por uberlandiahoje | fev 22, 2026 | Ponto de Vista |
Tania Tavares – Professora – SP
Gostaria de entender as posições tomadas:- ” em relação a apurar reunião secreta sobre Master no STF, onde houve vazamentos e não querem punir o autor. Já Kleber Cabral, presidente da Unafisco é ouvido pela PF como investigado por ordem de Moraes após ter criticado o Supremo, que focou nos auditores por suspeitar que vazaram dados de ministro(s).Coerência para serem respeitados.
por uberlandiahoje | fev 21, 2026 | Ponto de Vista |
Já fui acusado neste espaço por algumas pessoas encantadas com a polícia econômica do presidente Lula, de ser pessimista e míope por não reconhecer nem ver que nos últimos oito anos houve crescimento expressivo da classe média brasileira; que a pobreza diminuiu e o Brasil tem mais de US$ 350 bilhões de dólares de reservas que fazem com que o País seja uma potência econômica mundial. Tanta euforia não passa pela minha cabeça. Prefiro acreditar no que dizem economistas prudentes.
Há poucas semanas, o jornal Valor Econômico alertou que “se alguém espera para 2026 algum sopro de euforia nos mercados, é bom saber que essa não é a previsão de especialistas consultados”. “Não vai ser um ano para dobrar capital”, comentou um respeitado economista.
As medidas macroprudenciais adotadas no Governo do presidente Lula, como já comentamos neste espaço, estão a produzir agora os primeiros sinais de desaceleração da economia cabocla. Para evitar desemprego em massa, o Presidente tem tentado aprovar no Congresso medidas contra a desaceleração da economia. Para economistas conservadores, as medidas propostas pelo governo são paliativos que espalhas sinais eleitoreiros já que o Presidente se declarou candidato à reeleição. Na economia globalizada, o Brasil não ficará como ilha de bonanças sem sofrer os efeitos negativos da desaceleração econômica que começa no Primeiro Mundo após o anúncio do tarifaço anunciado pelo presidente Trump
BIPOLARIDADE
Segundo observadores da economia nacional, pode haver bipolaridade com períodos de estresse que devem se alterar em momentos de recuperação embalados por recursos ainda disponíveis no Brasil. Este é um país que ainda tem recursos disponíveis e forte mercado interno, mas isto não é vantagem competitiva no mundo.
CAUTELA
O Governo tem agido com cautela em matéria de economia e atua para evitar desacelerar a indústria. No entanto, continua fraco o desempenho da indústria em 2026”. Na verdade, é o “Custo Brasil”, a carga tributária o que atormentam as indústrias.
CLIMA QUENTE
Em Uberlândia a indústria da construção civil continua viva. Neste ambiente é preciso torcer para que o Governo não desvie recursos do FGTS para financiar as obras de fantasia em ano de eleição e falte dinheiro para a CEF financiar a construção de imóveis residenciais para o time de baixa renda. Apesar dos pesares, o Brasil continua lido!
por uberlandiahoje | fev 21, 2026 | Ponto de Vista |
João Batista Domingues Filho – Cientista Político – Professor UFU/INCIS
A maximização da eficiência do Estado democrático — torná-lo um “poder em público” — continua desafiando a prática política do governante antidemocrático. A continuidade da consolidação democrática entre nós depende do grau de coexistência entre democracia representativa e participação política direta na gestão da “coisa pública”. As democracias que surgiram a partir do fim do século 18 apenas combinaram instituições já existentes, mesmo as mais novas. Isto quer dizer que existe uma margem enorme para “idear instituições” para o desenvolvimento da democracia. Daí surge a permanente necessidade de reformas e da maximização da eficiência do Estado brasileiro: aumentar os controles sobre a governança pública e expandir o atendimento às demandas sociais. Expansão do Estado sobre a sociedade, da mesma forma que a sociedade amplia sua participação no processo decisório público. É a necessidade de priorizar a inovação e a reestruturação da vida política numa sociedade democrática.
