O repórter está morto

Ivan Santos – Jornalista

Há pouco tempo o jornalista Cláudio Júlio Tognolli publicou na Revisa “Caros Amigos” o texto realista que vamos apresentar, a seguir:
“O jornalismo investigativo está morto. Sobrevive, tão somente, em salas de aula. Apenas porque lá repórteres engravatados vão dar palestras. Diante do silêncio maravilhado dos alunos, mostram o que é deter o júbilo de ser um ungido pelos deuses pagãos do jornalismo. Mas esta farsa luminosa, lacunarmente encenada, logo se dissipa como água na água: o aluno logo aprende que o jornalismo investigativo é um defunto tresnoitado. O que sobrou para os jornalistas investigativos, agora, é copiar grampos degravados por peritos policiais sonolentos. Ou copiar boletins de ocorrência. Tanto faz: o que era para ser ponto de partida (os dados oficiais), virou ponto de chegada.

O curativo arrepio de delícia, que percorre a espinha do repórter, sempre que pega um furo, passou a ter um preço. E este tem deixado diretores de redação numa rarefação de causar rodopios. Levantamento feito pelo jornalista Márcio Chaer, do site Consultor Jurídico, mostra que há no Brasil quase 2,8 mil jornalistas processados. Um recorde mundial. Os dados são de dois anos passados. Tudo porque, mesmo defendendo publicamente a tão aclamada “transparência”, diretores de jornais sucumbiram, ano passado, à assoprada dada pela entidade patronal que congrega os donos de jornal. A saber: não revelem novamente os dados dos processos sofridos por jornalistas. Isso custa caro ao preço das ações das empresas.

Sabe-se que esse número de processos contra jornalistas dobrou. Ninguém é mais processado pela Lei de Imprensa. Desde a Constituição de 1988, advogados preferem processar jornalistas pelo artigo quinto, inciso décimo, da Carta Magna, que prevê a inviolabilidade de imagem. Ações cíveis contra empresas de jornalismo viraram um bom investimento. Estima-se que, no Brasil, pelo menos RS$ 70 milhões estejam sendo postulados na Justiça contra jornalistas.

O número total de ordens judiciais de interceptação telefônica no país em 2008 ultrapassou 400 mil, segundo levantamento feito pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) junto às operadoras, entre 1º de janeiro e 5 de dezembro do ano passado, da CPI e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Segundo o relatório da Anatel, foram determinados 398.024 grampos em celulares e 11.905 em telefones fixos, totalizando 409.929 pedidos de interceptações.

Numa sondagem feita com 8 repórteres investigativos, referiram-me que, de tudo o que publicaram ano passado, em seus jornais e revistas, mais de 90% “veio pronto”. Ou seja: essa produção industrial de grampos acabou escoando nas páginas da mídia. Agora entendemos porque o jornalismo investigativo dá sinais alusivos de agonia, e uma inervação indissolúvel toma conta dos advogados contratados para escangalhar o couro de repórteres.

A filosofia que preside um inquérito, naturalmente, é aquela chamada, em lógica, de princípio do terceiro excluído, ou, em latim, “tertio non datur”. Ou lidamos com culpados, ou com inocentes. Ou com o bem, ou com o mal. Jamais se pensaria em absurdidades logicamente possíveis, como, digamos “bondade que mata”. O ministério público, titular da ação penal, está aí para isso. A defesa dos acusados que se vire: a princípio todos são culpados. Esse mecanismo veio funcionando bem, com seus excessos, é claro, até que vieram os grampos. E até que vieram as “bolachas” (CD’s) com todas as gravações e grampos e o escambal a quatro. Esse escarmento, levado aos repórteres, criou uma enxurrada de “jornalistas investigativos”, cujo único papel tem sido reproduzir o que se recebeu da polícia ou das procuradorias.

Roda nas redações do Brasil, a boca pequena, um documento de onze páginas, sobre a chamada Operação Satiagraha, que levou Daniel Dantas à cadeia. Nele alguns jornalistas são citados como partícipes do movimento que teria levado à privatização da Satiagraha, daí o afastamento do delegado Protógenes Queiróz. O documento tem servido como “mea culpa” para todo o repórter que o lê. A concorrência para dar o furo tem feito o repórter surfar os limites do impossível. Tem nos aproximado do velho alpendre filosófico de Nietszche quando alertou que, toda vez que nos aproximamos por demais do monstro que queremos combater, corremos o risco de nos tornarmos iguais a ele. A indústria dos grampos, e a cobrança no esquema da concorrência pelo furo, deixou o repórter pairando no intermédio de ambos: hoje é juiz. Amanhã será carrasco. O populacho que consome shows aplaude a transmutação. Os advogados de redações coçam os rubis dos anéis.

