Marília Alves Cunha Educadora e escritora
“A moeda da corrupção deixa nódoa tão negra na mão donde sai, como é negra a que imprime na mão de quem a recebe”.
(Joaquim Manuel de Macedo)
A CPMI do INSS infelizmente foi enterrada. Primeiro, por 8 ministros da Suprema Corte, entendendo que uma CPMI não pode ser prorrogada legalmente. E esquecendo-se que já foram anteriormente prorrogadas a CPMI da Covid e a CPMI das Fake News. No Brasil as coisas podem ou não podem, dependendo das circunstâncias e de quem está pedindo. Assim funciona… Apenas o Ministro Fux, que é um juiz de carreira e o Ministro relator André Mendonça, dotado de um brilhante senso de justiça, votaram pela prorrogação, entendendo a importância do assunto e o tamanho da rede que se formou para roubar velhinhos aposentados e pensionistas do INSS. Segundo, pelos parlamentares que votaram contra o Relatório produzido pelo relator Alfredo Gaspar. Assisti algumas reuniões dessa comissão e, sinceramente, foi elogiável o trabalho minucioso e sério do relator e do presidente Senador Carlos Viana.
Os que enterraram esta CPMI devem ser lembrados. Tratou-se de um escândalo clamoroso, crimes inaceitáveis que tiraram do bolso de velhinhos aposentados e pensionistas do INSS mais de 6 bilhões de reais. Há que se ressaltar também, como um poderoso meio de atrapalhar e até destruir uma investigação, a quantidade de HC concedidos a investigados e testemunhas que se viam desobrigados de falar e até de comparecer, quando chamados a depor perante a Comissão. E, o mais vergonhoso, espetáculo deprimente, a festa dos esquerdistas ao verem ao final desta CPMI, a comemoração ruidosa da corrupção, palmas ao crime, vivas ao que é errado, sujo e feio. É de se indignar profundamente, ao ver nossos parlamentares festejar a impunidade, a corrupção, o jogo sujo de interesses. Nenhum país progride com esse tipo de gente, pelo contrário, afunda cada vez mais no mundo do crime.
A CPMI do INSS apresentou bons resultados, durante seu prazo de trabalho. Talvez, por isto, a necessidade de acabar logo com o assunto. Estava, perigosamente, apresentando nomes, fatos, ocorrências, tudo devidamente comprovado, num trabalho minucioso e fértil. Aproximava-se, inclusive, de outro escândalo, o do Banco Master, que atuava no mercado de créditos, inclusive do INSS. Sem falar no Lulinha e aderentes familiares que estão seriamente comprometidos nesta baderna. Fico impressionada com o tamanho da corrupção que um governo consegue produzir. Cada vez que assume o poder o resultado não demora: escândalos e corrupção são a sua bandeira…
Rui Barbosa, o nosso mais brilhante representante, que sempre enxergou os problemas brasileiros com uma lucidez, uma consciência e inteligência de fazer inveja a qualquer um, pensava bem: “Quanto mais corrompida é a República, mais leis”. O Brasil é um manancial de leis, inventam-se leis até para o que já está legislado. E subvertem as leis ao sabor do vento, quando torna-se necessário fazê-lo para atender a interesses, no mais das vezes imorais e contra qualquer senso de nação comprometida com o direito e a verdade.