Micro, pequenas e médias empresas mineiras já investiram R$ 1 bilhão nos negócios em 2026 com crédito do BDMG

Banco mineiro aponta alta de 40% na liberação de financiamento a empresas como a Vida Veg, que lidera mercado nacional de alimentos 100% vegetais

Uma fábrica com máquinas interligadas por wi-fi e administradas por uma sala de controle em tempo real. O projeto inovador, desenvolvido pela mineira Vida Veg, em Lavras, no Sul de Minas, gera maior controle de qualidade, menor desperdício e um ganho de 30% em produtividade.

GOV. MG

No mês internacional das micro, pequenas e médias empresas, o plano de modernização da Vida Veg, que lidera a produção de alimentos 100% vegetais no país, mostra o potencial desses empreendimentos no mercado. No estado, a atuação do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG) tem sido decisiva para fortalecer essas empresas. Em 2026, o BDMG ultrapassou R$ 1 bilhão em créditos liberados para 4,5 mil empresas deste porte, incluindo a Vida Veg. O volume é 40% superior aos financiamentos realizados no mesmo intervalo de 2025.

“Um financiamento acessível em termos de taxas e prazo representa maior competitividade a esses negócios. Também é preciso ressaltar que essas empresas são responsáveis por gerar a maior parte dos empregos formais do estado. Por isso, fortalecê-las é estimular novas oportunidades de renda e transformar iniciativas promissoras em negócios que geram impactos positivos para a sociedade”, afirma o presidente do BDMG, Gabriel Viégas Neto.

Crédito potencializa projetos

O crédito do BDMG foi a “peça-chave” para a compra de novos equipamentos do projeto de automatização da fábrica da Vida Veg, segundo o COO do negócio, Arlindo Curzi.

“Os investimentos trouxeram mais segurança e controle às nossas linhas de envase. Estimamos um ganho de produção de 30%, menor desperdício de embalagens e redução do custo final. Estamos treinando os colaboradores e esse processo também é custeado pelo crédito captado junto ao BDMG”, afirma o executivo.

A empresa que produz iogurtes, queijos, sobremesas, entre outros itens à base de amêndoas, coco e aveia, busca ampliar o perfil de consumidores para além do público vegano.

“Ganhamos mercado entre as pessoas que não têm restrição alimentar, mas querem uma vida mais saudável. Pensamos em produtos que sejam acessíveis e que sejam de baixo impacto ambiental”, reforça Arlindo Curzi.

Ele lembra que a Vida Veg já havia acessado o crédito do BDMG para realizar um outro projeto que também tinha perfil de inovação e que viabilizou a produção de leites e energéticos que não precisam mais ser armazenados nem transportados em geladeiras. O investimento representou a ampliação dos negócios e a conquista de novos mercados, segundo Curzi. Em 2025, quando completou uma década, a empresa encerrou o ano com um faturamento de R$ 100 milhões, valor que estimam superar em 2026.

 

PIB do agronegócio de Minas Gerais alcança R$ 279 bilhões em 2025 e registra melhor resultado de série histórica

Resultado é apresentado pelo Governo de Minas durante a Expomontes, uma das principais feiras agropecuár

GOV. MG

O Governo de Minas apresentou, na segunda-feira (29/6), durante a abertura oficial da Expomontes, em Montes Claros, no Norte de Minas, os resultados do Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio do estado, que registrou em 2025 o maior valor da série histórica iniciada em 2010, com R$ 279 bilhões – uma participação de 24,1% no total da economia mineira. Os resultados foram apresentados pelo governador Mateus Simões.

O resultado do PIB, calculado pela Fundação João Pinheiro (FJP), representa um crescimento nominal de R$ 42,6 bilhões em relação aos R$ 236,3 bilhões registrados em 2024. A expansão foi impulsionada principalmente pela valorização dos produtos do setor (16%) e pelo volume de produção, que registrou variação positiva de 1,7% em termos reais.

