Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais abre 342 vagas em concurso público com salários que podem chegar a R$ 11 mil

Inscrições para ambos os concursos estarão disponíveis no período de 18/5 a 17/6

GOV. MG

O Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG) publicou, no sábado (14/3) no Diário Oficial de Minas de Gerais, os editais para o Curso de Formação de Soldados (CFSd) e o de Curso de Formação de Oficiais (CFO). Ao todo, serão oferecidas 342 vagas para atuar como bombeiro militar em Minas Gerais, distribuídas da seguinte forma: 321 para o CFSd e 21 para o CFO.

Alguns requisitos para ingresso nos cursos da instituição são comuns nos dois editais, como possuir idoneidade moral; ter aptidão física; ser aprovado em avaliação psicológica. Em cumprimento a lei vigente, é exigido o nível de escolaridade superior, CNH ou permissão para dirigir, no mínimo categoria B.

Escolaridade

Para o concurso do CFO 2027, será exigido a titulação de nível superior de escolaridade, na modalidade de bacharelado ou de licenciatura, ou seja, não há restrição de curso. Já para o CFSd 2027, será exigido a titulação de nível superior de escolaridade, sendo o curso superior bacharelado, licenciatura, tecnólogo ou sequencial.

Inscrições e provas

As inscrições para ambos os concursos estarão abertas de 18/5 a 17/6, no site da banca organizadora Idecan.

Ampla concorrência

Desde o último concurso, o processo seletivo passou a adotar ampla concorrência, sem delimitação de vaga por gênero. Contudo, as provas físicas permanecem com tabelas diferenciadas para homens e mulheres, com grau de dificuldade observando o princípio da isonomia.

“Isso só fortalece a equidade ao serviço público e reafirma que talento, dedicação e coragem não têm gênero”, enfatiza a comandante-geral do CBMMG, coronel Jordana de Oliveira Filgueiras Daldegan.

O amigo certo nas horas incertas

A profissão do bombeiro militar está entre as de maior credibilidade no país e ocupa o topo do Índice de Confiança Social. Isso se deve a proximidade entre a corporação e a sociedade em situações de urgência e emergência.

O Curso de Formação de Soldados prepara os militares para o atendimento direto à população, com forte atuação operacional, especialmente em áreas como o atendimento pré-hospitalar e salvamentos.

Já o Curso de Formação de Oficiais prepara líderes e gestores. No início da carreira, os oficiais coordenam equipes operacionais e, ao longo da trajetória profissional, podem assumir cargos estratégicos na corporação.

Entre as principais atribuições, estão as ações mergulho, salvamento terrestre, salvamento aquático, salvamento em altura, prevenção a incêndio e pânico, atendimento pré-hospitalar, combate a incêndio urbano e florestal e atuação em ocorrências com produtos perigosos, proteção de vidas e bens.

Formação aplicada na corporação

No CFSd, o conhecimento pode ajudar no atendimento operacional, em especial, na área de Atendimento Pré-Hospitalar. Já o CFO, forma gestores que, no início da carreira, irão atuar na coordenação do serviço operacional, e a médio e longo prazo, ocuparão cargos de gerenciamento de diretorias, centros, assessorias e outras sessões.

Ensino superior aplicado ao longo da carreira no CBMMG

• Engenharia e Ciências Exatas: setor de prevenção contra incêndio e pânico, gestão de emergências envolvendo produtos perigosos, perícias de incêndio, setores administrativos de suprimento, manutenção e logística;
• Biológicas: assessoria de assistência à saúde, treinamento físico militar, atendimento pré-hospitalar, abordagem a tentativas de suicídio, captura de animais silvestres, busca e salvamento com cães;
• Humanas: assessoria jurídica, corregedoria, setores de recursos humanos, direito administrativo, justiça e disciplina.

