A importância da oposição em qualquer governo

Ivan Santos – Jornalista

No início dos anos 1080 o estadista português, Mário Soares, depois de militar por mais de 20 anos na oposição, viu o partido dele – o Socialista – chegar ao poder e ele, primeiro ministro e chefe do governo. Nesta condição, Mário Soares veio ao Brasil, em visita oficial. Desceu em São Paulo. Ainda no aeroporto foi interpelado por jornalistas. Uma jovem jornalista perguntou-lhe:
– Dr. Mário, como o senhor vê, agora, a Oposição no governo?
Espantado, Mário Soares observou:
– Não entendi sua pergunta porque não sei o que é oposição no Governo. Neste momento, em Portugal, eu não sou da oposição: sou do governo; não conheço oposição no governo. Em Portugal quem era da oposição agora é governo. Eu, hoje não respondo pela oposição porque sou o chefe do governo.
A repórter parece nada ter entendido porque voltou a perguntar:
– Mas o senhor não é da oposição?
– Fui. Agora sou governo – respondeu Soares.
Este fato histórico serve para quem quiser interpretar o que ocorre em eleições no Brasil. No passado o prefeito Zaire Rezende (governo) perdeu para Virgílio Galassi, da oposição. Virgílio passou a ser do Governo e Zaire voltou à Oposição. Os vereadores eleitos pelos partidos da coligação vitoriosa passaram a integrar o governo e os que eram da base do governo foram para a oposição. Na prática do processo político brasileiro, alguns vereadores eleitos para a oposição aderiram ao novo governo. Isto é traição aos eleitores que apoiaram o candidato derrotado. Na democracia, o papel da oposição é importante para fiscalizar os atos do governo no exercício do mandato e acompanhar a aplicação dos recursos do Orçamento Público. No processo democrático a oposição é indispensável. Se os vereadores da oposição preferirem trair os eleitores derrotados, em troca de favores políticos, vendem-se ao poder. Aos eleitores poderão julgar os traidores na próxima eleição.

BRASIL, CAMPEÃO MUNDIAL DE MINISTÉRIOS

Ivan Santos – Jornalista

O Brasil é o país que tem o maior número de Ministérios em todo o mundo. Tem hoje 31 ministérios e 3 secretarias com status de ministério. Os últimos governos criaram Ministérios, não para melhorar a administração pública, mas para promover acomodação política com partidos aliados. O futuro governante poderá criar mais ministérios para acomodar a nova “cumpanheirada”. Há partidos que estão na base de apoio de candidatos a presidente que já manifestaram o desejo de criar o Ministério d Segurança, o Ministérios das Pequenas e Micros Empresas.
O que as pequenas e micros empresas nacionais precisam é de menos burocracia e menos impostos e isto, o futuro Ministério, certamente não oferecerá. É bom lembrar que depois da posse, o presidente da República terá que governar com um orçamento apertado para atender à demanda por mais serviços públicos. A Tigrada que se prepare para pagar a conta do Festival. Ninguém espere por mudanças substanciais na administração pública federal, a não ser a cobrança de mais impostos, contribuições e taxas para alimentar os mastodontes.
Os partidos aliados pressionaram o candidato a presidente que apoiam por uma reforma tributária que diminua os impostos para a classe média e cobre mais dos assalariados. Uma reforma tributária tem o objetivo de espalhar sonhos e bondades substanciais para milhares de pequenos empresários que são considerados cabos eleitorais importantes em todas as eleições no Brasil. Os pequenos poderão colaborar com os grandes no Brasil moderno. A união faz a força.
No Brasil, só falta criar o Ministério da Felicidade Popular, mas não faltará quem faça a proposta no Congresso ou nos bastidores do Governo. O Governo também poderá criar, por Medida Provisória, o Ministério das Empregadas Domésticas, o Ministério dos Desempregados, o Ministério dos Trabalhadores de Salário Mínimo, o Ministério dos Desempregados, o Ministério das Crianças e o Ministério do Amor.
Antes de criado o Ministério das Pequenas e Microempresas, no Vale da Política Oportunista, já circulam vários nomes de candidatos a ministro.
Nos bastidores secretos da política em Brasília correm comentários extra oficiares, segundo os quais, o Ministério das Pequenas e Microempresas servirá para vários “companheiros” que não se reelegerem para a Câmara ou para Senado. Tudo como dantes no quartel de Abrantes, segundo o velho Eça de Queiroz.

PORNOGRAFIA E CULTURA

Ivan Santos – Jornalista

Nem só de besteirol, mensalão e corrupção vivem os representantes do povo em Brasília. O jornal espanhol El País – um dos mais conceituados do mudo informou, no ano passado que um senador da República do Brasil iniciou uma séria discussão para classificar a pornografia como cultura. Se a intenção do sisudo senador vingar, os operadores de sistemas pornográficos se habilitarão a requerer verbas dos Programas Nacionais de Cultura operados pelo Ministério da Cultura. Comentou El País que “não se trata de uma discussão bizantina, mas prática, atual e se refere a uma decisão de alto nível para oferecer cultura aos trabalhadores que ganham menos de R$ 2000. Estes terão direito a uma “Bolsa Cultura” para pagar cinema, teatro, concerto ou comprar livros e revistas”. O jornal acrescentou que “quem quiser poderá gastar a Bolsa Cultura com revistas pornográficas”. Comentou ainda El País que “a discussão levanta polêmicas entre os austeros senadores do Brasil que deixaram entender que há grande interesse de editores de revistas pornográficas no Programa da Bolsa Cultura, naturalmente se o Senado aprovar “publicações pornográficas como cultura”. Informou também o diário espanhol que a Associação Nacional de Editores de Revistas (ANER) informou que somente 3% de mais de 4000 revistas publicadas no Brasil não são culturais”. “O Vale Cultura” deverá ser pago 90% por empresas e 10% por trabalhadores”.
As empresas que publicam revistas pornográficas estão interessadas no assunto e esperam que as publicações eróticas sejam instrumentos de cultura no Brasil.

