Código de conduta-STF

Tania Tavares – Professora – SP

Abrir o Estadão (16/12 A7) para leitura e encontrar o Manifesto Público: “Por um código de conduta para o STF”, lavou minha alma. Escrevi muitas cartas sobre o STF e sua desfaçatez em nos afrontar como se não houvesse amanhã. Obrigada aos idealizadores, informando que assinei e estou repassando sem cansar. Agradeço também ao artigo de hoje ( 17/12 A5):” Fachin não está sozinho”, que continuou nos lavando a alma.

Conhecimento “tradicional” e “verdade”

Dr. Flávio de Andrade Goulart*

Em minhas caminhadas matinais pelo final da Asa Norte, em Brasília, vejo com alguma constância pequenas placas com informações sobre as espécies vegetais ali presentes, geralmente plantas naturais (ou endêmicas) do Cerrado, pois que existem algumas exóticas também. Fico feliz em vê-las (e aprender com elas), porque sou um notório curioso sobre a botânica e frequentemente, quando não me trai a memória, passo a incorporar esses novos conhecimentos, às vezes tratando os mesmos – confesso – como se os conhecesse desde sempre. Mas tem uma coisinha que às vezes me faz cócegas na mente, ou seja, a frequência com que aparece em tais plaquinhas a palavra “medicinal”, ao lado de designativos como ornamental, alimentícia, madeira. É apenas a primeira dessas categorias que me provoca especulações, porque quanto a ornamentar com flores, oferecer frutos e sementes, se converter em lenha ou tábuas, não caberiam muitas dúvidas. Mas tal definição de medicinal no mínimo exigiria a a indagação: como assim? Ou ainda: para que tipo de problemas de saúde? Nas tais plaquetas, é claro, isso não está esclarecido, mas quando vamos aos livros de botânica, principalmente dedicados às árvores e outras plantas do cerrado, o mesmo adjetivo aparece inúmeras vezes, com esclarecimentos um pouco mais detalhados, embora, a meu ver, ainda obscuros. Como diziam os antigos, é aí que a porca torce o rabo, ou para adequar tal expressão à situação presente, é aí que o pequizeiro retorce (ainda mais) seus galhos, já tortos de natureza. As informações obtidas em tais textos são de uma generalidade espantosa, dando origem a expressões vagas como afecções do fígado, estados inflamatórios, febres, corrimentos, doenças dos rins, do estômago, do fígado etc. Pois bem, gostaria de saber em que tipo de clínica ou laboratório, dentro de qual categoria metodológica, isso foi devidamente testado e comprovado. Os adeptos de tais terapias certamente vão me condenar por exagero na crítica e de descrença no poder terapêutico da natureza, ou coisas assim. Quem tive mais paciência vai tentar me explicar que se tratam de conhecimentos ancestrais de uma suposta medicina tradicional, aspectos aos quais eu deveria me render, deixando de lado minhas tendências céticas e materialistas. Com a aproximação da COP-30 já reparei que tal assunto ganhou novas proporções, por exemplo, na suposição de que certos “conhecimentos tradicionais” indígenas poderiam conter a chave não só para processos de cura de doenças como também para a resolução da crise ambiental. Isso é, sem dúvida, resultado de movimentos descoloniais e ambientalistas, que alimentam ideias um tanto românticas e sem base factual, de que as crenças e tradições dos chamados povos “ancestrais” ou “originários” apenas por isso já deveriam usufruir de um estatuto comparável ao das ciências estabelecidas, com raízes desde os tempos de Galileu, passando por Descartes, Louis Pasteur, Mme. Curie, Niels Bohr, Oppenheimer e Einstein. Mas a vida (aquela real, pelo menos) é bem mais complicada, para tristeza e revolta dos tais descolonizadores do conhecimento. Preocupado com isso procurei algumas leituras ancoradas na Ciência. Tradicional, que os tais descolonizadores costumam menosprezar, em troca do que denominam Nova Ciência.

