Gustavo Hoffay – Agente Social
Talvez por desconhecer documentos do magistério da Igreja e dos próprios evangelhos, há tempos sinto que uma grande parcela de cristãos católicos se eximem, mesmo, de sequer conversar sobre política. Inscreverem-se em algum partido político e candidatarem-se a um cargo eletivo, trata-se de algo que passa ao leo da grande maioria de fiéis católicos. A antiga concepção de que “política é coisa suja” e que dela homens e mulheres decentes e honestos correm da mesma como o diabo corre da cruz, já está enraizada na cabeça de muitos tupiniquins. Talvez por isso o nosso imenso, lindo e rico patropi encontrar-se, há tempos, administrado por políticos sem qualquer consciência cristã e mesmo que eleitos graças aos votos de quem deixou-se enganar por seus astutos intentos, expressados sobre palanques ou durante o horário eleitoral gratuito, enquanto expondo terços, dizendo “amém” e jurando promessas. E acredito que seja esse o fato do nosso lindo e apaixonante patropi ser administrado, durante anos seguidos, por políticos inescrupulosos, sem qualquer consciência cristã e mesmo que eleitos graças aos votos de quem deixou-se enganar por seus discursos propositalmente emoldurados por conceitos bíblicos. É bizarro observarmos que mesmo reconhecido e alardeado aos quatro ventos na condição de “maior país católico de todo o mundo”, sentimos em nosso Brasil nítidas discrepâncias sociais e econômicas e que fazem com que tenhamos uma significativa parte da população sobrevivendo com até dois salários mínimos ao mês, considerando-se ainda que metade dos nossos conterrâneos se encontra em situação de absoluta miséria. Existiram, existem ou existirão nos postos diretivos do nosso amado Brasil, políticos com legitima consciência cristã? Tenho a mais absoluta certeza de que homens e mulheres não envolvidos com política partidária, nela decidiram militar nas recentes eleições a níveis estadual e federal; acreditaram que transvestindo-se de cristãos alcançariam um bom número de votos e, quiçá, fossem eleitos graças à misericórdia de eleitores por eles convencidos. E será que o fizeram baseados na ideia de que a Igreja considera digno de louvor e consideração o trabalho daqueles que dedicam-se ao bem da coisa pública a serviço do homem? A maioria dos candidatos atreveu-se a dizer que não! Nunca se prepararam para exercer a nobilíssima arte política e de maneira a faze-la enquanto esquecidos do proveito próprio e das vantagens materiais…..tudo em nome de Deus! Entretanto uma pequena, muito pequena parcela de candidatos, acredito, sentiu que não poderia se omitir diante das palavras de Santo João Paulo II, em sua exortação apostólica “christi fidelli laici” onde é resultado : “ Os fiéis leigos não podem absolutamente abdicar da participação politica”. O saudoso papa Paulo VI, por sua vez, na carta Encíclica “Evangelii Nuntriandi” em seu numero 70 diz onde é o campo, por excelência, de atuação dos leigos: “ no mundo vasto e complicado da política”! O grande problema é que continuarão a existir, por toda a eternidade, candidatos a cargos políticos que se fazem passar por cristãos, quando mal sabem rezar a oração “Pai Nosso” ou quanto mais uma “Salve Rainha”. Francamente…., se até mesmo criminosos se organizam para eleger os seus representantes, porque não os católicos que se dizem maioria e depositários de valores morais por excelência, também não se unem para eleger os seus fiéis representantes legislativos e de maneira a barrar candidatos que se dizem católicos apenas durante as suas respectivas campanhas eleitorais? Quem não viu a foto do comunista Lula e da sua esposa Janja, ajoelhados nas basílicas de Nazaré e de São Pedro, simulando estarem rezando? Quanta hipocrisia! Haverá cristãos que, omissos, não agem como Pilatos, lavando as mãos diante de tantos abusos daqueles que usam da religião para obter vantagens unicamente pessoais? Que Deus nos acuda!