“Não teria lugar melhor para divulgar os dados do PIB do agronegócio mineiro de 2025 do que na Expomontes. Lembrando que em 2024 o recorde foi batido, em 2023 o recorde foi batido e em 2025 nós voltamos a bater recorde: 15% de crescimento real do PIB do agro em Minas Gerais. Mais do que isso, o nosso PIB estadual saiu de 22.2% para 24.1%. Isso é absolutamente relevante”, destacou o governador Mateus Simões.

As estimativas da FJP indicam que a maior parte da variação nominal do PIB do agronegócio mineiro foi obtida no núcleo do complexo produtivo, ou seja, nas atividades primárias da agricultura, da pecuária e da produção florestal, que registraram expansão de 3,2% do Valor Adicionado Bruto (VAB) em termos reais (a preços constantes) e variação estimada de 36,5% nos preços. Em 2025, o VAB dessas atividades somou R$ 98,2 bilhões, o que representou um acréscimo de R$ 28,5 bilhões em relação aos R$ 69,7 bilhões aferidos em 2024.

Nos demais elos do complexo (agroindústria e serviços relacionados), o PIB passou de R$ 166,6 bilhões em 2024 para R$ 180,8 bilhões em 2025, com variação média de preços de 7,3% e acréscimo de R$ 14,2 bilhões na comparação com o ano anterior.

Os segmentos de fabricação de alimentos e de celulose também tiveram destaque, contribuindo positivamente para as atividades de comercialização, transporte e armazenagem, alojamento, alimentação fora do domicílio, e serviços financeiros. O estudo da FJP aponta ainda que o índice de volume do PIB do agronegócio cresceu acima da média da economia estadual – 1,7% contra 1,4%. A evolução média dos preços também foi mais favorável, com 16% contra 7,7%.

Durante a solenidade da Expomontes, foi concedida ao governador a Medalha de Mérito Rural, com a outorga do título de Associado Benemérito da Sociedade Rural de Montes Claros.

APL de carne de sol e charcutaria do Norte de Minas

Ainda na Expomontes, Mateus Simões anunciou que o Arranjo Produtivo Local (APL) de carne de sol e charcutaria do Norte de Minas será oficialmente reconhecido pelo Governo do Estado. A medida consolida a importância econômica, cultural e histórica da atividade para a região e abre novas oportunidades para o fortalecimento da cadeia produtiva local.

“Nós estamos falando do reconhecimento, pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede-MG), em promover a indústria da carne de sol e da charcutaria no Norte de Minas. Nós temos certeza que com a ajuda do Estado vamos conseguir fazer com que esse produto possa transcender as fronteiras de Minas Gerais. A nossa carne de sol ainda não é conhecida fora de Minas Gerais, quando as pessoas falam de carne de sol, elas estão pensando na carne que vem do Nordeste e nós sabemos que, pela qualidade da nossa charcutaria e da nossa carne de sol, nós temos uma condição muito clara, muito fácil de ingresso dessa carne nos mercados de outras cidades”, explicou o chefe do Executivo estadual.

Reconhecida como um dos principais símbolos da gastronomia norte-mineira, a carne de sol carrega tradição centenária e movimenta uma ampla rede de empreendedores, produtores rurais, frigoríficos, açougues, restaurantes, distribuidores e demais negócios ligados à cadeia da proteína animal.

O secretário de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa-MG), Thales Fernandes, destacou o potencial do produto em ser reconhecido nacionalmente. “A carne de sol vai ficar tão famosa quanto o queijo da Canastra, não tenho dúvida disso. Este é um momento muito oportuno para potencializar esta iguaria do Norte de Minas e levar este produto, que é tão característico da região, para todo o Brasil”, destacou.

Centro de Referência do Cerrado

Também foi anunciada a implantação do Centro de Referência do Cerrado, em Montes Claros, espaço que servirá para comercialização, realização de cursos de captação, palestras e realização de eventos. O novo centro contará com um investimento de R$ 4,5 milhões do Governo de Minas e outros quase R$ 3 milhões da Prefeitura de Montes Claros.

Os recursos foram aportados pelo Estado por meio do Programa Pró-Pequi, iniciativa voltada para a sustentabilidade das espécies nativas do cerrado.