VISÃO SOBRE 2012

Ivan Santos – Jornalista

Já fui acusado neste espaço por algumas pessoas encantadas com a polícia econômica do presidente Lula, de ser pessimista e míope por não reconhecer nem ver que nos últimos oito anos houve crescimento expressivo da classe média brasileira; que a pobreza diminuiu e está a caminho do fim e o Brasil tem mais de US$ 350 bilhões de dólares de reservas que fazem com que o País seja uma potência econômica mundial. Tanta euforia não passa pela minha cabeça. Prefiro acreditar no que dizem economistas prudentes. Na última quarta-feira, o jornal Valor Econômico alertou que “se alguém espera para 2012 algum sopro de euforia nos mercados, é bom saber que essa não é a previsão de nenhum dos especialistas consultados”. “Não vai ser um ano para dobrar capital”, comentou o respeitado economista Fernando Rocha. As medidas macroprudenciais adotadas no final do Governo do presidente Lula, como comentamos naquela época neste espaço, estão a produzir agora os primeiros sinais de desaceleração da economia cabocla. Para evitar desemprego em massa, a presidente Dilma lançou o “Programa Brasil Maior” que dá desoneração fiscal a alguns setores da indústria. Para economistas conservadores, o “Programa” é um paliativo porque a crise que cresce na Europa pode se espalhar por todo o mundo. Na economia globalizada, o Brasil não ficará como ilha de bonanças sem sofrer os efeitos negativos da desaceleração econômica no Primeiro Mundo.

BIPOLARIDADE

Ainda segundo o jornal Valor, ”ninguém tem dúvida de que 2012 será ano marcado pela bipolaridade com períodos de estresse que devem se alterar com momentos de recuperação embalados por recursos ainda disponíveis”. O Brasil é um país que ainda tem recursos disponíveis e forte mercado interno, mas isto não é vantagem competitiva no mundo.

CAUTELA

O Governo tem agido com cautela em matéria de economia e atua para evitar desacelerar a indústria. No entanto, o presidente da FIESP, Paulo Skaf, recém culpou o governo de Dona Dilma “pelo fraco desempenho da indústria em 2011”. Na verdade é o “Custo Brasil”, a carga tributária e o real valorizado que atormentam as indústrias.

CLIMA QUENTE

Em Uberlândia a indústria da construção civil está aquecida com lançamentos de grande e médio porte. Neste ambiente positivo e animador é preciso torcer para que o Governo não desvie recursos do FGTS para financiar as obras da Copa do Mundo e das Olimpíadas e assim falte dinheiro para a CEF financiar o comércio de imóveis.

DEMOCRACIA DIGITAL E BESTEIROL

Ivan Santos – Jornalista

Luana Piovani, atriz culta e celebridade do primeiro time da constelação lúdica nacional, conseguia movimentar e encantar milhares de internautas do Brasil com os comentários que fazia na Internet. A maioria das pessoas que conseguiam as informações que ela divulgava pareciam sem competência para distinguir alho de bugalho. Há pouco tempo a atriz informou no Blog dela que o padre Antônio Vieira morava em São Paulo. Poucos deram importância à informação, talvez por ignorarem quem foi o padre. Ninguém comentou o besteirol. Luana exercitava a “liberdade democrática” que a Internet concede a gregos e a troianos, todos com direito de divulgar bobagens e alimentar besteirol com sonhos, fantasias e assinar comentários mentirosos com nome trocado ou inventado na última hora. Comunicação sem escrúpulo. A informação de que o “padre Antônio Vieira mora em Sampa”, Luana a fez, certamente, com ironia, para avaliar o nível de conhecimento histórico da plateia que a segue e a aplaude na Internet. Muita gente sensata e bem informada, hoje, espanta-se com a audácia de internautas que tentam justificar a falta de ética no processo político com falcatruas do passado. Isto é irreverência sem precedentes na história da democracia. O besteirol atual, na Internet, é pura bobagem cometida por quem acha que todos somos idiotas ou ignorantes batizados, crismados e dispensados do Serviço Militar por excesso de contingente. Besteirol cibernético que faz rir e chorar ao mesmo tempo. Saravá!

BESTEIRAS

Hoje a Internet parece um canal para alguns externarem ressentimentos, ódios, preconceitos, revanchismo e ignorância sem a menor ilustração. Em nome de uma sociedade mais crítica, pseudodemocrática, a Internet transforma-se hoje em passarela para desfiles de figuras que, na prática de comunicação popular moderna, revelam-se comentaristas de insensatez.

