Segurança pública falida

Diógenes Pereira da Silva*

A Crise da Segurança Pública e o Colapso do Estado Brasileiro

As recentes operações policiais no Rio de Janeiro, que resultaram em centenas de mortes, são apenas uma amostra do colapso estrutural da segurança pública no Brasil. O que se vê não é apenas violência, mas a comprovação da incompetência estatal acumulada ao longo de décadas.

Os criminosos não temem a polícia, tampouco a Justiça. Quando o sistema judiciário se mostra leniente, ele se transforma, involuntariamente, no sustentáculo do crime organizado. A ausência de punições exemplares e a morosidade processual criam um ambiente de impunidade que encoraja o banditismo.

Faltam políticas públicas sérias e permanentes voltadas à segurança. A conivência — muitas vezes nascida de decisões equivocadas de autoridades — aliada à benevolência judicial e à fragilidade do sistema prisional, fomenta a expansão das facções e o aumento da violência.

Enquanto o Estado não se reorganizar de forma ampla, com um Legislativo que produza leis severas e eficazes, um Judiciário comprometido em fazer cumprir as penas e um sistema penitenciário que mantenha os criminosos afastados das ruas, não haverá solução. Uma polícia bem treinada, equipada e valorizada é essencial, mas não pode atuar sozinha diante de uma estrutura legal e institucional falida.

Enquanto o Estado se mostra desorganizado, o crime se organiza. Essa é a dura realidade de um país que, por omissão e incoerência, falha em oferecer ao cidadão de bem o mínimo: segurança e justiça. É uma verdade que incomoda — mas que precisa ser dita, doa a quem doer.

*Diógenes Pereira da Silva
Tenente QOR – PMMG

As drogas e suas mazelas sociais

Diógenes Pereira da Silva – Tenente do Quadro de Oficias da Reserva Remunerada da PMMG

Cracolândia

No cenário brasileiro contemporâneo, verifica-se um aumento progressivo no número de indivíduos em situação de dependência química, configurando um fenômeno que envolve fatores biomédicos, socioeconômicos e territoriais. A chamada Cracolândia, situada historicamente no centro de São Paulo, representa um caso emblemático de concentração urbana de vulnerabilidades, caracterizada pela interação entre uso problemático de substâncias psicoativas, exclusão social e insuficiência de políticas intersetoriais.

Declarações recentes de autoridades municipais apontam para a suposta “extinção” do fluxo de usuários, restando apenas um grupo reduzido de indivíduos. Essa narrativa, contudo, suscita questionamentos à luz de conceitos amplamente discutidos no campo das políticas públicas.

Nesse sentido, é pertinente indagar qual foi o destino real das centenas de usuários que tradicionalmente ocupavam aquela área. Teriam sido integrados a estratégias baseadas em redução de danos, que priorizam o cuidado continuado e a preservação de vínculos sociais? Foram incorporados a programas de acolhimento institucional, que buscam oferecer suporte habitacional e acompanhamento psicossocial? Ou, de forma coerente com práticas recorrentes de higienização urbana, teriam sido apenas deslocados para regiões periféricas, fenômeno descrito pela literatura especializada como dispersão territorial induzida, no qual o problema é apenas deslocado espacialmente, sem que haja redução efetiva dos agravos?

Além disso, a análise técnico-científica demanda considerar a possibilidade de mortalidade associada a agravos decorrentes do uso de substâncias, bem como os impactos da ausência de políticas continuadas de reinserção social, que são reconhecidas como essenciais para romper ciclos de uso compulsivo, reincidência e vulnerabilidade.

A avaliação desse contexto exige, portanto, o emprego de abordagens metodológicas robustas, baseadas em epidemiologia social, análise territorial, indicadores de saúde pública, estudos sobre populações em situação de rua e monitoramento das políticas de drogas. Somente a partir de dados consistentes e da integração de ações intersetoriais, saúde, assistência social, habitação, trabalho e segurança, é possível mensurar se houve redução real do fenômeno ou apenas uma mudança de sua visibilidade espacial.

O verdadeiro Natal

Diógenes Pereira da Silva – Tenente do Quadro de Oficiais da Reserva remunerada da PMMG

O Natal se aproxima e, com ele, somos chamados à reflexão sobre o verdadeiro sentido dessa data sagrada. Natal não se resume a confraternizações, mesas fartas ou encontros familiares. Natal é, acima de tudo, viver em comunhão com o Espírito Santo e praticar, no cotidiano, os ensinamentos deixados por Jesus Cristo.

Para milhões de brasileiros, porém, a esperança parece cada vez mais distante. Enquanto alguns celebram diante da abundância, muitos sequer sabem se haverá pão no dia seguinte. Crianças adormecem com fome, famílias sobrevivem à margem, invisíveis aos olhos de uma sociedade que, aos poucos, aprendeu a conviver com a desigualdade como se ela fosse algo natural e inevitável.

