Correio$!

Tania Tavares Professora – SP

O governo Lula conseguiu um empréstimo de 12 bilhões para salvar o falido Correios que não vai melhorar, e nossos impostos farão parte destes empréstimos. Ontem 14/01/2026 o porteiro do meu prédio recebeu as correspondências via correios. Nas minhas correspondências haviam duas contas, uma vencendo em 20/12/2025 (C/cr) e a outra que vencia em 06/01/2026 (telefone).E agora? Pago as multas ou mando para os Correios que com os empréstimos podem me pagar? Nem desculpas eles pedem. Avacalhou fecha!

Podem os serviços de saúde contribuir para a paz em suas comunidades?

Dr. Flávio de Andrade Goulart*

Que a violência está hoje entre as grandes preocupações da sociedade é fato de conhecimento geral, como se comprova, por exemplo, com os conflitos atuais em vários países; perseguições a minorias; atentados terroristas de fundo político, étnico, de gênero e até mesmo religioso; agressões a professores e profissionais de saúde e violência policial e de gangues armadas; fome e miséria em muitas partes do globo, derivadas de guerras e conflitos internacionais e tribais, além da escalada de projetos políticos, tendendo a negar conquistas sociais civilizatórias relevantes. O sistema de saúde mão escapa de tais problemas e ainda lhes acrescenta outros, como se denota não só pela piora geral de indicadores, a ameaça de pandemias, a oferta precária de serviços, além de carências de toda ordem, levando ao acirramento de tensões entre a população de usuários, equipes dos serviços e tomadores de decisão.
Uma boa definição para o problema é aquela da Unesco, órgão da ONU para a Educação, Ciência e a Cultura, que propõe uma Cultura de Paz, ancorada em valores, atitudes, tradições, comportamentos e estilos de vida baseados, entre outros fundamentos, no respeito à vida, na promoção e prática da não-violência por meio da educação, do diálogo e da cooperação; no respeito pleno e na promoção de direitos humanos e liberdades fundamentais; no compromisso com a solução pacífica dos conflitos; no respeito e promoção das igualdade de direitos e oportunidades entre as pessoas; no respeito e fomento à liberdade de expressão, opinião e informação.
Para que isso aconteça, certamente há uma série de atributos das instituições típicas do processo civilizatório, entre elas as escolas, os serviços sociais e, particularmente, aqueles da Saúde.
Na área da saúde, em toda parte e particularmente no Brasil, vêm se tornando cada vez mais frequentes os comportamentos agressivos, seja contra os que ali trabalham e mesmo entre os demandantes de serviços, com formas diversas de violência, representando um problema social a gerar danos e consequências ao exercício do trabalho profissional e à qualidade da atenção. Tais problemas parecem incidir com mais intensidade na área de enfermagem, pela exposição mais direta da mesma ao público externo, sem deixar de afetar as demais áreas profissionais, especialmente o pessoal de portaria e vigilância, por exemplo. Os médicos e outros profissionais de nível superior também são afetados, mas podem estar mais protegidos no recesso de seus consultórios e outros locais de trabalho. Não há como negar, ainda, que a violência nos serviços de saúde pode vir tanto do lado dos profissionais como dos usuários.
Uma parte de tais problemas pode advir não só da falta de diálogo com os usuários, mas também por mantê-los mal-informados sobre os procedimentos em curso, por intervenções equivocadas ou desnecessariamente agressivas, por longas esperas injustificadas, por descaso com o bem-estar das pessoas, pela falta de medicamentos e por muitos outros motivos. Deve ficar claro, todavia, que não se pode excluir de responsabilidades os gestores e tomadores de decisão em geral, não só os servidores na ponta da linha. Aqueles lá, muitas vezes, podem ser os maiores perpetradores da violência com a população pelo descaso com a aplicação das políticas de saúde.
