FLORENCE VERGUEIRO

José C. Martelli – Advogado e professor- Espirito Santo do Pinhal – SP

“Quem não preserva o passado não vive o presente e, por consequência, não tem futuro.”
Essas palavras vieram-me à mente quando em visita à Escola Estadual Cardeal Leme, deparei-me, em seu pórtico de entrada, com uma exposição, em dois quadros caprichosamente montados pela Senhora Elvira Florence Vergueiro, com documentos, fotografias e jornais que remontam à época da fundação da escola, em 05.05.1930, sob o nome de Gymnasio Pinhalense, fundado por obra e graça de pinhalenses ilustres e que ora leva o nome do Cardeal Leme.
A exposição passa por várias fases da história daquela casa de ensino, inclusive com a criação e eleição da Diretoria do Grêmio Estudantil Dr. Francisco Álvares Florence, em 1947. É uma história linda da qual tive a honra de participar como aluno e Diretor de seu primeiro jornal “A Juventude”.
Pois bem, sobre essa história que é longa e bela pretendo escrever algumas crônicas. Mas hoje quero escrever uma outra história. Provavelmente não tenha palavras para transportar para o papel toda sua importância, mas vou tentar, por que ele é tão bela quanto a história do Cardeal Leme.
Então, em rápidas “pinceladas” vou tentar, como disse, coloca-la aqui.
Vou escrever sobre a autora dessa exposição, que espero se torne permanente, na entrada da vetusta escola, porque quem não preserva o seu passado, não tem futuro.
Vou escrever sobre a Sra. Elvira Florence Vergueiro, mais conhecida como Dona Elvirinha.
Não há o risco de confundi-la com outras porque ela é singular.
Se não me engano era o ano de 1970. Começava ali o meu conhecimento dessa criatura impar e singular, Senhora Elvira Florence Vergueiro. Sua vida, como percebi na sequência de nosso conhecimento, foi muito árdua e, muitas vezes sofredora, mas ela não deixava que os tropeços que a vida lhe reservara a esmorecesse. Era e é uma daquelas criaturas que não se abatem diante das dificuldades. Pelo contrário, as dificuldades dão-lhe força.
Viúva, muito nova, ficou com a responsabilidade de ser pai e mãe de três pequerruchos, Paula, Cristiane e Tito. Além disso tinha que administrar uma fazenda com todos os problemas daí advindos. Eu fui testemunha de muitos desses problemas, porque funcionário da Carteira Agrícola do Banco do Brasil, tive oportunidade de acompanhar sua labuta nas relações banco e sua propriedade rural. Nunca esmoreceu.
Por outro lado é muito longa a história de sua vida na preservação das artes e da cultura em nosso passado.
Mas, como merecida homenagem a ela e até para comprovar as palavras que iniciam esta crônica vou trazer aqui um pouco da Associação Cultural Antonio Benedicto Machado Florence cuja existência e atividades muito se deve a ela, reproduzindo artigo publicado em 7 de outubro de 2017 no jornal “O Pinhalense”.
Ei-lo: “Corria o ano de 1978 e o senhor Antonio Benedicto e sua esposa Maria Angélica resolveram doar parte das terras que possuíam no Vale do Paraíba à Prefeitura de Espírito Santo do Pinhal para que o produto de sua venda fosse aplicado em alta cultura literária, pictórica, musical e científica, pela ordem acima ou todas ao mesmo tempo, inclusive na construção ou aquisição de imóvel para abrigar tais eventos. O imóvel doado era constituído de três glebas. A Prefeitura aceitou a doação com a condicionante acima. O tempo passou, a prefeitura vendeu a sua parte na primeira gleba. Depois em 2006 vendeu o quinhão da terceira gleba, cujo dinheiro encontra-se depositado para a finalidade a que se destina, enquanto que a terceira gleba ainda não foi vendida, estando à disposição da municipalidade. Mas a grande verdade é que o desejo dos doadores, via prefeitura, não se consumou ainda. Nesta fase, representando a viúva codoadora, Senhora Maria Angélica, entrou em cena, com o entusiasmo e a garra que lhe são peculiares a Senhora Elvira Florence Vergueiro e, juntamente com uma plêiade de pessoas que sabem que a cultura é o alicerce das civilização, constituiu, em 31.03.2012 a ACBMF que, com 48 sócios fundadores, elegeu sua primeira diretoria e aprovou o respectivo estatuto. A associação, recém criada passo a colaborar com a Senhora Maria Angélica que, com o falecimento do marido, resolvera tomar providências pra que a vontade de ambos se consumasse. Isto feito, em 10.08.2012 Dona Maria Angelica adquiriu, com recursos próprios, o imóvel situado na Praça da Independência ,161, conhecido como Casarão e o doou à associação. Hoje – 07.10.2017 – abriga, além da própria diretoria, danças de salão, exposições de pintura, yoga, aulas de italiano e coral, ao mesmo tempo em que cede espaço à Casa do escritor Pinhalense Edgard Cavalheiro, ao Grupo Amor Exigente e Você, à Associação Eco-Mantiqueira e a outras atividade culturais consentâneas com o desejo dos doadores. E tudo isso graças a perseverança de Dona Maria Angélica na busca de seus ideias e de seu finado marido e, sobretudo, do incansável trabalho de D. Elvirinha e seus colaboradores para que tudo acontecesse. Dessa forma os desejos do casal de doadores estão sendo alcançados, enquanto se espera uma parceria com a prefeitura. Hoje a Associação está sob a presidência do professor Eliseu Martins que certamente dará sequência ao belíssimo trabalho até aqui realizado.”
Eis a importância de D. Elvira Florence Vergueiro, para Espírito Santo do Pinhal, em rápidas pinceladas

