Podem os serviços de saúde contribuir para a paz em suas comunidades?

Dr. Flávio de Andrade Goulart*

Que a violência está hoje entre as grandes preocupações da sociedade é fato de conhecimento geral, como se comprova, por exemplo, com os conflitos atuais em vários países; perseguições a minorias; atentados terroristas de fundo político, étnico, de gênero e até mesmo religioso; agressões a professores e profissionais de saúde e violência policial e de gangues armadas; fome e miséria em muitas partes do globo, derivadas de guerras e conflitos internacionais e tribais, além da escalada de projetos políticos, tendendo a negar conquistas sociais civilizatórias relevantes. O sistema de saúde mão escapa de tais problemas e ainda lhes acrescenta outros, como se denota não só pela piora geral de indicadores, a ameaça de pandemias, a oferta precária de serviços, além de carências de toda ordem, levando ao acirramento de tensões entre a população de usuários, equipes dos serviços e tomadores de decisão.
Uma boa definição para o problema é aquela da Unesco, órgão da ONU para a Educação, Ciência e a Cultura, que propõe uma Cultura de Paz, ancorada em valores, atitudes, tradições, comportamentos e estilos de vida baseados, entre outros fundamentos, no respeito à vida, na promoção e prática da não-violência por meio da educação, do diálogo e da cooperação; no respeito pleno e na promoção de direitos humanos e liberdades fundamentais; no compromisso com a solução pacífica dos conflitos; no respeito e promoção das igualdade de direitos e oportunidades entre as pessoas; no respeito e fomento à liberdade de expressão, opinião e informação.
Para que isso aconteça, certamente há uma série de atributos das instituições típicas do processo civilizatório, entre elas as escolas, os serviços sociais e, particularmente, aqueles da Saúde.
Na área da saúde, em toda parte e particularmente no Brasil, vêm se tornando cada vez mais frequentes os comportamentos agressivos, seja contra os que ali trabalham e mesmo entre os demandantes de serviços, com formas diversas de violência, representando um problema social a gerar danos e consequências ao exercício do trabalho profissional e à qualidade da atenção. Tais problemas parecem incidir com mais intensidade na área de enfermagem, pela exposição mais direta da mesma ao público externo, sem deixar de afetar as demais áreas profissionais, especialmente o pessoal de portaria e vigilância, por exemplo. Os médicos e outros profissionais de nível superior também são afetados, mas podem estar mais protegidos no recesso de seus consultórios e outros locais de trabalho. Não há como negar, ainda, que a violência nos serviços de saúde pode vir tanto do lado dos profissionais como dos usuários.
Uma parte de tais problemas pode advir não só da falta de diálogo com os usuários, mas também por mantê-los mal-informados sobre os procedimentos em curso, por intervenções equivocadas ou desnecessariamente agressivas, por longas esperas injustificadas, por descaso com o bem-estar das pessoas, pela falta de medicamentos e por muitos outros motivos. Deve ficar claro, todavia, que não se pode excluir de responsabilidades os gestores e tomadores de decisão em geral, não só os servidores na ponta da linha. Aqueles lá, muitas vezes, podem ser os maiores perpetradores da violência com a população pelo descaso com a aplicação das políticas de saúde.
Caberiam às unidades do sistema de saúde promover internamente reflexões relativamente simples sobre tal tema, por exemplo: ocorre cancelamento intempestivo de atividades que deveriam ser rotineiras? Existem avisos com linguagem hostil (“maltratar funcionário público no exercício de suas funções é crime previsto no código penal”)? Da mesma forma, avisos cancelando serviços que deveriam ser ali prestados rotineiramente? A disposição das cadeiras nas salas de espera é tal que coloca as pessoas a olhar umas para a nuca das outras, sem maior possibilidade de interação e muito menos sem a presença de qualquer atividade de acolhida? Há informações claras e acessíveis sobre a oferta de serviços? Há disponibilidade de água potável em condições e quantidade adequadas? Os eventuais perpetradores de violência têm sido responsabilizados e punidos? Os sanitários existentes são dignos e separados por gênero? Exemplos não faltam.
Mas as normas básicas do SUS têm respostas para isso. Se não são respeitadas, é outra questão. Com efeito, existem pelo menos três diretrizes políticas e operacionais de nosso sistema de saúde, todas elas perfeitamente compatíveis e potencializadoras aos princípios de uma Cultura da Paz. São elas as Políticas Nacionais de Promoção da Saúde, de Humanização e de Atenção Primária.
Em relação à Promoção da Saúde, seus fundamentos referem-se a um conjunto de estratégias e formas de produzir saúde, seja no âmbito individual ou coletivo, norteadas pela articulação e cooperação entre atores e setores de tal campo, com participação da sociedade. Suas diretrizes visam equidade, qualidade de vida e redução de vulnerabilidades e riscos à saúde, representando uma estratégia de produção de saúde com especificidades relativas à construção de projetos de vida e terapêuticos, além da organização do trabalho em saúde, com vistas a deslocar a atenção da perspectiva estrita do adoecimento para a saúde e melhores condições de vida. Seu foco é a satisfação das necessidades das pessoas, dependendo não apenas da vontade ou da liberdade individual e comunitária, mas condicionadas ao contexto social, econômico, político e cultural em que elas vivem[MA2] .
A Humanização na Saúde, como explicitada na política tem como propósitos alcançar trabalhadores, gestores e usuários do SUS com princípios e diretrizes relativos à tal tema; fortalecer iniciativas existentes e desenvolver tecnologias relacionadas a tal campo; aprimorar e divulgar estratégias, processos de acompanhamento e avaliação de metodologias de apoio a mudanças respectivas. Na prática, os resultados que a Política Nacional de Humanização busca são: a redução de filas e do tempo de espera, com ampliação do acesso; o atendimento acolhedor e resolutivo baseado em critérios de risco; a busca de modelos de atenção com responsabilização, vínculo, garantia dos direitos dos usuários. Além disso, a valorização do trabalho na saúde e a gestão participativa[MA3] .
