por Uberlândia Hoje | maio 22, 2026 | Ponto de Vista |
Ana Coelho Caevalho – Bióloga
Um dos filmes mais conhecidos de Alfred Hitchcock, o gênio do suspense, é “Janela Indiscreta”. Nele, um fotógrafo, que se recupera de uma perna quebrada, acompanha, com um binóculo, a vida dos seus vizinhos do prédio, observando suas janelas. Desconfia que tenha ocorrido um assassinato em um dos apartamentos, e o filme se desenrola em meio a romance, drama e suspense.
Ando me sentindo como esse fotógrafo. Sempre que posso, olho a vida pelas janelas do meu apartamento na Praça do Rosário, no terceiro andar, bem no coração da cidade. De uma das janelas da sala, vejo a Avenida Floriano Peixoto e acompanho os desfiles e passeatas: o Sete de Setembro, as manifestações pró e contra Bolsonaro, a passeata LGBTQ+ e os ternos da festa do Congado. Em um dia de tempestade, estava eu olhando quando dois galhos enormes do cedro da praça se quebraram. Caíram sobre uma fila de carros que passava devagar, e um carro pequeno ficou esmagado. Após longos minutos dramáticos, com a chegada do socorro, saiu do carro um homem sem ferimentos. Viveu de novo.
Da outra janela da sala, vejo a praça em frente à sorveteria Bicota. Durante algumas tardes, assisto às apresentações de um grupo de capoeira, com músicas gostosas. Vejo os catadores de recicláveis tentando separar os materiais nos cinco contêineres de lixo em frente. Os funcionários dos bares próximos despejam centenas de garrafas de vidro nos contêineres, causando um barulho ensurdecedor. Os varredores de rua, todas as manhãs, sem nunca desistirem, retiram o lixo da praça, que fica imunda nos finais de semana. Nas noites de quinta a domingo, aprecio a multidão. Tem de tudo: música ao vivo misturada com pessoas tomando sorvete nas mesinhas; jovens tatuados, de piercings, de preto, bebendo cerveja em garrafas; casais heterossexuais, homossexuais, indefinidos; pessoas bem vestidas e bonitas; outras com cabelos loucos e coloridos. No dia do Halloween, por exemplo, foi um desfile de vampiros bem debaixo da minha janela -mas também havia alguns vestidos com saias de bailarina e asas de borboleta. No meio da praça, ficam os policiais, tentando colocar um pouco de ordem. Dias desses, passou um carro com música estrondosa. Sempre passam por aqui, fazendo as janelas do prédio tremerem. Só que, naquele dia, o motorista deu azar: passou justamente perto dos policiais. Eles foram ágeis, pararam o carro e o levaram, junto com o motorista espantado.
Tenho um neto de seis anos que gosta de olhar o agito também, mas tem medo da polícia. Fica atrás da cortina, olhando de soslaio. Certa vez, estava nessa posição quando meu filho chegou, deu uma espiada pela janela e falou:
-Oh, chegou a polícia civil!
E o neto, quase arrancando a cortina de susto:
– O quê? A polícia me viu?
Da janela do meu quarto, vejo outro ângulo da praça: a Igreja do Rosário, com a cruz lá no alto -sempre faço o sinal da cruz quando olho- e a pracinha em frente. Assisto às apresentações dos ternos do Congado. Os tambores retumbam dentro do meu quarto e escuto o leilão de prendas de dez reais. É bonito ver as mulheres segurando fitas e dançando em volta das bandeiras, os homens com chapéus enfeitados e chocalhos nas pernas, as roupas de cetim em amarelo-dourado, verde, azul e branco, os cantos para Nossa Senhora. Também observo casamentos aos sábados: convidados bem arrumados, noivas chegando em carrões antigos, madrinhas com vestidos da mesma cor, daminhas com vestidos rodados- um luxo. Durante a semana, aparecem pessoas tirando fotos em todos os ângulos, com a igreja ao fundo. Outras caminhando, passeando com cachorros, fazendo o sinal da cruz. Aos domingos, com o sino tocando, o padre fica na porta da igreja cumprimentando os fiéis antes da missa. Dias desses, à noite, vi uma limusine branca imensa estacionando na praça. Um motorista elegante, de terno e quepe azul-escuro, abriu a porta para um grupo de mocinhas bem vestidas e tagarelas, que entraram no carro e lá se foram, não sei para onde.