IMA

O governador anunciou, ainda, a conclusão da reforma da Coordenadoria Regional do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) em Montes Claros, unidade responsável pelo atendimento de quase 50 municípios do Norte de Minas. A unidade recebeu investimento de mais de R$ 385 mil, com recursos do Acordo de Reparação de Brumadinho, firmado entre o Governo de Minas, o Ministério Público de Minas Gerais, o Ministério Público Federal, a Defensoria Pública de Minas Gerais e a Vale para reparar os danos provocados pelo rompimento das barragens, que tirou a vida de 272 pessoas e gerou impactos sociais, ambientais e econômicos na bacia do Rio Paraopeba.

As melhorias modernizaram infraestrutura, ampliar a acessibilidade e aprimorar as condições de trabalho e atendimento, proporcionando mais segurança, funcionalidade e conforto às instalações. A reforma fortalece a atuação do IMA na defesa agropecuária e no apoio ao setor rural na região.

Cemig entrega reforço de R$ 53 milhões na rede elétrica de Nova Lima, Ouro Preto e região

Empreendimento integra maior plano de investimentos da história da companhia e amplia a confiabilidade do fornecimento de energia na Região Central
A Cemig e o Governo de Minas Gerais vistoriaram a Subestação Belo Vale, empreendimento que integra um plano de investimentos de R$ 53 milhões destinado à ampliação e modernização do sistema elétrico da região Central de Minas Gerais. A nova estrutura reforça a capacidade de atendimento da companhia, aumenta a confiabilidade do fornecimento de energia e beneficia diretamente cerca de 200 mil moradores dos municípios de Belo Vale, Moeda, Nova Lima e Ouro Preto.

GOV. MG

A subestação tem potência instalada de 15 MVA e foi acompanhada pela construção de 27 quilômetros de novas linhas de distribuição, ampliando a capacidade do sistema e criando novas alternativas operacionais para o atendimento dos clientes nas quatro cidades.

Além dos benefícios para a população, a nova infraestrutura elétrica fortalece a competitividade da região ao ampliar a capacidade de atendimento a importantes empreendimentos locais. Empresas como Minerinvest, Green Metals e Rosa do Vale serão diretamente beneficiadas pela melhoria da qualidade e da confiabilidade do fornecimento de energia, fator essencial para a expansão da atividade produtiva, geração de empregos e atração de novos investimentos para a região.

Para o presidente da Cemig, Alexandre Ramos, o empreendimento representa mais um passo da companhia na construção de uma rede elétrica mais moderna, robusta e preparada para acompanhar o desenvolvimento de Minas Gerais.

“A entrega da Subestação Belo Vale reforça a estratégia da Cemig de investir continuamente na expansão e modernização da rede elétrica em Minas Gerais. Além de aumentar a segurança e a confiabilidade do fornecimento para mais de 200 mil pessoas, a obra amplia a capacidade de atendimento da região e fortalece a resiliência do sistema elétrico diante do crescimento da demanda e dos desafios climáticos cada vez mais frequentes. Estamos construindo uma infraestrutura preparada para sustentar o desenvolvimento de Minas Gerais nos próximos anos”, afirma.

Além de ampliar a capacidade de fornecimento de energia, o empreendimento aumenta a flexibilidade operacional da companhia, permitindo manobras mais rápidas e eficientes em situações de manutenção. Na prática, isso significa uma rede mais resiliente, capaz de reduzir impactos para os clientes e garantir maior continuidade do serviço em uma região que tem apresentado crescimento econômico e aumento da demanda por energia.

Maior investimento da história da Cemig

Para preparar o sistema elétrico mineiro para os desafios dos eventos climáticos extremos, da transição energética e do crescimento da geração distribuída, a Cemig realiza o maior ciclo de investimentos de sua história. Entre 2019 e 2029, a companhia prevê aplicar cerca de R$ 70 bilhões na expansão, modernização e digitalização da infraestrutura elétrica em Minas Gerais, consolidando uma das maiores transformações já realizadas no setor elétrico brasileiro.
Os investimentos contemplam a construção e ampliação de 200 subestações, a digitalização de unidades estratégicas da rede, a implantação de 1,5 milhão de medidores inteligentes, a expansão das redes trifásicas no meio rural, a instalação de equipamentos de automação capazes de recompor automaticamente o sistema em caso de falhas e a implantação de sistemas avançados de monitoramento e controle em tempo real.