A Política Nacional de Atenção Básica (ou primária) em Saúde (PNAB), cujo espírito central é o acolhimento, possui grande potencial de gerar uma cultura promotora da paz. Esta política é traduzida por princípios operativos já perfeitamente materializados na realidade brasileira, cobrindo atualmente cerca de 60% da população do país, através da Estratégia de Saúde da Família. A atenção básica representa um conjunto de ações de saúde individuais, familiares ou coletivas, abrangendo promoção e a proteção da saúde, a prevenção de agravos, o diagnóstico, o tratamento, a reabilitação, a redução de danos e a manutenção da saúde. Seu maior objetivo é desenvolver uma atenção integral que impacte favoravelmente a situação de saúde e a autonomia das pessoas, com intervenções sobre os determinantes e condicionantes sociais de saúde das coletividades.
É possível delinear, sem dúvidas, alguns caminhos práticos. O termo acolhimento, enfatizado na PNAB, sem dúvida representa uma síntese adequada das diretrizes que políticas referidas acima, que se coadunam com a instituição de uma Cultura da Paz nos serviços de saúde, implicando em ações tão diversas como acolher, informar, guiar, monitorar, responsabilizar, trabalhar mediante noções de “valor”. A aplicação de tal conceito na saúde possui pelo menos três dimensões genéricas: (a) como componente de políticas específicas (Humanização e Atenção Básica); (b) disposições organizacionais e ambientais de estruturas e processos; (c) simbólica, envolvendo aspectos afetivos e de responsabilização individual e coletiva.
Nos termos de tais diretrizes do SUS, acolher significa reconhecer o que o outro traz como legítima e singular necessidade de saúde, sendo ação que se dá entre as equipes e serviços de saúde, de um lado e usuários e populações, de outro. É além disso considerado um valor nas práticas de saúde, a ser construído de forma coletiva, partindo do conhecimento dos processos de trabalho e tendo como objetivo construir relações de confiança, compromisso e vínculo entre seus componentes, incluindo aí a rede socioafetiva. Aspecto central de tal ação é a escuta qualificada diante das necessidades do usuário, tendo como consequência a garantia de acesso oportuno dos usuários a tecnologias adequadas às suas necessidades, de forma a ampliar a efetividade das práticas de saúde, implicando em avaliação de vulnerabilidade, gravidade e risco dos mesmos.
Nos serviços de saúde normalmente se costuma pensar no acolhimento na relação com pessoas portadoras de alguma doença ou disfunção, mas deve ser incluído aqui o sofrimento humano como o motivo da procura dos serviços, não importando se há uma doença a ser tratada. Na prática, a expressiva demanda na atenção básica está motivada pelo sofrimento da vida, desemprego, miséria, emoções exaltadas ou mesmo dificuldades enfrentadas objetivamente no cotidiano, tais como falta de condições, recursos, dependência de álcool e drogas de filhos e maridos, violência doméstica ou urbanas, problemas escolares ou mesmo no trabalho etc.
Acolhimento em saúde deve considerar aspectos afetivos ou simbólicos e mesmo filosóficos. Isso envolve diretamente a postura de todos envolvidos na atenção à saúde, não só as equipes de profissionais da saúde, mas também os gestores, formuladores de políticas, funcionários administrativos, pessoal de manutenção e apoio, além dos usuários e seus familiares. Há aqui uma corrente de eventos dentro da qual se promove e se produz saúde, cabendo garantir que todos seus elos sejam robustos, pois a fragilidade de apenas um deles comprometerá toda a corrente. Nada mais essencial, portanto, do que a própria postura acolhedora em qualquer ato de produzir ou promover saúde.
Enfim, a tão almejada Paz na Terra poderia vir através dos serviços de saúde? Certamente não se chega a tanto, mas alguma coisa pode ser feita em seu âmbito, pelo menos para minorar o estado de crispação que muitas vezes se apresenta em suas salas de espera e consultórios. Seria ingenuidade acreditar que existam soluções simples para tais problemas, sem impedimento de que possam ser encaradas como um caminho, entre outros, para alcançar um mínimo de paz e harmonia no âmbito de tais serviços. Não seria demais, também, acreditar e professar uma pedagogia do exemplo, que talvez seja capaz de iluminar uma parte das muitas pessoas que passam por ali ao longo dos dias. Valeria, também, a inserção de tal tema na pauta dos treinamentos em serviço, ao lado de outros tópicos voltados para a ética no atendimento e a valorização simbólica dos usuários e dos trabalhadores.
Como disse Martin Luther King, o que deve nos preocupar não é a estridência dos maus, mas o silêncio e a omissão dos bons. De fato, as pessoas boas, ou pelo menos aquelas conscientes dos desafios e das injustiças perpetradas na sociedade desigual com a qual convivemos, não podem e não devem se calar ou se omitir diante da violência, em qualquer instância social. A situação presente, de conflitos sem fim, seja na Educação, na Saúde, nos serviços sociais de modo geral, reflete diretamente e acima de tudo a miséria da injustiça social dominante em nosso país, que podem ser atenuados com a promoção de uma saúde global, da humanização e do acolhimento a cada indivíduo.
*Flávio de Andrade Goulart é médico, professor de Medicina na UFU e na UNB, secretário de Saúde em Uberlândia e sobrinho do poeta Carlos Drummond de Andrade
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Referências:
• Brasil, Ministério da Saúde (acessar: Por uma cultura da paz, a promoção da saúde e a prevenção da violência.
• Goulart, F.; Camarotti, H.: Acolhimento em Saúde: responsabilidade de quem? – A SAÚDE NO DISTRITO FEDERAL TEM JEITO!
• Organização das Nações Unidas (ONU) – Declaração sobre uma cultura da Paz (acessar: Nações)
• Política Nacional de Atenção Básica (acessar: Atenção Básica – Política Nacional Atenção Básica | PenseSUS)
• Política Nacional de Humanização em Saúde (acessar: HumanizaSUS: Documento base para gestores e trabalhadores do SUS)
• Política Nacional de Promoção da Saúde (acessar: bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/politica_nacional_promocao_saude.pdf)