Da janela de outro quarto, quase toco o ipê rosa do jardim da frente do prédio. É lindo acompanhar suas transformações ao longo do ano: a queda e o nascimento das folhas, flores e frutos e o tapete de flores rosas no chão. Pombinhas, bem- te- vis e periquitos pousam e cantam em seus galhos. No banco de cimento redondo, debaixo do ipê, acontece de tudo. Pessoas em situação de rua colocam papelão e dormem. Casais trocam beijos apaixonados. Jovens compram drogas. Outros bebem e jogam as garrafas no jardim. Idosos, de mãos dadas, ficam sentadinhos, talvez esperando a banda passar, como naquela canção de Chico Buarque:
“Estava à toa na vida, o
meu amor me chamou
Pra ver a banda passar
Cantando coisas de amor”.
Debaixo do ipê há um jardim que tento cuidar. Ando elaborando uma lista do que as pessoas jogam nesse canteiro. Há itens como guardanapos e fraldas descartáveis; colheres, canudinhos, copos e tampinhas de plástico de todas as cores; isqueiros; garrafas PET; latinhas; garrafas de pinga, uísque, gim, vodka e cerveja; palitos de picolé e muito mais. Encontrei até um cobertor azul novo, de bebê, bordado com o nome “Bruno”. Por enquanto, o jardim está resistindo, mas não sei até quando.
Da janela da sala de jantar, sempre que posso, olho o sol se pondo entre os prédios, com as árvores da Praça do Coreto enfeitando a paisagem. E agradeço por mais um dia.
Por enquanto, ainda não desconfiei de nenhum assassinato, como no filme do Hitchcock.
E assim, entre janelas, a vida passa. Com suas dores e suas alegrias. E com a cruz da igrejinha contrastando com o céu azul ao fundo. E com cada pôr de sol lembrando-nos de que, por mais bonito que seja, amanhã pode ter outro mais lindo ainda.
por Uberlândia Hoje | fev 10, 2026 | Blog |
Primeira etapa do Pouso Alegre Business Park é entregue com 100% de ocupação e tem expansão prevista já para 2026
O Governo de Minas, por meio da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede-MG) e de sua vinculada Invest Minas, participou, nesta segunda-feira (9/2), da inauguração da primeira fase do projeto Pouso Alegre Business Park, novo empreendimento logístico da Fulwood no município do Sul de Minas.
GOV. MG
O projeto vai entrar em operação com 100% de locação e foi concebido com um aporte de R$ 100 milhões, inteiramente privados.
Durante o evento, que contou com a presença de autoridades do Governo do Estado, da empresa e do município, foram anunciados os próximos passos da Fulwood em Pouso Alegre.
Ainda no segundo semestre de 2026, a empresa pretende entregar a segunda fase do projeto, com 50 mil metros quadrados e investimento de R$ 80 milhões. A empresa também estuda acrescentar outros 24 mil metros quadrados, com obras ainda neste ano, elevando o empreendimento a um novo patamar de oferta para grandes operações de logística e e-commerce.
“Esse empreendimento mostra como Minas tem se consolidado como um hub logístico estratégico do país. Além da nossa localização privilegiada, trabalhamos para oferecer previsibilidade, infraestrutura e um ambiente de negócios competitivo, que dão segurança ao investidor. É assim que conectamos regiões e atraímos novos projetos”, destaca a secretária de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mila Corrêa da Costa.
Estrutura de ponta
Localizado às margens da Rodovia Fernão Dias (BR-381), principal ligação entre São Paulo e Belo Horizonte, o Pouso Alegre Business Park conta com 78 mil metros quadrados de área total, sendo 71 mil metros quadrados destinados à armazenagem, seguindo padrão triple A.
A chegada de mais um parque logístico de alto padrão a Minas Gerais reflete a atuação contínua do Governo de Minas na criação de um ambiente favorável aos negócios, baseado em infraestrutura, segurança jurídica, mão de obra qualificada e políticas públicas alinhadas às demandas do setor produtivo.
Nesse contexto, Minas também se destaca pelo ambiente tributário competitivo, que tem mantido o estado atrativo mesmo diante das mudanças trazidas pela reforma tributária federal.
“Minas construiu um modelo de relacionamento com o investidor pautado pela previsibilidade, investimentos em infraestrutura, competitividade tributária e diálogo permanente. Minas segue se posicionando como o segundo maior mercado consumidor do país e um estado preparado administrativamente para receber e ampliar grandes projetos”, afirma o diretor de Atração de Investimentos da Invest Minas, Leandro Andrade.