Governador Mateus Simões em pronunciamento

Governador Mateus Simões em pronunciamento
Crédito: Dirceu Aurélio / Imprensa MG

O governador Mateus Simões oficializou, nesta segunda-feira (29/6), o Regulamento Técnico de Identidade e Qualidade (RTIQ) do Requeijão Moreno Artesanal, que tem produção amplamente difundida no estado, especialmente no Norte de Minas Gerais.

A assinatura do documento ocorreu em Montes Claros, durante a cerimônia de transferência provisória da capital do Estado para a cidade.

O documento, elaborado pelo Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) e com consulta pública, estabelece padrões de produção, boas práticas de fabricação e normas de segurança sanitária, preservando o modo artesanal e secular de preparo.

A partir de agora, os produtores da tradicional iguaria poderão comercializá-la em todo o país. A medida permite, ainda, que eles saiam da informalidade, além de garantir maior segurança sanitária para os consumidores.

“Fico muito feliz de estarmos conseguindo viabilizar este produto para ser comercializado no mercado nacional, gerando ainda mais renda para o produtor. A certificação também vai diferenciar o requeijão moreno da Serra Geral, do Norte de Minas, com o que é produzido nos Vales do Jequitinhonha e Mucuri”, disse o governador.

“Celebramos uma conquista histórica: a regulamentação do requeijão moreno da Serra Geral e do Norte de Minas, uma iguaria que carrega tradição, identidade e sabor. Agora, esses produtores têm mais oportunidades para levar esse produto tão especial para todo o estado e para o Brasil”, afirmou o secretário de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Thales Fernandes.

Tradição secular

O Requeijão Moreno Artesanal está presente há séculos na cultura alimentar do estado, com um modo de fazer que atravessa gerações. O produto possui consistência firme, coloração que varia do amarelo ao marrom, sabor levemente defumado e massa homogênea, sem olhaduras.

Além da importância cultural, a produção do Requeijão Moreno Artesanal tem grande relevância para a economia regional. Dados da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG) apontam que os maiores volumes de produção estão nas regiões de Montes Claros (285,6 toneladas por ano), Serra Geral do Norte de Minas (283,4 toneladas), Almenara (229 toneladas) e Salinas (186,5 toneladas).

Na região da Serra Geral do Norte de Minas, destacam-se Serranópolis de Minas, com produção anual estimada em 75 toneladas; Porteirinha, com 63,5 toneladas; Riacho dos Machados, com 52 toneladas; e Mato Verde, com 20.520 quilos.

A construção do RTIQ foi reivindicada, em 2023, pela Associação dos Produtores de Queijo da Microrregião da Serra Geral. A partir daí, teve início o processo para regulamentação, que contou com ação conjunta da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (Seapa), da Emater-MG, da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) e do IMA.

Mesmo nome e receitas diferentes

Essa ação ocorre pouco mais de um mês após o Governo de Minas oficializar, em Teófilo Otoni, o RTIQ do Requeijão Moreno do Vale do Mucuri. Embora possuam nomes semelhantes, os dois requeijões apresentam características próprias. Ambos usam leite cru integral, creme de leite cru e sal, mas têm o modo de fazer e o uso de outros ingredientes, como a manteiga, distintos.

Uma das peculiaridades do Requeijão Moreno Artesanal é o uso de bicarbonato de sódio para neutralizar a acidez e manteiga de garrafa. Diferenças essas que interferem no sabor e consistência.

Cemig Agro

Também durante o evento houve o lançamento oficial do Cemig Agro Solar 24h, que prevê investimentos de até R$ 50 milhões para incentivar a instalação de sistemas de energia solar com baterias de armazenamento em propriedades rurais de Minas Gerais. A iniciativa busca aumentar a eficiência energética no campo, reduzir custos operacionais e garantir maior autonomia aos produtores. Nesta primeira etapa, as empresas especializadas (ESCOs), associações e instituições públicas ou privadas interessadas no desenvolvimento e na execução dos projetos deverão apresentar suas propostas à Cemig. As inscrições para empresas fornecedoras vão até 10/7 e a adesão dos produtores será aberta em seguida.

