Machões ou…

Tania Tavares – Professora – SP

Alô Supremo Tribunal Federal, já que o Congresso, leia, Lira e Pacheco resistem em revelar os políticos que usaram nossos impostos em emendas secretas, que tal o STF, abertamente começar a julgar os deputados e senadores que são acusados de desvios?

A pandemia acabou?

Marília Alves Cunha*

“Uma coisa é responsabilizar pessoas, outra coisa é cortar sua língua.” (Gabeira)

Parece que não! Temos notícia que continua a fazer vítimas em vários países, inclusive com o aparecimento de uma variante (Ômicron) que, de acordo com a OMS, representa risco elevado para o mundo todo. A Europa já sente os seus efeitos, apesar do alto índice de vacinação. Então, o melhor é prevenir, tomar alguns cuidados, sem histeria coletiva, sem tranca tudo, com racionalidade e sensatez. É o melhor remédio.

Mas no Brasil, onde governadores e prefeitos fizeram a festa do autoritarismo, gentilmente engendrada pelo STF que deu a todos o poder de agir “ad arbitrium” (menos o presidente da república), parece que as festanças estão acima de qualquer suspeita e, certamente, não são as comemorações preferidas do vírus cabuloso. Aquelas pessoas que se juntaram ao coro do “fica em casa”, “a vida é o mais importante”, “a economia a gente vê depois”, “genocida” e outros impropérios, são agora os animadores das festas preparatórias do fim de ano e carnaval. Não sei como se dispõem a falar em carnaval, festa de alta temperatura e ânimos acelerados, numa situação de pandemia que ainda nos persegue.

No Rio de Janeiro, cidade maravilhosa e sempre mal governada, o Sr. prefeito que mandou fechar tudo, proibir tudo e prender pessoas “negacionistas”, foi pego em flagrante numa festa de arromba, regada a bebida, falta de máscara e aglomeração, dançando animado e gritando a toda voz mais ou menos isto: vamos arrebentar com esta p…. toda! Dizem que na entrada do local onde se realizava o evento estavam sendo apregoados e vendidos os “passaportes vacinais” por um bom preço. Só no Brasil mesmo! E anda dizendo por aí que, qualquer que seja a situação o RJ não tem condições de suspender o carnaval… Eu, heim?

Em São Paulo o governador Dória, super, ultra, mega ditador nas suas ordens que julgava serem contra a pandemia, foi flagrado também livre, leve e solto cantando e sambando com Claudia Leite (outra pregadora do fica em casa), sem máscara, numa festa que juntou milhares de pessoas. Bem, para aqueles que impuseram fortes medidas restritivas aos cidadãos, prendendo pessoas, constrangendo pessoas, proibindo tudo, fechando comércio e indústria, acabando com a economia e empregos, seria bom lembrar que nada está resolvido e que o demônio ainda anda á solta… Daniela Mercury e Ivete Sangalo também não estão dispostas a continuar o show de hipocrisia que simularam durante muito tempo e estão soltando as plumas… Em tempos de festas, o vírus que se lasque! Muitos daqueles que ostentaram falsas e politiqueiras virtudes estão agora aparecendo. Por exemplo, a Rede Globo, emissora que faz velório diário e atribui, deliberadamente, os efeitos da pandemia á pessoa errada é a mesma que vai vender camarotes e cobrir o carnaval para todo o Brasil. E já faz propaganda do grande evento.

A estas pessoas autoritárias que ao mesmo tempo em que tiram a liberdade das pessoas, esbanjam a sua, lembro um conceito que extraí do Aurélio: “HIPOCRISIA – afetação de uma virtude, de um sentimento louvável que não se tem; impostura, fingimento, simulação, falsidade”. Podemos passar por momentos difíceis, já sentimos o amargor de perceber que Deus não é brasileiro e não é cidadão de lugar nenhum do planeta. Sem neuroses, pânico, supressão total das liberdades, despotismo, podemos cuidar dos nossos problemas. Cuidado sempre é bom… Depois de quase dois anos de muita luta, dor e sacrifício, não é o momento ainda e nem se sabe quando será chegada a hora de depositar armas! Paciência! Fique em casa!

*Educadora e escritora – Uberlândia – MG

JUSTIÇA, ONDE?