É a possibilidade de combinar participação direta do cidadão, na gestão da “coisa pública”, com o modelo clássico de democracia: eleição, sufrágio universal, alternância no poder, liberdade de divergir e igualdade de voto dos cidadãos. É a criação de um fórum complementar de aperfeiçoamento da democracia eleitoral. Participação direta fortalecendo a democracia eleitoral, pois os cidadãos demonstrariam, assim, um grau maior de capacidade no exercício da cidadania política. Desenvolvimento da democracia participativa traduzido em maior eficiência da governança pública. Eficiência não é contraditória com maior participação direta dos cidadãos em todos os níveis da administração pública. É preciso criatividade por parte da sociedade civil para gerar novas instituições garantidoras da participação direta. Dificilmente terá origem no Executivo a iniciativa de aumentar o controle e a participação na gestão pública.
É precisamente nesse ponto que emergem as tensões mais recorrentes nas democracias contemporâneas.
Observe-se que, em diversas administrações municipais, após a vitória eleitoral, a primeira providência tem sido reduzir ou mesmo extinguir mecanismos de participação direta da população, sobretudo na definição e distribuição dos recursos orçamentários. O governante confunde popularidade e boas avaliações administrativas com autorização para limitar a participação da sociedade na gestão pública, como se o resultado das urnas representasse um cheque em branco para governar sem controle social. A prefeitura não é propriedade particular, administrada segundo critérios pessoais. A legitimidade eleitoral não substitui a legitimidade participativa. Esse tipo de administração pública não gera eficiência: a melhor utilização dos recursos nas várias áreas da administração depende da informação advinda da participação do cidadão, elemento central das democracias contemporâneas e fundamento da accountability democrática, isto é, da correspondência entre decisões governamentais e preferências sociais. O prefeito não é um “iluminado” que sabe tudo o que a população deseja para si e para a cidade. Não há administrador “genial”, mas concentração decisória que fragiliza a esfera pública e reduz a qualidade democrática, especialmente quando decisões coletivas são substituídas por critérios unilaterais legitimados apenas por índices de popularidade.
Participação direta em todos os níveis da gestão pública não é utopia ou ingenuidade analítica. É de má-fé defender-se com essas acusações. E, muito menos, substituição do Legislativo, mas crescimento de sua legitimidade. É mais trabalhoso e de alto custo para o governante pôr em prática a participação direta. É factível para o prefeito democrático e impossível para administrador centralizador e antidemocrático.
por uberlandiahoje | fev 20, 2026 | Ponto de Vista |
Ana Maria Coelho Carvalho – Bióloga
É preciso escrever sobre pessoas que são gente de verdade. Pessoas que semeiam paz e luz onde estão, que enfrentam desafios com garra silenciosa, que vivem uma vida humilde -mas cheia de grandeza- e que representam um Brasil que muitos desconhecem. Registrar suas histórias, suas forças nunca celebradas, mas que, ainda assim, importam. Por isso escrevo sobre Tim.
Lucilene Atanásio dos Santos, carinhosamente chamada de Tim, nasceu em Gongogi, interior da Bahia. É a décima primeira entre 14 filhos de Elizabeth. A mãe tinha nome de rainha, mas jamais teve qualquer honraria. Os filhos nasceram todos de parto normal, no mato ou na casinha de chão batido, às vezes com parteira, às vezes sem ninguém. Três morreram ainda na infância; dois, já adultos.
Hoje, aos 44 anos, Tim é pequenina- mede 1,30 m. Robusta, de braços e pernas fortes, pele muito negra, olhos bondosos e bonitos, sobrancelhas espessas. O cabelo, sempre esticado, preso e enfeitado. Um sorriso largo, mostrando os dentes muito brancos. Mora na comunidade quilombola de Ambuba, no meio da mata, na península de Maraú, numa casa simples com paredes de barro. Os pais já faleceram. Sem água encanada, sem energia e com fogão à lenha.