Nunca antes neste país…

Marília Alves Cunha – Educadora e escritora

O Brasil é um país resiliente, já aguentou muitas pancadas. Tem até se saído bem, com um povo passivo, sujeito a muitas decepções mas, adaptável à circunstâncias que não parecem absolutamente normais. O brasileiro é distraído. Ele não vê sua cidade num desmazelo total desde que sua porta esteja limpa. Ele não enxerga a pobreza reinante, desde que seus bolsos estejam confortavelmente cheios, não precisa ser muito dinheiro. Ele se distrai com o futebol no domingo, uma cachacinha com torresmo ( quem resiste?), uma morena charmosa que passa requebrando as ancas (quem resiste também?),um papo de boteco, de onde se sai com a alma limpa, com todos os problemas resolvidos ou em vias de…

Mas vamos combinar: a coisa está chegando num ponto em que, por mais bonzinho e resiliente que seja, o brasileiro começa a perceber que não apenas os outros mas ele também, começa a sofrer os efeitos perniciosos de um governo que ultrapassou em muito os limites da prudência, da ordem, da honestidade, da moralidade, da ética, da vergonha. Começa a perceber que o salário, que dava com folga para seu sustento e da família, começa a desaparecer rapidamente do bolso. Começa a sentir-se desamparado e angustiado por notar que as instituições, que mantém a república em pé, diluem-se em escândalos, incompreensões, corrupção, tudo que era bom e confiável desaparecendo sob seus olhos…

Temos um presidente, temos um bando de ministros, temos legislativo, temos judiciário, temos centenas de instituições e milhares de pessoas pagas para tomar conta deste lindo país e fazer dele uma espécie de maravilha, pois tem tudo para ser esta maravilha. Mas nada acontece, nada de produtivo se cria, tudo vem se transformando em terra arrasada, nas mãos de criminosos e pessoas que querem tirar proveito, deixando marcas de desconfiança, desesperança, sofrimento aos brasileiros.

Reparem abaixo alguns “progressos” que fizemos nos últimos tempos:
*censura geral, através das plataformas, tudo sob a estrita coordenação de judiciário. Muita gente presa ou exilada por manifestar-se ou expressar opinião, mesmo que nossa CF no conceda esta liberdade.
*Gastos enormes e incompreensíveis com viagens do presidente e sua dama, tudo sob sigilo. O povo paga calado e não pode saber o que está pagando…
*Estatais quebradas ou em vias de… Corrupção diuturna, gigante, impossível de descrever em poucas linhas, uma atrás da outra. Corrupção que lança suas garras do Arroio ao Chui , manchando tudo que encontra pela frente. E manchando também pessoas que julgávamos portadoras de todos os defeitos, menos de passar a mão no alheio. Parece que não vai escapar ninguém, nem aqueles com pose de intocáveis, editores das nossas ações, guardas da honra do nosso país…
* Um Inquérito do fim do mundo, sem dia e hora para acabar, como uma espada de Dâmocles, suspensa sobre a cabeça de quem ousar qualquer coisa que desagrade um poderoso…
*Presidente apartado de suas verdadeiras funções, viajando pelo Brasil, falando asneiras, disseminando ódio, discórdias, incentivando a criminalidade. Enquanto a China, EEUU e outros grandes países, planejam o futuro, trabalham pelo engrandecimento do seu povo, Lula se garante em preparar sua próxima eleição, gastando dinheiro público a rodo e ferindo a lei eleitoral…
*Abandono total do povo brasileiro. Cada um que se proteja ou se lasque… Nota zero para a educação cada vez mais mediocrizada, para a saúde, cada vez mais sucateada, para o cuidado com a segurança pública, para serviços de infra- estrutura, para tudo que o Brasil precisa urgentemente e encontra-se esquecido e abandonado.

