TURMAS, ah!

Tania Tavares
O nosso Supremo Tribunal Federal-STF, é composto por 11 membros, e nós os pagantes de impostos, não queremos julgamentos com tendências de cunho político e fracionados em 1ª e 2ª turmas, esta jabuticaba. Chega!!!

*Professora

Educação – Sua ausência explica muitas coisas nos dias atuais!

“Cada sábio tem a sua ignorância,
e cada ignorante, a sua sabedoria”
Autor desconhecido

Rafael Moia Filho*

A pandemia pegou quase todos os países de surpresa no planeta. A diferença é que alguns destes países imediatamente recorreram a ciência, ouviram a medicina e se uniram em torno de um objetivo comum – salvar o maior número de vidas possíveis.
Enquanto as autoridades destes países estudavam o novo vírus e tentavam desenvolver uma vacina, simultaneamente informavam suas populações sobre os riscos, perigos e como deveriam se comportar para minimizar a contaminação entre a sociedade.
Esse processo teve maior ou menor sucesso dependendo de dois fatores primordiais, que são a capacidade de liderança e governabilidade dos responsáveis por estas nações e a capacidade de entendimento dos cidadãos.
Nesta conta não entra a questão financeira dos países, mas sim quais possuem os melhores índices educacionais, pois são nestes países que o investimento em pesquisa, ciência e educação destoam da maioria dos países do mundo.
Quem tem educação de qualidade e evoluída, possui acesso fácil da população a todos os segmentos, facilidade de compreensão de normas e regras, obediências as leis e rapidez no entendimento das mesmas.
Motivo pelo qual assistimos Finlândia, Japão, Singapura e Noruega se destacarem nos quesitos da educação e das pesquisas médicas e cientificas.
Fica assim mais fácil compreender porque países gigantes como o Brasil navegam em rios de sangue pelas mortes da covid. Investimento baixo em pesquisas e ciência, educação relegada a terceiro plano, desrespeito a vida, as leis e ao próprio país levam a este estado de coisas.
Para completar temos um presidente e políticos despreocupados com o país, a saúde, educação e o povo em geral. Pensam nas suas reeleições, no poder e os recursos que vão auferir ao longo de suas vidas na profissão “Político”.
Esse descomprometimento se traduz numa legislação que favorece e dá imunidade a corrupção que eles praticam e ainda por cima dificultam o acesso da sociedade aos benefícios sociais.

* Escritor, Blogger, Analista Político e Graduado em Gestão Pública.

