Promessas abandonadas e discurso trocado: a segurança pública mineira à deriva
Diógenes Pereira da Silva*
*Promessas abandonadas e discurso trocado: a segurança pública mineira à deriva*
O vice-governador Mateus Simões fez um compromisso público e explícito: os reajustes das forças de segurança dependeriam da derrubada dos vetos presidenciais ao PROPAG. O Congresso cumpriu sua parte. O governo mineiro, não.
Depois de meses de articulação política e expectativa crescente entre policiais, bombeiros e agentes do sistema prisional, o discurso oficial mudou. Sem explicações, Mateus Simões passou a falar apenas em novas contratações — e silenciou sobre o reajuste que ele próprio condicionou e prometeu.
A mensagem para a tropa foi clara: o compromisso foi abandonado.
A defasagem salarial ultrapassa 40%. O desgaste físico, psicológico e institucional é crescente. O governo sabe disso, reconhece isso — mas escolhe ignorar. A mudança de narrativa não é apenas um recuo político; é um gesto de desrespeito com quem sustenta a segurança do estado.
E a pergunta inevitável surge: Mateus Simões, que pretende disputar o governo em 2026, seguirá a cartilha de Romeu Zema, que também prometeu em campanha, recuou no governo e nunca entregou o reajuste?
A sensação entre os profissionais é de abandono. A atual gestão criou um abismo entre ativos e inativos, acentuou desigualdades e empurrou a categoria para uma crise moral sem precedentes. Zema prometeu corrigir a defasagem. Não cumpriu. Agora, seu vice repete o roteiro.
Essa sequência de promessas quebradas deveria servir de alerta para todo o funcionalismo público mineiro. Antes mesmo de entrar oficialmente na disputa eleitoral, Mateus Simões já dá sinais de que compromissos assumidos não resistem ao teste da conveniência política.
E não se trata apenas de segurança pública. O impacto é mais amplo. Estados que desprezam seus profissionais de segurança pagam a conta em atraso: perda de investimentos, enfraquecimento institucional, aumento da criminalidade e deterioração da confiança pública.
Sem segurança valorizada, não há desenvolvimento econômico, nem estabilidade social.
Em um cenário em que discursos mudam ao sabor da conveniência, resta ao servidor e ao cidadão redobrar o cuidado com políticos que prometem no palanque e retraem no poder. Minas Gerais já viu esse filme — e o desfecho, até agora, tem sido prejuízo para quem trabalha e risco para quem vive aqui.
*Diógenes Pereira da Silva
Tenente do Quadro de Oficiais da PMMG. Graduado em Segurança Pública pelo Centro Universitário do Triângulo. Pós graduado graduado em Gestão de pessoas no setor Público.