Conheço Tim há muitos anos. É irmã de Djalma, pai dos meus três netos baianos. Recentemente, passou uma semana em minha fazenda e perguntei se poderia escrever sua história. Gostou da ideia. Sentada à mesinha, debaixo de um pé de baru, foi contando sua vida. Disse que a bisavó materna fora encontrada e capturada no mato. Já o avô paterno possuía terras em Ambuba; um dia partiu e deixou tudo para Antônio, seu pai. Esse distribuiu um pedaço de terra para cada filho, menos para ela (no quilombola, ninguém tem escritura, chegaram e ficaram). Quando a mãe era viva, todos comiam junto. Mãe e filha cozinhavam para 8, 10 pessoas, buscando água no rio (Tim chama de fonte). Hoje, três irmãos trabalham por lá extraindo borracha no seringal e almoçam com ela.
Acorda entre quatro e cinco horas. Varre a casa e o quintal, depois acende fogo para cozinhar feijão com carne seca, arroz e mandioca, sempre acompanhados de farinha. Alimentam-se também dos frutos da região: cacau, coco, dendê, manga, banana. Alguns da família têm os dentes da frente gastos de tanto rasparem o coco do dendê. Vai a Maraú apenas uma vez por mês fazer compras, numa canoa com motor, acompanhada por um irmão. Na volta, carregam tudo morro acima. Com uma risadinha curta e gostosa, conta que, se o alimento acaba antes do fim do mês, há o mangue para ajudar. Pescam algum peixe, caranguejo, guaiamum, siri, camarão- pitu. Não cultivam verduras, pois falta água. Passou a vida carregando lata d’água na cabeça: meia hora para descer ao rio, meia hora para subir. Conta, alegre, que a vida dela melhorou muito, pois um irmão instalou placa solar; agora ela tem água corrente para beber e cozinhar, mas continua indo ao rio para tomar banho, lavar as louças e a roupa. A energia solar chega das 18h às 20h. Nesse intervalo, assiste às novelas “Êta mundo melhor” e “Coração acelerado”, da Globo. Perguntei se entendia o enredo todo, disse que não, que gosta mesmo é das roupas dos personagens e de um casal que canta junto, aprecia as músicas. Completou que agora tem celular para enviar e receber áudios e que não usa mais candeeiro, agora pode comprar velas. Conseguiu, depois de muitos anos tentando, um auxílio do governo. Disse que, quando a mãe era viva, usavam candeeiro. E quando o óleo para acender acabava, faziam uma fogueira no meio da casa para iluminar. Está contente porque agora acende velas.
Continuando a conversa, perguntei-lhe sobre os estudos. Contou que frequentou a escolinha de Ambuba por cerca de oito anos. Caminhava quarenta minutos por uma trilha no mato até chegar. A professora, Ildete, ensinava alunos de várias idades na mesma sala. Quando aprendeu um pouco, aos 12-13 anos, passou a estudar em Maraú. Ia de barco, juntamente com outros alunos. Saia de casa às quatro e meia da madrugada e chegava à escola às sete e vinte. Viveu assim por muitos anos, parou de estudar aos 30 anos. Sempre começava e desistia. Concluiu a quinta e a sexta séries, não terminou a sétima. Perguntei se sabia ler, disse que lê e escreve um pouco. Perguntei também se sabia as quatro operações matemáticas, respondeu com um risinho maroto, que dependia da conta…Disse que os professores eram bons, explicavam bem; o problema era ela- “dava um branco na cabeça e eu esquecia tudo”. Na sequência, perguntei porque ela era assim tão pequenina. Respondeu que um médico lhe dissera que ela era “infantil”. Parece que ficou satisfeita com a resposta e nunca se preocupou com isso, nem a família, vida que segue. Talvez tenha a síndrome de Turner, condição genética que afeta apenas mulheres; ocorre quando há uma ausência total ou parcial do cromossomo X e pode causar baixa estatura e ausência de menstruação. Mas Tim não sabe disso e nem imagina o que seja um cromossomo…Perguntei se já teve namorado, se é feliz, se tem algum sonho. Rindo, respondeu que nunca teve namorado; nunca pensou nisso. “Sou só eu mesma”. É feliz sim. E já realizou o sonho de viajar, sair um pouco de Ambuba. No ano passado foi sozinha para Joinville – quase três dias de ônibus-onde ficou três meses na casa de um irmão. E agora veio para a fazenda, já conhece Uberlândia, Ilhéus, Itabuna, Serra Grande, está bom. Rimos quando lhe disse que nunca vi alguém gostar tanto de varrer casa e quintal como ela. E de lavar roupas, é impressionante.