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ESTADO E POBREZA

João Batista Domingues Filho – Cientista Político – Professor UFU/INCIS

Se os católicos brasileiros por obediência ao seu Deus oferecem esmolas aos pobres, o desenvolvimento do nosso Estado de bem-estar depende da erradicação da miséria no país. Essa meta, antes projetada para 2014, não se concretizou, mas permanece como horizonte normativo das políticas públicas contemporâneas. Segundo dados recentes, o Brasil ainda convive com níveis relevantes de pobreza (cerca de 23% da população) e extrema pobreza (em torno de 3,5%), embora tenha havido melhora recente após os anos críticos da pandemia.
Na sociedade moderna ocidental criou-se o imperativo de tratar seus membros de maneira igualitária. Os seres humanos são fundamentalmente iguais entre si: ideal social com força prática. Igualdade social: as pessoas devem ser tratadas como iguais em todas as esferas institucionais que afetam suas oportunidades de vida: educação, trabalho, consumo, serviços sociais, relações domésticas e saúde. Igual possibilidade de alcance dos benefícios que a sociedade torna disponível.
Críticos conservadores denunciam que a busca da igualdade é incompatível com a liberdade, porque destrói os incentivos criados pela economia de mercado. Ainda afirmam que a busca de igualdade pelo Estado é fútil, pois novas formas de desigualdade, inevitavelmente, surgirão para ocupar o lugar das que foram suprimidas. Nas democracias ocidentais prevalece a igualdade de renda como um valor fundamental, com maior igualdade de situação material. O igualitarismo moderno, sustentado pelo Estado contemporâneo, advém da preocupação com a Justiça, para evitar a exploração do homem pelo homem no mercado.
O ideal da igualdade social é negado pelo pressuposto de que o mercado, em si, garantiria a produção e distribuição de bens e serviços. A desigualdade surge como algo inevitável, pois existem as desigualdades substanciais relativas ao sucesso e fracassos das pessoas na concorrência do mercado. O Estado é para garantir a liberdade e condições de igualdade das pessoas em situação de mercado. A igualdade social de mercado deve ser promovida pelo Estado, reforçando as instituições públicas e privadas que alocam bens e serviços. Este é o principal argumento contra o Estado erradicar a miséria no Brasil — argumento que, à luz dos dados recentes, precisa ser relativizado diante do impacto efetivo das políticas de transferência de renda.
Bolsa Família é um programa social bem-sucedido: mais de 20 milhões de famílias atendidas em anos recentes, com cobertura ainda próxima de 19 milhões de lares em 2026, com impacto considerável para diminuir a pobreza e a desigualdade de renda. Seu custo, hoje, situa-se em torno de 1,4% a 1,5% do PIB — significativamente acima dos cerca de 0,4% observados em seus primeiros anos — o que revela tanto sua ampliação quanto sua centralidade na política social brasileira. Sem esse tipo de transferência, estimativas indicam que a extrema pobreza poderia alcançar cerca de 10% da população, o que evidencia seu papel imediato na contenção da miséria.
Quem fez isso no Brasil recebeu o voto nas eleições. Uma troca justa. O Estado faz a transferência de recursos condicionadas a matricular os filhos na escola e manter a vacinação em dia. A desigualdade no Brasil diminuiu, ainda, em função da sofisticação das políticas públicas e o melhor desempenho econômico. Entretanto, os avanços não foram lineares: o país experimentou retrocessos significativos na última década, o que demonstra a fragilidade estrutural da redução da pobreza quando não acompanhada de crescimento consistente e políticas estruturantes.
Há algumas décadas tínhamos quatro em dez na pobreza, hoje cerca de um em cada quatro brasileiros ainda se encontra nessa condição. Problemas: qualidade das escolas públicas e a situação do saneamento básico no Brasil. Aumento de doenças na infância com diminuição do aprendizado dos pobres da Bolsa Família. Mais problemas: como sair da dependência da Bolsa Família, cujo impacto é claro na renda imediata, mas ainda limitado na transformação estrutural das capacidades cognitivas e não cognitivas, enquanto habilidades necessárias para a inserção produtiva no mercado de trabalho, para jovens e adultos. A questão central deixa de ser a existência do programa e passa a ser sua articulação com políticas de educação, qualificação e geração de renda.
Os cidadãos sofrem de privação relativa quanto à capacidade de obter alimento, educação, saúde e trabalho. São necessidades básicas sem as quais as pessoas não podem desempenhar seus papéis como cidadãos plenos da sociedade brasileira. Assim, o desafio contemporâneo não é apenas reduzir a pobreza, mas interromper sua reprodução intergeracional, transformando proteção social em autonomia econômica duradoura.