Gustavo Hoffay*

Penas brandas, excesso de indultos natalinos, progressão de penas, saidinhas e outras benesses concedidas de acordo com o que reza o bolorento e autêntico estimulante de práticas criminosas em nosso território – legalmente conhecido por Código Penal Brasileiro, aliam-se a novas modalidades de transgressão das leis e ao aumento constante e sempre mais ousado de um frenético aparelhamento de quadrilhas diversas, o que evidencia uma corrida armamentista sabidamente fomentada pelo lucro da produção e do comércio de drogas ilícitas. Enquanto isso assistimos a pífias ameaças de endurecimento do governo contra o escancarado e crescente aumento do número de delinqüentes, cujas práticas são patrocinadas por eficientes cúpulas de indomáveis facínoras. Para evitar um descontentamento ainda mais vultuoso e até aviltante em relação à justiça legalmente aplicada em solo tupiniquim, bom seria se os três poderes tivessem um mínimo de sensibilidade diante dessa hediondez e trabalhassem (re-pito e tri-pito: trabalhassem e trabalhassem) para readequar leis tiranossauricas, de maneira a moralizarem uma estupidez que faz germinar e brotar uma iniqüidade que reina e faz aumentar uma devassa que corrói algumas já decadentes colunas da Justiça em nosso país. Entendo que não poucos processos, muitos dos quais até recheados de muita boa vontade e que visam o endurecimento de penas contra agentes de ações criminosas, não estão isentos de percalços e devido principalmente aos radicais discípulos dos Direitos Humanos; esses não querem perder algumas oportunidades de colocar-se ao lado de quem, eles mesmos, julgam ser vítimas de um sistema que reprime e marginaliza quem age contra a ordem em nosso Brasil. Trata-se de uma situação estranhamente confusa, visto que a população reivindica a paz enquanto os legisladores insistem em assistir a crescente onda de criminalidade, através das lentes de um Código Penal caduco e que por isso mesmo deflora a racionalidade de quem hoje deseja a ordem nas terras de Macunaíma, pois quanto mais os congressistas deixam-se induzir enquanto focando o Direito Penal na ressocialização, mais e mais a criminalidade avança ou seja: tem um efeito dramaticamente reverso, apesar de algumas poucas exceções. Ora! Punições a marginais não precisam ser desumanas, evidentemente; o que evita o aumento exponencial da criminalidade, penso, é a real possibilidade da aplicação de corretivos aos infratores da lei. Apesar de tudo a população continua renovando esperanças a cada nova legislatura federal, mas verdade seja dita: a expectativa carregada de ansiedade em relação a apresentação de atos que dêem rosto e postura a uma legislação criminal justa é, sim, ainda marcada de incertezas. É à luz da extrema agonia da quase totalidade do povo deste país que os congressistas deveriam ver e compreender os nossos sinais de agonia, já quase perenes diante da mais completa ausência de sensibilidade ou mesmo de vergonha e excesso de desleixo reinantes naquela Casa, diante de uma apavorante onda de perversão que deixa-nos embasbacados; local aquele, aliás, que dá guarida a tiriricas e a outras reprocháveis figurinhas públicas eleitas pelos abomináveis votos de protesto. Diante da dramática perspectiva de um país que afunda em sua ingenuidade legislativa ou mesmo pela sua falta de coragem política, a partir de um Congresso em sua maioria confuso, inepto e covarde diante de questões que tratam do combate à criminalidade, compete a nós – povo – o dever de criar ou assimilar e proclamar lições que os nossos legisladores dão sinais evidentes de ignorar. Saibamos mostrar a eles o quanto iludimo-nos por esperar a satisfação das nossas aspirações no campo que deveriam cultivar com sabedoria e de cujos frutos pudéssemos, sinceramente, experimentar uma afirmação dos nobres motivos para os quais foram eleitos. Ali, onde todos dizem trabalhar freneticamente pelo povo são criados, em média, dezoito Projetos-de-Lei por dia e cuja maioria ( acredite quem quiser) é inconstitucional ou não se encaixa na realidade social do nosso país, principalmente devido a distância dos legisladores em relação à realidade cotidiana dos seus eleitores. Resta-nos apelar a Deus para que eles reavaliem e revitalizem a importância de terem recebido, em urnas eleitorais, os nossos votos de confiança ou ditas “procurações” e a partir de daí exercerem com sabedoria os seus respectivos mandatos parlamentares de forma, inclusive, a redescobrirem um sentimento de garbo, de respeito pela sua ( presumida) capacidade de forjar leis que atendam as nossas necessidades de segurança pública, servindo com devoção patriótica àquele vital interesse para a satisfação de mais de duzentos milhões de brasileiros, na honrosa qualidade de firmes combatentes pela justiça.

