Diógenes Pereira da Silva*

“Se dois indivíduos estão sempre de acordo em tudo, posso garantir que um deles pensa pelos dois.” A frase atribuída a Sigmund Freud parece ter sido escrita para os tempos atuais, principalmente quando observamos a polarização da política brasileira.

Hoje, discordar de alguém muitas vezes parece uma ofensa. Nas redes sociais, pessoas defendem políticos e partidos como se estivessem defendendo times de futebol. Não basta gostar de um candidato. É preciso atacar quem pensa diferente, como se somente um lado fosse dono da verdade.

Mas democracia não funciona assim. O voto é individual e secreto. Cada cidadão tem o direito de escolher, de acordo com sua consciência, o candidato que considera mais adequado às suas expectativas. E ninguém precisa pedir autorização para votar em A, B ou em quem quiser.

Também precisamos discutir uma questão que considero urgente: a preparação de quem ocupa cargos públicos. É razoável que pessoas responsáveis por elaborar leis, votar orçamentos bilionários e tomar decisões que afetam milhões de brasileiros não tenham nenhuma exigência de qualificação para exercer essas funções? Cabe ao Congresso Nacional discutir seriamente esse assunto e avaliar se não seria necessário estabelecer critérios mínimos de formação e preparo para determinados cargos eletivos. Afinal, administrar o dinheiro público e criar leis exige responsabilidade, conhecimento e capacidade para compreender a complexidade dos problemas do país.

O problema é quando deixamos de pensar e passamos apenas a repetir aquilo que recebemos nas redes sociais. Muitas vezes, compartilhamos acusações e informações sem saber se são verdadeiras. E, quando alguém questiona, vem a ofensa.

É preciso mudar isso. Política não deveria destruir amizades, separar famílias ou transformar vizinhos em inimigos. Podemos discordar de um candidato e continuar respeitando quem vota nele.

Pensar diferente não é falta de inteligência. E concordar com tudo também não é sinal de lealdade. Ter opinião própria exige coragem para questionar até mesmo aqueles de quem gostamos.

A política passa. Os políticos passam. A família, as amizades e o respeito deveriam permanecer.

Votar é um direito. Escolher é uma liberdade. Mas pensar com a própria cabeça é uma responsabilidade de cada cidadão.

*Diógenes Pereira da Silva
Tenente QOR PMMG