Caberiam às unidades do sistema de saúde promover internamente reflexões relativamente simples sobre tal tema, por exemplo: ocorre cancelamento intempestivo de atividades que deveriam ser rotineiras? Existem avisos com linguagem hostil (“maltratar funcionário público no exercício de suas funções é crime previsto no código penal”)? Da mesma forma, avisos cancelando serviços que deveriam ser ali prestados rotineiramente? A disposição das cadeiras nas salas de espera é tal que coloca as pessoas a olhar umas para a nuca das outras, sem maior possibilidade de interação e muito menos sem a presença de qualquer atividade de acolhida? Há informações claras e acessíveis sobre a oferta de serviços? Há disponibilidade de água potável em condições e quantidade adequadas? Os eventuais perpetradores de violência têm sido responsabilizados e punidos? Os sanitários existentes são dignos e separados por gênero? Exemplos não faltam.
Mas as normas básicas do SUS têm respostas para isso. Se não são respeitadas, é outra questão. Com efeito, existem pelo menos três diretrizes políticas e operacionais de nosso sistema de saúde, todas elas perfeitamente compatíveis e potencializadoras aos princípios de uma Cultura da Paz. São elas as Políticas Nacionais de Promoção da Saúde, de Humanização e de Atenção Primária.
Em relação à Promoção da Saúde, seus fundamentos referem-se a um conjunto de estratégias e formas de produzir saúde, seja no âmbito individual ou coletivo, norteadas pela articulação e cooperação entre atores e setores de tal campo, com participação da sociedade. Suas diretrizes visam equidade, qualidade de vida e redução de vulnerabilidades e riscos à saúde, representando uma estratégia de produção de saúde com especificidades relativas à construção de projetos de vida e terapêuticos, além da organização do trabalho em saúde, com vistas a deslocar a atenção da perspectiva estrita do adoecimento para a saúde e melhores condições de vida. Seu foco é a satisfação das necessidades das pessoas, dependendo não apenas da vontade ou da liberdade individual e comunitária, mas condicionadas ao contexto social, econômico, político e cultural em que elas vivem[MA2] .
A Humanização na Saúde, como explicitada na política tem como propósitos alcançar trabalhadores, gestores e usuários do SUS com princípios e diretrizes relativos à tal tema; fortalecer iniciativas existentes e desenvolver tecnologias relacionadas a tal campo; aprimorar e divulgar estratégias, processos de acompanhamento e avaliação de metodologias de apoio a mudanças respectivas. Na prática, os resultados que a Política Nacional de Humanização busca são: a redução de filas e do tempo de espera, com ampliação do acesso; o atendimento acolhedor e resolutivo baseado em critérios de risco; a busca de modelos de atenção com responsabilização, vínculo, garantia dos direitos dos usuários. Além disso, a valorização do trabalho na saúde e a gestão participativa[MA3] .
A Política Nacional de Atenção Básica (ou primária) em Saúde (PNAB), cujo espírito central é o acolhimento, possui grande potencial de gerar uma cultura promotora da paz. Esta política é traduzida por princípios operativos já perfeitamente materializados na realidade brasileira, cobrindo atualmente cerca de 60% da população do país, através da Estratégia de Saúde da Família. A atenção básica representa um conjunto de ações de saúde individuais, familiares ou coletivas, abrangendo promoção e a proteção da saúde, a prevenção de agravos, o diagnóstico, o tratamento, a reabilitação, a redução de danos e a manutenção da saúde. Seu maior objetivo é desenvolver uma atenção integral que impacte favoravelmente a situação de saúde e a autonomia das pessoas, com intervenções sobre os determinantes e condicionantes sociais de saúde das coletividades.
É possível delinear, sem dúvidas, alguns caminhos práticos. O termo acolhimento, enfatizado na PNAB, sem dúvida representa uma síntese adequada das diretrizes que políticas referidas acima, que se coadunam com a instituição de uma Cultura da Paz nos serviços de saúde, implicando em ações tão diversas como acolher, informar, guiar, monitorar, responsabilizar, trabalhar mediante noções de “valor”. A aplicação de tal conceito na saúde possui pelo menos três dimensões genéricas: (a) como componente de políticas específicas (Humanização e Atenção Básica); (b) disposições organizacionais e ambientais de estruturas e processos; (c) simbólica, envolvendo aspectos afetivos e de responsabilização individual e coletiva.