 

Saúde de Minas aposta em inteligência artificial para acelerar decisões e ampliar acesso na rede pública

Tecnologia passa a apoiar regulação de leitos, urgências e diagnósticos, enquanto estado amplia cirurgias, vacinação e rede hospitalar

GOV. MG

A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) apresentou, nesta segunda-feira (16/3), em Belo Horizonte, os principais avanços da saúde pública no estado e as estratégias que vão orientar o futuro da rede pública mineira. Entre as prioridades está o uso de inteligência artificial para apoiar decisões clínicas e organizar o fluxo de atendimento, tornando o sistema mais ágil e resolutivo para a população.

Durante encontro com jornalistas, o secretário de Estado de Saúde, Fábio Baccheretti, destacou que a tecnologia passa a ter papel central na gestão da rede, auxiliando profissionais na triagem de casos e na regulação de pacientes entre hospitais. A inovação integra o projeto de modernização do sistema estadual de regulação, responsável por organizar o acesso a leitos hospitalares e procedimentos de média e alta complexidade em Minas Gerais.

“A inteligência artificial não substitui o médico. Ela organiza as informações e ajuda o profissional a tomar decisões mais rápidas e seguras. O objetivo é ganhar tempo, identificar casos graves com mais rapidez e garantir que cada paciente chegue ao lugar certo no momento certo”, afirmou.

A proposta prevê a criação de um complexo estadual de regulação, com gestão centralizada em Belo Horizonte e atuação integrada às Superintendências e Gerências Regionais de Saúde. O objetivo é padronizar protocolos, agilizar a tomada de decisões e reduzir o tempo de espera por internações e atendimentos especializados em todo o estado.

O modelo busca tornar o sistema mais eficiente diante do aumento da demanda por internações e serviços hospitalares. A mudança tem caráter tecnológico e organizacional, voltado à melhoria do atendimento, e prevê um aumento do número de médicos reguladores.

Principais entregas

Além da inovação tecnológica, o encontro também apresentou um balanço das principais entregas da saúde em Minas. O estado bateu recorde histórico de vacinação em 2025, com 16,4 milhões de doses aplicadas, e ampliou investimentos na rede hospitalar e na realização de cirurgias eletivas.

No último ano, Minas ultrapassou a marca de 1 milhão de cirurgias realizadas, resultado das políticas de ampliação do acesso e redução das filas no sistema público.

Outro marco foi a universalização do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Desde dezembro de 2025, todos os municípios mineiros passaram a contar com atendimento pelo número 192, garantindo cobertura integral para os 21 milhões de habitantes do estado.

A expansão da infraestrutura hospitalar também avança. O Governo de Minas investiu quase R$ 1 bilhão na conclusão de cinco hospitais regionais estratégicos, que juntos vão disponibilizar mais de 1.100 leitos e beneficiar diretamente mais de 4,2 milhões de mineiros.

Planejamento da saúde
Durante o encontro, Baccheretti ressaltou que o planejamento da saúde estadual busca preparar o sistema para os desafios das próximas décadas, especialmente diante do envelhecimento da população.

“Minas está estruturando a saúde para o futuro. Temos uma população que vive mais e exige um sistema cada vez mais eficiente. Nosso desafio é garantir que o SUS continue chegando a todos os mineiros com qualidade”, afirmou.
O secretário também destacou a importância do diálogo com a imprensa para ampliar o acesso da população à informação.

“Foi uma ótima oportunidade de apresentar o que já construímos e o que ainda vamos entregar. A imprensa tem papel fundamental para levar informação de qualidade aos mineiros”, concluiu.

Se quiser, eu também posso te devolver uma versão ainda mais “agência”, com mais impacto no lead e menos cara de texto institucional.