Agente Social – Uberlândia-MG

Um congresso de fritar bolinho

Percival Puggina*

“O STF não é autoridade suprema sobre todos os poderes, nem sobre o Brasil. A democracia representativa prevista no primeiro artigo da nossa carta magna precisa ser respeitada por todos os poderes, principalmente pelo STF. E cabe a esta Casa, cabe ao Senado Federal, sair desse processo de omissão, de covardia e buscar meios para frear as tendências tirânicas desse jocoso poder moderador, fazendo valer o desenho de poderes previstos na nossa Constituição.” (Deputada Federal Mara Rocha, falando da tribuna, no último dia 18 de novembro).

A fala do ministro Dias Toffoli, em Lisboa, sobre o exercício do poder moderador pelo Supremo, objeto de meu artigo do dia 19, provocou pronunciamento da deputada, jornalista Mara Rocha. Dele, extraí o trecho acima. Manifestação, aliás, mais do que necessária. Todo parlamentar com brio, na Câmara e no Senado, deve reagir igualmente e deve cobrar do próprio poder um freio ao protagonismo e às pretensões hegemônicas do STF.

A conduta que a parlamentar identifica como tirana confronta as entusiásticas louvações que ministros do Supremo fazem a si mesmos dizendo defenderem a democracia e manietam a liberdade.

Tanto o dito pelo ministro, quanto o feito por seus pares ao longo destes últimos anos seria gravíssimo, se o exercício desse poder fosse de uma imparcialidade indubitável. Mas não é! Não há um exemplo útil para essa prova. Toda a ação mira o governo e os governistas.

Portanto, salvo medidas urgentes, urgentíssimas, a serem adotadas nos próximos dias, somos representados por um Congresso de fritar bolinho, que não se dá o respeito e não se faz respeitar. E os motivos para tal são ainda mais vergonhosos do que essa conduta desfibrada que fere como lâmina cortante a alma nacional.

*Percival Puggina (76), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.

SEU HÉLIO ME CONTOU

Antônio Pereira*

O sr. Hélio Silva iniciou suas atividades no armazém de Serralha & Filhos em 1944. Nessa época, o Serralha, que era um dos mais importantes atacados da cidade ia, até Itumbiara. Depois de algum tempo chegou a Jataí e Rio Verde e mais para frente a Mato Grosso e Rondônia. Depois da inauguração de Brasília, Serralha avançou sobre a Belém Brasília. Antes dele, outros atacadistas já tinham entrado na Belém Brasília, mas partindo de Anápolis. Por essa época, os maiores atacados de Uberlândia eram, além do M. Serralha, o Teixeira Costa, o Capparelli, a Viúva João Calixto, Casa Galiano e Joaquim Fonseca. Havia outros menores.
Entre 1940 e 50, os atacados de Uberlândia chegaram ao Alto Paranaíba, foram até Pirapora, Paracatu, São Gonçalo do Abaeté, mas não passaram do Alto Paranaíba. A área dos atacados eram o Triângulo e o Alto Paranaíba.
Em Uberaba havia uma firma mais antiga: Nassi Miguel Hueb, tinha uma expressão maior. As outras eram pequenas.
O maior, nessa época, em Uberlândia era o Capparelli, depois vinham a Viuva João Calixto e M. Serralha.
As mercadorias vinham das fábricas pela estada de ferro e por caminhões. Na década de 81, pouco vinha pela estrada de ferro.
Mais para traz, os caminhões enfrentavam um trecho terrível, que era de Uberaba a Uberlândia, no tempo de chuva gastavam de 8 a 10 horas. A estrada era de terra até Ribeirão Preto, mas no estado de São Paulo, as estradas de rodagem, de terra, eram melhor conservadas.
Daqui para frente as mercadorias eram levadas por caminhões particulares. Eles viajavam em grupos de 4, 5 e até 6 caminhões por garantia, principalmente nas chuvas. Eles levavam macacos, correntes, cabos de aço. Quando algum atolava eles se amarravam uns nos outros e puxavam o atolado. Eles saiam daqui com rodagem dupla, quando chegavam em determinados pontos, trocavam a rodagem. Tiravam os dois pneus e punham um só maior. Os lugares de mais difícil acesso eram Guiratinga e Rondônia.
Naqueles tempos os atacados não tinham frota própria. Então as mercadorias eram vendidas e entregues aos caminhoneiros que levavam e recebiam o frete. Conforme os atacados foram fazendo suas frotas, as associações profissionais de motoristas foram enfraquecendo. As concorrências com outras cidades eram pequenas. Havia atacadistas em Ribeirão Preto, mas não iam muito distantes. Rondonópolis também tinha com custo operacional menor. Ituiutaba também tinha.
A partir dos anos 1980, Uberlândia se transformou no centro do atacado do país. O Martins cobre 80% do território nacional. Agora estão abrindo Manaus e Salvador.
Dos atacados de Uberlândia, nesta década, só o Alô Brasil possui filiais.
O ponto mais distante de entrega do Martins é Macapá, no Amapá.
O comércio atacado começa a deslanchar a partir de 1938 e vem se avolumando com o passar do tempo.
Antes de 1950, os motoristas já chegavam aos pontos em que os Atacados não chegaram logo, quando adquiriram frota própria.
A partir dos anos 1970, os atacados começam a vender com pronta entrega. O pioneiro é José Alves (Alô Brasil). Nesse sistema, a venda já inclui o preço do frete e o carregamento é imediato. O próprio atacado, enquanto não tinha frota, procurava e contratava o motorista. Eles começam com pequena frota e vão desenvolvendo. Nos começos dos anos 1970, o Martins possuía apenas 25 caminhões, hoje (1983), são 280.
Nessa altura, os maiores atacados são Martins, Alô Brasil, Comércio, Peixoto, Alô Uberlândia. Alguns dos pequenos são o Guedes, o União que trabalham as praças próximas.
O Teixeira Costa, em 1940, começava a se extinguir.
Os vendedores do atacado são empregados e usam carros da firma. Em algumas praças os vendedores iam de ônibus. As empresas adiantavam dinheiro para as despesas.
Com o sistema de pronta entrega os compradores recebiam a mercadoria mais rápido. As indústrias paulistas percebendo que a o atacado de Uberlândia atendia seus objetivos, foram reduzindo seus vendedores e deixando espaço para os atacados.