Nos termos de tais diretrizes do SUS, acolher significa reconhecer o que o outro traz como legítima e singular necessidade de saúde, sendo ação que se dá entre as equipes e serviços de saúde, de um lado e usuários e populações, de outro. É além disso considerado um valor nas práticas de saúde, a ser construído de forma coletiva, partindo do conhecimento dos processos de trabalho e tendo como objetivo construir relações de confiança, compromisso e vínculo entre seus componentes, incluindo aí a rede socioafetiva. Aspecto central de tal ação é a escuta qualificada diante das necessidades do usuário, tendo como consequência a garantia de acesso oportuno dos usuários a tecnologias adequadas às suas necessidades, de forma a ampliar a efetividade das práticas de saúde, implicando em avaliação de vulnerabilidade, gravidade e risco dos mesmos.
Nos serviços de saúde normalmente se costuma pensar no acolhimento na relação com pessoas portadoras de alguma doença ou disfunção, mas deve ser incluído aqui o sofrimento humano como o motivo da procura dos serviços, não importando se há uma doença a ser tratada. Na prática, a expressiva demanda na atenção básica está motivada pelo sofrimento da vida, desemprego, miséria, emoções exaltadas ou mesmo dificuldades enfrentadas objetivamente no cotidiano, tais como falta de condições, recursos, dependência de álcool e drogas de filhos e maridos, violência doméstica ou urbanas, problemas escolares ou mesmo no trabalho etc.
Acolhimento em saúde deve considerar aspectos afetivos ou simbólicos e mesmo filosóficos. Isso envolve diretamente a postura de todos envolvidos na atenção à saúde, não só as equipes de profissionais da saúde, mas também os gestores, formuladores de políticas, funcionários administrativos, pessoal de manutenção e apoio, além dos usuários e seus familiares. Há aqui uma corrente de eventos dentro da qual se promove e se produz saúde, cabendo garantir que todos seus elos sejam robustos, pois a fragilidade de apenas um deles comprometerá toda a corrente. Nada mais essencial, portanto, do que a própria postura acolhedora em qualquer ato de produzir ou promover saúde.
Enfim, a tão almejada Paz na Terra poderia vir através dos serviços de saúde? Certamente não se chega a tanto, mas alguma coisa pode ser feita em seu âmbito, pelo menos para minorar o estado de crispação que muitas vezes se apresenta em suas salas de espera e consultórios. Seria ingenuidade acreditar que existam soluções simples para tais problemas, sem impedimento de que possam ser encaradas como um caminho, entre outros, para alcançar um mínimo de paz e harmonia no âmbito de tais serviços. Não seria demais, também, acreditar e professar uma pedagogia do exemplo, que talvez seja capaz de iluminar uma parte das muitas pessoas que passam por ali ao longo dos dias. Valeria, também, a inserção de tal tema na pauta dos treinamentos em serviço, ao lado de outros tópicos voltados para a ética no atendimento e a valorização simbólica dos usuários e dos trabalhadores.
Como disse Martin Luther King, o que deve nos preocupar não é a estridência dos maus, mas o silêncio e a omissão dos bons. De fato, as pessoas boas, ou pelo menos aquelas conscientes dos desafios e das injustiças perpetradas na sociedade desigual com a qual convivemos, não podem e não devem se calar ou se omitir diante da violência, em qualquer instância social. A situação presente, de conflitos sem fim, seja na Educação, na Saúde, nos serviços sociais de modo geral, reflete diretamente e acima de tudo a miséria da injustiça social dominante em nosso país, que podem ser atenuados com a promoção de uma saúde global, da humanização e do acolhimento a cada indivíduo.
*Flávio de Andrade Goulart é médico, professor de Medicina na UFU e na UNB, secretário de Saúde em Uberlândia e sobrinho do poeta Carlos Drummond de Andrade
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Referências:
• Brasil, Ministério da Saúde (acessar: Por uma cultura da paz, a promoção da saúde e a prevenção da violência.
• Goulart, F.; Camarotti, H.: Acolhimento em Saúde: responsabilidade de quem? – A SAÚDE NO DISTRITO FEDERAL TEM JEITO!
• Organização das Nações Unidas (ONU) – Declaração sobre uma cultura da Paz (acessar: Nações)
• Política Nacional de Atenção Básica (acessar: Atenção Básica – Política Nacional Atenção Básica | PenseSUS)
• Política Nacional de Humanização em Saúde (acessar: HumanizaSUS: Documento base para gestores e trabalhadores do SUS)
• Política Nacional de Promoção da Saúde (acessar: bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/politica_nacional_promocao_saude.pdf)