Pandemia, Sindemia e o Mundo Invisível

Flávio de Andrade Goulart*

No último dia oito de abril chegamos a 6.609 mortes pela Covid no DF (345 mil no Brasil), com mais de 350 mil casos confirmados em nossa cidade (13,28 milhões no país), com a taxa de ocupação de leitos públicos e privados por aqui batendo os 100%. Não é mole não… E tal cenário se torna ainda mais dramático diante de certas variáveis associadas a ele, como, por exemplo, as interpretações estapafúrdias sobre a efetividade das medidas de controle emanadas do Palácio da Alvorada e ecoadas pela manada atraída por ele. E mais: a ridícula politização de questões técnicas; o desprezo às evidências científicas reais; a irresponsabilidade na coordenação da pandemia, seja em nível nacional ou em diversos estados e municípios; a derrocada sanitária associada a uma igualmente severa e consequente crise econômica e social. Como pano de fundo, a falaciosa polarização entre saúde e economia, como se a primeira não fosse um pré-requisito essencial para a proteção de empresas e empregos e garantia de renda para os mais vulneráveis. Tudo isso dentro de um cenário de desequilíbrio entre a potência verdadeiramente exponencial da doença e a capacidade de resposta do sistema de saúde. A primeira em escala geométrica; a segunda, aritmética. Há um conceito novo no cenário, segundo o qual estaríamos diante de algo ainda mais grave do que uma pandemia, eis que se nos apresenta uma SINDEMIA. Vamos ver o que é isso.
No Brasil assistimos a uma superposição das famosas “ondas” da pandemia. A terceira delas, que atinge mais intensamente as pessoas portadoras das chamadas comorbidades, justificaria tal nova designação para o fenômeno, ou seja, não mais uma pandemia, mas sim uma sindemia. Trata-se de conceito desenvolvido pelo antropólogo Merril Singer, um neologismo que tem a palavra grega synergos (associação), para significar o fato de que mais de um agente provoca efeito maior que a soma isolada de cada fator presente no processo. Sindemia, então, traduziria um complexo causal de fatores sociais e ambientais capazes de promover ou incrementar efeitos negativos das interações entre condições diversas. Isso seria distinto de simples comorbidade, já que implica em interações entre condições que incrementam as possibilidades de determinados prejuízos aos resultados sanitários. Seria mais apropriado falar, então, em transmorbidade, por envolver interações entre situações diversas, como condições agudas transmissíveis e não transmissíveis, além de condições crônicas não agudizadas e outras que nem são doenças, como aquelas derivadas da maternidade, as perinatais, as de idosos etc. São processos agravados em ambientes de desigualdade e também pela crescente presença de doenças emergentes resultantes da globalização, do aquecimento global, da degradação ambiental e das desigualdades sociais. Cria-se, assim, uma “tempestade perfeita”, capaz de abrir caminho para uma supersindemia, tal como a do Covid.
Advém daí relativos obstáculos à atenção nas condições crônicas, o que, de forma desastrosa, implica no agravamento das mesmas, gerando mortes perfeitamente evitáveis, com tremendo impacto econômico nos sistemas de saúde. Tal desassistência provocada não só pelas restrições de acesso, como pelo temor das pessoas em demandarem os serviços de saúde, faz com que as tais condições crônicas entrem em processo de instabilidade, com aumento de sua gravidade e mortalidade. Este acúmulo de desassistidos é denominado de “pacientes invisíveis”, na expressão de Eugênio Vilaça Mendes (ver link ao final)
Isso vai passar? O historiador israelense Yuval Harari, por exemplo, acha que sim, mas adverte: “A humanidade sobreviverá, a maioria de nós seguiremos vivos, porém habitaremos um mundo diferente. Muitas medidas de emergência de curto prazo se tornarão em hábitos de vida. Essa é a natureza das emergências. Os processos históricos avançam rapidamente. Decisões que em tempos normais levam anos de deliberação se aprovam em questões de horas. Entram em serviço tecnologias imaturas e inclusive perigosas, porque os riscos de não fazer nada são maiores. Países inteiros servem como cobaias em experimentos sociais de grande escala. O que acontece quando todos trabalham em casa e se comunicam somente à distância? O que acontece quando escolas e universidades operam apenas online? Em tempos normais, governos, empresas e juntas educativas nunca aceitariam realizar tais experimentos. Porém, esses não são tempos normais”.
Há que se buscar, portanto, um “novo normal”, também na saúde. Mas isso não pode ser apenas “mais do mesmo”, por certo. É o caso se discutir, por exemplo, a fórmula dos “5 R”, RESOLUÇÃO, RESILIÊNCIA, RETORNO, REIMAGINAÇÃO e REFORMA, aplicável aos sistemas de saúde. Isso será objeto de futuras e próximas postagens aqui neste espaço.
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Nesta semana, entrevista tremendamente lúcida de José Luiz Fiori, Professor de Economia Política da UFRJ, na qual ele dá pistas para a resposta à pergunta que nós todos temos feito aos (raros) oráculos de que dispomos: ATÉ QUANDO? Ver texto completo no link ao final.
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Acesse o texto completo: https://outraspalavras.net/outrasmidias/a-ladeira-pela-qual-pode-cair-jair-bolsonaro/

**Flávio de Andrade Goulart é médico, professor de Medicina na UFU e na UNB, secretário municipal de Saúde em Uberlândia e é sobrinho do poeta Carlos Drummond de Andrade.

Impera a mediocridade!