Jesus nasceu pobre, em uma manjedoura, e sua vida foi marcada pela convivência com os excluídos, os marginalizados e os esquecidos. Caminhou entre os que choravam, acolheu os rejeitados e ensinou, com palavras e gestos, que toda vida tem valor. Quando nos afastamos desse ensinamento, abrimos espaço para o abandono, para a dor e para a violência que hoje assola nossas cidades.

A pobreza e a marginalização não são apenas feridas sociais; transformam-se em combustível para a violência cotidiana que ceifa vidas, destrói famílias e espalha medo. A desigualdade sustenta a violência urbana, pois onde falta dignidade, sobra desespero. Onde o Estado falha, a injustiça se instala e a paz se torna refém.

Celebrar o Natal sem olhar para essa realidade é esvaziar seu verdadeiro significado. Natal é dobrar os joelhos e clamar por justiça; é reconhecer que todos são iguais perante a lei de Deus e que não pode haver paz verdadeira enquanto houver fome, exclusão e abandono. A própria Palavra nos adverte: “A fé, se não tiver obras, é morta.”

É tempo de partilhar o pouco ou o muito que temos, de estender a mão, de olhar para o próximo não como ameaça, mas como irmão. É tempo de compreender que a indiferença também mata e que o amor ao próximo é o único caminho capaz de romper o ciclo da violência.

Que o nascimento de Cristo reacenda em nós a compaixão, a responsabilidade social e o compromisso com um Brasil mais justo, onde a dignidade vença a desigualdade e onde a paz não seja privilégio de poucos, mas direito de todos.

Este é o clamor do verdadeiro Natal.

Um abraço de Natal

Ana Maria Coelho Carvalho – Bióloga

Assisti a dois abraços que me emocionaram. Um deles foi de um chimpanzé abraçando a pesquisadora que salvou sua vida. O outro foi de uma menininha e minha filha, na Bahia.

O primeiro, assisti em um vídeo antigo, na internet. Sobre Wounda, uma fêmea de chimpanzé, que esteve muito doente por várias vezes. Foi tratada em um centro de pesquisa na Tanzânia, África, fundado por Jane Goodall, uma primatologista inglesa que faleceu em 2025, aos 91 anos de idade. Ela dedicou sua vida a estudar o comportamento dos chimpanzés e a cuidar deles. Cuidou de Wounda, que conseguiu se recuperar, e juntamente com uma equipe, foram soltá-la em uma ilha. Quando abriram a jaula onde foi transportada, Wounda saiu, olhou em volta a floresta exuberante, deu uma corridinha, voltou, subiu na jaula e abraçou a Jane. Um abraço demorado, apertado, com os olhinhos fechados. Passou as mãos peludas nas costas da pesquisadora, já franzina e idosa. Essa ficou acariciando os longos pelos do dorso de Wounda. Ficaram assim as duas, durante algum tempo, parecendo que a chimpanzé estava agradecendo e despedindo-se. Depois, saiu em passos rápidos e bamboleantes e embrenhou -se na selva, rumo à liberdade. Deu vontade de chorar.

O segundo abraço foi de uma menininha bonita, cor de jambo, de quatro anos, quando ela chegou na escolinha que funcionava na casa da minha filha, em Algodões, depois que a mãe foi presa. Eu estava lá e presenciei a cena. O abraço da menininha foi de chegada, de entrega, de encontro, de esperança. O da minha filha foi de dor, de consolo, de carinho, de compaixão, ao sentir os ossinhos frágeis e ao ver as suas perninhas finas cortadas por capim navalha. A mãe dela (que na verdade ganhou a menina da mãe biológica) era usuária de drogas e assaltou uma casa juntamente com dois filhos. Quando fugia da polícia pelo mato, arrastou com ela a criança, que ficou toda machucada. Ela, a menininha, conta que não quer ficar sem a mãe e que essa vai voltar. Vontade de chorar também, mas não de alegria.

Enfim, os abraços estão presentes em nossas vidas, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença. São gestos simples, carregados de sentimentos. Podem ser de apoio, de despedida, de chegada, de consolo, de saudade, de compreensão, de afeto, de aconchego, de partilha. E, como alguém já disse, um bom abraço não pode ser rápido, tem que atravessar o corpo, ser uma confissão, ser o encontro de dois corações, precisa cruzar os braços e demorar no rosto.