 

Governo de Minas paga R$ 102 milhões do Propag à União

Governo de Minas paga R$ 102 milhões do Propag à União

Valor, referente à terceira parcela Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados, foi repassado ao Tesouro Nacional nesta segunda-feira (16/3)

GOV. MG

Cidade Administrativa Presidente Tancredo Neves.
Credito: Gil Leonardi/Imprensa MG
Data: 13-08-2013
Local: Belo Horizonte – MG

Nesta segunda-feira (16/3), o Governo de Minas quitou a terceira parcela do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), no valor de R$ 102,01 milhões.

A formalização da entrada do Estado de Minas Gerais no Propag, por meio da assinatura do aditivo contratual, em 31/12/2025, implicou não apenas uma mudança estrutural relevante no perfil do endividamento estadual, com a revisão dos encargos financeiros para Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acrescido de juros reais de 0% ao ano, como também a observância das condições pactuadas para a utilização desse benefício.

Nesse contexto, o Estado ofereceu ativos em montante suficiente para a amortização de 20% do saldo devedor da dívida com a União.

O saldo devedor confessado, no valor de R$ 179,3 bilhões, apurado na data-base de 1/12/2025, foi refinanciado pelo prazo de 360 meses. O Estado assumiu, de forma expressa, o compromisso de efetuar aportes anuais ao Fundo de Equalização Federativa (FEF), no percentual de 1% do saldo devedor, bem como de executar investimentos em áreas estratégicas na mesma proporção.

Importante ressaltar, ainda, que a adesão ao Propag marcou a retomada do pagamento integral das operações de crédito com garantia da União, reforçando o compromisso do Estado com a regularidade fiscal e contratual. Em 2026, até a presente data, foram pagos R$ 1,18 bilhões referentes a essas operações.

Histórico de pagamentos

Entre janeiro de 2019, quando a gestão atual assumiu, e 16 de março de 2026, o Governo de Minas pagou à União R$ 13,21 bilhões, em razão da dívida do Estado. Desse montante, R$ 6 bilhões foram pagos com base nas regras do Regime de Recuperação Fiscal (RRF), que vigorou entre outubro de 2024 até o final de 2025.

 

Cemig apresenta primeira plataforma de inteligência artificial dedicada ao setor elétrico na América Latina

Presidente da empresa revelou a EnergyGPT, que promete se tornar um dos pilares da digitalização da rede elétrica

A Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) lançou o EnergyGPT, primeira plataforma de inteligência artificial da América Latina dedicada ao setor elétrico, durante participação no South by Southwest (SXSW) 2026, maior festival de inovação do mundo.

GOV. MG

É a primeira vez que a companhia participa do evento, que está sendo realizado na cidade de Austin, nos Estados Unidos da América (EUA), e o anúncio do EnergyGPT reforça a posição de Minas Gerais como polo avançado da transição energética. A expectativa é que a plataforma se torne um dos pilares da digitalização da rede elétrica operada pela empresa.

Desenvolvido com investimento de R$ 26 milhões, o sistema passa agora por validação em operação real e já integra rotinas de mais de 200 profissionais. A plataforma utiliza modelos de linguagem treinados em base regulatória da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), normas técnicas e documentação setorial, além de uma ferramenta que permite a criação de agentes personalizados para diferentes fluxos de trabalho.

Ao participar de um painel que discutiu tendências globais do setor, o presidente da Cemig, Reynaldo Passanezi Filho, destacou o momento atual, em que dados e inteligência artificial passam a ter papel central na área. “A nova fronteira da energia é estratégica. Quem dominar redes digitais e inteligência energética vai liderar o crescimento econômico nas próximas décadas”, afirmou.

A Cemig também apresenta outras iniciativas que vem desenvolvendo em Minas Gerais durante os sete dias de SXSW, que termina na quarta-feira (18/3). São os casos da microrrede de Serra da Saudade, primeira do país com modelo que permite dupla alimentação elétrica, ampliando a resiliência do sistema, em operação desde janeiro, e o Agrivoltaico, que combina geração solar com produção agrícola e pecuária, criando novas dinâmicas de uso da terra e eficiência hídrica.