Governo de Minas consolida o Pix como forma de pagamento de taxas e impostos

Medida começou com o IPVA e é expandida para quitação de demais débitos de serviços e tributos do Estado

Sair de casa para pagar uma taxa, imprimir boleto de papel ou ir até a boca do caixa para fazer um pagamento de taxa ou imposto do Estado de Minas Gerais é coisa do passado.

GOV. MG

Cada vez mais, a Secretaria de Estado de Fazenda (SEF) consolida o Pix como melhor forma de quitação de débitos de serviços e tributos estaduais. Isso traz mais facilidade e agilidade para os cidadãos mineiros e empresas.

A adoção do Pix no Estado começou pelo Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) e é ampliada gradativamente, atingindo hoje a maioria dos débitos, como ICMS, ITCD, taxas de trânsito e de documentos, como a carteira de identidade. Atualmente, até nas blitze de trânsito é possível quitar eventuais débitos do veículo instantaneamente, via Pix.

Além de modernizar a forma de pagamento para um sistema amplamente usado pelos brasileiros em geral, o Pix representa redução significativa de gastos do Estado com tarifas bancárias. Para efeito de comparação, o valor pago em tarifas pela compensação de um boleto na boca do caixa é cerca de 17 vezes maior que o custo da mesma operação via Pix.

“Quanto mais optam por pagar seus débitos estaduais via Pix, os cidadãos e as empresas ganham em praticidade e agilidade e o Estado economiza e pode destinar mais recursos para políticas públicas em áreas essenciais como saúde, educação, segurança e infraestrutura”, ressalta o secretário de Estado de Fazenda, Luiz Claudio Gomes.

Alerta contra golpes e fraudes

Todo pagamento via Pix somente é possível por meio da emissão de um QR code próprio, vinculado ao documento de arrecadação, elemento esse que é usado para fazer a transação por código “copia e cola” ou escaneamento de imagem criptografada com a câmera de smartphones.

Nos sites e plataformas oficiais da Secretaria de Estado de Fazenda e demais órgãos do Governo de Minas é possível gerar os documentos de arrecadação com os QR codes necessários ao pagamento seguro.

É importante ressaltar que a Secretaria de Fazenda não envia e não reconhece transferências diretas por chaves Pix (sem a geração do QR Code), links ou boletos por mensagens de celular ou e-mails. Os documentos de arrecadação devem ser emitidos somente nos sites e canais oficiais do Governo de Minas.

Portanto, ao optar por fazer qualquer pagamento via Pix, deve ser observado o nome da instituição emissora autorizada pelo Estado: Itaú Unibanco S.A ou Santander (Brasil) S.A. O favorecido deverá ser sempre Estado de Minas Gerais, CNPJ 18.715.615/0001-60.

Fundação João Pinheiro publica edital de concurso público com 26 vagas de níveis médio e superior

Provas estão previstas para maio deste ano; salários podem chegar a R$ 9,6 mil

A Fundação João Pinheiro (FJP), por intermédio da Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag-MG), publicou, no Diário Oficial de Minas Gerais de 10/1, o edital nº 01/2026 de concurso público para o provimento de 26 vagas imediatas, além de cadastro de reserva, destinadas a cargos de nível médio e superior.

GOV MG

As inscrições custam R$ 22 (nível doutorado) e R$ 21 (níveis mestrado, pós-graduação e ensino médio) e podem ser realizadas entre 9/3 a 7/4/2026 neste link.

O certame visa ao fortalecimento do quadro técnico da instituição, que atua nas áreas de pesquisa aplicada, ensino, planejamento e avaliação de políticas públicas.

São contemplados os cargos de Pesquisador em Ciências Aplicadas e Políticas Públicas, Gestor em Atividades de Pesquisa e Ensino e Técnico em Atividades de Pesquisa e Ensino, com vagas para atuação em Belo Horizonte, distribuídas conforme as especialidades previstas no edital.

O documento prevê reserva de 10% do total de vagas oferecidas para cada cargo para candidatos com deficiência.

Etapas do concurso

O processo seletivo será composto por prova objetiva e prova discursiva, além de outras etapas específicas, de acordo com o cargo pretendido. As provas estão previstas para o dia 10/5/2026, em Belo Horizonte, seguindo o cronograma oficial.