(Este artigo, ainda não publicado, foi escrito logo após a entrevista com o sr. Hélio Silva, em 1983. É a realidade do Atacado naquele tempo) (Fonte: Hélio Silva (5.9.1983).

Luiz Carlos Abritta

Cesar Vanucci *

“A morte é a curva da estrada.”
(Fernando Pessoa)

O poeta Fernando Pessoa, volta e meia citado pelo Abritta nas sessões literárias da Academia Municipalista de Letras de Minas Gerais, explica assim o fenômeno da morte: “A morte é a curva da estrada. Morrer é só não ser visto.”

O inesquecível companheiro Luiz Carlos Abritta, que passou a não mais ser visto na curva da estrada, vai fazer baita falta nas áreas da militância do oficio das letras e das artes. Na caminhada cultural, por vezes extenuante, mas sempre reservando compensadoras descobertas aos caminhantes, poucos como ele. Poucos com sua incomum capacidade para multiplicar-se em afazeres relevantes e tocá-los com eficiência a um só tempo. Em cintilante trajetória como Procurador de Justiça e cidadão de exemplar conduta, provido de apreciável conhecimento das coisas da vida, o ilustre personagem soube aliar à condição de intelectual brilhante à de exímio gestor executivo de bens culturais. Na Amulmig, de que era presidente emérito, e no Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais, que vinha presidindo, com a competência costumeira, deixa marcas inapagáveis de labor criativo. Sua obra literária abrangendo narrativas envolventes e versos primorosos, asseguram-lhe inclusão na galeria das celebridades festejadas pelo mundo cultural das Gerais.

Abaixo, uma pequena amostra da sugestiva obra poética do saudoso Abritta, aclamado trovador.
“Nem o sofista profundo/esta verdade falseia:/quem se julga rei do mundo/é um pequeno grão de areia! // “Sempre foste minha amada/e, no doce cativeiro, /sem algema e sem mais nada, /tu me prendes por inteiro.” // “Nesta vereda que é a vida, /vou de tropeço em tropeço, / pois cada nova subida/ é sempre um novo começo”. // “Vou definir a saudade/ e não sei se estarei certo: / saudade é aquela vontade / de que o longe e fique perto.”

* Jornalista (cantonius1@yahoo.com.br)