Para inglês ver

Paulo Henrique Coimbra de Oliveira – Economista- RJ

O fim dos penduricalhos decidido pelo STF , a bem da verdade , apenas reduziu minimamente tais escândalos. Ao admitir que tais imoralidades sejam fixadas em 70 % da remuneração padrão oficializa o saque aos cofres públicos. R$ 46000,00 já é uma excelente remuneração e compatível com a realidade brasileira. Discordo que tenham acabado com os excessos. Tudo que ultrapasse o teto é imoral , ilegal e inconstitucional. Para mim a decisão deixou a desejar. Não podia esperar nada melhor pois o time atual do STF é considerado na mídia tradicional e na internet como o pior de todos os tempos. Nada está tão ruim que não possa piorar. É o lema vigente no país.

A saúde e o “pobre de direita”

*Flávio de Andrade Goulart é médico, professor de Medicina na UFU e na UNB, secretário de Saúde em Uberlândia e sobrinho do poeta Carlos Drummond de Andrade-

O conservadorismo no Brasil, apesar de um pequeno recuo em 2025, puxado por mulheres, idosos e gente baixa renda, continua mostrando forte presença. É o que revela um levantamento da Ipsos-Ipec divulgado na última segunda-feira, 28 de julho, mostrando índices mais baixos de uma série histórica construída desde 2021. Foram ouvidos dois mil entrevistados em 131 municípios entre os dias 3 e 8 de julho, com margem de erro é de dois pontos percentuais. Contudo, apesar de tal decréscimo, metade da população ainda tem perfil considerado de alto conservadorismo, com apenas 8% das pessoas mostrando um perfil mais, digamos, progressista. As pautas são as tradicionais: defesa de prisão perpétua e outros tipos de apoio a pautas de segurança; rejeição do casamento homoafetivo; redução da maioridade penal; apoio à pena de morte; leniência em relação a à posse de armas de fogo. A legalização do aborto, por exemplo, segue com ampla rejeição: 75% dos brasileiros se dizem contra, enquanto apenas 16% apoiam a medida. Alguns segmentos sociais específicos se mostraram mais expressivos em tal redução do índice geral de conservadorismo, embora de forma discreta, foram eles: as mulheres, em geral; as pessoas com mais de 60 anos, curiosamente; as pessoas com ensino fundamental e com renda familiar até 01 salário mínimo; os moradores das regiões N e CO. Por outro lado, certos grupos ficaram ainda mais conservadores, como foi o caso de homens; moradores de capitais; renda acima de 05 salários mínimos; pessoas com curso superior. A pesquisa não entra em detalhes sobre a questão de como essas pessoas percebem e reagem frente aos problemas de saúde, de si mesmas ou da população, mas analisando a questão à luz da proverbial constatação do surgimento no Brasil da estranha figura do pobre de direita, seria possível estimar algumas possíveis consequências deste renitente conservadorismo do modo de ser brasileiro.
1. A desconfiança no SUS e em toda ação pública e estatal no campo da saúde seria grande, em que pesem as evidências contrárias.
2. A preferência por especialistas e atendimento direto em hospitais dominaria o cenário, sendo opções como a estratégia de saúde da família consideradas como um típico recurso “pobre e para pobres”.
3. A filiação a um plano de saúde seria um sonho de consumo, seja de sindicalistas ou da população em geral, sendo isso de preferência pago integralmente pelo governo ou pelos patrões.
4. Os servidores públicos do próprio setor da saúde dariam preferência, diante de necessidades próprias ou de familiares, a recorrer aos hospitais privados e planos de saúde.
5. As listas de medicamentos ora oferecidos no sistema público deveriam ser ampliadas, de forma a contemplar tudo o que as drogarias oferecem pelo país a fora, independente da aprovação formal da Anvisa.
6. Deveriam ser oferecidas mais vagas nas faculdades de medicina, para que cada vez mais jovens pudessem realizar “o sonho de ajudar ao próximo”.
7. As vacinas deveriam ser oferecidas apenas a quem acredite nelas ou as solicite especifica e formalmente, não devendo fazer parte de nenhuma obrigatoriedade, por exemplo, para filiação a programas sociais ou admissão na rede escolar.
Para inferir tais coisas, admito, não precisei fazer nenhuma pesquisa. Apenas me baseei em coisas que ouço na fila do supermercado, nas declarações de certos políticos, nos debates legislativos, em alguns artigos da imprensa, além de eventual contágio, digo contato, com as chamadas redes sociais. Sim, porque é preciso deixar claro que a pobreza direitista de que falo aqui não é, necessariamente, de natureza material, mas muitas vezes é apenas de espírito. Alguns desses “pobres” consomem uísque de 20 anos e passam suas férias, com as famílias, em Miami. Simples assim.
Isso é apenas um exercício de livre pensamento, ok? Mas nada impede que a realidade seja ainda pior…

