por uberlandiahoje | out 3, 2026 | Ponto de Vista |
Diógenes Pereira da Silva*
“Se dois indivíduos estão sempre de acordo em tudo, posso garantir que um deles pensa pelos dois.” A frase atribuída a Sigmund Freud parece ter sido escrita para os tempos atuais, principalmente quando observamos a polarização da política brasileira.
Hoje, discordar de alguém muitas vezes parece uma ofensa. Nas redes sociais, pessoas defendem políticos e partidos como se estivessem defendendo times de futebol. Não basta gostar de um candidato. É preciso atacar quem pensa diferente, como se somente um lado fosse dono da verdade.
Mas democracia não funciona assim. O voto é individual e secreto. Cada cidadão tem o direito de escolher, de acordo com sua consciência, o candidato que considera mais adequado às suas expectativas. E ninguém precisa pedir autorização para votar em A, B ou em quem quiser.
Também precisamos discutir uma questão que considero urgente: a preparação de quem ocupa cargos públicos. É razoável que pessoas responsáveis por elaborar leis, votar orçamentos bilionários e tomar decisões que afetam milhões de brasileiros não tenham nenhuma exigência de qualificação para exercer essas funções? Cabe ao Congresso Nacional discutir seriamente esse assunto e avaliar se não seria necessário estabelecer critérios mínimos de formação e preparo para determinados cargos eletivos. Afinal, administrar o dinheiro público e criar leis exige responsabilidade, conhecimento e capacidade para compreender a complexidade dos problemas do país.
O problema é quando deixamos de pensar e passamos apenas a repetir aquilo que recebemos nas redes sociais. Muitas vezes, compartilhamos acusações e informações sem saber se são verdadeiras. E, quando alguém questiona, vem a ofensa.
É preciso mudar isso. Política não deveria destruir amizades, separar famílias ou transformar vizinhos em inimigos. Podemos discordar de um candidato e continuar respeitando quem vota nele.
Pensar diferente não é falta de inteligência. E concordar com tudo também não é sinal de lealdade. Ter opinião própria exige coragem para questionar até mesmo aqueles de quem gostamos.
A política passa. Os políticos passam. A família, as amizades e o respeito deveriam permanecer.
Votar é um direito. Escolher é uma liberdade. Mas pensar com a própria cabeça é uma responsabilidade de cada cidadão.
*Diógenes Pereira da Silva
Tenente QOR PMMG
por uberlandiahoje | out 2, 2026 | Ponto de Vista |
Ana Maria Coelho Carvalho – Bióloga
Como já contei anteriormente, tenho uma fazenda nas proximidades de Pirapora. Não dá lucro nenhum, só despesas. Mas, em compensação, é uma fonte incrivel de histórias para contar – todas baseadas em fatos reais, como a que se segue.
Eu tinha algumas vacas e precisava de um boi. Depois da morte do Diamante, o boi bonito e caro que comprei e que morreu uma semana depois por ter ingerido ervas venenosas, tive de tomar uma decisão. Resolvi deixar o Príncipe Houdini, um bezerro nelore puro, filho da Daisy – a vaca de estimação da minha neta Lia – crescer e tornar-se o reprodutor e pai dos bezerrinhos que nascessem por lá.
Ele tem o sobrenome de Houdini , o maior mágico de todos os tempos, por causa do seu nascimento, que foi um espanto e ninguém esperava. Mas o sumiço seria ainda mais espantoso, como se segue.
Acontece que resolvi identificar cada vaca e bezerro com um brinco amarelo, contendo número e nome, para controlar melhor o rebanho. Também passei a fazer uma ficha de cada animal.
Por exemplo, na ficha da Castanha escrevi:
“Número 2. Escura, comprada do vizinho em março/22, já prenha. Chifruda, bate nas outras vacas. Deve dar à luz em setembro ou outubro /22. Sem raça boa, vender quando puder. Observação 1: Ficou bonita depois. Serramos o chifre dela. Bezerro Aladin nasceu em 5/9/22. Grande, branco, mancha na testa, primeiro bezerro nascido na fazenda. Observação 2. Entrou no cio em final de outubro, mas não tinha boi. Observação 3: Cruzou com o boi emprestado do vizinho em julho/ 23.”
É assim, tudo organizado.
Por isso, certa vez, quando fui à fazenda, escrevi o nome dos três bezerros maiores em brincos e pedi ao meu funcionário que os colocasse: Príncipe Houdini, Ouro Verde e Aladin. Na época, o Aladin, filho da Castanha, estava com 11 meses. O Ouro Verde, um boizinho filho da Mixirica, estava com dois anos e oito meses. A mãe era uma vaca sem raça, mas dedicada; o pai era desconhecido, provavelmente um boi gabiru. E o Príncipe Houdini estava com dois anos.
Até aí, tudo certo.
Acontece que, alguns meses depois, quando fui à fazenda, conferi o rebanho no curral. Vi um boizinho com o brinco amarelo escrito “Aladin”. O encarregado da fazenda- outro, não o que havia feito a identificação- disse que aquele era o reprodutor e que já estava cobrindo as vacas.
Completou, para minha surpresa, que não sabia como eu deixei um boi tão ruim para reprodutor: um gabiru, feio, sem raça, de cabeça larga e corpo curto.
Argumentei que o reprodutor que eu havia deixado era bom, um Nelore puro, o Príncipe. E que aquele também não era o Aladin.
Fomos procurar o verdadeiro Aladin.
Lá estava ele, sem o brinco de identificação, correndo feliz em volta da mãe, a Castanha.