O edital também detalha os critérios de avaliação, o conteúdo programático, as regras para recursos, a pontuação mínima para aprovação e as normas relativas à classificação final dos candidatos.

Remuneração e regime de trabalho

A remuneração inicial varia conforme o cargo e o nível de escolaridade, podendo alcançar, aproximadamente, R$ 9,6 mil, além dos benefícios previstos na legislação estadual.

A jornada de trabalho e o regime jurídico obedecerão às normas aplicáveis aos servidores públicos do Estado de Minas Gerais.

A FJP recomenda que os candidatos leiam atentamente o documento antes de efetuar a inscrição para conhecer todos os requisitos, atribuições dos cargos e prazos do concurso. Eventuais dúvidas deverão ser encaminhadas para contato@legalleconcursos.com.br.

Instituto Mineiro de Gestão das Águas divulga orientações sobre Declaração Anual de Uso de Recursos Hídricos

Instrumento obrigatório deve ser enviado até o último dia útil de março e é fundamental para a gestão e o uso sustentável da água no estado

O Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam) divulgou orientações sobre a Declaração Anual de Uso de Recursos Hídricos (Daurh), instrumento obrigatório que reúne informações sobre a utilização da água em Minas Gerais.

GOV. MG

Instituída pelo Decreto Estadual nº 48.160/2021, a declaração deve ser enviada até o último dia útil do mês de março, conforme estabelece a Portaria Igam nº 79/2021.

A Daurh permite que pessoas físicas e jurídicas informem os dados referentes ao uso efetivo dos recursos hídricos no ano anterior, possibilitando ao Igam o acesso a informações essenciais para a gestão das águas no estado.

Entre os dados declarados estão os volumes captados e as cargas de poluentes lançadas em corpos d’água de domínio estadual, informações fundamentais para o planejamento, o controle e a promoção do uso sustentável da água.

Além de subsidiar a gestão dos recursos hídricos, as informações prestadas por meio da Daurh são utilizadas no cálculo da cobrança pelo uso da água, conforme metodologia aprovada pelos comitês de bacia hidrográfica. A cobrança tem como objetivo estimular o uso racional do recurso e incentivar práticas sustentáveis em todo o território mineiro.

Os dados também possuem relevância estratégica, podendo apoiar a elaboração de planos, projetos e estudos técnicos voltados à gestão das bacias hidrográficas.

Segundo a gerente de Instrumentos Econômicos de Gestão do Igam, Camila Zanon, a declaração é uma ferramenta indispensável para o Estado. “A Daurh é um instrumento fundamental para a realização da cobrança pelo uso de recursos hídricos. Além disso, ela permite ao Igam conhecer os diversos usos da água em Minas Gerais, contribuindo diretamente para a gestão dos recursos hídricos”, destaca.

Devem prestar as informações aqueles que fizeram uso de recursos hídricos de domínio do Estado de Minas Gerais no ano anterior ao da declaração. Na maioria dos casos, é exigido que o uso tenha sido monitorado por meio de sistemas ou equipamentos de medição. As informações solicitadas variam de acordo com o tipo de intervenção, como captação ou lançamento, que são categorizados conforme o modo de uso.

Alguns modos de uso, no entanto, não necessitam ser declarados, como barramentos sem captação, desvios, perfurações de poços tubulares, travessias e canalizações, entre outros. Embora essas intervenções possam causar alterações nos corpos hídricos, não há previsão de retirada ou poluição da água que justifique a apresentação da declaração.

Também não estão sujeitos à Daurh os usos considerados insignificantes; os destinados à satisfação das necessidades de pequenos núcleos populacionais no meio rural; o consumo final de água por residências e estabelecimentos atendidos por prestadores de serviço público de saneamento; os efluentes lançados em corpos hídricos de domínio da União; os efluentes lançados fora de corpos hídricos, como em solo, sumidouros ou redes de esgoto; e as outorgas fora da validade no ano-base da cobrança e sem pedido formal de renovação.

Para prestar as informações, o declarante deve acessar o Portal Ecosistemas e selecionar o sistema Declaração Anual de Uso de Recursos Hídricos, onde estão disponíveis as orientações e o ambiente para envio dos dados.

Cemig usa drones na inspeção da rede elétrica em Minas Gerais

Tecnologia, segurança e precisão elevam o padrão de manutenção e tornam a rede mais confiável

A inspeção da rede elétrica em Minas Gerais está passando por uma transformação tecnológica que garante precisão ao processo de manutenção preventiva e corretiva da companhia.

GOV. MG

A Cemig já utiliza 99 drones como aliados no monitoramento de suas redes de distribuição e linhas de alta e média tensão, ampliando o acerto das análises, aumentando a segurança das equipes de campo e acelerando o diagnóstico de defeitos, especialmente em locais de difícil acesso.

Tradicionalmente, as inspeções eram realizadas exclusivamente por técnicos especializados, que percorriam a rede visualmente ou com o auxílio de termovisores, muitas vezes, em locais de difícil acesso em áreas rurais.

Essas câmeras termográficas revelam pontos quentes e frios nos equipamentos, o que permite identificar sobrecargas, conexões defeituosas e anomalias que não podem ser observadas a olho nu. Com a incorporação de drones, esse trabalho atingiu um novo nível de eficiência e segurança.

O supervisor do Sistema Elétrico da Cemig, Wenderson Alves, explica que o uso de drones trouxe ganhos expressivos para as equipes que atuam em campo. Segundo ele, os equipamentos não substituem o olhar técnico, mas o ampliam.