O BRASIL É NOSSO?

Marília Alves Cunha – Educadora e escritora

Há muito tempo não nos alegramos com noticias boas nesta terra querida. Infelizmente, o que temos visto é um país potencialmente perfeito para dar certo, num esforço hercúleo pra manter-se em pé. Não se tem notícia de nada que esteja dando certo neste país, onde assalta-se o povo com cada vez mais impostos e mais pesados e no qual não se vê nada de aproveitável sendo realizado.

O dinheiro que entregamos forçosamente todos os dias, como “contribuinte”, tem servido à realização de coisas interessantes, como por exemplo, satisfazer aos luxos de dona Janja que volta a insistir no novo avião presidencial (um motel entre as nuvens, como a ele se referiu um jornalista). Em gastos desnecessários, na manutenção de estatais dando prejuízo, instituições que não poupam o jogar dinheiro fora, com mordomias e regalias inacreditáveis, num país que não cuida minimamente de seu povo. Aviões da FAB cortam os ares levando políticos, ministros e o scambal para passeios com as famílias e outras coisas mais, nada republicanas. Parece que Brasília vai bem, o Brasil não! Mais Brasil, menos Brasília, reclamam os que assistem este despudor.

Os gastos em publicidade têm sido absurdos. Cortam em educação, cortam na saúde, cortam em obras que poderiam dar a todos nós mais qualidade de vida. Mas Lula joga bilhões em propaganda enganosa, no intuito de levar às pessoas a imagem de um um país que só existe na cabeça de alguns que ainda insistem, não obstante as circunstâncias mostrando o contrário, que o país vai bem, obrigado!

E a corrupção? Como anda a nossa velha e conhecida corrupção? Aparece com redundância em governos petistas, surgem escandalosamente no governo atual o que, a meu gosto, já seria uma comprovação de que o partido não tem condições mínimas de administrar um país, de mantê-lo livre dos mal intencionados. Muito pelo contrário, aposta neles.

Que saudades doo Mensalão! Tão simples, né? Apenas uma distribuição mensal de dinheiro, a impostores travestidos de parlamentares. Tudo foi mostrado, a TV abria sua tela, os dignos membros do STF descortinavam os meandros dos crimes praticados e pronto, cadeia para muitos. Aí vem o Petrolão! Trabalho magnífico de juiz e procuradores que não deixaram pedra sobre pedra. Tudo revelado aos brasileiros que assistiam entusiasmados a Operação Lava Jato, momento de glória para a justiça brasileira. Tudo correto: investigação e denúncia, feitas pelas autoridades de direito, com o processo sendo conduzido pelo Juiz natural, de delações bem conduzidas, feitas aos olhos do público, provas e mais provas. Muito bom assistir à seriedade e severidade da justiça que se apresentava e culminou com a prisão do chefe das ações criminosas. Durou pouco a alegria! Os usurpadores da nação voltaram à cena do crime…

Hoje, o que acontece? A corrupção voltou com força total. Os métodos são mais sofisticados, o “modus operandi” é outro, muita gente importante envolvida. O caso do INSS, por exemplo, é difícil de acreditar porque envolve tanta gente, tantas empresas criadas, tanta lavagem de dinheiro, tantos bandidos e um total bilionário na conta de muitas pessoas, ladrões de velhinhos aposentados e deficientes do INSS e até criança. A CPMI criada para desvendar os escaninhos deste golpe monumental, tem tido dificuldades. A extrema esquerda e o Supremo, parece, têm feito o possível para dificultar os trabalhos. Torna-se mais difícil chegar a um bom resultado e que, no fim, como todos os brasileiros desejam, os criminosos sejam penalizados duramente.