Céus, o que tinha acontecido?
Como o Príncipe virou Aladin? Ou melhor: como surgiu aquele Aladin falso?
Passei boa parte da noite pensando no assunto, consultando minhas anotações e olhando fotos dos bezerros. De repente, entendi tudo.
O encarregado anterior era o verdadeiro culpado pela tragédia.
Ele havia trocado as identificações: colocou “Ouro Verde” no Príncipe, “Aladin” no Ouro Verde e deixou o verdadeiro Aladin sem brinco.
Quando comprei algumas vacas naquele ano, o verdadeiro Ouro Verde entrou na negociação, que fiz por telefone. O mesmo caminhão que entregou as vacas, levou o animal identificado como “Ouro Verde” – mas que, na verdade, era o Príncipe.
O encarregado, que tinha acabado de ser contratado, não conhecia o gado e seguiu minhas instruções: entregar o Ouro Verde.
E, como não fico na fazenda, não vi o problema. Nem sequer me despedi do Príncipe.
Entrei em contato com o comprador e pedi que destrocasse os bezerros. Ele ficou comovido com a história, disse que sabia, sim, qual era o Ouro Verde-Príncipe e que faria o possível para fazer a troca.
O problema é que o bezerro já havia sido vendido para um fazendeiro em Três Marias, bem longe dali. Só um caminhão para buscá-lo ficaria em R$2.400,00, o preço de um bezerro.
Daí, com o coração dilacerado, desisti do Príncipe. Afinal, depois de tanta confusão, eu nem sabia se seria ele mesmo que voltaria.
Que seja feliz por lá.
Só não posso contar para a Lia que o Príncipe Houdini fez jus ao nome e desapareceu num passe de mágica.
Mas a história ainda não terminou.
Surgiu outro problema: o que fazer com o boizinho que ficou por lá, feliz da vida e cruzando com as vacas? O que está identificado como “Aladin”, mas, na verdade é o Ouro Verde se passando pelo Príncipe. Agora, além de não ter raça, não tem identidade. Nem sei como chamá-lo.
Transformou-se, sem querer, em um impostor.
Aliás, o nome desta crônica poderia ser O sapo que virou príncipe.
Ou O príncipe que virou sapo.
Ou Impostor por acaso.
Ou mesmo Um sonho acabado.
Até O triste fim do Príncipe Houdini, parafraseando o clássico da literatura O triste fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto, ficaria bem.
Enfim, seguindo orientações, vou ter que castrar o boizinho gabiru – arrancar os testículos, coitado -e deixá-lo engordar para depois vendê-lo.
Oh, mundo cruel!
E continuarei sem boi, pois o Diamante morreu e o Príncipe Houdini desapareceu.
No momento, vou investir meus sonhos no Sansão, um bezerro Nelore puro, acinzentado, de nove meses, filho da Sofia.
E seja o que Deus quiser.
Até os próximos capítulos!
por uberlandiahoje | out 1, 2026 | Ponto de Vista |
Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Acadêmico da ABLetras, Blogger, Analista Político e Graduado em Gestão Pública.
Quando isso ocorre, na maior parte dos golpes o povo é utilizado como massa de manobra, se deixando levar por ameaças inexistentes da volta do comunismo. Os militares em 1964 usaram os mesmos argumentos que hoje, sessenta e dois anos depois os políticos de extrema direita voltam a utilizar na campanha eleitoral.
E o povo brasileiro ao invés de reagir contrário aos golpes, adere facilmente, acreditando em mentiras disseminadas em grupos de comunicação, redes sociais e na atual campanha eleitoral, uma das piores já realizadas desde o fim da ditadura militar em 1985.
Se somarmos todos os candidatos aos cargos de deputados estaduais, federais e senadores, não conseguiremos sequer dez por cento de postulantes com capacidade, formação universitária adequada, projetos políticos concisos, ideias claras e o uso correto da língua portuguesa.
Os partidos políticos não mudam a estratégia ao utilizar de puxadores de votos. Tem os que foram jogadores de futebol, os que pensam que são cantores, humoristas, tem até um imitador sofrível do Enéas. Enfim, uma mistura nauseante, moribunda e sem nexo de pessoas descomprometidas com a política, o voto, a democracia e o povo brasileiro.
Por outro lado, os presidentes de partido sabem que os eleitores não se esforçam para escolher os melhores candidatos, motivo pelo qual eles mantêm os piores para tentarem puxar votos. Os partidos sabem que uma parcela considerável dos eleitores acredita em voto de protesto, algo que não existe. Acreditam que voto em branco e nulo ajudam a democracia, quando na verdade só favorece os corruptos.
Para os partidos obterem uma bancada grande na Câmara ou nas Assembleias significa muitos recursos do fundo eleitoral bilionário. Nada mais importa para esses dirigentes, que estão pouco se importando com a vida dos brasileiros e suas agruras.
Enfim, vivemos numa democracia, onde a cada dois anos temos eleições (Municipais e Gerais). E o retrato é o fato de que aproximadamente 40% dos eleitores do país (158.765.543), algo em torno de 63 milhões de pessoas se abstém, anulam ou votam em branco. Cientes dessa democracia de ausentes os partidos políticos não se esforçam para registrar candidaturas com pessoas com mais qualificação, formação adequada e experiência em gestão pública.
Isso torna cada eleição um movimento pior em termos de qualidade do debate político, troca de ideias e projetos. Isso interessa apenas e tão somente aos partidos corruptos sugadores das emendas parlamentares para finalidades próprias e enriquecimento ilícitos.