E como diz a canção de Jota Quest: “o melhor lugar no mundo é dentro de um abraço, pro mais velho ou pro mais novo, pra alguém apaixonado, alguém medroso; tudo que a gente sofre, num abraço se dissolve, tudo que se espera ou sonha, num abraço a gente encontra”. Ou como cantado por Milton Nascimento: “mande notícias do mundo de lá, diz quem fica, me dê um abraço, venha me apertar, tô chegando”. E também por Roberto Carlos: ” você foi o maior dos meus casos, de todos os abraços, o que eu nunca esqueci”.

Assim, desejo que neste Natal você dê e receba muitos abraços. Não tem presente melhor. Abraços apertados, sinceros e inesquecíveis. Abrace a família, os amigos, os companheiros de trabalho, os velhinhos, as crianças, os abandonados, os carentes, os orgulhosos, os chorões, os ranzinzas, os otimistas, quem você puder. Mas, acima de tudo, desejo que você se sinta abraçado pelo Menino Jesus. Um abraço enorme, cheio de amor, de paz e de luz, capaz de unir o coração humano ao coração divino.

Feliz Natal, com muitos abraços!

Escândalos!

Tania Tavares – Professora – SP

Os governos de Luiz Inácio Lula da Silva, são marcados por escândalos de grandes prejuízos para nós brasileiros. Em 2005, tivemos durante o primeiro mandato de Lula o escândalo do Mensalão. O dinheiro vinha de empresas públicas e contratos de publicidade, sendo desviado por pessoas como José Dirceu, ex-ministro do governo. Outro grande caso foi o Petrolão, descoberto durante a Operação Lava Jato, que investigou desvios na Petrobras entre 2004 e 2014, nos governos de Lula e Dilma Rousseff. Agora em 2025, o escândalo é no INSS, onde associações e sindicatos descontavam dinheiro de aposentados e pensionistas sem autorização, totalizando R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024. Há o envolvimento do irmão de Lula e agora também do filho associado ao careca do INSS. Já há nomes para este escândalo circulando Aposentão ou Descontão. Então, PT no governo é rombo certo, vide novamente os Correios!

A corrupção e a criminalidade estão no meio da sociedade!

Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Acadêmico da ABLetras, Blogger, Analista Político e Graduado em Gestão Pública.

Há uma falsa impressão de que a corrupção é fruto exclusivo dos políticos brasileiros e de que a criminalidade se restringe aos traficantes que vivem nos morros e favelas. Ledo engano de quem pensa desta forma, afinal de contas o jeitinho brasileiro de levar vantagem em tudo contaminou parcela significativa da sociedade.
Na cidade de Campinas – SP, foi preso um médico veterinário suspeito de ser o maior fornecedor do país de receitas de ketamina, também chamada de cetamina, para o tráfico da substância.
Uma investigação da Polícia Civil do Paraná indica que ele integraria uma quadrilha especializada em cooptar veterinários para conseguir o sedativo e depois transformá-lo em Special K, droga alucinógena para a venda, ou então usá-lo para “turbinar” outras substâncias, a exemplo da cocaína.
A prisão do veterinário foi um desdobramento de uma operação realizada ontem, dia 05/12, que prendeu outras sete pessoas e cumpriu mandados de busca e apreensão em Curitiba e Fazenda Rio Grande (PR); Mogi das Cruzes, Itapira, Valinhos, Indaiatuba, Campinas e São José do Rio Preto (SP); Belo Horizonte (MG); Várzea Grande (MT); e Macaé (RJ). Os policiais apreenderam diversas caixas de ketamina, R$ 55 mil em espécie e uma arma de fogo.
Esse é apenas um pequeno exemplo nesse emaranhado de crimes, fraudes e golpes que a sociedade está habituada a ver constantemente. São organizações que se formam e muitas vezes “prestam” serviços as grandes organizações criminosas do país, como PCC ou Comando Vermelho.
Com toda certeza existem outras envolvendo demais profissionais liberais como médicos, advogados, engenheiros, etc. Basta montar a operação e investigar que se encontra muitos crimes neste país.
As penas brandas, a facilidade em responder processos em liberdade e a controversa progressão penal são motivadores para os criminosos. É preciso uma revisão do nosso código penal, porém, concomitantemente com a reestruturação do sistema prisional. Todas as vezes que o noticiário aponta que alguém foi preso e já possuía crimes hediondos nas costas, fica a pergunta no ar: Se havia cometido um ou mais crimes, por que estava solto?
Nos países modernos e mais avançados do primeiro mundo, o sistema penal é rigoroso com quem pratica crimes. Após julgados e condenados pegam penas acima de 30 anos. Como inibir a criminalidade com exemplos nefastos que partem dos políticos e com uma justiça mansa e cordeira?
É preciso obviamente investir em Educação, porém, o tempo urge. Falamos dessa situação há mais de 30 anos e nada foi feito neste período, onde a situação piora claramente a cada dia. Enquanto a educação não atinge o estágio desejado, é preciso agir através da Justiça.