Trabalho contínuo
A escolha por Pouso Alegre está associada à posição estratégica do município, que reúne acesso aos principais corredores rodoviários do Sudeste, aeroporto regional, porto seco e infraestrutura consolidada.
A Invest Minas já acompanha a atuação da Fulwood no estado há anos. Além de Pouso Alegre, a empresa possui empreendimentos em operação em Extrema e Betim, somando mais de R$ 1,5 bilhão em investimentos.
“Os investimentos em Pouso Alegre reforçam a atuação da Fulwood em Minas Gerais, onde já investimos mais de R$ 1,5 bilhão na última década. Para os próximos anos, estão previstos mais R$ 700 milhões, com a meta de alcançar 1 milhão de metros quadrados de ABL no estado”, celebrou o CEO da empresa Gilson Schilis.
Fundada em 1994, a Fulwood é uma das principais incorporadoras de condomínios logístico-industriais do Brasil, com atuação em cinco estados. A empresa desenvolve, loca e administra empreendimentos de alto padrão, com foco em galpões triple A, totalizando mais de 1 milhão de metros quadrados de área bruta locável no país.
por Uberlândia Hoje | jan 24, 2026 | Ponto de Vista |
Diógenes Pereira da Silva – Tenente do Quadro de Oficiais da Reserva Remunerada da PMMG
A exposição constante de políticos na mídia tornou-se prática comum, muitas vezes confundida com trabalho efetivo. Vídeos, discursos e declarações de impacto ocupam espaço, enquanto a atuação concreta, aquela que realmente transforma a vida do cidadão, nem sempre recebe a mesma atenção.
É preciso deixar claro que existe, sim, um momento legítimo para a exposição midiática. Ela é adequada no período de propaganda eleitoral e também no trabalho cotidiano junto às comunidades. Mostrar projetos executados, ações realizadas e resultados alcançados faz parte da prestação de contas e do dever com o eleitor.
O problema surge quando a visibilidade passa a substituir o mandato. Deputados, senadores e vereadores possuem instrumentos institucionais para promover mudanças reais: propor, fiscalizar e votar projetos que estimulem o desenvolvimento econômico e social. É por essas ações que devem ser avaliados.
O que se espera do Congresso Nacional, das Assembleias Legislativas e das Câmaras Municipais não são performances, mas decisões responsáveis. Votos conscientes e projetos consistentes revelam compromisso com o interesse público.
Ao assistir a vídeos de políticos, independentemente do espectro ideológico, a pergunta é inevitável: qual tem sido sua atuação efetiva dentro do poder que lhe foi confiado? O mandato pertence ao povo. A exposição deve ser consequência do trabalho, nunca seu substituto.
por Uberlândia Hoje | jan 18, 2026 | Ponto de Vista |
Hugo Cesar Amaral – Analista em Serviço Público do Saneamento do Dmae – Cargo: Advogado.
Donald Trump será lembrado no futuro como um dos mais insanos líderes americanos.
Claramente não tem a noção mínima da relevância de seu cargo não apenas para o povo americano, mas para o mundo como um todo.
Ainda que os EUA não ostentem a relevância de possuíam meio século atrás respondem por quase 1/4 de todo o PIB mundial.
São expoentes em tecnologia, têm as forças armadas mais poderosas, disseminam sua cultura pelo mundo, enfim, destacam-se ainda como a nação de maior relevo na ordem internacional.
Toda esta relevância, no entanto, não impede seu comandante de administrar por arroubos, desvarios e condutas irracionais.
No afã de tornar a América novamente grande desestabiliza a ordem mundial, enquanto Rússia e China esfregam as mãos antevendo ganhos políticos e econômicos que possam auferir neste cenário imprevisível.
A captura do ditador Maduro talvez seja o menor de seus desatinos, mas a postura sem engajamento na defesa da Ucrânia, o discurso que fragiliza a OTAN e ações imperialistas como a atinente à anexação da Groenlândia mostram que Trump está pouco preocupado com uma ordem mundial estável.
Com que autoridade o Trump que deseja anexar a Groenlândia e que ironicamente já acenou com a anexação do Canadá irá confrontar a Rússia que invade a Ucrânia ou a China que vislumbra futuramente anexar Taiwan?
A Europa, aturdida, não sabe se se defende a leste do expansionismo russo, ou a oeste, das ameaças à Groenlândia.
