por uberlandiahoje | mar 31, 2026 | Ponto de Vista |
João Batista Domingues Filho – Cientista Político – Professor UFU/INCIS
A democracia se mostra pelo grau de desenvolvimento dos fatores de liberalização (contestação pública do governante) e inclusividade (participação do cidadão na riqueza da nação). Não existe vontade política consistente para a construção de uma democracia brasileira estruturada na sustentabilidade e no controle estratégico do capital natural. Existe dinâmica de interesse, correlação de forças e capacidade de realização de políticas ambientais. Entretanto, a conservação da biodiversidade ainda não se consolidou como eixo estruturante do modelo de desenvolvimento brasileiro. Interesse econômico e capacidade de realização permanecem, em grande medida, associados a atividades intensivas em recursos naturais. Nesse contexto, a produção econômica sustentável não constitui o núcleo organizador da estratégia de crescimento nacional.
Critérios baseados em biodiversidade e sustentabilidade para nortear os investimentos públicos precisam ser criados no Brasil, dado o padrão de pressão sobre os ecossistemas. Preservação da biodiversidade e desenvolvimento humano, atrelando os ecossistemas ao debate climático, é caminho necessário para a proteção da natureza. O financiamento da conservação da biodiversidade deve advir dos benefícios econômicos da própria exploração sustentável. Interesse econômico, mediado pelo Estado democrático, produzindo lucros para os capitalistas e conservação da biodiversidade, é possível. O Brasil dispõe de arcabouço normativo ambiental relevante — como o Sistema Nacional de Unidades de Conservação e legislações complementares —, porém enfrenta dificuldades históricas de financiamento, implementação e integração dessas normas a uma estratégia econômica de larga escala. A liberalização política e a inclusividade econômica ainda não se traduziram plenamente em acesso equitativo aos benefícios gerados pelo capital natural brasileiro.
O Brasil não tem uma política ambiental integrada e transversal ao conjunto da estratégia econômica do país, apesar de apresentar compromissos internacionais relevantes. O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) desenvolve diagnósticos sobre o potencial econômico das unidades de conservação da biodiversidade brasileira. Dados recentes do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) — autarquia federal responsável pela gestão das Unidades de Conservação federais — indicam que, em 2024, essas áreas receberam aproximadamente 25,5 milhões de visitantes, número recorde que revela demanda crescente pelo turismo de natureza. Esse fluxo evidencia que a biodiversidade, quando estruturada para uso público sustentável, constitui ativo econômico significativo, ainda subdimensionado na política nacional de desenvolvimento.
Estados Unidos, para o turismo nessas áreas, investem valores superiores por hectare na gestão de parques e reservas. No Brasil, historicamente, o valor investido é reduzido. Levantamentos comparativos indicam que o orçamento agregado de agências federais norte-americanas responsáveis por parques e áreas protegidas alcança cerca de US$ 12,5 bilhões anuais, enquanto o orçamento do ICMBio situa-se na faixa de aproximadamente US$ 64 milhões anuais. Em termos proporcionais, estima-se investimento próximo a R$ 273 por hectare protegido nos Estados Unidos, contra cerca de R$ 4,42 por hectare no Brasil. O turismo ecológico gera, nos EUA, centenas de milhares de empregos e bilhões de dólares por ano nessas áreas. Conservar a biodiversidade, além dos benefícios econômicos, depende da mobilização do governo e de todos os setores da sociedade. Depende da mudança do modelo econômico: produção e consumo. Isto é mudança estrutural.
As mudanças no Brasil ficam, muitas vezes, restritas a metas formais. Reduzir o desmatamento da Amazônia e do Cerrado é necessário, mas insuficiente. O que vivemos no Brasil paralelamente à pressão sobre a biodiversidade? Crescimento econômico, aumento da população e maior poder de compra das classes baixas. Apesar de oscilações recentes nas taxas de desmatamento e recomposição parcial do orçamento ambiental federal, persistem pressões estruturais associadas à expansão agropecuária, à mineração e à infraestrutura, indicando que o padrão de crescimento permanece intensivo no uso de recursos naturais.