Juntos, esses e outros projetos representam cerca de R$ 1 bilhão investidos pela empresa em inovação e pesquisa aplicada.

Transformação

A dimensão do sistema operado pela Cemig ajuda a explicar o peso das soluções apresentadas no SXSW. A companhia atende mais de 9,5 milhões de clientes em 774 municípios e administra uma rede de aproximadamente 550 mil quilômetros (extensão equivalente a 14 voltas ao redor do planeta).

Minas Gerais possui uma das matrizes elétricas mais limpas do mundo, com cerca de 98% de fontes renováveis, e lidera a geração distribuída no Brasil. Entre 2018 e 2025, a potência instalada em geração distribuída no estado saltou de 153 megawatts (MW) para 5,17 gigawatts (GW).

Para acompanhar essa transformação, a Cemig conduz o maior ciclo de investimentos de sua história. Entre 2019 e 2030, a previsão é aplicar cerca de R$ 70 bilhões, dos quais 68% destinados à modernização e expansão da rede de distribuição, incluindo a instalação de 1,48 milhão de medidores inteligentes e a construção de novas subestações.

DER-MG aposta na desapropriação digital e inaugura nova era na gestão fundiária de obras rodoviárias

Projeto-piloto foi realizado em área de alta complexidade territorial

A inovação tecnológica tem transformado a forma como o poder público planeja e executa obras de infraestrutura em Minas Gerais. Um projeto-piloto conduzido pelo Departamento de Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DER-MG) introduz um modelo de desapropriação digital baseado na integração entre as plataformas BIM (Building Information Modeling) e GIS (Geographic Information System).

GOV. MG

Considerada pioneira na engenharia pública mineira, a iniciativa combina modelagem tridimensional de obras com dados territoriais georreferenciados, permitindo maior precisão técnica, transparência administrativa e eficiência na gestão fundiária.

Projeto-piloto em área complexa

O estudo foi aplicado na construção da ponte sobre o Rio Casca, em trecho rodoviário que dá acesso ao município de Santo Antônio do Grama. A área analisada envolve cinco propriedades rurais e apresenta interferência direta com o mineroduto do Sistema Minas-Rio, operado pela Anglo American, fator que ampliou a complexidade técnica e territorial do projeto.
Nesse cenário, a integração BIM-GIS permitiu reunir em um único ambiente digital o modelo tridimensional da obra, a faixa de domínio rodoviária, dados ambientais, informações topográficas e limites fundiários. O resultado é uma leitura mais completa do território, capaz de antecipar interferências e apoiar decisões com maior segurança.

Mais precisão e transparência

Entre os principais ganhos da metodologia está a visualização da obra em três dimensões integrada ao território real, ampliando a compreensão técnica do projeto e de seus impactos. A ferramenta também permite identificar previamente interferências fundiárias e ambientais, contribuindo para decisões mais planejadas.

Outro avanço é a melhoria na comunicação entre áreas técnicas e jurídicas, favorecendo maior alinhamento institucional e maior agilidade nos processos. O modelo também fortalece a transparência nas negociações com proprietários ao apresentar dados precisos e simulações de impacto, reduzindo riscos de litígios, retrabalhos e atrasos.

Na prática, a tecnologia possibilita simular cenários antes do início das intervenções, oferecendo ao gestor público uma visão estratégica mais integrada do território.

Reconhecimento técnico

O estudo foi apresentado em novembro de 2025 no Encontro Nacional de Conservação Rodoviária (Enacor), em sessão técnica dedicada à metodologia BIM, reforçando o reconhecimento da iniciativa no meio especializado.

O trabalho foi desenvolvido pelo Setor de Desapropriação do DER-MG por uma equipe multidisciplinar formada por Arthur Tavares, Claudio Pereira, José Honório Júnior, Lauro Pereira, Marcos Costa e pela engenheira Magna Andrade.