“As inspeções aéreas permitem uma visualização completa e detalhada da parte superior da rede, incluindo cruzetas, isoladores, conexões e pontos altos de difícil acesso. Muitos defeitos simplesmente não são visíveis do solo. O drone aproxima, amplia, filma e registra com precisão, tornando as inspeções mais seguras e rápidas”, afirma.

Wenderson ressalta que os drones são utilizados exclusivamente para o monitoramento técnico das estruturas da Cemig e que todas as operações são realizadas durante o dia, seguindo rigorosos protocolos de segurança.

Importante reforçar que as empresas contratadas não estão autorizadas a realizar voos noturnos em nome da companhia, e nem fazer rotas fora da rede elétrica. Em caso de dúvidas sobre essas operações, os clientes podem entrar em contato com os canais de atendimento da Cemig.

Precisão

Os drones elevam o padrão das inspeções ao combinar visão computacional, câmeras térmicas, GPS e sensores embarcados. Essa integração tecnológica possibilita identificar anomalias que normalmente exigiriam inspeções complexas.

“Pontos de aquecimento, falhas em isoladores, corrosão e danos estruturais passam a ser detectados com muito mais rapidez, garantindo diagnósticos mais precisos e eficientes”, destaca o especialista da companhia.

Desde janeiro de 2023, a Cemig já inspecionou milhares quilômetros de linhas de média e alta tensão utilizando drones, alcançando áreas remotas, regiões de mata fechada, propriedades rurais e comunidades em grandes centros urbanos onde o acesso por equipes poderia ser dificultoso ou inviável.

Prefeitura mantém ações de zeladoria urbana no início do ano em Uberlândia

Trabalhos integrados envolvem manutenção viária, limpeza, sinalização e serviços ambientais em importantes eixos da cidade

Araípedes Luz – Secretaria de Comunicação/PMU

Mesmo no período de início de ano, quando a incidência de chuvas é maior, a Prefeitura de Uberlândia, por meio das secretarias municipais ligadas à zeladoria urbana – Serviços Urbanos, Agronegócio, Gestão Ambiental e Sustentabilidade, Infraestrutura e Trânsito e Transportes, além do Departamento Municipal de Água e Esgoto (Dmae) –, seque com execução contínua de serviços de manutenção, limpeza e organização dos espaços públicos. Seguindo a diretriz do prefeito Paulo Sérgio, os trabalhos reforçam o compromisso da administração municipal com a qualidade de vida da população e a conservação da infraestrutura urbana.
As ações conjuntas, que tiveram início nesta segunda-feira (12) e acontecerão durante toda esta semana, estão sendo realizadas em um eixo composto pelas avenidas Getúlio Vargas, Paulo Firmino e Judéia, nos bairros Jardim das Palmeiras, Jardim Holanda e Jardim Canãa. Na quarta-feira (14), também terá início a operação “Cata-Treco” no eixo.

Hoje (12), a Secretaria Municipal de Infraestrutura executou serviços de tapa-buracos, recuperação de meio-fio e sarjeta e implantação de canaletas. Em paralelo, a Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (Sesurb) atuou com a roçagem manual e mecanizada em áreas públicas, varrição, pintura de meio-fio, operação Cata-Treco, verificação da iluminação pública, limpeza de bueiros e retirada de entulhos. A Secretaria Municipal de Agronegócio (SMAGRO) prestou apoio operacional às equipes da Sesurb.
Já a Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes faz reforço de sinalização horizontal e vertical, além de atividades de educação para o trânsito ao longo dos trechos atendidos. A Secretaria Municipal de Gestão Ambiental e Sustentabilidade (SMGAS) realiza poda de árvores e a limpeza decorrente dos serviços de roçagem, garantindo segurança e preservação ambiental.

E o Departamento Municipal de Água e Esgoto (Dmae) executa pavimentação de áreas após manutenções realizadas, recolhimento de placas, atendimento a eventuais extravasamentos de poços de visita (PV) ou vazamentos de rede, além de ações de educação ambiental, com foco na coleta seletiva e verificação de contêineres.
As ações seguem ao longo dos próximos dias, reforçando a política permanente de zeladoria urbana da Prefeitura de Uberlândia.

O BRASIL É NOSSO?

Marília Alves Cunha – Educadora e escritora

Há muito tempo não nos alegramos com noticias boas nesta terra querida. Infelizmente, o que temos visto é um país potencialmente perfeito para dar certo, num esforço hercúleo pra manter-se em pé. Não se tem notícia de nada que esteja dando certo neste país, onde assalta-se o povo com cada vez mais impostos e mais pesados e no qual não se vê nada de aproveitável sendo realizado.

O dinheiro que entregamos forçosamente todos os dias, como “contribuinte”, tem servido à realização de coisas interessantes, como por exemplo, satisfazer aos luxos de dona Janja que volta a insistir no novo avião presidencial (um motel entre as nuvens, como a ele se referiu um jornalista). Em gastos desnecessários, na manutenção de estatais dando prejuízo, instituições que não poupam o jogar dinheiro fora, com mordomias e regalias inacreditáveis, num país que não cuida minimamente de seu povo. Aviões da FAB cortam os ares levando políticos, ministros e o scambal para passeios com as famílias e outras coisas mais, nada republicanas. Parece que Brasília vai bem, o Brasil não! Mais Brasil, menos Brasília, reclamam os que assistem este despudor.