Governança mundial é necessária para enfrentar a perda de biodiversidade e as mudanças climáticas. Problema global, solução coordenada. Frente às mudanças climáticas provocadas pelo homem, a governança política do planeta deve buscar transição energética progressiva, reduzindo a dependência de petróleo, gás natural e carvão. O carvão é fonte de energia mais barata do que alternativas renováveis em muitos contextos. Política energética de baixo carbono versus interesse econômico poluidor. A transição energética tornou-se imperativo estratégico internacional, mas ainda convive com fortes assimetrias entre compromissos formais e implementação efetiva. EUA, China e Índia, para arrastarem o resto do mundo, devem transitar para economias de baixas emissões de dióxido de carbono. Sem integração entre democracia, inclusão econômica e valorização estratégica do capital natural, a sustentabilidade tende a permanecer periférica no modelo de desenvolvimento brasileiro.
por uberlandiahoje | mar 29, 2026 | Ponto de Vista |
Diógenes Pereira da Silva – Tenente do Quadro de Oficiais da Reserva Remunerada da PMMG
Falar de dependência química e de abuso sexual de menores é tocar em duas das mais graves feridas sociais do país. São dramas que destroem famílias, desestruturam comunidades e deixam cicatrizes permanentes nas vítimas. Contudo, tão grave quanto o crime em si é a omissão de quem deveria combater essas práticas com rigor e responsabilidade.
A dependência química, reconhecida como doença, exige tratamento, políticas públicas eficazes e acolhimento. Porém, quando o poder público falha na prevenção, abandona famílias à própria sorte e não investe em reabilitação, contribui para o agravamento de um ciclo de vulnerabilidade que expõe crianças e adolescentes a riscos extremos.
Já o abuso sexual de menores não admite relativização. É crime hediondo, covarde e devastador. Rouba a infância, compromete a saúde mental e pode marcar uma vida inteira. O que revolta a sociedade é perceber que, muitas vezes, processos se arrastam, provas se perdem, investigações são frágeis e decisões judiciais resultam em penas brandas, benefícios prematuros ou até absolvições que afrontam o senso de justiça.
Quando autoridades fazem vista grossa, deixam de fiscalizar, negligenciam denúncias ou tratam esses casos como estatísticas, a mensagem transmitida é de impunidade. E impunidade encoraja o agressor. Cada decisão leniente não atinge apenas um processo; atinge a confiança da população nas instituições e amplia a sensação de abandono das vítimas.
Não se trata de atacar o Estado de forma irresponsável, mas de exigir firmeza, celeridade e compromisso real. Crianças não podem esperar por burocracias intermináveis. Dependentes químicos não podem ser empurrados para as ruas sem assistência. E abusadores não podem contar com brechas legais como escudo.
A proteção da infância deve ser prioridade absoluta, não discurso vazio. Autoridades que negligenciam seu dever também precisam ser cobradas. Porque, diante de crimes tão graves, a omissão não é neutralidade, é cumplicidade.
Diógenes pereira da Silva
por uberlandiahoje | mar 29, 2026 | Ponto de Vista |
Tania Tavares – Professora – SP
Será que continuaremos vendo estes ataques com armas super poderosas e destruidoras? O gênio Albert Einstein, físico disse: “Não sei com que armas a Terceira Guerra Mundial será travada, mas a Quarta será com paus e pedras. Estamos caminhando ao encontro desta catástrofe devido a insanidade de alguns loucos governantes? Nos poupem…
por uberlandiahoje | mar 28, 2026 | Ponto de Vista |
Diógenes Pereira da Silva – Tenente do Quadro de Oficiais da Reserva Remunerada da PMMG
Um conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel pode provocar consequências profundas para a economia mundial. A história já mostrou, com a Crise do Petróleo de 1973, que tensões no Oriente Médio são capazes de desestabilizar mercados e gerar recessões em vários continentes.