Ranhuras na democracia

“É tão arriscado acreditar em tudo como não acreditar em nada.”
(Denis Diderot – filósofo francês)

Maríla Alves Cunha – Educadora e escritora

Imprensa livre é um sinal importante de democracia, mesmo não constituindo todo seu arcabouço. No entanto, quando a mesma começa a perder espaço, a ser amordaçada, a sofrer ameaças, a ser considerada culpada por todos aqueles que têm insistentemente agredido a nação brasileira com inumeráveis crimes e contado com a impunidade para manter-se no poder, a coisa começa a ficar preocupante. A imprensa é uma importante via de informação, mesmo tendo seu lado obscuro e “marronzista”, como dizia o notável Odorico Paraguassú. Aliás, mais que uma caricatura, o Odorico é um retrato da nossa classe política, que se lixa para a opinião pública, se lixa para um projeto sério de desenvolvimento para o país, se lixa para a dignidade do seu cargo.
O homem público, mais que qualquer outro, tem de ser honesto. A sua desonestidade gera um preço para a sociedade, não apenas no aspecto monetário, um preço muito mais alto. Este preço recai como uma bomba na cabeça do povo brasileiro. Recai sobre a sua capacidade de acreditar, de confiar, de trabalhar com ânimo, de sentir-se livre e protegido dentro de seu país, no meio de sua comunidade. Recai sobre a sua capacidade de confiar no futuro e de ter esperança em uma vida melhor para seus filhos.
Os políticos receberam dos eleitores o direito de ocupar um cargo importante e necessário à vida nacional, receberam a confiança neles depositada. Têm traído esta confiança, embevecendo-se com o poder, julgando-se capazes de burlar a tudo e a todos, tentando manter-se sempre acima do bem e do mal. Chega de políticos corruptos e oportunistas. O Brasil não agüenta mais esta praga daninha…
Que a imprensa seja fortalecida, torne-se melhor a cada dia e continue livre para o bem de todos nós. Que não se acovarde nesta tarefa de tirar a máscara de muitos que se escondem no segredo e no silêncio para continuar usurpando do povo brasileiro o seu direito a uma vida feliz e digna.

 

DEMOCRACIA ?