O que é BIM

BIM é uma tecnologia de modelagem que permite criar modelos digitais de construção e integrar informações ao longo de todas as fases do projeto. Como opera em uma base de dados única, qualquer alteração no modelo é automaticamente refletida em todos os elementos, ampliando controle, precisão e eficiência em relação aos métodos tradicionais.

Nova espécie de orquídea é descoberta no Parque Estadual de Grão Mogol

Planta rara é endêmica da região e pode ser classificada como “Em Perigo”, reforçando a importância das pesquisas em Unidades de Conservação

GOV. MG

Uma nova espécie de orquídea foi identificada no Parque Estadual de Grão Mogol, no Norte de Minas Gerais, reforçando o papel das Unidades de Conservação como espaços estratégicos para a produção de conhecimento científico e a preservação da biodiversidade. A descoberta foi destacada pelo Instituto Estadual de Florestas (IEF).
A planta foi identificada pelos pesquisadores Gabriela Cruz-Lustre e João Batista, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). A nova espécie recebeu o nome científico de Habenaria adamantina, em referência aos diamantes que marcaram a história do município de Grão Mogol e também ao brilho delicado de suas pequenas estruturas florais.

A orquídea é considerada endêmica da região, ou seja, ocorre apenas naquele território e não existe naturalmente em nenhum outro lugar do mundo. Mesmo sendo encontrada em áreas abertas e próximas a trilhas, a espécie permaneceu desconhecida pela ciência até agora. Com a identificação, o número de espécies do gênero Habenaria registradas no município aumentou de quatro para 12.

A planta ocorre em áreas de campo rupestre, ecossistema característico da Serra do Espinhaço e reconhecido como um dos ambientes mais biodiversos — e também mais ameaçados — do país. No parque, a espécie cresce em solos arenosos e úmidos, geralmente em áreas ensolaradas e próximas a pequenos cursos d’água.

Segundo o gerente de Criação e Manejo de Unidades de Conservação do IEF, Edmar Monteiro Silva, pesquisas científicas em áreas protegidas dependem de autorização prévia dos órgãos gestores, procedimento fundamental para garantir que os estudos sejam realizados de forma responsável. “A autorização assegura que os trabalhos ocorram sem comprometer os objetivos de conservação das áreas protegidas. Também possibilita que o órgão acompanhe e avalie as atividades, garantindo que estejam alinhadas às normas ambientais e contribuam para a gestão das Unidades de Conservação”, explicou.

Até o momento, os pesquisadores identificaram apenas duas populações da espécie, distribuídas em uma área estimada de 16,9 km². Pelos critérios da International Union for Conservation of Nature (IUCN), a nova orquídea pode ser classificada na categoria Em Perigo (EN).

Entre as principais ameaças estão o pisoteio acidental de visitantes, a erosão do solo e mudanças na vegetação natural. Apesar disso, a pesquisadora Gabriela Cruz-Lustre destaca que o parque já adota medidas importantes de proteção, como o controle do uso público e a orientação para que visitantes permaneçam nas trilhas e não removam material vegetal.

Para a pesquisadora, a descoberta reforça a relevância científica da região e evidencia a necessidade de ampliar iniciativas de pesquisa e conservação da biodiversidade nas Unidades de Conservação.

A identificação da nova espécie também demonstra como áreas protegidas continuam revelando espécies ainda desconhecidas, contribuindo para o avanço do conhecimento sobre a flora brasileira e para o fortalecimento das estratégias de conservação da natureza.

 

Uma questão de consciência

Marília Alves Cunha – Educadora e escritora

“A inumanidade que se causa a um outro, destrói a humanidade em mim.”
Immanuel Kant

Das provações a que tem sido submetido o ex-presidente Jair Messias Bolsonaro todos têm conhecimento, graças ao poder das redes sociais que, felizmente, ainda têm força neste país. Isto, apesar das inúmeras tentativas de regulação das mesmas por um sistema que anseia impor um pensamento único e dos insistentes lances de censura que vemos, por muitas vezes, agir contra a nossas liberdades. Rasgos de liberdade de expressão, tão cara aos brasileiros e energicamente defendida na Constituição Federal, tem permitido a tomada de consciência com relação a autoritarismo e abuso de poder com que, muitas vezes, tem se defrontado o povo brasileiro. Muitos sentiram na pele o peso disto, perseguidos, exilados, destituídos do direito de agir e até morto, em consequência.