Desde jovem acompanho e estudo o mercado financeiro. Sempre tive interesse por economia, área que também estudei na faculdade. Tive como mestre o saudoso professor Luiz Bertolucci, extremamente cauteloso em suas análises de risco, ensinamento que carrego até hoje.
Os riscos são evidentes, sobretudo para países emergentes, que possuem economias mais sensíveis a choques externos. Uma guerra prolongada pode provocar fuga de capitais, inflação elevada e redução de investimentos, agravando ainda mais a instabilidade econômica.
Os preços dos combustíveis já começam a subir de forma exponencial. Embora sempre existam oportunistas de plantão para ampliar os efeitos da crise, as previsões para a economia global podem se tornar desastrosas se o conflito se prolongar.
Além disso, há um impacto humanitário preocupante. Em um cenário de crise global, programas de ajuda internacional podem ser reduzidos ou interrompidos, afetando populações vulneráveis em diversas regiões do mundo.
Países da América Latina, como o Brasil, já começam a sentir reflexos. O que hoje parece distante pode se transformar em uma crise global de grandes proporções.
por uberlandiahoje | mar 27, 2026 | Ponto de Vista |
Ana Maria Coelho Carvalho – Bióloga
Gosto de frases criativas e bem humoradas, tanto das escritas por pessoas famosas quanto das escritas por vestibulandos na hora do desespero. E também gosto de provérbios divertidos e de frases de para-choques de caminhões. Acho-as geniais, lógicas, filosóficas e cheias de humor.
Algumas são tão erradas que se tornam interessantes. Como as frases que circulam na internet como sendo de correção de vestibular: “as glândulas salivares só trabalham quando temos vontade de cuspir”; “antes de ser criada a justiça, todo mundo era injusto”;”quando um animal não tem água para beber, só sobrevive se for empalhado”;”a principal função da raiz é se enterrar”; “o maior matrimônio do país é a educação”; “o nervo óptico transmite ideias luminosas ao cérebro”; “o sol nos dá luz, calor e turistas”; “as constelações servem para esclarecer a noite”; “oceano é onde nasce o sol: onde ele nasce é o nascente e onde desce é o decente”. E por ai vai…
Já entre as frases anônimas e sábias, existem estas: “diga-me com que andas que eu te direi se vou contigo”; “na vida tudo é relativo: um fio de cabelo na cabeça é pouco, na sopa é muito”; “eu cavo, tu cavas, ele cava: não é bonito, mas é profundo”; “eu bebo pouco, mas esse pouco me transforma em outro homem, e esse outro homem bebe pra caramba!”; “por maior que seja o buraco em que você se encontra, pense que, por enquanto, ainda não há terra em cima”. E aquela escrita em um motel no Rio:”antes à tarde do que nunca”.
Quanto aos provérbios engraçados, temos, entre outros: “meia verdade é uma mentira inteira” ; “não se deve emprestar nem livros nem mulheres: nunca devolvem os livros; as mulheres, sempre”; “há males que vêm para pior”;”errar é humano; colocar a culpa em alguém, então, nem se fala”; “às vezes é melhor ficar quieto e deixar que pensem que você é um idiota do que abrir a boca e confirmar a suspeita”.
Existem também as frases de certas pessoas, como: “a seleção brasileira é uma seleção sem vícios: não fuma, não bebe e não joga” (José Simão); “quem disse que ganhar ou perder não importa, provavelmente perdeu” (Martina Navratilova); “bom de briga é aquele que cai fora” (Adoniran Barbosa);”os homens mentiriam muito menos se as mulheres fizessem menos perguntas”(Max Nunes); “a Academia Brasileira de Letras se compõe de 39 membros e um morto rotativo”(Millôr Fernandes); “nunca confie em uma mulher que diz sua verdadeira idade, pois se ela diz isso, é capaz de dizer qualquer coisa”(Oscar Wilde).