Nós contra eles.

Paulo Henrique Coimbra de Oliveira – Economista – RJ

No seu turismo por Santa Catarina o demiurgo de garanhuns , não satisfeito de só viajar, resolveu ofender os catarinenses. Fomentador de discórdias vociferou contra aquele povo que honra o país. Deveria ficar mais em Brasília. O Sul, o Sudeste e o Centro-Oeste o abominam. Evite ir a esses abençoados lugares. E não se esqueça que são eles quem sustentam o país.Lula envergonha o Brasil interna e externamente.

Voto e memória.

Tania Tavares – Professora – SP

Como gosto de política e de exercer minha cidadania escolhendo bem meus representantes na nas esferas Federal, Estadual e Municipal*, ao sair da cabine e receber meu comprovante de voto, anoto no verso os nomes em quem votei e posso então avaliá-los dali 4 anos.
Tania Tavares
São Paulo -SP

Nunca antes neste país…

Marília Alves Cunha – Educadora e escritora –

O Brasil é um país resiliente, já aguentou muitas pancadas. Tem até se saído bem, com um povo passivo, sujeito a muitas decepções mas, adaptável à circunstâncias que não parecem absolutamente normais. O brasileiro é distraído. Ele não vê sua cidade num desmazelo total desde que sua porta esteja limpa. Ele não enxerga a pobreza reinante, desde que seus bolsos estejam confortavelmente cheios, não precisa ser muito dinheiro. Ele se distrai com o futebol no domingo, uma cachacinha com torresmo ( quem resiste?), uma morena charmosa que passa requebrando as ancas (quem resiste também?),um papo de boteco, de onde se sai com a alma limpa, com todos os problemas resolvidos ou em vias de…

Mas vamos combinar: a coisa está chegando num ponto em que, por mais bonzinho e resiliente que seja, o brasileiro começa a perceber que não apenas os outros mas ele também, começa a sofrer os efeitos perniciosos de um governo que ultrapassou em muito os limites da prudência, da ordem, da honestidade, da moralidade, da ética, da vergonha. Começa a perceber que o salário, que dava com folga para seu sustento e da família, começa a desaparecer rapidamente do bolso. Começa a sentir-se desamparado e angustiado por notar que as instituições, que mantém a república em pé, diluem-se em escândalos, incompreensões, corrupção, tudo que era bom e confiável desaparecendo sob seus olhos…

Temos um presidente, temos um bando de ministros, temos legislativo, temos judiciário, temos centenas de instituições e milhares de pessoas pagas para tomar conta deste lindo país e fazer dele uma espécie de maravilha, pois tem tudo para ser esta maravilha. Mas nada acontece, nada de produtivo se cria, tudo vem se transformando em terra arrasada, nas mãos de criminosos e pessoas que querem tirar proveito, deixando marcas de desconfiança, desesperança, sofrimento aos brasileiros.