Comentam alguns parlamentares federais que depois da Bolsa Família que ajuda 12 milhões de pobres no Brasil e a Bolsa Cultura – estas duas iniciativas – são importantes para os trabalhadores brasileiros cujo salário base é muito baixo. A novidade é vista por políticos da Situação como uma ação eficaz e positiva para a inclusão social.

Celular (telemóvel) também é cultura. Por isto o Governo prevê a distribuição de uma linha, aparelho e crédito para facilitar as comunicações entre beneficiários dos Programas sociais. O Plano ainda está em estudo, mas poderá ser viável a partir de 2028. O Programa visa beneficiar 12 milhões de lares pobres no Brasil.

FHC- 95 anos!

Tania Tavares – Professora – SP

O artigo “História, memória….e FHC” ,do ex-ministro da fazenda Pedro S. Malan (A4;14/06) em homenagem aos 95 anos de Fernando Henrique Cardoso (FHC) é uma aula de como estar preparado, ter objetivos concretos e acabar com a superinflação (Plano Real). FHC se propôs a vários desafios e cumpriu ” 1) O Brasil só consolidará sua democracia e reafirmará sua unidade como nação soberana se superar as carências agudas e os desequilíbrios sociais que infernizam a população;…..Merece ser lido e repassado para que lembremos que tivemos um Estadista governando o Brasil!

O sorriso do Moisés

Ana Maria Coelho Carvalho – Bióloga

Esse Moisés não é o profeta da Bíblia, que nasceu no Egito, foi colocado em um cestinho no rio Nilo e adotado pela filha do faraó. Esse Moisés é o meu neto número 11 que nasceu em novembro/2012, em Serra Grande, perto de Ilhéus, o terceiro rebento da minha filha.

Ele veio ao mundo de parto natural (natural demais), assistido apenas por uma parteira de origem indígena e pelo meu genro. A filha, que não tem medo das dores, depois de dez horas de contrações e nenhuma anestesia, deu a luz de cócoras e realizou o sonho de ter um bebê quase sozinha. Aliás, parece que na Bahia isso é muito normal. O motorista de táxi, que me conduziu até a praia de Algodões, contou-me que já nasceram duas crianças dentro do seu táxi, no caminho entre Itacaré e Ilhéus. Ele fez o parto tão direitinho que a família o chamou para padrinho. Também a Elizabeth, mãe do meu genro e que tem nome de rainha, teve onze filhos, sozinha e Deus.

Mas, voltando ao Moisés, parecia que tudo estava bem. Ele era forte, chorou ao nascer, era moreninho e a cara do pai. Apenas não tinha tanta vontade de mamar e no primeiro dia de vida já estava um pouco amarelinho. No segundo dia, assim que o conheci, a filha e eu o levamos a uma pediatra em um hospital em Ilhéus. A médica o diagnosticou com icterícia do recém nascido que ocorre antes das 24h de vida, por incompatibilidade do sistema ABO (mãe tipo sanguíneo O e Moisés tipo B) e indicou imediata internação hospitalar. Feito o exame de sangue, verificou-se que a taxa de bilirrubina dele estava em 27 mg/100ml , quando o normal seria em torno de 1 a 5. Muito perigoso, pois a bilirrubina pode se impregnar no cérebro, causando surdez, paralisia cerebral, retardo mental e mesmo a morte. E não é possível saber a que momento do processo isso vai acontecer. Ele estava no limite para fazer a exsanguineotransfusão, ou seja, trocar todo o sangue, um procedimento arriscado. Se tivesse nascido no hospital, poderia ter sido socorrido mais cedo. Em Ilhéus não havia como, teríamos que ir às pressas para algum hospital em Salvador. Tentou-se então a fototerapia intensiva, mas com aparelhos precários, mesmo sendo o melhor hospital de Ilhéus. Assim, a Ilhéus que vivenciei não foi aquela do Jorge Amado, da Gabriela que tinha o cheiro do cravo e a cor de canela. Passamos lá, a filha e eu, muita aflição, muita dor e muita angústia. Depois de quatro dias de fototerapia, o bebê teve alta com bilirrubina ainda de 20 (ou seja, não poderia ter saído do hospital). Enfrentamos uma estrada de chão horrível, o Moisés com seis dias e a mãe cheia de pontos, dirigindo. Fomos para casa e ficamos um dia apenas, pois o bebê não estava bem. Depois de contatos com outros médicos, levamos o Moisés para Salvador, mais sete horas de viagem, a mãe dirigindo. Mais angústia, sofrimento, internação hospitalar (a bilirrubina estava a 21,7) e fototerapia intensiva, porém desta vez com aparelhos apropriados. No terceiro dia, felizmente o Moisés teve alta, mas continuou amarelinho por um bom tempo.

Aos dois meses, com olhos espertos cor de jabuticaba e dobrinhas de gordura nas pernas e braços, ele sorriu seu primeiro e lindo sorriso, que a tudo iluminou (seu nome significa “aquele que dá a luz”). Sei que ele não realizará grandes feitos como seu xará, o da Bíblia, aquele Moisés que liderou os hebreus para fugir da escravidão, abriu uma passagem no Mar Vermelho e recebeu os 10 mandamentos. Mas, mesmo quando tão pequenino, o meu Moisés venceu uma grande batalha. Hoje está com 13 anos, bonitão, forte e saudável. Que Deus o ilumine sempre e o proteja.