O “TEMPO” ONDE TUDO É RELATIVO

JoséC. Martelli – Advogado e professor

Hoje estamos quase finalizando o mês de janeiro de 2023.
Meu Deus! Como passou rápido, como passou, também, o ano de 2022.
Estava meditando sobre o “tempo” e me dei conta que nem sempre foi assim.
Comecei por me recordar, desde que ele me permita recordações, lá pelos meus 5/6 anos, em que não via chegar a hora de ir para a escola. Lá haveria muitas crianças para eu poder brincar. E o tempo não passava. Finalmente, depois de longa espera, chegou a hora. Aos 7 anos comecei minha vida escolar. Foram 4 anos de Grupo Escolar. Aí o tempo começou a passar mais rápido. Num piscar de olhos aprendera a ler e a escrever. Mas guardara, além da lembrança das primeiras professoras, dos folguedos junto a um mundo de crianças com as quais brincava alegremente.
Então veio o ginásio, mais 4 anos, e o tempo, sobre o qual estou escrevendo, começo a ficar mais lento. Não chegava a hora de colocar calças compridas (naquele tempo, até uma determinada idade, a gente usava calças curtas), das primeiras bolas, das primeiras namoradinhas, de começar a trabalhar e, como foi meu caso, continuar os estudos, fazendo o colegial em mais 3 anos.
Mas voltemos ao tempo e à sua relatividade. Queria chegar aos 18 anos. Era o marco da maioridade e com ele a possibilidade de fazer muitas coisas que a tutela dos pais não permitiam. E quem disse que esses 18 anos chegavam. Não chegavam nunca. O tempo não passava. Mas um dia chegou.
Chegou, mas não adiantou muito porque a maioria das coisas que os jovens de 18 anos quer fazer só eram permitidas para quem tivesse 21, idade que, juridicamente, nos tornava totalmente libertos.
Foram 3 anos (doa 18 aos 21) que demoram um século pra passar. Mas passaram.
Dos 21 AOS 50, não fora m rápidos nem demorados. Apenas passaram sem que a gente tivesse tempo de pensar neles, tão ocupados estávamos em “tocar” a vida com todos as suas nuances.
Mas dos 50 em diante começaram a acelerar, Aqueles que, como eu, tiveram a felicidade de ter boa saúde, continuaram sendo comidos por ele, com altos e baixos, comuns a todas as pessoas.
Mas cada vez mais rápido. E agora, já no limiar dos 100 é vê-lo, cada vez mais acelerado, passando, mês após mês, ano após ano, acompanhado pelo dilema sobre o qual já escrevi a respeito.
A longevidade é dádiva ou castigo.
Francamente não sei. Há dias que são uma dádiva. Mas há dias em que se apresentam como castigo.