Reparem abaixo alguns “progressos” que fizemos nos últimos tempos:
*censura geral, através das plataformas, tudo sob a estrita coordenação de judiciário. Muita gente presa ou exilada por manifestar-se ou expressar opinião, mesmo que nossa CF no conceda esta liberdade.
*Gastos enormes e incompreensíveis com viagens do presidente e sua dama, tudo sob sigilo. O povo paga calado e não pode saber o que está pagando…
*Estatais quebradas ou em vias de… Corrupção diuturna, gigante, impossível de descrever em poucas linhas, uma atrás da outra. Corrupção que lança suas garras do Arroio ao Chui , manchando tudo que encontra pela frente. E manchando também pessoas que julgávamos portadoras de todos os defeitos, menos de passar a mão no alheio. Parece que não vai escapar ninguém, nem aqueles com pose de intocáveis, editores das nossas ações, guardas da honra do nosso país…
* Um Inquérito do fim do mundo, sem dia e hora para acabar, como uma espada de Dâmocles, suspensa sobre a cabeça de quem ousar qualquer coisa que desagrade um poderoso…
*Presidente apartado de suas verdadeiras funções, viajando pelo Brasil, falando asneiras, disseminando ódio, discórdias, incentivando a criminalidade. Enquanto a China, EEUU e outros grandes países, planejam o futuro, trabalham pelo engrandecimento do seu povo, Lula se garante em preparar sua próxima eleição, gastando dinheiro público a rodo e ferindo a lei eleitoral…
*Abandono total do povo brasileiro. Cada um que se proteja ou se lasque… Nota zero para a educação cada vez mais mediocrizada, para a saúde, cada vez mais sucateada, para o cuidado com a segurança pública, para serviços de infra- estrutura, para tudo que o Brasil precisa urgentemente e encontra-se esquecido e abandonado.

Absoluta falta de prioridade: tantas necessidades cobrindo este país de sol a sol, tantas necessidades não atendidas e nós devemos pagar o advogado de ministro para defendê-lo nos Estados Unidos. Até parece que os Ministros do Supremo são instituições que devem ser preservadas e defendidas pelo Estado. Os ministros são funcionários públicos como tantos outros, não são instituições. Merecem ser respeitados como tantos outros. São importantes e têm função específica essencial como pertencentes à Corte Suprema do país, são os guardiões da nossa Constituição. Porém, são seres humanos, sujeitos a erros e imperfeições e não precisam da defesa do Estado. Devem, como todos, arcar com seus próprios erros e sua defesa.

*Agora, sinceramente, o que mais tem preocupado os brasileiros é a blindagem de supostos criminosos. Tem gente fazendo ou tentando fazer diabruras para livrar a cara de companheiros, colegas, amigos do peito, parentes ou quem possa arrastá-los para o buraco, num esforço para salvar-se. O que estamos vendo é extraordinário, digno de novela das oito da rede globo, talvez uma série na Netflix. Primeiro, para perpretar seus intentos nada republicanos, criaram um sofisticado sistema, envolvendo parentes e aderentes, escritórios, empresas e o escambau…Depois foi só fazer cara de paisagem e abocanhar os milhões prometidos. Nunca pararam para pensar um pouco na imensa multidão que seria seriamente prejudicada, mesmo sendo velhinhos aposentados ou pessoas que quiseram aplicar seu dinheirinho ou fazer um complemento de aposentadoria. Nunca preocuparam-se com o porvir. Ora, a impunidade reina este país, para que preocupar-se? Valha-nos Deus! AS investigações são difíceis, às vezes impossíveis. Muita gente lutando para que tudo fique como está, neste vilipêndio cruel que arrasa as entranhas deste Brasil!
Nada de bom podemos esperar se cruzarmos os braços e pensarmos sempre que o problema é dos outros. Nada podemos esperar se nos alhearmos da realidade: não podemos ficar despreocupados num país onde o crime é organizado e o Estado é uma bagunça. Deste modo, sem ao menos uma tentativa de modificar para melhor, sem qualquer resquício de luta, todo mundo já sabe quem vai sair ganhando, né?

Marília Alves Cunha

GOOOOLLLL!!!

Tania Tavares – Professora -SP

O jogo Brasil X Japão foi com grandes emoções e desesperos. Não sou fanática por futebol e nem consigo assistir, fico escutando a reação da rua, ou seja a “gritaria” então vou ver o replay, mas minha grande surpresa é que os gols foram feitos pelos jogadores Casemiro e Gabriel Martineli e não os nossos já conhecidos artilheiros.