Mas bom mesmo são as frases nos para-choques dos caminhões. Simples e diretas. Exemplos: “feliz foi Adão que não teve sogra nem caminhão”; “nas curvas do seu corpo capotei meu coração”; “cabelo ruim é igual bandido: ou tá preso ou tá armado”; “a fé remove montanhas, mas prefiro dinamite”; “amor sem beijo é como macarrão sem queijo”; “aqui é como o World Trade Center: só entra avião”; “coceira de rico é alergia; de pobre é sarna”; “eu sou imortal, pois não tenho onde cair morto”; “marido de mulher feia sempre acorda assustado”; “rico tem veia poética, pobre tem varizes”. Quanta criatividade…
Depois de tantas frases divertidas, é melhor encerrar com duas lindas: “as mães não envelhecem: elas entardecem, viram nuvens e se transformam no pôr do sol” e “filhos não são pedaços de nós; são pedaços de Deus que estavam em nós”. Enfim, é bom saber que existem pessoas de bom humor que criam frases que alegram nossa vida.
por uberlandiahoje | mar 27, 2026 | Ponto de Vista |
Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Acadêmico da ABLetras, Blogger, Analista Político e Graduado em Gestão Pública.
A divulgação das pesquisas de março/26, por mais que não acreditemos nos institutos, traz empate técnico entre o Lula e o filho do presidiário. É difícil, ou até impossível, acreditar que alguém possa dar seu voto a esse sujeito que passou a vida amealhando dinheiro através de rachadinhas em seus gabinetes e protegido das investigações da PF e MP/RJ pelo presidiário.
A única coisa que ele fez foi comprar uma mansão sem ter lastro dos seus vencimentos e com total falta de transparência. Nunca aprovou um projeto sequer em sua vida de deputado estadual e senador pelo RJ.
Talvez tenhamos mais uma eleição em que milhões de eleitores irão votar com ódio, contra o inimigo inexistente e concedendo seus votos a um pulha medíocre que, uma vez eleito, irá tirar o que resta dos benefícios dos trabalhadores e aposentados deste país.
Eu posso até entender o voto dado ao Fernando Collor em 1990, assim como os votos consagrados a Paulo Maluf em SP. Afinal, havia razões e motivos que nos faziam entender através da política aqueles movimentos do eleitorado.
Porém, isso é passado. O que estamos assistindo hoje é algo assustador. Não se trata de discordar da conduta ou do trabalho do atual presidente, mas sim de odiar aquilo que eles não sabem explicar. Porque o ódio disseminado pelos políticos de direita não tem argumentação válida e é calcado em mentiras que esse eleitorado absorve como esponjas na água.
Votam contra o quê? O comunismo? Os preços que são manipulados pelos empresários de direita? Lula em seu governo erra e acerta, porém, trabalha em prol da sociedade.
O oponente é um fantoche, um nada, sobrevivente das investigações policiais que o pai protegeu afastando delegados da PF e manipulando o MP/RJ. Um político que não tem projetos de governo, mas diz que dará continuidade a gestão desastrosa do pai.
Com certeza os que votarem nele irão levar o país para o mesmo buraco que Milei enfiou a Argentina, culminando com a reforma trabalhista que pune trabalhadores com até 12 horas diárias, aposentadorias cada vez mais impossíveis de serem obtidas e uma vida muito pior do que os brasileiros estão levando atualmente. Incompreensível essa burrice que se avizinha através das pesquisas e que podem levar o país para o caos.
Se eleito, vai tentar desesperadamente libertar o pai do presídio e da condenação de 27 anos em regime fechado. Vai tentar privatizar as grandes empresas como Petrobras. Endurecer ainda mais a vida dos trabalhadores com adendos a reforma trabalhista implantada por Temer.
Com toda certeza vai punir o povo pobre, em especial aqueles que vivem no nordeste do país. Trabalhará (sic) para proteger os ricos, os grandes latifundiários, os que destroem o meio ambiente, e terá ao seu lado os mesmos personagens medíocres que estiveram junto com seu pai, exceto os que eventualmente continuarem na prisão.