Absoluta falta de prioridade: tantas necessidades cobrindo este país de sol a sol, tantas necessidades não atendidas e nós devemos pagar o advogado de ministro para defendê-lo nos Estados Unidos. Até parece que os Ministros do Supremo são instituições que devem ser preservadas e defendidas pelo Estado. Os ministros são funcionários públicos como tantos outros, não são instituições. Merecem ser respeitados como tantos outros. São importantes e têm função específica essencial como pertencentes à Corte Suprema do país, são os guardiões da nossa Constituição. Porém, são seres humanos, sujeitos a erros e imperfeições e não precisam da defesa do Estado. Devem, como todos, arcar com seus próprios erros e sua defesa.

*Agora, sinceramente, o que mais tem preocupado os brasileiros é a blindagem de supostos criminosos. Tem gente fazendo ou tentando fazer diabruras para livrar a cara de companheiros, colegas, amigos do peito, parentes ou quem possa arrastá-los para o buraco, num esforço para salvar-se. O que estamos vendo é extraordinário, digno de novela das oito da rede globo, talvez uma série na Netflix. Primeiro, para perpretar seus intentos nada republicanos, criaram um sofisticado sistema, envolvendo parentes e aderentes, escritórios, empresas e o escambau…Depois foi só fazer cara de paisagem e abocanhar os milhões prometidos. Nunca pararam para pensar um pouco na imensa multidão que seria seriamente prejudicada, mesmo sendo velhinhos aposentados ou pessoas que quiseram aplicar seu dinheirinho ou fazer um complemento de aposentadoria. Nunca preocuparam-se com o porvir. Ora, a impunidade reina este país, para que preocupar-se? Valha-nos Deus! AS investigações são difíceis, às vezes impossíveis. Muita gente lutando para que tudo fique como está, neste vilipêndio cruel que arrasa as entranhas deste Brasil!
Nada de bom podemos esperar se cruzarmos os braços e pensarmos sempre que o problema é dos outros. Nada podemos esperar se nos alhearmos da realidade: não podemos ficar despreocupados num país onde o crime é organizado e o Estado é uma bagunça. Deste modo, sem ao menos uma tentativa de modificar para melhor, sem qualquer resquício de luta, todo mundo já sabe quem vai sair ganhando, né?

Dark Money – O elo da corrupção!

Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Acadêmico da ABLetras, Blogger, Analista Político e Graduado em Gestão Pública.