*Flávio de Andrade Goulart é médico, professor de Medicina na UFU e na UNB, secretário de Saúde em Uberlândia e sobrinho do poeta Carlos Drummond de Andrade

Prefeitura realiza mais de 6,5 mil atendimentos habitacionais pela plataforma eHabita

Serviço online, que pode ser acessado pelo Portal da Prefeitura de Uberlândia, permite agilidade na realização de inscrições e atualizações cadastrais das faixas 1 e 2 do programa Minha Casa, Minha Vida

Reprodução

A Prefeitura de Uberlândia lançou, no último mês de outubro, o eHabita, nova plataforma online para inscrições e atualizações cadastrais em programas habitacionais no município. Até a última semana, o sistema já verificou mais de 6,5 mil atendimentos à população. A página pode ser acessada por meio do Portal da Prefeitura de Uberlândia, na seção da Secretaria Municipal de Habitação. Pode utilizar a ferramenta quem se enquadra nas faixas 1 e 2 do programa Minha Casa, Minha Vida, do Governo Federal.
“O eHabita permite realizar a inscrição e atualização do cadastro habitacional diretamente pela internet, sem a necessidade de comparecimento presencial ao setor de atendimento. Essa plataforma agiliza e oferece maior comodidade às pessoas interessadas em serem contempladas por programas habitacionais junto ao Município”, destacou o secretário municipal de Habitação, Luís Carlos Alves.
Mesmo com a operacionalização do eHabita, o cidadão que tenha preferência pelo atendimento presencial pode comparecer até o setor da Habitação, de segunda a sexta-feira, das 12h às 17h, no piso térreo, bloco 2, do Centro Administrativo Municipal

O lamaçal Brasil!

Marília Alves Cunha – Educadora e escritora

Alguns ainda teimam em achar que está tudo certo ou preferem se enganar. Para muitos estamos em plena democracia, mesmo estando muito perto na história os tristes acontecimentos que trouxeram Lula ao poder, depois de um golpe que é o pai de todos os outros que vêm sendo dados sistematicamente.

Os escândalos não param de acontecer, uns atrás dos outros. São muitos, são grandes, envolvem velhinhos sendo roubados, envolvem banco que cresceu de um dia para outro, beneficiado por poderosos que pegaram também o seu quinhão, envolvem famílias de altas autoridades, envolvem estatais que voltaram a ter números negativos com a volta de Lula ao poder. Envolvem um emaranhado de pessoas, todas voltadas, exclusivamente, a roubar o Brasil, a roubar o povo brasileiro, a continuar a série histórica de corrupção que por muitos anos manchou o nosso país. O Brasil não está dando certo, os números não mentem. E vai ficar pior ainda, com um governo que só se preocupa em esmagar o povo com altos e inúmeros impostos que, na realidade, não servem ao povo e nem quero imaginar para o que servirão… O Brasil arrecadou muito, mas tem gastado muito mal, tem abandonado o que é importante para uma nação. A impressão que temos é que o dinheiro dos impostos apenas serve para que o governante sirva aos seus e aos aliados. A imprensa tradicional, a grande mídia faz a festa , aplaudindo os abusos, apoiando histericamente as mentiras. As redes sociais são a única fonte confiável para que o povo brasileiro não fique completamente afastado das notícias de seu país. Por isto mesmo Lula repete sempre: a regulação das redes sociais é prioridade do governo. O nome certo para isto é censura…

Investigar os poderosos no Brasil tornou-se impossível e até desnecessário. O denunciante acaba sendo preso, mesmo que esteja coberto de provas e de razão. Ou, ainda, torna-se um exilado. Os depoentes e testemunhas da CPMI do INSS são presenteados com uma torrente de Habeas Corpus, decisões da Suprema Corte afastam a Comissão de documentos importantes que poderiam ajudar na elucidação dos crimes. Tem muita gente comparecendo apenas para tomar uns goles de água e café, fazer cara de paisagem e dizer que prefere manter o silêncio. A proteção ao escândalo do Banco Master e seus sinistros personagens, parece estar também garantida, infelizmente. É uma coisa tão vergonhosa, tão sem desculpas, tão imorais e inescrupulosas que custamos a acreditar estejam acontecendo. Como deixamos as coisas chegarem a este ponto? Como deixamos que o crime se normalizasse e se estendesse a tal ponto que hoje, desacreditamos das autoridades e tudo fica por isto mesmo? Tudo sob sigilo máximo, não há explicações a dar, o povo que se dane…

Gosto muito, tenho necessidade premente de pegar o celular e catar o que gente honesta, responsável, conhecedora do direito e seus princípios dizem, com conhecimento de causa. É muito bom ver que ainda tem gente esforçando-se pra disseminar a verdade que tem sido tão ignorada neste país, ou completamente distorcida. Dia desses, li esta preciosidade: “Se qualquer um de nós é julgado no Brasil pelo que o juiz acha que é uma ameaça à democracia ou pelo que o juiz acha que é discurso de ódio, ou que o juiz acha que é verdade ou inverdade, eu não estou subordinado à objetividade da lei, mas à interpretação subjetiva, falível de alguém, de uma autoridade que detém o poder.” Bonito, né?