O sorriso do Moisés

Ana Maria Coelho Carvalho – Bióloga

Esse Moisés não é o profeta da Bíblia, que nasceu no Egito, foi colocado em um cestinho no rio Nilo e adotado pela filha do faraó. Esse Moisés é o meu neto número 11 que nasceu em novembro/2012, em Serra Grande, perto de Ilhéus, o terceiro rebento da minha filha.

Ele veio ao mundo de parto natural (natural demais), assistido apenas por uma parteira de origem indígena e pelo meu genro. A filha, que não tem medo das dores, depois de dez horas de contrações e nenhuma anestesia, deu a luz de cócoras e realizou o sonho de ter um bebê quase sozinha. Aliás, parece que na Bahia isso é muito normal. O motorista de táxi, que me conduziu até a praia de Algodões, contou-me que já nasceram duas crianças dentro do seu táxi, no caminho entre Itacaré e Ilhéus. Ele fez o parto tão direitinho que a família o chamou para padrinho. Também a Elizabeth, mãe do meu genro e que tem nome de rainha, teve onze filhos, sozinha e Deus.

Mas, voltando ao Moisés, parecia que tudo estava bem. Ele era forte, chorou ao nascer, era moreninho e a cara do pai. Apenas não tinha tanta vontade de mamar e no primeiro dia de vida já estava um pouco amarelinho. No segundo dia, assim que o conheci, a filha e eu o levamos a uma pediatra em um hospital em Ilhéus. A médica o diagnosticou com icterícia do recém nascido que ocorre antes das 24h de vida, por incompatibilidade do sistema ABO (mãe tipo sanguíneo O e Moisés tipo B) e indicou imediata internação hospitalar. Feito o exame de sangue, verificou-se que a taxa de bilirrubina dele estava em 27 mg/100ml , quando o normal seria em torno de 1 a 5. Muito perigoso, pois a bilirrubina pode se impregnar no cérebro, causando surdez, paralisia cerebral, retardo mental e mesmo a morte. E não é possível saber a que momento do processo isso vai acontecer. Ele estava no limite para fazer a exsanguineotransfusão, ou seja, trocar todo o sangue, um procedimento arriscado. Se tivesse nascido no hospital, poderia ter sido socorrido mais cedo. Em Ilhéus não havia como, teríamos que ir às pressas para algum hospital em Salvador. Tentou-se então a fototerapia intensiva, mas com aparelhos precários, mesmo sendo o melhor hospital de Ilhéus. Assim, a Ilhéus que vivenciei não foi aquela do Jorge Amado, da Gabriela que tinha o cheiro do cravo e a cor de canela. Passamos lá, a filha e eu, muita aflição, muita dor e muita angústia. Depois de quatro dias de fototerapia, o bebê teve alta com bilirrubina ainda de 20 (ou seja, não poderia ter saído do hospital). Enfrentamos uma estrada de chão horrível, o Moisés com seis dias e a mãe cheia de pontos, dirigindo. Fomos para casa e ficamos um dia apenas, pois o bebê não estava bem. Depois de contatos com outros médicos, levamos o Moisés para Salvador, mais sete horas de viagem, a mãe dirigindo. Mais angústia, sofrimento, internação hospitalar (a bilirrubina estava a 21,7) e fototerapia intensiva, porém desta vez com aparelhos apropriados. No terceiro dia, felizmente o Moisés teve alta, mas continuou amarelinho por um bom tempo.

Aos dois meses, com olhos espertos cor de jabuticaba e dobrinhas de gordura nas pernas e braços, ele sorriu seu primeiro e lindo sorriso, que a tudo iluminou (seu nome significa “aquele que dá à luz”). Sei que ele não realizará grandes feitos como seu xará, o da Bíblia, aquele Moisés que liderou os hebreus para fugir da escravidão, abriu uma passagem no Mar Vermelho e recebeu os 10 mandamentos. Mas, mesmo quando tão pequenino, o meu Moisés venceu uma grande batalha. Hoje está com 13 anos, bonitão, forte e saudável. Que Deus o ilumine sempre e o proteja.