As operações conduzidas pela Polícia Federal recentemente, deixaram um rastro entre os operadores da ação denominada Carbono Oculto, com investigações que resultaram nas prisões dos envolvidos nos escândalos do Banco Master e Reag Investimentos. Há muitas evidências da ligação entre as três operações, lavagem de dinheiro, corrupção e elo entre os operadores.
O processo enviado ao Supremo Tribunal Federal baseado numa reportagem publicada pela revista Veja apontando uma fortuna estimada em aproximadamente R$ 100 milhões atribuída a Mohamad Hussein Mourad, conhecido como “Primo”, e Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”, teria sido direcionada ao Banco Master por intermédio da Reag Investimentos.
A partir dessa informação, tudo indica que existam novos elementos reforçando a necessidade urgente de uma apuração integrada sobre possível lavagem de dinheiro, crimes contra o sistema financeiro nacional e atuação de organização criminosa.
Segundo a notícia de fato, investigadores da Polícia Federal teriam atuado em diferentes frentes relacionadas ao caso Banco Master, inclusive em negócios realizados a partir da Reag Investimentos, apontada na peça como uma possível estrutura utilizada para movimentação e ocultação de grandes quantias em dinheiro.
A lógica jurídica indica que a conexão entre Banco Master, Reag e personagens investigados na Operação Carbono Oculto altera “qualitativamente” a compreensão do caso, ao indicar possível integração entre recursos de origem ilícita e estruturas formais do mercado financeiro.
A investigação do Banco Master demonstra inequivocamente que estamos diante de um dos maiores escândalos financeiros do país. Porque revela a conexão concreta entre fraude financeira, estrutura regulada do mercado de capitais, eventual ocultação patrimonial, intermediação por gestora de investimentos, possível integração de valores ilícitos ao sistema financeiro formal e ramificações da Operação Carbono Oculto.
As investigações conduzidas com extremo cuidado profissional pela PF, agora entram na fase mais difícil em nosso país, que é esperar as ações do Poder Judiciário. Onde nem sempre os bandidos de colarinho branco, empresários e figurões são julgados, condenados e presos por seus crimes. Principalmente por que o Ex dono do Banco Master – Daniel Vorcaro mantinha relações próximas e promíscuas com inúmeros deputados, senadores, autoridades do judiciário, celebridades e subcelebridades.
Em razão disso, está sendo pedido a preservação imediata de registros bancários, fiscais, societários, telemáticos e eletrônicos ligados às operações investigadas, incluindo e-mails corporativos, relatórios internos de compliance, documentos de identificação de clientes e comunicações internas sobre prevenção à lavagem de dinheiro.
Outro ponto central da representação é o pedido para que as autoridades avaliem a adoção de medidas cautelares patrimoniais, como bloqueio, arresto e indisponibilidade de ativos vinculados aos investigados.
A peça também pede que a Polícia Federal informe ao STF se a movimentação atribuída a Primo e Beto Louco, com passagem pela Reag Investimentos e destino ao Banco Master, já integra formalmente as investigações em andamento.
O tempo opera em favor dos investigados quando há intermediação por fundos, gestoras, veículos societários, contas de passagem e operações formalmente lícitas, mas materialmente destinadas à ocultação, diz a lógica criminosa neste nosso paraíso da impunidade.

Mais de R$ 1 bilhão em investimentos e cerca de cem projetos de vinícolas consolidam a Mantiqueira como nova fronteira do enoturismo brasileiro

Municípios como Jacutinga e Albertina atraem investidores internacionais e ampliam o protagonismo de Minas na produção dos vinhos de inverno

A Serra da Mantiqueira vive um novo ciclo de desenvolvimento econômico, turístico e cultural impulsionado pela expansão da vitivinicultura e pelo crescimento do enoturismo.

GOV. MG

Na região conhecida como Serra dos Encontros, localizada na divisa entre Minas Gerais e São Paulo, cerca de cem projetos de vinícolas em um raio de 100 quilômetros e investimentos privados estimados em mais de R$ 1 bilhão apontam para a consolidação de uma das novas fronteiras do vinho brasileiro.

O movimento reúne vinícolas, restaurantes, meios de hospedagem, experiências gastronômicas, empreendimentos de alto padrão e roteiros turísticos estruturados em torno da paisagem, do clima de montanha, da hospitalidade e dos vinhos de inverno. A chegada de investidores nacionais e internacionais reforça a atratividade da região e contribui para redesenhar o mapa do enoturismo brasileiro, historicamente concentrado no Sul do país.

Para Minas Gerais, essa transformação possui importância estratégica. A Serra dos Encontros é um território compartilhado entre os dois estados e conta com participação direta de municípios mineiros como Jacutinga e Albertina, além de conexões com outros polos vitivinícolas do Sul de Minas e da Mantiqueira. Jacutinga, tradicionalmente reconhecida pela produção de malhas, também vem se consolidando como destino emergente da viticultura e do turismo rural, com vinícolas em operação, novos empreendimentos e crescente interesse de visitantes.

A consolidação desse polo fortalece o turismo de inverno em Minas Gerais. A combinação entre altitude, clima seco, dias ensolarados e noites frias favorece tanto a produção dos vinhos de inverno quanto a oferta de experiências turísticas durante a estação. O vinho passa a integrar um conjunto de ativos já reconhecidos do território mineiro, como cafés especiais, queijos artesanais, azeites, cachaças, gastronomia, paisagens rurais, patrimônio cultural e modos de fazer tradicionais.

“O vinho de inverno da Mantiqueira já é uma das novas fronteiras do turismo brasileiro, e Minas faz parte dessa história de maneira essencial. Estamos falando de ciência, território, paisagem, trabalho, cozinha, hospitalidade e cultura. O desafio agora é transformar esse potencial em produto turístico estruturado, narrativa forte e presença nacional. Minas tem todas as condições de se consolidar como um dos grandes polos de viticultura e enoturismo do país”, ressalta o secretário de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais, Leônidas Oliveira.