E o caso do Banco Master? Mostra claramente a nossa evolução em matéria de corrupção. Uma coisa grandiosa, com a regência de Vorcaro e participação de gente muito importante da nossa política, do judiciário e do executivo. Está tudo em sigilo, o STF decidiu que algumas coisas, ou tudo, não podem aparecer aos olhos do grande público. Sustentamos este país com nosso trabalho, mas nos é proibido, em momentos cruciais, saber os meandros das ações criminosas que afundam este país, o desacreditam e põem em check nossas instituições. Tudo está em sigilo! Qual é a explicação para isto?

A CF prevê no seu Capítulo VII, art. 37: “A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência.”
O caso do Banco Master fica, portanto, longe da publicidade e outros princípios tão claramente explicitados na nossa CF. Uma coisa podemos constatar: a nossa Constituição Federal, promulgada em 05 de outubro de 1988,comemorada em meio a grandes festejos, está sendo desvirtuada ou, simplesmente afrontada. E nós brasileiros, como ficamos? Este país ainda é nosso?

Oh, Minas Gerais !

Eu e meu pai Fernando, por diversas vezes, já havíamos alcançado aquele nosso destino de uma maneira muito mais rápida e convencional. Para tal bastava que ele apontasse o pára-choque dianteiro do seu carro em direção ao norte, avançássemos pela antiga BR-040 a partir de Belo Horizonte e seguíssemos por asfalto até à nossa fazenda em Gouveia, agradabilíssima cidade situada no portal sul do Vale do Jequitinhonha e cuja viagem, naquela época , consumia aproximadamente quatro horas enquanto passando por Pedro Leopoldo, Prudente de Morais, Sete Lagoas, Paraopeba, Inimutaba, Paraúna e Curvelo. Naquele mês de julho do ano de 1.969, o meu pai comemorava a realização de um desejo pessoalíssimo: ter uma Rural Willis na garagem; não uma Rural Willis qualquer mas “ A Rural”; aquela que havia sido redesenhada e montada para servir a USIS-United States Informations Services e que, após breve tempo de serviço em um consulado norte americano, meu pai arrematou em concorrido leilão na capital mineira. Contudo, numa manhã ensolarada de julho, ao sairmos de Belo Horizonte em direção a Gouveia, ele não tomou o costumeiro rumo norte e da maneira que comumente fazia; partiu na direção nordeste e eu, com os meus doze anos de idade, logo percebi que o espírito aventureiro daquele meu “velho” – nortista de Turmalina(MG) e filho de Noemi e José Justino – estava atinado, fazia-se novamente presente e de maneira surpreendente. Após quase uma hora de viagem chegamos a Vespasiano; de lá rumamos para Lagoa Santa e aproximadamente duas horas depois já começávamos a desfrutar da surpreendente Serra do Cipó, deleitando-nos com paisagens absolutamente fantásticas que surgiam à nossa frente. Naquela sua Rural Willis e sempre trafegando por estrada de terra (MG10) – previamente pesquisada de modo a garantir um pouco mais de tranqüilidade e segurança naquele nosso insólito roteiro- chegamos a Conceição do Mato Dentro e depois – sem pressa alguma, ao Serro, Lapinha, Trinta Réis, Milho Verde, Cachimbo, Datas e finalmente Gouveia, não sem antes pararmos em um muito modesto restaurante – bem próximo a uma grande jazida de mármore ainda na Serra do Cipó- e onde saboreamos uma deliciosa e típica refeição mineira. Uma viagem deslumbrante em todos os sentidos e que oferecia-me, além de tudo, a oportunidade de conversar e rir com o meu pai durante horas seguidas, o que era quase impossível de ocorrer em situações comuns e cotidianas em nossa casa, na capital mineira, tendo em vista os seus compromissos diários de jornalista, professor, radialista e chefe do serviço de relações públicas do (antigo) IAPI (hoje INSS). Morros e planalto salpicados de Sempre Vivas, Ipês e Quaresmeiras em meio a rochas dos mais variados tamanhos e formas, tornavam ainda mais deslumbrante aquela nossa epopéia pela Serra do Cipó. Àquela época já contava-se histórias sobre um tal “Juquinha”, homem que vagava pelos campos daquela serra, colhendo flores e raízes para oferecê-las aos turistas, vende-las ou