Marília Alves Cunha*

Navegando pela Internet como é hábito e gosto de fazer, principalmente nestes tempos bicudos nos quais a imprensa, em geral, mais desinforma do que informa, completamente cativa da sanha de destruir a imagem de um presidente, dei de cara com um vídeo impressionante. Não pude localizar a data do evento, mas sei perfeitamente da intenção, do desaforo, do desrespeito e abuso da coisa pública.

Na entrada da UFRJ brilhava um painel enorme, sustentado por bela armação de ferro. Coisa bem feita, bem arrumada. Acho que era um painel para sobreviver a várias tempestades ou, pelo menos, até que surtisse o efeito desejado. No retângulo, em letras grandes e luminosas, palavras de ordem contra Bolsonaro. Não vou aqui repetir o absurdo, pois não costumo repetir calúnias, palavras injustas, inverídicas, um verdadeiro atentado à honra e dignidade de um chefe de estado. A travessura, a gracinha, a infâmia durou até que a policia federal interviesse e ordenasse a retirada do monstrengo brilhoso.

Parece que reina um fragoroso engano relativo à autonomia das Universidades públicas. Elas não são propriedade privada do Reitor, do Vice, de professores ou alunos. Elas são públicas, propriedades do povo brasileiro que paga altos impostos, para sustentar este custoso encargo. E paga corretamente, no desejo de ter ensino de qualidade e gratuito, no desejo de manter estes centros de excelência, de conhecimento, de pesquisa, de ciência. Ou deveriam ser…

Infelizmente grande parte delas, contrario sensu a sua verdadeira função, se imiscuiu na militância política e age como um país à parte, onde não há necessidade de se prestar contas à sociedade e onde só existe uma verdade e uma agenda: “conquistar (ou escravizar) corações e mentes”… E quem sair deste tom, certamente cairá em desgraça. “Não faça nada pelas leis que você não possa fazer pelos costumes” – esta frase é muito mais antiga que Gramsci, mas ele a adotou e entendeu que era o caminho para por em prática o domínio do pensamento. Alterar aos poucos a estrutura de uma sociedade, a partir de seus valores éticos, morais e culturais é o caminho, ensina o filósofo. E muita gente corre atrás, entra na fila sem nem entender direito o que isto significa. E, infelizmente, à medida que uma sociedade se torna mais fraca, sem lastro, ela se torna mais vulnerável e mais facilmente dominada. As fábricas de militância ajudam bastante neste caminho enviesado…

A militância política está infiltrada nas escolas, desde as de ensino fundamental. Tenho netos e já provei o sabor desta tentativa de impor a todos um pensamento único e mediocrizante. E tem sido usado para isto um discurso á primeira vista legal, ágil, meio revolucionário (que agrada bem ao espírito dos jovens, inquieto por natureza) mas que, muitas vezes, ao contrário, é inconsequente, sem honestidade e sem maturidade.

Este caso da UFRJ é um belo exemplo desta imaturidade, desta irresponsabilidade. A reitora, por certo, não se incomodou com o monstrengo fincado na porta do estabelecimento. Assim como não se incomodam muito com professores (sic) que expulsam da sala de aula um aluno vestido com uma camiseta “Bolsonaro-eu apoio” e mostram na sua própria camiseta vermelha um “Lula livre”, estampado em letras garrafais. E não se incomodam muito com paredes pichadas, descuidadas, enfeitadas inclusive com palavrões. É o cúmulo da insensatez!

*Educadora e escritora ´Uberlândia – MG

CPI para quê?

Paulo Henrique Coimbra de Oliveira*

Criar uma CPI apenas para atingir o presidente e outras autoridades é coisa de quem não tem nada mais importante para fazer. E é o caso específico. Para que isto acontecesse seria necessário antes de tudo quem propôs e quem vai participar ter moral para tanto. Nem o STF nem o Senado por seus erros e omissões estão habilitados para isto. São quase todos, a bem da verdade, facínoras. Basta ler suas folhas corridas de desserviços prestados à nação. Deveriam sim fazer uma autocrítica. E será mais uma CPI que não vai dar em nada. Nos poupe.