O avanço da vitivinicultura na Mantiqueira também está diretamente associado à ciência e à inovação. A técnica da dupla poda, que desloca a colheita das uvas para o inverno, foi validada e difundida com contribuição decisiva da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), permitindo que regiões de clima tropical de altitude passassem a produzir vinhos finos de alta qualidade reconhecidos nacional e internacionalmente.

A Serra dos Encontros já reúne produtores de Espírito Santo do Pinhal, Santo Antônio do Jardim, Jacutinga e Albertina, articulados em torno de uma vitivinicultura de alto valor agregado, sustentável e competitiva. A qualidade da produção tem sido reconhecida em premiações internacionais, com destaque para o Decanter World Wine Awards 2025, que apontou a região entre as áreas brasileiras mais premiadas.

Para os próximos anos, a estratégia passa pelo fortalecimento da integração entre os municípios produtores, pela ampliação da visibilidade dos roteiros do vinho e pela conexão da vitivinicultura com outras vocações mineiras. Na Mantiqueira, vinho, café, queijo, gastronomia, natureza, patrimônio e bem-estar formam uma das experiências turísticas mais autênticas e sofisticadas do Brasil.

Minas Gerais atinge menor taxa de desemprego desde 2012

Observatório do Trabalho mostra que estado também criou mais vagas e aumentou renda média; comércio e serviços são os segmentos que mais empregam

No quarto trimestre de 2025, a taxa de desocupação em Minas Gerais foi de 3,8%, menor patamar da série histórica iniciada em 2012. A informação faz parte do Boletim do Mercado de Trabalho Mineiro – Temática especial Mês do Trabalhador, lançado pela Fundação João Pinheiro (FJP) e pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Sedese-MG).

GOV. MG

Elaborada pelo Observatório do Trabalho (OTMG), que monitora o mercado de trabalho e a situação do emprego no estado, a iniciativa produz boletins divulgados mensalmente.

O estudo tem como base dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e o Novo Caged, do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

“O menor desemprego desde 2012 mostra que Minas está no caminho certo. Esse resultado é fruto do trabalho do governador Romeu Zema e meu para tornar nosso estado mais favorável aos negócios, atrair investimentos e gerar oportunidades para os mineiros”, afirma o governador Mateus Simões.

Pleno emprego

Os 3,8% de taxa de desocupação representam uma queda de dez pontos percentuais em relação ao pico registrado no mesmo trimestre de 2017 e colocam o estado consistentemente abaixo da média nacional: no mesmo período, a taxa para o Brasil foi de 5,1%.

Em termos práticos, Minas Gerais chegou a um nível de desemprego que, na literatura econômica, se aproxima da chamada taxa natural, ou seja, aquela em que as pessoas desocupadas correspondem, essencialmente, a trabalhadores em transição entre empregos e não à falta de postos de trabalho.

Segundo o Ministério do Trabalho, o estado registrou 5,06 milhões de vínculos ativos em março de 2026, maior patamar da série.

No acumulado dos últimos 12 meses, Minas Gerais gerou saldo positivo de, aproximadamente, 72 mil postos formais, com admissões acumuladas de 2,797 milhões de trabalhadores e 2,724 milhões de desligamentos. Entre janeiro e março de 2026, o saldo já somava 70,6 mil postos, o que indica que o emprego formal permanece em ascensão.

Considerando todas as categorias de emprego (formal e informal), o estado contava com 10,8 milhões de postos de trabalho no período. Na comparação com 2019, ano pré-pandemia, houve acréscimo de 658 mil vagas de trabalho no estado (6,5%), avanço registrado tanto em ocupações formais (com carteira ou empregado público) quanto nas informais (sem carteira, por conta própria ou autônomo).

Setores

De acordo com o estudo do Observatório do Trabalho, o comércio permanece como o maior segmento empregador individual de Minas Gerais. No quarto trimestre de 2025, o setor reunia 1,96 milhão de trabalhadores, o que correspondia a cerca de 18% do total de ocupados. Entre 2022 e 2025, o comércio criou 79 mil postos (4,2%), crescimento modesto em termos relativos, mas expressivo em valores absolutos.

Desempenhos mais positivos também foram registrados em subsetores de serviços, como transporte e armazenagem; alojamento e alimentação; informação e comunicação, atividades financeiras e imobiliárias e administração pública.

Juntos, o comércio e esses segmentos representaram cerca de dois terços de todas as ocupações do estado, concentrando a maior parte da geração de emprego do período.