o clamor que se ouve, aqui dentro e lá fora, chama a atenção permanentemente para atos de predação e devastação praticados impunemente por aventureiros de toda espécie, que colocam sob graves riscos o fabuloso bioma amazônico.

Ambientalistas, cientistas, vozes exponenciais das lideranças engajadas em causas humanitárias alertam para o perigo. Mas essas manifestações de lucidez e bom-senso parecem não sensibilizar as autoridades competentes, que se furtam ao dever de articular um projeto de desenvolvimento de grande envergadura para o colossal território amazônico, de modo a estabelecer as salvaguardas necessárias de proteção de suas incomparáveis riquezas.

A ameaça de destruição do bioma leva a uma outra ameaça, mais sinistra ainda. É representada pela inocultável cobiça estrangeira, que projeta olhar guloso em áreas reconhecidamente valiosas da exuberante região. Fica claro que esses interesses nebulosos, rechaçados pela consciência nacional, dão eco aos justos protestos que se erguem em prol da preservação da maior floresta do mundo, dadivoso patrimônio confiado, no Projeto da Criação, à guarda soberana do Brasil. É imperioso que em sua missão institucional, a direção do país cuide zelosamente do bioma amazônico. Desenvolva na chamada Amazônia legal projetos de desenvolvimento social rigorosamente afinados com os conceitos ecológicos, enfrentando com rigor toda e qualquer tentativa de agressão a esses sagrados valores. Enquanto isso não sucede, para contrariedade e desassossego de todos nós, para inconformismo de cientistas, ambientalistas, de gente engajada nas empreitadas humanísticas, que visam conquistas de melhores níveis de bem-estar para o ser humano; enquanto não acontece a ardentemente almejada movimentação dos poderes governamentais no sentido de acordarem para suas indeclináveis responsabilidades quanto ao assunto, as manchetes continuarão a divulgar situações perturbadoras, como as alinhadas na sequência.

Desmatamento e aquecimento global: eis aqui uma mistura explosiva que coloca em imenso perigo a Natureza, a economia e a vida humana na Amazônia. Atordoante anúncio acaba de ser trazido em estudo, divulgado na revista “Nature”, pela Fundação Oswaldo Cruz, Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e Universidade de São Paulo. A temperatura na Amazônia poderá elevar-se proximamente em até 11,5 graus, o que implica em riscos extremos à sobrevivência. As simulações procedidas, com base em dados alusivos às tendências climáticas, apontam a possibilidade catastrófica de transformação da Amazônia de floresta tropical úmida para cerrado, com elevação da temperatura média, na sombra, em até mais 5 graus, numa perspectiva menos negativa. Noutras avaliações, assinala o estudo, o aumento da temperatura pode ir de 7,5 graus a 11,5 graus. Aumento de temperatura nesses patamares, assinalam os pesquisadores, tem efeito extremamente danoso na saúde humana.

“O estresse causado pelo calor excessivo é muitíssimo perigoso para humanos, incluído o aumento do risco de condições intoleráveis para atividades na sombra e risco intenso de doenças causadas pelo calor”, assegura o estudo. Para além dos riscos para a saúde, que diminuiriam a capacidade de trabalho e de sobrevivência de uma população, que, em muitos casos, já tem dificuldades para viver, uma mudança desse nível tem impactos diretos na capacidade econômica da região. Lembra o estudo ainda que a própria atividade que hoje se beneficia da destruição das florestas seria fatalmente atingida. O regime de chuvas entrará em colapso. Chegará a uma redução de 80% no centro da Amazônia e a uma redução de 50% no centro-oeste do território, de acordo com estimativa de Paulo Nobre, pesquisador do Inpe, um dos autores do estudo.

* Jornalista (cantonius1@yahoo.com.br)