trocá-las por comida; enfim, um famoso personagem da cultura regional e que anos depois da nossa passagem por aquela serra, foi homenageado com uma estátua de três metros de altura e esculpida pelas mãos da artista plástica Virginia Ferreira. Foi uma das primeiras vezes em minha vida que senti uma estranha e gostosa sensação de liberdade e enquanto iniciando a minha incursão na fase adolescente, pois longe da população, da poluição e do burburinho da grande capital mineira, eu provava da verdadeira essência da típica e surpreendente natureza mineira. Depois daquela indescritível viagem pelo Jardim do Brasil, título dado àquela serra por um paisagista de nome Burle Marx, tomei ainda mais gosto pelo ambiente rural; passei a escolher – a dedo – alguns dos mais viáveis, práticos e econômicos roteiros para conhecer a “minha” Minas Gerais; caminhei sobre a crista da Serra da Moeda na altura da Lagoa dos Ingleses em Nova Lima, escalei o Pico do Itacolomi em Ouro Preto, visitei comunidades quilombolas no norte do estado e onde pude presenciar simples e espontâneas manifestações do folclore local, subi e desci ladeiras de algumas tradicionais cidades históricas de Minas Gerais, além de adentrar três das nossas mais deslumbrantes grutas: Maquiné, Lapinha e Rei do Mato. E o que falar do Museu do Diamante em Diamantina e dos museus do Conto e da Inconfidência em Ouro Preto, além das seculares igrejas de cidades diversas? Fantásticos! E para fechar com chave de ouro esse périplo pela nossa linda, rica e sempre surpreendente Minas Gerais, ainda adolescente segui em direção a Itamarandiba, Capelinha e Minas Novas por estradas de terra e também na companhia do meu pai, que fazia aquela viagem a serviço do Funrural em um fusquinha preto, chapa branca e dirigido pelo motorista (Saulo). Região, aquela, onde pude comprovar a extrema simplicidade da sua gente e também o aperreio pelo qual passava a maior parte do seu povo, já sofrido em função da seca e de uma quase total falta de atenção política, salvo algumas intervenções de um famoso filho daquela região: o então senador biônico Murilo Badaró. Oh, Minas Gerais de tantos morros, rios, regatos, prados, cascatas, campinas, riachos, represas e cachoeiras! Hoje a quase totalidade daqueles trechos que percorri, no final da década de sessenta, está asfaltada e o que, de certa forma, tornou menos bucólicos os encantos daqueles trechos no coração de Minas e pelos caminhos do Vale do Jequitinhonha, de exuberante beleza natural e riqueza cultural, com nítidos traços das culturas negra, indígena e portuguesa. Caminhar por Minas, colocar os pés em trilhas riquíssimas de histórias, emolduradas por extraordinárias paisagens e povoada por gente humilde e culturalmente diferenciada é, sem dúvida alguma, uma das melhores opções para quem deseja aventurar-se de maneira absolutamente sadia, ecinômica e muito segura pelas nossas seculares tradições. Submergir na cultura de Minas, prosear com a sua gente e degustar das suas iguarias é, enfim, uma “aventura sem iguar”. Recentemente refiz aquele mesmo roteiro e desta feita na companhia das minhas esposa e filha, pagando-lhes uma antiga promessa de percorrerem comigo aquela deslumbrante região mineira e onde à noite, duendes, fadas e gnomos – na companhia do Juquinha, devem reinar felizes e solitários por entre rochas, cachoeiras canyons e Sempre-Vivas.

Gustavo Hoffay
Agente Social
Uberlândia-MG

Ser ou não ser

Diógenes Pereira da Silva

Nossos agentes da segurança pública estão adoecendo mentalmente.

Muitos afirmam que permanecer na Polícia Militar ou Civil é uma escolha individual. De fato, ninguém é obrigado a vestir uma farda. No entanto, essa leitura ignora fatores estruturais que tornam o exercício da função cada vez mais adoecedor.

A pressão diária, a exposição constante à violência, as jornadas exaustivas, as más condições de trabalho e o dogma institucional de que o policial deve ser sempre forte e invulnerável contribuem diretamente para o adoecimento psíquico desses profissionais. Isso não é opinião. É realidade.