TRAMAS E TRAMOIAS

Gustavo Hoffay – Agente Social

Observando e mesmo que maneira bem rasa o ponto a que chegou a governança do nosso Brasil -principalmente tendo em foco algumas sobrestantes personagens políticas e judiciárias estabelecidas em Brasília, como os escandalosos favorecimentos mútuos entre legisladores e empresários, confesso que chego a ficar em dúvida quanto à distinção do que é público e o que é privado e mesmo o que é público/privado; aliás uma situação deverasmente sufocante e que configura-se na maior ou em uma das maiores desgraças já configuradas em território tupiniquim. Aaah…..quanta saudade do tempo em que o Legislativo era um poder independente e o Judiciário e o Executivo eram, de fato, respeitados pela grande maioria do povo brasileiro. Desde algum tempo encontramo-nos bestificados, pasmos e mesmo emputecidos diante de tantos, variados e requintados esquemas de corrupção até então jamais registrados em toda a história da nossa república. Desde meros funcionários públicos a outros com altos cargos de confiança, passando por políticos do baixo, médio e alto clero a poderosos empresários e seus respectivos “laranjas”, continuamos assistindo à formação de um poderoso estamento comandando diversos e influentes setores políticos, econômicos e financeiros objetivando, unicamente, proveito próprio e enquanto sadicamente sangrando os cofres públicos. Nossa amada e idolatrada pátria está loteada como capitanias hereditárias, onde órgãos governamentais e algumas poderosas empresas particulares governam cada centímetro e esbanjam cada centavo daquilo que é do povo brasileiro. Luís Inácio e o seu entourage seguem embolsando aos poucos e sempre mais, muito daquilo que as “suas” empresas conseguem auferir- Correios, Eletronuclear, Petrobrás……, como que deglutindo dos frutos de uma árvore plantada em ambiente fértil, irrigada e tratada por um povo politicamente acéfalo em quase sua totalidade. Chegamos ao ponto de estar como que embarcados em uma nau gigantesca, improvisada, a deriva, abandonada à própria sorte, em um ambiente caótico e improvisado. As notórias e espúrias relações entre o atual (des)governo, poderosas figuras públicas e alguns abastados empresários devem, sim, ser objeto de profunda reflexão por serem o princípio e o meio de um descompasso que leva o Brasil, a cada dia mais, rumo a uma abissal e vergonhosa situação perante todo o mundo civilizado. Nossa pátria está doente e estamos equivocadamente tratando apenas alguns dos sintomas, enquanto alimentando com caviar os agentes que a infectam. E ilude-se quem imagina poder deter esses agentes, pois eles mesmos conduzem, comandam e supervisionam seus negócios espúrios enquanto sob a tutela de poderosas e prestigiadas entidades engalfinhadas em palácios governamentais, transformando o nosso país em uma valorosa propriedade particular, iludindo milhões com uma farta distribuição de bolsas e benefícios pontuais, como que habitando um lodaçal, um pântano escuro, uma pocilga onde uma governança fatídica, mal resolvida e avessa à modernizações, insiste em suas propagandas primárias porém bem produzidas, iludindo tantos e de maneira parecida a dos portugueses que, quando do descobrimento do Brasil, agradavam os índios com espelhos , pulseiras, balangandãs e badulaques diversos. Acorda, Brasil! Ainda há tempo…….

“Prêmio”?

Tania Tavares – Professora – SP

Geraldo Leite Rosa Neto, tenente-coronel da Polícia Militar de São Paulo, foi preso e indiciado pelo feminicídio de sua esposa, a soldado Gisele Alves Santana.Pasmem a PM aposenta a pedido o assassino tenente-coronel preso por feminicídio. Tinha que ser exonerado a bem do serviço público, sem remuneração!!!

Não será apenas uma eleição, em jogo vão estar a democracia e direitos conquistados!

Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Acadêmico da ABLetras, Blogger, Analista Político e Graduado em Gestão Pública.