Os gastos em publicidade têm sido absurdos. Cortam em educação, cortam na saúde, cortam em obras que poderiam dar a todos nós mais qualidade de vida. Mas Lula joga bilhões em propaganda enganosa, no intuito de levar às pessoas a imagem de um um país que só existe na cabeça de alguns que ainda insistem, não obstante as circunstâncias mostrando o contrário, que o país vai bem, obrigado!

E a corrupção? Como anda a nossa velha e conhecida corrupção? Aparece com redundância em governos petistas, surgem escandalosamente no governo atual o que, a meu gosto, já seria uma comprovação de que o partido não tem condições mínimas de administrar um país, de mantê-lo livre dos mal intencionados. Muito pelo contrário, aposta neles.

Que saudades doo Mensalão! Tão simples, né? Apenas uma distribuição mensal de dinheiro, a impostores travestidos de parlamentares. Tudo foi mostrado, a TV abria sua tela, os dignos membros do STF descortinavam os meandros dos crimes praticados e pronto, cadeia para muitos. Aí vem o Petrolão! Trabalho magnífico de juiz e procuradores que não deixaram pedra sobre pedra. Tudo revelado aos brasileiros que assistiam entusiasmados a Operação Lava Jato, momento de glória para a justiça brasileira. Tudo correto: investigação e denúncia, feitas pelas autoridades de direito, com o processo sendo conduzido pelo Juiz natural, de delações bem conduzidas, feitas aos olhos do público, provas e mais provas. Muito bom assistir à seriedade e severidade da justiça que se apresentava e culminou com a prisão do chefe das ações criminosas. Durou pouco a alegria! Os usurpadores da nação voltaram à cena do crime…

Hoje, o que acontece? A corrupção voltou com força total. Os métodos são mais sofisticados, o “modus operandi” é outro, muita gente importante envolvida. O caso do INSS, por exemplo, é difícil de acreditar porque envolve tanta gente, tantas empresas criadas, tanta lavagem de dinheiro, tantos bandidos e um total bilionário na conta de muitas pessoas, ladrões de velhinhos aposentados e deficientes do INSS e até criança. A CPMI criada para desvendar os escaninhos deste golpe monumental, tem tido dificuldades. A extrema esquerda e o Supremo, parece, têm feito o possível para dificultar os trabalhos. Torna-se mais difícil chegar a um bom resultado e que, no fim, como todos os brasileiros desejam, os criminosos sejam penalizados duramente.

E o caso do Banco Master? Mostra claramente a nossa evolução em matéria de corrupção. Uma coisa grandiosa, com a regência de Vorcaro e participação de gente muito importante da nossa política, do judiciário e do executivo. Está tudo em sigilo, o STF decidiu que algumas coisas, ou tudo, não podem aparecer aos olhos do grande público. Sustentamos este país com nosso trabalho, mas nos é proibido, em momentos cruciais, saber os meandros das ações criminosas que afundam este país, o desacreditam e põem em check nossas instituições. Tudo está em sigilo! Qual é a explicação para isto?

A CF prevê no seu Capítulo VII, art. 37: “A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência.”
O caso do Banco Master fica, portanto, longe da publicidade e outros princípios tão claramente explicitados na nossa CF. Uma coisa podemos constatar: a nossa Constituição Federal, promulgada em 05 de outubro de 1988,comemorada em meio a grandes festejos, está sendo desvirtuada ou, simplesmente afrontada. E nós brasileiros, como ficamos? Este país ainda é nosso?

Oh, Minas Gerais !