DIVIDA EXTERNA

Outro besteirol que corre solto na Internet é o que diz que Lula pagou a dívida externa e, por isto, o Brasil hoje nada deve no exterior. Em 2002 quando Lula assumiu o Governo, a Dívida Externa é de R$ 326,7 bilhões e a dívida interna está em R$ 10,3 trilhões. O Brasil é um país endividado.

DIVIDA INTERNA

Em 2002 a Dívida Interna do Brasil era de R$ 654,3 bilhões. Mestre Lula da Silva aproveitou os juros internacionais baixos, emitiu títulos da Dívida Pública e, com o dinheiro amealhado, pagou o que o Brasil devia ao FMI. Com esse tipo de operação a Dívida Interna do País é hoje muito difícil de ser quitada? Que dívida pagou Lula?

A ARTA DE ESCREVER BEM

Ivan Santos – Jornalista

Certa vez mestre Armando Nogueira, um dos maiores cronistas de jornais do Brasil, ensinou uma lição a quem quiser aprender a escrever. Segundo ele, “bem escrever é cortar palavras”. E contou uma história ocorrida em uma feira de peixes na beira de uma praia. O feirante escrevera um anúncio assim: “HOJE, VENDO PEIXE FRESCO”. A um amigo dele que chegara, perguntou se o anúncio estava correto. O amigo escritor observou: “Você já notou que todo dia é sempre hoje”? E acrescentou: “Acho dispensável esta palavra HOJE”.
O feirante retirou a palavra e o anúncio ficou: “VENDO PEIXE FRESCO.” O amigo tornou a comentar: “Aqui, nesta feira, existe algum peixe dado de graça”? O peixeiro respondeu: “Que eu saiba. “Então não é preciso o verbo VENDER. O peixeiro obedeceu e retirou o verbo. O anúncio ficou: “PEIXE FRESCO”. A seguir, o visitante perguntou: “Me diga uma coisa: por que apregoar que o peixe é fresco se o que traz o freguês a uma feira no cais do porto é a certeza de que todo peixe daqui é fresco”? Lá se foi o adjetivo.
Ficou o anúncio reduzido a uma singela palavra: “PEIXE”. Foi por pouco tempo. O visitante ponderou que era menosprezar a inteligência dos clientes anunciar, em letras garrafais, que o produto da banca era peixe. O anúncio foi cancelado, sumiu. O feirante vendeu tudo. Não sobrou nem a sardinha do gato. E ainda aprendeu uma preciosa lição: “Escrever é cortar palavras”.

Jornalismo

Jornalismo não é literatura; é informação. O texto jornalístico não admite frases na voz passiva, locuções verbais, gerúndios nem adjetivos qualificativos. Os leitores de jornais não aceitam julgamentos prévios e têm o direito de saber quem foi que praticou a ação indicada pelo verbo principal da oração. Simplificar é preciso.
laro: dificilmente permitirei”.

Manual precioso

As jornalistas Dad Squarisi e Arlete Salvador, no livro “A arte de escrever bem” ensinam produzir mensagens pelo correio eletrônico, escrever relatórios, fazer vestibular ou produzir matéria jornalística. Elas, com indiscutível habilidade e competência, ensinam, no livro, como redigir hoje, de modo adequado e elegante.
Lição de mestre

Pompeu de Souza, lendário jornalista do “Diário Carioca” do Rio de Janeiro, que introduziu o “lead” no noticiário brasileiro, dizia aos principiantes: “Jovem, escreva um sujeito, um verbo e um complemento, sempre nesta ordem – a direta. Se quiser escrever um adjetivo, peça minha permissão e, antecipadamente, declaro: dificilmente permitirei”.

Manual precioso

As jornalistas Dad Squarisi e Arlete Salvador, no livro “A arte de escrever bem” ensinam produzir mensagens pelo correio eletrônico, escrever relatórios, fazer vestibular ou produzir matéria jornalística. Elas, com indiscutível habilidade e competência, ensinam, no livro, como redigir hoje, de modo adequado e elegante.