Em outubro teremos novas eleições gerais no país, podendo renovar as casas legislativas dos estados e o congresso nacional, além de elegermos o presidente para o período de 2027 a 2030. Porém, não será apenas esse escopo que estará em jogo na eleição, muito mais do que isso, nosso futuro e da democracia no Brasil vão estar dependendo do seu voto.
Por enquanto o candidato da extrema direita, filho do presidiário, ainda não colocou em dúvidas o sistema eleitoral e as urnas eletrônicas como seu pai o fez durante seu mandato inteiro. Por enquanto, segue apenas criticando o atual presidente, sem, no entanto, dizer qual seria seu projeto de governo.
Esse é o primeiro grande problema, ao esconder suas verdadeiras intenções e alianças internas e externas, o candidato deixa em aberto uma série de problemas que podem surgir após a eleição, caso seja o vencedor. Collor quando venceu em 1989, escondeu de todos que iria confiscar o dinheiro das contas bancárias e da poupança, bloqueando o dinheiro de todos acima do limite de 50 mil cruzados novos à época.
A candidatura do filho do presidiário contém vingança, afronta ao judiciário (em especial ao STF), indulto ao pai e ao irmão que está foragido nos EUA. O provável endurecimento das leis trabalhistas e da previdência, cujas reformas recentes feitas por Michel Temer e Bolsonaro foram pífias e não tiveram resultados satisfatórios para os trabalhadores e a sociedade.
Por endurecimento entendam que é possível que o candidato venha a adotar a mesma linha de conduta de seu amigo Milei na Argentina, com aumento da carga horária de oito para doze horas diárias, limite da aposentadoria em 70 anos de idade, fim do direito à greve, corte de benefícios sociais (Bolsa Família, Vale Gás, Farmácia Popular, etc.)
Afinal de contas, a candidatura do extremista de direita tem o apoio de setores do empresariado, da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo – FIESP, Mercado Financeiro, dos ricos, além de um punhado de pequenos partidos ostras – aqueles que morrem abraçados ao casco do navio, mas não largam o poder.
Claro que, se a discussão fosse restrita a comparação de números, gestões ou propostas de governo, estaríamos tranquilos, porque o atual governo acertou, errou, porém, o fez com seriedade seu trabalho frente ao rescaldo de um país completamente desequilibrado depois de seis anos das gestões Temer e Bolsonaro. Conseguiu reequilibrar a economia, as relações exteriores, a saúde, porém, o ranço deixado pelo sucessor ainda está vivo nas ruas e nas mentes atrofiadas de eleitores que acreditam em fake news, que espalham mentiras como se fossem verdades.
Impossível ficarmos tranquilos com o resultado que poderá advir na abertura das urnas em outubro deste ano. Como confiar num eleitorado que pede intervenção militar, que deseja invasão dos EUA ao Brasil, que comemora guerras e detesta a verdade dos fatos, ignorando dados da economia e do nosso cotidiano?
Flávio Bolsonaro esconde suas verdadeiras intenções maléficas, não possui proposta alguma diante da sua campanha, quando questionado resume seu “projeto de governo” dizendo: _Vou dar continuidade ao governo do meu pai”. O mesmo que está preso por tentar junto com militares e seguidores dar um golpe na nossa democracia.
Em qualquer país sério um filho de um presidiário golpista que planejava a morte do presidente e vice eleitos, além do Ministro do Supremo não seria candidato e teria por parte do povo sua aversão completa. Mas, aqui é Brasil, terra de adoradores de pneus e de mitos fajutos que sobrevivem à custa de golpes, crimes e mentiras.

Dia em que o Caráter Deixou o Campo

Diógenes Pereira da Silva*

Escancara-se diante de nós uma constatação incômoda: o caráter tem sido tratado como detalhe, quando deveria ser fundamento. Na política, e também na vida social, a retórica muitas vezes substitui a responsabilidade.

Escândalos se repetem, erros são relativizados e a indignação coletiva se dissolve com rapidez preocupante. Mas é no futebol, território de paixão e identidade nacional, que a incoerência recente ganhou contornos ainda mais simbólicos e revoltantes.

Indigna profundamente a condução adotada no Clube de Regatas do Flamengo com a demissão do técnico Felipe Luís. Em meio a resultados consistentes, evolução tática visível e um ambiente competitivo estável, a ruptura foi abrupta e carente de justificativas técnicas convincentes. Sob a presidência de Rodolfo Landim, a decisão soou como manifestação clara de imediatismo e vaidade administrativa, desconsiderando planejamento, continuidade e respeito ao torcedor. Romper um trabalho promissor não é simples ato de gestão; é mensagem institucional.

O clube que deveria prezar por profissionalismo, optou por alimentar a instabilidade, fragilizando sua própria estrutura. O futebol moderno exige critérios objetivos, transparência e visão de longo prazo; quando prevalecem impulsos e pressões circunstanciais, o que se perde não é apenas um técnico, mas a credibilidade do projeto esportivo.