A célebre frase “Ser ou não ser, eis a questão”, de William Shakespeare, dita pelo príncipe Hamlet ao refletir sobre a vida, a dor e o suicídio, ganha hoje um significado cruelmente atual quando aplicada à segurança pública brasileira.

Os números confirmam essa tragédia silenciosa. Em 2023, o Brasil registrou 118 suicídios de policiais. No mesmo ano, pela primeira vez na história, o número de policiais militares que tiraram a própria vida superou o de mortos em confrontos. Em 2024, dados preliminares indicam que o suicídio continuou sendo a principal causa de morte entre policiais civis e militares.

As taxas de suicídio entre profissionais da segurança pública são muito superiores às da população em geral. O silêncio institucional, o estigma em torno da saúde mental e a ausência de políticas públicas eficazes criam um ambiente que adoece, isola e mata.

Falar sobre isso não enfraquece a polícia. Ao contrário, fortalece a instituição ao reconhecer que, por trás da farda, existe um ser humano, com limites, medo e sofrimento.

Cuidar da saúde mental de quem protege a sociedade não é favor. É dever constitucional do Estado e responsabilidade direta dos gestores públicos. Ignorar esse adoecimento é uma escolha política. E escolhas políticas também matam.

Diógenes Pereira da Silva
Tenente da Reserva da Polícia Militar de Minas Gerais

TUDO PELO LIKE, NADA PELO VOTO

lEANDRO GROPPO – Strattegy Comunicação Política

Vivemos a onda das campanhas produtoras de conteúdo. Para esse tipo de comunicação, vale tudo para o político aparecer, inclusive deixar de fazer política. Não importa projeto, não precisa de mensagem, muito menos discurso. Dancinha, bastidores, inteligência que transforma o candidato em artificial, tudo cabe se der engajamento, mesmo que negativo.

No contexto em que as métricas são colocadas acima das ideias e o fetiche das ferramentas subordinam a política ao cálculo algorítmico, a meta deixa de ser a construção de confiança e a comunicação passa a ser trivial. Nela, tem vídeo pra tudo, menos para responder à principal questão do eleitor: Por que votar nesse candidato?

O político, iludido, deixar-se levar. Acha que está moderno, que o número de visualização é o mesmo que eleitores e que as curtidas significam votos. Na prática, se torna mero figurante em sua própria campanha. O protagonista passa a ser o algoritmo e quem o defende a qualquer custo: aquele que prometeu transformar tudo em “hype”.

A campanha eleitoral deixa de ser comunicação política e se transforma em produção de conteúdo, pura e simples. Onde seguidor e engajamento são apresentados como se fossem o objetivo final do candidato, agora transformado em influencer. Acontece que é enorme a distância entre gostar de um vídeo e apertar o botão na urna. Mas isso não é mostrado nas belas apresentações de Power Point.

Sim, as redes sociais transformaram a sociedade e, consequentemente, a política. Usá-las, portanto, não é problema. Pelo contrário. O X da questão é a inversão da lógica, ao serem utilizadas como ponto principal e não como ferramenta. Quando a forma devora o conteúdo, o que se tem não é marketing. E enquanto o candidato tiktoker se preocupa com a próxima postagem, na maioria das vezes usando o velho atalho da polêmica, seu adversário faz política, construindo causas e ativando comunidades, não audiências.

O vale tudo pelo like não leva em consideração posicionamento, imagem, muito menos os marcos significativos da disputa, afinal, não viralizam. E quando o resultado aparece, todas as desculpas e culpados são evocados para a falta de votos: da inquebrável polarização até o eleitor que não soube entender o recado do político, um meme ambulante. E enquanto este se ressente pela derrota, o produtor de conteúdo já levou o lucro de mais um “job” usado como laboratório de explosão nas redes e fiasco nas urnas.

A solução? Fazer o que os outros não tem feito: colocar a comunicação a serviço da política e comunicar o simples de forma autêntica, com vínculo e emoção que só são gerados quando há credibilidade. Campanha competitiva é trabalho árduo de pesquisa, planejamento e estratégia. Todo o resto é espuma para vender solução mágica. Cara no início e mais ainda no final.

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