Eu e meu pai Fernando, por diversas vezes, já havíamos alcançado aquele nosso destino de uma maneira muito mais rápida e convencional. Para tal bastava que ele apontasse o pára-choque dianteiro do seu carro em direção ao norte, avançássemos pela antiga BR-040 a partir de Belo Horizonte e seguíssemos por asfalto até à nossa fazenda em Gouveia, agradabilíssima cidade situada no portal sul do Vale do Jequitinhonha e cuja viagem, naquela época , consumia aproximadamente quatro horas enquanto passando por Pedro Leopoldo, Prudente de Morais, Sete Lagoas, Paraopeba, Inimutaba, Paraúna e Curvelo. Naquele mês de julho do ano de 1.969, o meu pai comemorava a realização de um desejo pessoalíssimo: ter uma Rural Willis na garagem; não uma Rural Willis qualquer mas “ A Rural”; aquela que havia sido redesenhada e montada para servir a USIS-United States Informations Services e que, após breve tempo de serviço em um consulado norte americano, meu pai arrematou em concorrido leilão na capital mineira. Contudo, numa manhã ensolarada de julho, ao sairmos de Belo Horizonte em direção a Gouveia, ele não tomou o costumeiro rumo norte e da maneira que comumente fazia; partiu na direção nordeste e eu, com os meus doze anos de idade, logo percebi que o espírito aventureiro daquele meu “velho” – nortista de Turmalina(MG) e filho de Noemi e José Justino – estava atinado, fazia-se novamente presente e de maneira surpreendente. Após quase uma hora de viagem chegamos a Vespasiano; de lá rumamos para Lagoa Santa e aproximadamente duas horas depois já começávamos a desfrutar da surpreendente Serra do Cipó, deleitando-nos com paisagens absolutamente fantásticas que surgiam à nossa frente. Naquela sua Rural Willis e sempre trafegando por estrada de terra (MG10) – previamente pesquisada de modo a garantir um pouco mais de tranqüilidade e segurança naquele nosso insólito roteiro- chegamos a Conceição do Mato Dentro e depois – sem pressa alguma, ao Serro, Lapinha, Trinta Réis, Milho Verde, Cachimbo, Datas e finalmente Gouveia, não sem antes pararmos em um muito modesto restaurante – bem próximo a uma grande jazida de mármore ainda na Serra do Cipó- e onde saboreamos uma deliciosa e típica refeição mineira. Uma viagem deslumbrante em todos os sentidos e que oferecia-me, além de tudo, a oportunidade de conversar e rir com o meu pai durante horas seguidas, o que era quase impossível de ocorrer em situações comuns e cotidianas em nossa casa, na capital mineira, tendo em vista os seus compromissos diários de jornalista, professor, radialista e chefe do serviço de relações públicas do (antigo) IAPI (hoje INSS). Morros e planalto salpicados de Sempre Vivas, Ipês e Quaresmeiras em meio a rochas dos mais variados tamanhos e formas, tornavam ainda mais deslumbrante aquela nossa epopéia pela Serra do Cipó. Àquela época já contava-se histórias sobre um tal “Juquinha”, homem que vagava pelos campos daquela serra, colhendo flores e raízes para oferecê-las aos turistas, vende-las ou trocá-las por comida; enfim, um famoso personagem da cultura regional e que anos depois da nossa passagem por aquela serra, foi homenageado com uma estátua de três metros de altura e esculpida pelas mãos da artista plástica Virginia Ferreira. Foi uma das primeiras vezes em minha vida que senti uma estranha e gostosa sensação de liberdade e enquanto iniciando a minha incursão na fase adolescente, pois longe da população, da poluição e do burburinho da grande capital mineira, eu provava da verdadeira essência da típica e surpreendente natureza mineira. Depois daquela indescritível viagem pelo Jardim do Brasil, título dado àquela serra por um paisagista de nome Burle Marx, tomei ainda mais gosto pelo ambiente rural; passei a escolher – a dedo – alguns dos mais viáveis, práticos e econômicos roteiros para conhecer a “minha” Minas Gerais; caminhei sobre a crista da Serra da Moeda na altura da Lagoa dos Ingleses em Nova Lima, escalei o Pico do Itacolomi em Ouro Preto, visitei comunidades quilombolas no norte do estado e onde pude presenciar simples e espontâneas manifestações do folclore local, subi e desci ladeiras de algumas tradicionais cidades históricas de Minas Gerais, além de adentrar três das nossas mais deslumbrantes grutas: Maquiné, Lapinha e Rei do Mato. E o que falar do Museu do Diamante em Diamantina e dos museus do Conto e da Inconfidência em Ouro Preto, além das seculares igrejas de cidades diversas? Fantásticos! E para fechar com chave de ouro esse périplo pela nossa linda, rica e sempre surpreendente Minas Gerais, ainda adolescente segui em direção a Itamarandiba, Capelinha e Minas Novas por estradas de terra e também na companhia do meu pai, que fazia aquela viagem a serviço do Funrural em um fusquinha preto, chapa branca e dirigido pelo motorista (Saulo). Região, aquela, onde pude comprovar a extrema simplicidade da sua gente e também o aperreio pelo qual passava a maior parte do seu povo, já sofrido em função da seca e de uma quase total falta de atenção política, salvo algumas intervenções de um famoso filho daquela região: o então senador biônico Murilo Badaró. Oh, Minas Gerais de tantos morros, rios, regatos, prados, cascatas, campinas, riachos, represas e cachoeiras! Hoje a quase totalidade daqueles trechos que percorri, no final da década de sessenta, está asfaltada e o que, de certa forma, tornou menos bucólicos os encantos daqueles trechos no coração de Minas e pelos caminhos do Vale do Jequitinhonha, de exuberante beleza natural e riqueza cultural, com nítidos traços das culturas negra, indígena e portuguesa. Caminhar por Minas, colocar os pés em trilhas riquíssimas de histórias, emolduradas por extraordinárias paisagens e povoada por gente humilde e culturalmente diferenciada é, sem dúvida alguma, uma das melhores opções para quem deseja aventurar-se de maneira absolutamente sadia, ecinômica e muito segura pelas nossas seculares tradições. Submergir na cultura de Minas, prosear com a sua gente e degustar das suas iguarias é, enfim, uma “aventura sem iguar”. Recentemente refiz aquele mesmo roteiro e desta feita na companhia das minhas esposa e filha, pagando-lhes uma antiga promessa de percorrerem comigo aquela deslumbrante região mineira e onde à noite, duendes, fadas e gnomos – na companhia do Juquinha, devem reinar felizes e solitários por entre rochas, cachoeiras canyons e Sempre-Vivas.

Gustavo Hoffay
Agente Social
Uberlândia-MG

Polícia Civil prende maior traficante de pasta base de cocaína de Minas Gerais

Foragido desde 2019, criminoso transportava drogas de países como Bolívia e Paraguai para o Brasil
A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) prendeu o maior traficante de pasta base de cocaína do estado, um dos maiores do Brasil, e deu informações, neste sábado (10/1), da operação de inteligência, que durava meses, e resultou na captura de Sonny Clay Dutra, de 43 anos, na cidade de Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas, nessa sexta-feira (9/1).

GOV. MG

O governador Romeu Zema parabenizou o trabalho investigativo e a atuação dos policiais em suas redes sociais. “Um dos maiores traficantes de Minas está onde precisa ficar, de volta à cadeia. A nossa Polícia Civil prendeu, nesta madrugada, Sonny Clay Dutra, após um preciso trabalho de inteligência. Aqui, criminoso não tem paz. E é por isso que temos um dos estados mais seguros do país”.