A ARTE DE ESCREVER BEM

Ivan Santos – Jornalista

Certa vez mestre Armando Nogueira, um dos maiores cronistas de jornais do Brasil, ensinou uma lição a quem quiser aprender a escrever. Segundo ele, “bem escrever é cortar palavras”. E contou uma história ocorrida em uma feira de peixes na beira de uma praia. O feirante escrevera um anúncio assim: “HOJE, VENDO PEIXE FRESCO”. A um amigo dele que chegara, perguntou se o anúncio estava correto. O amigo escritor observou: “Você já notou que todo dia é sempre hoje”? E acrescentou: “Acho dispensável esta palavra HOJE”.
O feirante retirou a palavra e o anúncio ficou: “VENDO PEIXE FRESCO.” O amigo tornou a comentar: “Aqui, nesta feira, existe algum peixe dado de graça”? O peixeiro respondeu: “Que eu saiba, não”. “Então não é preciso o verbo VENDER. O peixeiro obedeceu e retirou o verbo. O anúncio ficou: “PEIXE FRESCO”. A seguir, o visitante perguntou: “Me diga uma coisa: por que apregoar que o peixe é fresco se o que traz o freguês a uma feira no cais do porto é a certeza de que todo peixe daqui é fresco”? Lá se foi o adjetivo.
Ficou o anúncio reduzido a uma singela palavra: “PEIXE”. Foi por pouco tempo. O visitante ponderou que era menosprezar a inteligência dos clientes anunciar, em letras garrafais, que o produto da banca era peixe. O anúncio foi cancelado, sumiu. O feirante vendeu tudo. Não sobrou nem a sardinha do gato. E ainda aprendeu uma preciosa lição: “Escrever é cortar palavras”.

Jornalismo

Jornalismo não é literatura; é informação. O texto jornalístico não admite frases na voz passiva, locuções verbais, gerúndios nem adjetivos qualificativos. Os leitores de jornais não aceitam julgamentos prévios e têm o direito de saber quem foi que praticou a ação indicada pelo verbo principal da oração. Simplificar é preciso.

Lição de mestre

Pompeu de Souza, lendário jornalista do “Diário Carioca” do Rio de Janeiro, que introduziu o “lead” no noticiário brasileiro, dizia aos principiantes: “Jovem, escreva um sujeito, um verbo e um complemento, sempre nesta ordem – a direta. Se quiser escrever um adjetivo, peça minha permissão e, antecipadamente, declaro: dificilmente permitirei”.

Manual precioso

As jornalistas Dad Squarisi e Arlete Salvador, no livro “A arte de escrever bem” ensinam produzir mensagens pelo correio eletrônico, escrever relatórios, fazer vestibular ou produzir matéria jornalística. Elas, com indiscutível habilidade e competência, ensinam, no livro, como redigir hoje, de modo adequado e elegante.

O Ponto Negro

Ivan Santos – Jornalista

Certo dia, um professor entrou na sala de aula e disse aos alunos para se prepararem para uma prova relâmpago. Todos se assustaram com o teste que viria.
O professor entregou a folha com a prova virada para baixo, como era de costume…
Quando puderam ver, para surpresa de todos, não havia uma só pergunta ou texto, apenas um ponto negro no meio da folha.
O professor analisando a expressão surpresa de todos, disse: “Agora vocês vão escrever um texto sobre o que estão a ver”.
Todos os alunos, confusos, começaram a tarefa. Terminado o tempo, o professor recolheu as folhas, colocou-se na frente da turma e começou a ler cada redaão em voz alta.
Todas, sem exceção, definiram o ponto negro tentando dar explicações para o que viram no centro da folha de papel.
Após ler todas, a sala em silencio, o professor disse: – Esse teste não será para nota, apenas serve de aprendizado para todos nós.
Ninguém falou sobre a folha em branco. Todos centralizaram suas atenções no ponto negro. Assim acontece em nossas vidas. Temos uma folha em branco inteira para observar, aproveitar, mas sempre nos centralizamos nos pontos negros.

“A vida- ensinou o professor – é um presente de DEUS dado a cada um de nós, com extremo carinho e cuidado. Temos motivos pra comemorar sempre. A natureza que se renova, os amigos que se fazem presentes, o emprego que nos dá sustento, os milagres que diariamente presenciamos. No entanto, insistimos em olhar apenas para o ponto negro. O problema de saúde que nos preocupa, a falta de dinheiro, o relacionamento difícil com um familiar, a decepção com um familiar, a decepção com um amigo. Os pontos negros são mínimos em comparação com tudo aquilo que temos diariamente, mas são eles que povoam nossa mente.”
Continuou o professor: “Tirem os olhos dos pontos negros da vida. Aproveitem cada benção, cada momento que Deus lhes dá. Creiam que o choro pode durar até o anoitecer, mas a alegria logo vem no amanhecer. Tenham essa certeza, tranquilizem-se e sejam felizes!!!