*Economista

A crise humanitária que nos assola

Cesar Vanucci *

“Os óbitos poderão chegar a 500, 600 mil”.
(Vaticínio da médica Ludhmila Hajjar, que se recusou assumir a pasta da Saúde)

Flagrantes lúgubres da atualidade brasileira. 330 mil óbitos provocados pela pandemia. Esse número pode subir, em curto espaço de tempo, para 500, ou mesmo 600 mil, vaticina a médica Ludhmila Hajjar, que recusou convite para assumir a pasta da Saúde.

A funesta previsão é compartilhada por cientistas e médicos conceituados. No mundo, ocupamos o segundo lugar em casos fatais e contaminações. Somam mais de 13 milhões as pessoas infectadas no território nacional. A “gripezinha de nada” que, consoante o alto escalão negacionista, deu vaza a “mimimis de maricas”, vem acumulando em nossas plagas recordes mundiais diários de sepultamentos, cremações e hospitalizações. O colapso do sistema hospitalar assumiu proporções de extrema dramaticidade. Faltam leitos nas UTIs e enfermarias. Muitas UPAs, abarrotadas de pacientes, foram transformadas em precários “hospitais de campanha”. Nos postos de atendimento há filas pra tudo. Até para preenchimento de ficha de consulta. Os estoques das casas de saúde acusam atordoantes carências de medicamentos e equipamentos essenciais. Corpos sem vida jazem empilhados em locais impróprios, aguardando sepultamento. Em cemitérios constata-se a abertura de covas extras como consequência da demanda intensificada. Seja frisado que aos familiares é vedado prantear entes queridos, conforme sagrados e tradicionais ritos, na hora dolorida do adeus.

Assinala-se sobrecarga de atendimentos, gerando também filas, nos cartórios encarregados de registros de falecimentos. Com as atividades econômicas prejudicadas, o desemprego e o subemprego assumem descomunal proporção. Fica evidente que, em circunstâncias assim, o relacionamento cotidiano é afetado nos planos familiar, profissional, social.

O desemprego em massa eleva os índices de miséria absoluta. As enfermidades inesperadas oriundas do confinamento fazem-se frequentes.

Já quanto à almejada e indispensável vacinação em massa, o que se vê, espantosa e deploravelmente, é uma lentidão que lembra, como se propala nos papos de rua, caminhar de tartaruga. Dois meses passados e a aplicação da primeira dose não atingiu nem 8 por cento do público alvo. Estimativa de órgão oficial dá conta de que, mantida a marcha atual da carruagem, a aplicação da primeira dose da imunização só estará concluída em meados de 2023. Seja acrescentado que, várias vezes, as aplicações tiveram que ser bruscamente interrompidas, por falta de insumo básico…

Paralelamente a tudo isso e a outras mazelas vividas pela sociedade, aqui não listadas, adquirem contorno, no cenário nacional, ampliando o leque das aflições comunitárias, deletérias manifestações batizadas popularmente como negacionistas. Têm por procedência núcleos raivosos do fundamentalismo político e religioso, exímios propagadores de absurdidades nas redes sociais. Empenham-se em alvejar valores civilizatórios contrapondo-se, às vezes dissimuladamente, outras vezes escancaradamente, às instituições democráticas e republicanas. Muitas dessas ações trazem à lembrança dos observadores políticos imagens dos sinistros “camisas pardas” …

A opinião pública, traduzindo o sentimento das ruas, vem expressando seu inconformismo com relação aos fatos estarrecedores narrados. Cobra providências dos setores competentes lamentando a inépcia evidenciada na gestão dos tormentosos problemas que penalizam indistintamente todas as camadas da população, onerando de forma mais contundente os despossuídos sociais. Critica acerbamente a falta de planejamento, a ausência de coordenação competente na condução das medidas de combate à crise humanitária que sacode o país.

* Jornalista (cantonius1@yahoo.com.br)