Pelejaram para condenar Bolsonaro por inúmeros crimes que teria cometido, uns até mesmo bizarros, dignos de fazerem parte de uma comédia. Todos foram arquivados pela promotoria federal por insuficiência de provas. Restou o 08/01 e a celeridade em fazer de uma farsa, o motivo de prisão, exilio, sofrimento e até morte de muitos brasileiros.

Por esta trama, o ex-presidente foi condenado a uma pena dosada exageradamente em 27 anos e três meses, em regime fechado, acusado pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do estado democrático de direito. Nunca vimos no país uma pena tão grande para o que, se houve, não passou de cogitação, a primeira e não condenatória fase do “iter criminis”.

O ex-presidente não terminará bem, já devidamente esclarecido pelos médicos, se continuar na situação em que se encontra hoje. Necessita, para sua recuperação, cuidados que não estão assegurados no encarceramento, inclusive pela sua idade e comorbidades, devidas à facada recebida (até hoje sem explicação convincente) quando candidato em 2018. O STF não é obrigado, legalmente, a conceder a ele a prisão domiciliar. Existem regras e normas para esta concessão. Mas, nada impede , por uma questão humanitária, por estarem todos cientes das condições críticas de saúde em que encontra-se o paciente e por já ter 70 anos de idade, que seja beneficiado. Nem ousamos acreditar que isto lhe seja negado, daqui em diante.

Bem, o presidente encontra-se seriamente enfermo, hospitalizado em Brasília. Apesar de estar na UTI uma multidão de soldados, guardas, vigias tem se esmerado em vigiar seus passos, desculpe, sua pessoa. Mas achamos até natural, por estarmos num país que vive situações absurdas. Quem sabe, talvez, tenham receio de que Trump arrebate Bolsonaro do leito do hospital e o leve embora no breu da noite, como num filme que não é ficção e aconteceu na Venezuela.

Cachorro peidão

Paulo Henrique Coimbra de Oliveira – Economista – RJ

Um dia desses curtindo meu ócio em casa verifiquei que a TV estava sintonizada, certamente por descuido, na TV Justiça. Na tela, um desses ministros envolvidos no escândalo do banco Master proferia um voto. Não sei porque parei para olhar. Não para ouvir o seu voto prolixo (com duplo sentido ) mas para ver seu semblante. Falava como se nada estivesse acontecendo de errado com a corte enlameada pelos recentes acontecimentos deploráveis. Que moral têm esses cidadãos para julgar quem e ou que? Talvez tenha ficado uns 5 minutos olhando para concluir o seguinte: são uns caras de pau ou melhor uma máxima que sempre ouvi – cara de cachorro que peidou na igreja. Já passou da hora de destituirmos pelo menos uns 8 ministros. Com a palavra o Senado, onde não existem senadores.