Preocupa perceber que tais decisões são absorvidas com naturalidade excessiva. A sociedade protesta por alguns dias e logo se acomoda, como se a falta de coerência fosse parte inevitável do jogo. Política, futebol e convivência social se entrelaçam porque refletem valores comuns.

Se o caráter deixa o campo, seja ele político ou esportivo, perde-se mais que partidas ou mandatos; perde-se confiança.

Resgatar responsabilidade e firmeza moral não é exagero retórico, é necessidade urgente para preservar instituições e honrar aqueles que nelas acreditam.

*Tenente do Quadro de Oficiais da Reserva Remunerada da PMMG

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Uma investigação minuciosa e perigosa

Marília Alves Cunha Educadora e escritora

“A moeda da corrupção deixa nódoa tão negra na mão donde sai, como é negra a que imprime na mão de quem a recebe”.
(Joaquim Manuel de Macedo)

A CPMI do INSS infelizmente foi enterrada. Primeiro, por 8 ministros da Suprema Corte, entendendo que uma CPMI não pode ser prorrogada legalmente. E esquecendo-se que já foram anteriormente prorrogadas a CPMI da Covid e a CPMI das Fake News. No Brasil as coisas podem ou não podem, dependendo das circunstâncias e de quem está pedindo. Assim funciona… Apenas o Ministro Fux, que é um juiz de carreira e o Ministro relator André Mendonça, dotado de um brilhante senso de justiça, votaram pela prorrogação, entendendo a importância do assunto e o tamanho da rede que se formou para roubar velhinhos aposentados e pensionistas do INSS. Segundo, pelos parlamentares que votaram contra o Relatório produzido pelo relator Alfredo Gaspar. Assisti algumas reuniões dessa comissão e, sinceramente, foi elogiável o trabalho minucioso e sério do relator e do presidente Senador Carlos Viana.

Os que enterraram esta CPMI devem ser lembrados. Tratou-se de um escândalo clamoroso, crimes inaceitáveis que tiraram do bolso de velhinhos aposentados e pensionistas do INSS mais de 6 bilhões de reais. Há que se ressaltar também, como um poderoso meio de atrapalhar e até destruir uma investigação, a quantidade de HC concedidos a investigados e testemunhas que se viam desobrigados de falar e até de comparecer, quando chamados a depor perante a Comissão. E, o mais vergonhoso, espetáculo deprimente, a festa dos esquerdistas ao verem ao final desta CPMI, a comemoração ruidosa da corrupção, palmas ao crime, vivas ao que é errado, sujo e feio. É de se indignar profundamente, ao ver nossos parlamentares festejar a impunidade, a corrupção, o jogo sujo de interesses. Nenhum país progride com esse tipo de gente, pelo contrário, afunda cada vez mais no mundo do crime.

A CPMI do INSS apresentou bons resultados, durante seu prazo de trabalho. Talvez, por isto, a necessidade de acabar logo com o assunto. Estava, perigosamente, apresentando nomes, fatos, ocorrências, tudo devidamente comprovado, num trabalho minucioso e fértil. Aproximava-se, inclusive, de outro escândalo, o do Banco Master, que atuava no mercado de créditos, inclusive do INSS. Sem falar no Lulinha e aderentes familiares que estão seriamente comprometidos nesta baderna. Fico impressionada com o tamanho da corrupção que um governo consegue produzir. Cada vez que assume o poder o resultado não demora: escândalos e corrupção são a sua bandeira…

Rui Barbosa, o nosso mais brilhante representante, que sempre enxergou os problemas brasileiros com uma lucidez, uma consciência e inteligência de fazer inveja a qualquer um, pensava bem: “Quanto mais corrompida é a República, mais leis”. O Brasil é um manancial de leis, inventam-se leis até para o que já está legislado. E subvertem as leis ao sabor do vento, quando torna-se necessário fazê-lo para atender a interesses, no mais das vezes imorais e contra qualquer senso de nação comprometida com o direito e a verdade.