Com mandado de prisão em aberto por uma condenação a 14 anos, Dutra era responsável pela logística do transporte da droga de países vizinhos, como Bolívia e Paraguai. Ele também foi flagrado com porte ilegal de arma de fogo e não ofereceu resistência no momento da abordagem policial.

“É uma das prisões mais relevantes que fizemos nos últimos anos, considerando a expressividade dele na atividade criminosa em Minas Gerais, considerado um dos maiores traficantes do Brasil e o maior traficante de pasta base de cocaína de Minas Gerais”, afirmou a chefe da PCMG, delegada-geral Letícia Gamboge.

As ações para chegar ao traficante foram realizadas pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), do Departamento Estadual de Operações Especiais (Deoesp) da Polícia Civil, junto com a Diretoria de Inteligência Policial da Superintendência de Informações e Inteligência Policial (SIIP) da PCMG.

Natural de Ouro Preto, onde já havia sido preso pela equipe do Deoesp, em 2019, o homem teve a prisão preventiva revogada na época e, desde então, estava foragido, figurando na lista dos criminosos mais procurados do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP).

As investigações que levaram ao paradeiro de Sonny Clay Dutra, em uma boate de Divinópolis, indicam que ele residia em Itaúna, na mesma região do estado.

A delegada-geral da Polícia Civil enfatizou a atuação das Forças de Segurança para coibir esse tipo de crime e de atuação no estado. “Com esta ação, reafirmamos o compromisso inabalável da Polícia Civil e do Governo de Minas no combate ao crime organizado, às facções e ao tráfico de drogas. Aqui em Minas Gerais, não tem impunidade. Não vamos tolerar criminosos e prenderemos quem quer que seja”, disse Letícia Gamboge.

O delegado da Draco 1, Davi Batista Gomes, detalhou os desafios para capturar o criminoso. “As investigações para localizá-lo vêm de muito tempo e demandaram muito trabalho de inteligência e de campo, ele já foi preso diversas vezes, tem uma grande rede de proteção, tem muito dinheiro, então consegue trocar frequentemente de endereço. Conseguimos dar um golpe muito forte no tráfico de drogas do estado, principalmente na questão da grande logística, que abastece os pontos de droga”.

Próximos passos

O chefe da operação especializada do Deoesp, Marcus Vinícius Lobo Leite Vieira, recapitulou que Sonny Clay Dutra é investigado pela Polícia Civil desde 2013. “É um criminoso contumaz, tem grandes contatos em regiões de fronteira, por isso se tornou o maior narcotraficante do estado de Minas Gerais e um dos maiores do país e não tem vínculo com nenhuma facção específica, mantendo interlocução com todas, atua em um nível acima da logística de drogas e é o responsável por trazer grandes quantidades de cocaína para Minas Gerais”, completou o delegado, que apontou as ações a partir de agora.

“Vamos entrar uma segunda fase em que vamos esmiuçar a questão da lavagem de dinheiro e tentar as outras ramificações da organização da qual ele faz parte. Conseguimos atingir o topo, agora vamos atacar a capilaridade dessa organização e chegar nas outras conexões”, explicou o delegado Marcus Vinícius Lobo Leite Vieira.

Essa lavagem de dinheiro envolve empresas de setores como de alimentos e de postos de combustíveis, de diversos estados além de Minas Gerais, como São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul, Goiás e Distrito Federal.

Ser ou não ser

Diógenes Pereira da Silva

Nossos agentes da segurança pública estão adoecendo mentalmente.

Muitos afirmam que permanecer na Polícia Militar ou Civil é uma escolha individual. De fato, ninguém é obrigado a vestir uma farda. No entanto, essa leitura ignora fatores estruturais que tornam o exercício da função cada vez mais adoecedor.

A pressão diária, a exposição constante à violência, as jornadas exaustivas, as más condições de trabalho e o dogma institucional de que o policial deve ser sempre forte e invulnerável contribuem diretamente para o adoecimento psíquico desses profissionais. Isso não é opinião. É realidade.

A célebre frase “Ser ou não ser, eis a questão”, de William Shakespeare, dita pelo príncipe Hamlet ao refletir sobre a vida, a dor e o suicídio, ganha hoje um significado cruelmente atual quando aplicada à segurança pública brasileira.

Os números confirmam essa tragédia silenciosa. Em 2023, o Brasil registrou 118 suicídios de policiais. No mesmo ano, pela primeira vez na história, o número de policiais militares que tiraram a própria vida superou o de mortos em confrontos. Em 2024, dados preliminares indicam que o suicídio continuou sendo a principal causa de morte entre policiais civis e militares.

As taxas de suicídio entre profissionais da segurança pública são muito superiores às da população em geral. O silêncio institucional, o estigma em torno da saúde mental e a ausência de políticas públicas eficazes criam um ambiente que adoece, isola e mata.

Falar sobre isso não enfraquece a polícia. Ao contrário, fortalece a instituição ao reconhecer que, por trás da farda, existe um ser humano, com limites, medo e sofrimento.

Cuidar da saúde mental de quem protege a sociedade não é favor. É dever constitucional do Estado e responsabilidade direta dos gestores públicos. Ignorar esse adoecimento é uma escolha política. E escolhas políticas também matam.

Diógenes Pereira da Silva
Tenente da Reserva da Polícia Militar de Minas Gerais