DEMOCRACIA, CAPITAL NATURAL E SUSTENTABILIDADE

João Batista Domingues Filho
Cientista Político – Professor UFU/INCIS

A democracia se mostra pelo grau de desenvolvimento dos fatores de liberalização (contestação pública do governante) e inclusividade (participação do cidadão na riqueza da nação). Não existe vontade política consistente para a construção de uma democracia brasileira estruturada na sustentabilidade e no controle estratégico do capital natural. Existe dinâmica de interesse, correlação de forças e capacidade de realização de políticas ambientais. Entretanto, a conservação da biodiversidade ainda não se consolidou como eixo estruturante do modelo de desenvolvimento brasileiro. Interesse econômico e capacidade de realização permanecem, em grande medida, associados a atividades intensivas em recursos naturais. Nesse contexto, a produção econômica sustentável não constitui o núcleo organizador da estratégia de crescimento nacional.
Critérios baseados em biodiversidade e sustentabilidade para nortear os investimentos públicos precisam ser criados no Brasil, dado o padrão de pressão sobre os ecossistemas. Preservação da biodiversidade e desenvolvimento humano, atrelando os ecossistemas ao debate climático, é caminho necessário para a proteção da natureza. O financiamento da conservação da biodiversidade deve advir dos benefícios econômicos da própria exploração sustentável. Interesse econômico, mediado pelo Estado democrático, produzindo lucros para os capitalistas e conservação da biodiversidade, é possível. O Brasil dispõe de arcabouço normativo ambiental relevante — como o Sistema Nacional de Unidades de Conservação e legislações complementares —, porém enfrenta dificuldades históricas de financiamento, implementação e integração dessas normas a uma estratégia econômica de larga escala. A liberalização política e a inclusividade econômica ainda não se traduziram plenamente em acesso equitativo aos benefícios gerados pelo capital natural brasileiro.
O Brasil não tem uma política ambiental integrada e transversal ao conjunto da estratégia econômica do país, apesar de apresentar compromissos internacionais relevantes. O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) desenvolve diagnósticos sobre o potencial econômico das unidades de conservação da biodiversidade brasileira. Dados recentes do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) — autarquia federal responsável pela gestão das Unidades de Conservação federais — indicam que, em 2024, essas áreas receberam aproximadamente 25,5 milhões de visitantes, número recorde que revela demanda crescente pelo turismo de natureza. Esse fluxo evidencia que a biodiversidade, quando estruturada para uso público sustentável, constitui ativo econômico significativo, ainda subdimensionado na política nacional de desenvolvimento.
Estados Unidos, para o turismo nessas áreas, investem valores superiores por hectare na gestão de parques e reservas. No Brasil, historicamente, o valor investido é reduzido. Levantamentos comparativos indicam que o orçamento agregado de agências federais norte-americanas responsáveis por parques e áreas protegidas alcança cerca de US$ 12,5 bilhões anuais, enquanto o orçamento do ICMBio situa-se na faixa de aproximadamente US$ 64 milhões anuais. Em termos proporcionais, estima-se investimento próximo a R$ 273 por hectare protegido nos Estados Unidos, contra cerca de R$ 4,42 por hectare no Brasil. O turismo ecológico gera, nos EUA, centenas de milhares de empregos e bilhões de dólares por ano nessas áreas. Conservar a biodiversidade, além dos benefícios econômicos, depende da mobilização do governo e de todos os setores da sociedade. Depende da mudança do modelo econômico: produção e consumo. Isto é mudança estrutural.
As mudanças no Brasil ficam, muitas vezes, restritas a metas formais. Reduzir o desmatamento da Amazônia e do Cerrado é necessário, mas insuficiente. O que vivemos no Brasil paralelamente à pressão sobre a biodiversidade? Crescimento econômico, aumento da população e maior poder de compra das classes baixas. Apesar de oscilações recentes nas taxas de desmatamento e recomposição parcial do orçamento ambiental federal, persistem pressões estruturais associadas à expansão agropecuária, à mineração e à infraestrutura, indicando que o padrão de crescimento permanece intensivo no uso de recursos naturais.
Governança mundial é necessária para enfrentar a perda de biodiversidade e as mudanças climáticas. Problema global, solução coordenada. Frente às mudanças climáticas provocadas pelo homem, a governança política do planeta deve buscar transição energética progressiva, reduzindo a dependência de petróleo, gás natural e carvão. O carvão é fonte de energia mais barata do que alternativas renováveis em muitos contextos. Política energética de baixo carbono versus interesse econômico poluidor. A transição energética tornou-se imperativo estratégico internacional, mas ainda convive com fortes assimetrias entre compromissos formais e implementação efetiva. EUA, China e Índia, para arrastarem o resto do mundo, devem transitar para economias de baixas emissões de dióxido de carbono. Sem integração entre democracia, inclusão econômica e valorização estratégica do capital natural, a sustentabilidade tende a permanecer periférica no modelo de desenvolvimento brasileiro.