Gustvo – Agente Social

A nossa democracia seria muito pouco democrática (ou mal democrática) se renunciássemos a defender o direito pela força quando necessário fosse e a liberdade pela coerção. O que deve determinar a tolerância de parte do povo brasileiro no momento presente, penso, não é uma mera e bisonha aceitação da qual damos uma clara mostra, mas o desejo efetivo de demonstrarmos o nosso patriotismo e o amor pela nossa história. Numa república forte manifestações contra um governo intolerável não basta para ameaça-lo de queda; portanto não vejo motivos de tanto escarcéu para tentar intimida-las. Mas se as nossas instituições governamentais estão desmoralizadas e frágeis e, ainda, considerável parcela do povo está aliada com grupos facciosos e usa de ameaças para perpetuar-se no poder, seria falta de firmeza ou de prudência ignorar esse fato, “virar a cara” para algo que pode colocar em risco o que foi-nos custoso (re)conquistar. Cabe, sim, lutarmos pelo nosso direito de impedir o avanço de ameaças internas e externas à nossa Constituição, porque pode muito bem acontecer que os antagonistas da democracia se recusem a qualquer discussão lógica e aí respondam a argumentos racionais por meio sinistros e democraticamente inaceitáveis. Penso, então, fazer-se necessário considerar que “eles” estão se colocando fora da lei e que a incitação de alguns deles a uma intolerância popular seja criminosa. Ora! Democracia não é concordar com injustiças e tolerância não pode ser comparada com passividade. Diante do descalabro de algumas decisões do Superior Tribunal Federal e do apoio a esse por parte de não poucos parlamentares vejo, sim, a democracia comprometida, um perigo real originado de uma ideologia política capenga e já em seus últimos estertores, como claro sinal de luta pela sua desprezível sobrevivência. Está claro que o Brasil encontra-se temporariamente sob o poder de uma doutrina que já está na UTI, porque submisso a um governo déspota e cujos alguns dos seus membros já são incapazes, até, de tolerar tanta desfaçatez dele originada. Francamente, a realidade está aí e exposta por uma desvergonhada política federal e claramente intolerante a críticas racionais, como aquelas emitidas por governos cujos países participam de uma desorganizada e relaxada Cop 30 em Belém-PA. É lamentável ao extremo ver, ouvir, sentir e assistir a nossa pátria ser continuamente ferida em seu íntimo devido a um doutrinamento político que engana, ilude e mente, quanto mais tendo por ministras duas figuras que sobressaem-se unicamente pelas suas originais características e não pela sua própria capacidade técnica/administrativa e política para dirigirem suas respectivas pastas. Está claro que o nosso Brasil está sob o poder de uma doutrina politica que não vingou porque submisso a um governo déspota e cujos alguns dos seus ministros já são incapazes, até, de ter um mínimo de tolerância entre si mesmos. A verdade, penso, é essa e exposta por uma administração federal intolerante com um regime democrático. É lamentável, ao extremo, sentir e assistir a nossa gloriosa e rica pátria ser continuamente ferida por um doutrinamento politico que ilude e mente, como tantas vezes já demonstrado. Mas faz-se extremamente urgente enfrentarmos o fanatismo e o dogmatismo de agentes empoderados e que vem acentuando-se de maneira afrontosa nos Três Poderes. Então, se deixarmos de amar a democracia seria dar um lindo e maravilhoso presente àqueles que vêm comendo a mesma pelas beiradas. E, finalizando, dias desses ouvi um amigo dizendo que o “sujeito ideal totalitário não é o nazista ou o comunista, mas o homem para quem a distinção entre o fato e a ficção ou entre o verdadeiro e o falso não mais existe, mas apenas o seu fanatismo irracional, mortífero e odiável sob todos os aspectos, enquanto apoiado por uma massa de ignorantes políticos”.

Não e sim

Paulo Henrique Coimbra de Oliveira

O voto do “supremo” Gilmar para manter Vorcaro preso parece a letra do samba do crioulo doido.Queria libertá-lo com divagações mas Vorcaro já seguiria preso. Parece uma feijoada mal digerida. Comeu às pressas sem mastigar e quando todo mundo pensa que vai ter uma diarréia é constipação. Esse voto com certeza vai para os anais da casa como uma anedota.Como bem disseram Joaquim Barbosa e Luiz Barroso ele sozinho leva a imagem do supremo para o esgoto.

Brasil: quando os escândalos deixam de surpreender

Diógenes Pereira da Silva – Tenente do Quadro de Oficiais da Reserva Remunerada da PMMG

Os crimes são os mesmos; o que muda são as formas inovadoras que vêm sendo aperfeiçoadas.

É lamentável que o Brasil se veja novamente envolvido em escândalos de corrupção. Pior ainda será se realmente houver pessoas do alto escalão da chamada república tupiniquim envolvidas nesse tipo de prática.

A verdade é que o que acontece no Brasil já não surpreende quem procura se manter bem informado. São tantos casos que, se fôssemos enumerá-los desde os primeiros registros, passaríamos um mês inteiro, todos os dias, relatando um episódio diferente ao longo da história brasileira, e talvez ainda não fosse suficiente.

Agora, as atenções se voltam para o chamado caso Master e para o INSS. Ainda é cedo para apontar quem, de fato e de direito, está envolvido. No entanto, há quem diga que as dimensões desse episódio podem ultrapassar casos emblemáticos como os da Lava Jato e do Mensalão, envolvendo possivelmente políticos e autoridades graúdas.

Neste contexto, algumas perguntas se tornam inevitáveis: por qual motivo os escândalos de corrupção são tão comuns no Brasil? Será que as punições da Justiça não têm surtido o efeito esperado? Ou será que o problema já se enraizou de tal forma que passou a fazer parte da própria cultura política?

Sabe-se que a corrupção existe desde os tempos mais remotos da humanidade. Ainda assim, fica a reflexão: por qual motivo, no Brasil, ela parece ter se tornado algo tão recorrente e, para muitos, quase sistêmico?