Se vêem os europeus na contingência de buscar o rearmamento e tudo isto num cenário de retração econômica na comunidade européia. A Alemanha teme uma invasão russa nos próximos anos e terá de dividir sua atenção com a ameaça americana na Groenlândia. Surreal, mas é o que temos de assistir.
O mundo com Trump e pós-Trump será menos seguro e mais nacionalista, onde a força, em detrimento do direito, prevalecerá.
Trump planta o caos na ordem mundial.
Aterroriza saber que teremos este insano por mais três anos no comando da maior potência global!
por Uberlândia Hoje | dez 18, 2025 | Blog |
Ações coordenadas reduzem crimes, ampliam a proteção ambiental e fortalecem a defesa social
GOV. MG
O balanço das ações do Governo de Minas em 2025 evidencia avanços consistentes na segurança pública e na redução da criminalidade, resultado da atuação integrada da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) e das Forças de Segurança.
A apresentação dos dados foi realizada nesta terça-feira (16/12), na Cidade Administrativa, em Belo Horizonte, com a presença do vice-governador Mateus Simões.
“Chamo a atenção para três números que, para mim, são absolutamente essenciais: redução de crimes violentos, com ênfase para roubos, com queda superior a 20%; nosso combate ao crime organizado, com mais de 600 prisões de faccionados ao longo deste ano, com mandados de prisão em aberto; e um investimento poderoso em equipamentos para as Forças de Segurança terem condições de trabalhar”, destacou Mateus Simões.
Os números consolidados pela Sejusp apontam que, entre 2024 e 2025, os crimes violentos recuaram 21,2%, com redução dos homicídios consumados (-11,6%) e tentados (-23,3%), dos roubos consumados (-27,9%) e tentados (-20,2%).
Além disso, somados, os feminicídios e as tentativas de feminicídio tiveram queda de 14,9%. Também caíram os estupros consumados (-8,4) e tentados (-13%). Os dados da secretaria comparam o período de janeiro a outubro de cada ano.
O enfrentamento ao crime organizado foi intensificado por meio de operações integradas, ações de inteligência e uso estratégico da tecnologia. No período, foram realizadas 98 operações integradas em todo o estado, resultando na prisão, apreensão ou condução de mais de 5,6 mil pessoas, além da apreensão de armas de fogo e grandes volumes de drogas.
Paralelamente, ações específicas de inteligência voltadas às facções criminosas — com atuação de estruturas como o Grupo Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gerco) — permitiram isolar lideranças, identificar 659 foragidos ligados a organizações criminosas e bloquear ativos financeiros. Somente em 2025, cerca de 2,2 mil operações de inteligência foram realizadas com esse foco.
Polícias
A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) ampliou o combate ao tráfico de drogas, com a conclusão de 23,4 mil procedimentos entre janeiro e novembro de 2025, crescimento de 26,8% em relação a 2024. No mesmo período, foram realizadas 3.872 operações e incineradas mais de 11,9 toneladas de entorpecentes.
No enfrentamento à violência doméstica, a instituição formalizou mais de 60 mil pedidos de medidas protetivas. Ainda entre 1/1 e 30/11/2025, 17.945 agressores tiveram a prisão ratificada, contra 14.621 prisões ratificadas no mesmo período do ano anterior, aumento de 18,52%. Também houve aumento de 16,35 no número de indiciamentos por esse tipo de crime.
Entre os destaques das ações da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) estão o reforço na presença ostensiva, com a formação de 3,8 mil novos policiais em 2025, e investimentos em viaturas, armamentos e tecnologia.
De janeiro a novembro, foram realizadas cerca de 1,65 milhão de operações, com aproximadamente 223 mil prisões, retirada de mais de 12 mil armas de circulação e apreensão de grandes volumes de drogas.
Investimentos
O ano de 2025 também teve destaque no investimento de novos profissionais e equipamentos para as Forças de Segurança do Estado de Minas Gerais.
Além do ingresso dos novos policiais, a PMMG recebeu 1,9 mil novas viaturas e 2.735 novos armamentos. Por sua vez, a Polícia Civil teve, em 2025, 51 novas delegacias, 1.592 novos armamentos e 132 novas viaturas.
A Polícia Penal recebeu um investimento de R$ 52 milhões em melhorias na infraestrutura para o sistema prisional, R$ 24 milhões em equipamentos para presídios. Este ano também marcou o lançamento do novo concurso para a contratação de mais 1.178 homens e mulheres para a instituição.