Governo do Estado anuncia edital para o novo concurso do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais

Apresentação foi feita durante a formatura de 279 soldados que serão distribuídos para 49 municípios

GOV. MG

O Governo de Minas anunciou, na última sexta (13/3), o lançamento do edital do novo concurso para o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG), na segunda-feira (16/3). Ao todo, serão 342 vagas, distribuídas da seguinte forma: 321 para o Curso de Formação de Soldados (CFSd) e 21 para o Curso de Formação de Oficiais (CFO). As inscrições ocorrem entre maio e junho, com datas específicas detalhadas no edital.

“Nós apoiamos incansavelmente o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais. Esse é um grande concurso e o nosso propósito é manter a corporação com o maior número de militares possível. Por isso, desde 2021 nós fazemos concursos anuais aqui em Minas”, disse o vice-governador.

A novidade foi apresentada pelo vice-governador Mateus Simões na formatura de 279 militares da turma Miguel Arcanjo, do Curso de Formação de Soldados 2025/2026, da qual ele foi paraninfo.

“Este é um dos aspectos que mais me deixa orgulhoso: vencemos a limitação dos 10% da presença de mulheres. Esta turma tem 27%, e tenho certeza que irá crescer ainda mais. A presença das mulheres é muito importante no meio militar, pois a população se sente ainda mais segura”, destacou o vice-governador.

Para a comandante-geral do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais, coronel Jordana Daldegan, esse avanço é muito significativo para o futuro do estado.

“Isso só fortalece a equidade ao serviço público e reafirma que talento, dedicação e coragem não têm gênero. Além disso, lugar de mulher, obviamente, é onde ela quiser”, enfatizou.

Reforço no efetivo

Entre os formandos do Curso de Formação de Soldados do CBMMG estão praças operacionais e especialistas. Durante o curso, eles precisaram dominar 28 matérias típicas da atividade bombeiro militar, como Atendimento Pré-Hospitalar, Combate a Incêndio Urbano, Salvamento em Altura, Salvamento Terrestre, Salvamento Aquático, Mergulho Autônomo, Prevenção e Combate a Incêndio Florestal e Produtos Perigosos, totalizando mais de 990 horas/aula.

Esses militares já atuaram em ocorrências operacionais de destaque, como as enchentes na Zona da Mata e o desabamento de um imóvel no bairro Jardim Vitória, em Belo Horizonte. Mesmo antes do término do curso, os militares já estavam em condições para apoiar o trabalho de buscas e ajuda humanitária às famílias atingidas.

Com a conclusão do treinamento, os novos bombeiros serão distribuídos para 49 cidades, reforçando o atendimento operacional em todas as regiões do estado.

A escolha do nome Miguel Arcanjo para a turma faz referência ao helicóptero Arcanjo 04, como um ato de reconhecimento e respeito à memória dos seis tripulantes que perderam a vida servindo à sociedade. O helicóptero caiu, em outubro de 2024, durante uma missão de salvamento à queda de um monomotor no distrito de São Bartolomeu, em Ouro Preto, na região Central do estado.

Investimentos

Entre 2019 e 2025, o Governo de Minas investiu R$ 139 milhões na corporação. Somente no ano passado, foram R$ 40 milhões para a frota, R$ 15,7 milhões para aquisição de equipamentos e materiais, R$ 10 milhões em tecnologia da informação e R$ 6,6 milhões para investimentos em engenharia do Corpo de Bombeiros.