Gustavo Hoffay – Agente Social

A grande suspeita de fraude nas eleições deste ano não pode, de forma alguma, ser baseada em um acidente imprevisível, obra do acaso! Ao contrário era perfeitamente previsível levando-se em consideração a metástase que tomou conta de considerável parte do nosso atual sistema político e também de algumas células dos tribunais superiores. Quem de nós ainda não ouviu falar de violações e corrupção eleitoral e de manobras eleitoreiras rasteiras e espúrias nesse chão tupiniquim? Quem nunca ouviu falar da onda de usurpação que ronda a arena política em nosso país? O assombro com o episódio das apurações dos votos na recente eleição para presidente da república, deu-se porque figuras entranhadas no poder estão, sob o meu particular ponto de vista, contaminadas por um vírus que se instalou no Brasil na década de oitenta do século passado, originado no ABC Paulista e que disseminou-se da maneira de fogo morro acima e agua morro abaixo. Quem diria que reconhecidos membros do alto poder jurídico e executivo brasileiro estariam, um dia, no foco de suspeitas das apurações de votos e inclusive ameaçados de perda de mandato pesando sobre si? Fossem tais suspeitas de manobras eleitoreiras nas eleições para vereador em Santa Rita do Cata Coquinho ou no Varjão da Onça Preta, certamente os alicerces políticos brasileiros continuariam tão sólidos quanto uma rocha de basalto. Ocorre que o nosso edifício político tem a sua base fundada em representações fracas e corroídas pela corrupção e geralmente acima de quaisquer suspeitas, dado principalmente à um sofrível e secular conhecimento político de grande parte dos eleitores. Não bastasse o monumental PNBC-Produto Nacional Bruto da Corrupção e que abrange grande obras superfaturadas, desvios de valores, violação de urnas, empreguismo e cooptação imoral de parlamentares, tudo isso somado à roubalheira dos aposentados e pensionistas do INSS e escândalos milionários em órgãos públicos de grande relevância nacional, ainda continuamos a ter uma penca de “autoridades” que explica um estado imoral dentro do estado legal. Mas convenhamos: quem está no topo da pirâmide e por isso tem a batuta são aqueles que se encontram luxuosa e confortavelmente instalados na Primeira-Classe da nave Brasil! Por mais barulho faça mais da metade dos eleitores brasileiros diante de tal escândalo, infelizmente pouco eco farão frente aos trombones e cornetas dos chefões federais atualmente engalfinhados em ministérios e mansões planaltinos. Como consequência lógica os crimes federais terminam quase sempre sob a sombra de crimes paroquiais e infelizmente tão corriqueiros no nosso dia a dia. Antes de qualquer avaliação mais aprofundada, vou logo afirmando que não é minha intenção acusar este ou aquele pela presepada, verdadeira bandalheira ocorrida durante a apuração dos votos nesse recente pleito eleitoral, embora eu julgue tratar-se de uma dos mais cabulosos episódios de toda a história republicana e que, naturalmente, não pode ser considerado apenas como a um episódio isolado e sim como a um seríssimo atentado contra a nossa custosa democracia! Confirmando-se o comportamento totalmente aético, ilegal, censurável e esdruxulo de autoridades públicas nesse lamentável episódio e que visava, unicamente, violar normas para que fossem satisfeitos os interesses particulares de não poucas pessoas, então havemos de rever urgentemente o conceito sobre o que é “Democracia”, um termo tão usado e abusado na campanha eleitoral do então candidato Lula. E confirmando-se, também, manobras ilegais na apuração dos votos, que um dia sejam punidas não apenas as cabeças dos golpistas, mas também os troncos e membros de todos os atores envolvidos nessa histórica presepada! Que mobilizem-se as entidades da sociedade civil, inicie-se a locução de denúncias, amplie-se os raios de observações, multiplique-se os polos de consciência crítica e espalhe-se sementes de indignação. Se chegar-se à verdade quanto ao ocorrido mas encontrarem uma forma de preservar os envolvidos em tanta bandalheira, então a república estará produzindo um ato tão maléfico quanto ao até agora suposto ilícito.