Bem, final de ano aproximando-se e um pedido a Deus: que o Brasil se restabeleça de tanta pancada, que volte a ser um país de futuro, que o brasileiro não desista nunca de viver em paz e sob o signo da prosperidade, da ordem e da justiça. Uma coisa mais: que Bolsonaro possa passar o Natal com a família e ter um 2026 tranquilo. Se culpa ele tem de alguma coisa que ainda não foi demonstrada, já purgou todas elas e merece viver em paz. Foi um grande presidente, é um grande líder e não merece em absoluto o inferno que lhe prepararam.

300 picaretas

Paulo Henrique Coimbra de Oliveira – Economista – RJ

Em setembro de 1993, Lula afirmou que o Congresso tinha 300 picaretas. Não percebemos que era um deles. Ainda não tinha mostrado as garras. Ele se aperfeiçoou e veio a ser presidente por 5 mandatos, 2 por procuração. E o pior, o número de picaretas só aumentou. E nossa dívida também. Era 60 bilhões. Hoje é 8 trilhões. Enriquecemos os picaretas, hoje encastelados também no judiciário, tribunais superiores e afins em todos os níveis. E o povo? O povo é detalhe, segundo Zélia.

Promessas abandonadas

Promessas abandonadas e discurso trocado: a segurança pública mineira à deriva

Diógenes Pereira da Silva*

*Promessas abandonadas e discurso trocado: a segurança pública mineira à deriva*

O vice-governador Mateus Simões fez um compromisso público e explícito: os reajustes das forças de segurança dependeriam da derrubada dos vetos presidenciais ao PROPAG. O Congresso cumpriu sua parte. O governo mineiro, não.

Depois de meses de articulação política e expectativa crescente entre policiais, bombeiros e agentes do sistema prisional, o discurso oficial mudou. Sem explicações, Mateus Simões passou a falar apenas em novas contratações — e silenciou sobre o reajuste que ele próprio condicionou e prometeu.

A mensagem para a tropa foi clara: o compromisso foi abandonado.

A defasagem salarial ultrapassa 40%. O desgaste físico, psicológico e institucional é crescente. O governo sabe disso, reconhece isso — mas escolhe ignorar. A mudança de narrativa não é apenas um recuo político; é um gesto de desrespeito com quem sustenta a segurança do estado.

E a pergunta inevitável surge: Mateus Simões, que pretende disputar o governo em 2026, seguirá a cartilha de Romeu Zema, que também prometeu em campanha, recuou no governo e nunca entregou o reajuste?

A sensação entre os profissionais é de abandono. A atual gestão criou um abismo entre ativos e inativos, acentuou desigualdades e empurrou a categoria para uma crise moral sem precedentes. Zema prometeu corrigir a defasagem. Não cumpriu. Agora, seu vice repete o roteiro.

Essa sequência de promessas quebradas deveria servir de alerta para todo o funcionalismo público mineiro. Antes mesmo de entrar oficialmente na disputa eleitoral, Mateus Simões já dá sinais de que compromissos assumidos não resistem ao teste da conveniência política.

E não se trata apenas de segurança pública. O impacto é mais amplo. Estados que desprezam seus profissionais de segurança pagam a conta em atraso: perda de investimentos, enfraquecimento institucional, aumento da criminalidade e deterioração da confiança pública.

Sem segurança valorizada, não há desenvolvimento econômico, nem estabilidade social.

Em um cenário em que discursos mudam ao sabor da conveniência, resta ao servidor e ao cidadão redobrar o cuidado com políticos que prometem no palanque e retraem no poder. Minas Gerais já viu esse filme — e o desfecho, até agora, tem sido prejuízo para quem trabalha e risco para quem vive aqui.

*Diógenes Pereira da Silva
Tenente do Quadro de Oficiais da PMMG. Graduado em Segurança Pública pelo Centro Universitário do Triângulo. Pós graduado graduado em Gestão de pessoas no setor Público.