Sem pressa de nada, Tim às vezes fica parada, quieta, parecendo meditar, sentada em algum canto ou olhando para o céu. Nunca reclama de nada, não discute com ninguém, está sempre de bom humor, limpinha e arrumada, pronta para trabalhar e ajudar. Em sua simplicidade- e no desconhecimento de tanta coisa que existe neste vasto mundo- Tim tem uma rara serenidade. É uma paz estar perto dela. Acende velas para iluminar sua casinha, mas ela mesma é luz. Não nasceu para brilhar nos palcos: pequena como uma chama, nasceu para clarear caminhos.
por uberlandiahoje | fev 19, 2026 | Ponto de Vista |
Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Acadêmico da ABLetras, Blogger, Analista Político e Graduado em Gestão Pública.
O surgimento de mais um partido num cenário saturado com mais de 30 agremiações partidárias é um absurdo. O novo velho partido é o Missão, oriundo dos moleques do MBL, aqueles que invadiam universidades e hospitais em busca de imagens para poderem lacrar enquanto distorciam a verdade.
Estiveram ao lado da extrema-direita bolsonarista em 2018 e 2022. Depois da tentativa de golpe de Estado e dos casos de roubos de joias e outros escândalos, pularam fora da barca resolveram agir por conta própria criando um partido de extrema-direita. Mais um credor para o fundo partidário bilionário.
Ficou fácil, pois agora criticam o PT, PSOL na esquerda e os partidos de direita convencionais. Ninguém presta na ótica deles e só o que eles falam é a luz da verdade. Acontece que não possuem legado, nunca fizeram nada de útil a sociedade brasileira, portanto, não tem como comparar com algo dentro do já combalido cenário político nacional.
O Missão é mais do mesmo neste cenário exaurido em que os políticos criticam tudo e não fazem nada para mudar o que está errado. Nossa política precisa de uma reforma que acabe com o excessivo número de partidos, com as regalias recebidas pelos políticos, pelo número exagerado de vereadores, deputados estaduais e federais, pelo fim da concessão e auxílios infindos imorais que solapam nossos impostos.
O novo grupamento vai na contramão e a única coisa que pleiteiam é pena de morte para criminosos. Surgem com o surrado slogan “Bandido bom é bandido morto”. Um tanto quanto fascista e imoral, visto que bandido milionário que dá golpes em grande lojas e bancos não estão inclusos neste slogan.
Suas principais propostas são:
Segurança Pública: Defende o endurecimento de penas, o combate frontal ao narcoterrorismo e inspira-se em modelos como o de Nayib Bukele (El Salvador).
Economia: Segue uma linha liberal, mas com pitadas de desenvolvimentismo focado em infraestrutura e industrialização regional (como no Nordeste).
Valores: Defesa dos valores judaico-cristãos e da cultura clássica, mas com foco em um “projeto de nação” e ruptura geracional (focado nas gerações Millenial e Z).
Após o registro do partido Missão, outras 23 legendas tentam sair do papel no Brasil, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Atualmente, o País conta com 30 partidos políticos regularmente registrados na Justiça Eleitoral.
Pela Lei dos Partidos Políticos, é livre a criação de legendas, desde que seus programas respeitem a soberania nacional, o regime democrático, o pluripartidarismo e os direitos fundamentais da pessoa humana. A legislação também assegura autonomia para a definição de estrutura interna, organização e funcionamento das siglas.
Infelizmente, isso mostra que assim como existem igrejas em milhares de fundos de quintais, em busca de enriquecimento às custas da isenção de impostos, políticos de diversos grupamentos querem desfrutar do fundo eleitoral brasileiro e dos altos salários e benefícios a disposição dos políticos no país.
por uberlandiahoje | fev 19, 2026 | Ponto de Vista |
Tania Tavares – Professora – SP
Ao ver na mídia que aparece “Receita nega que houve acesso aos dados sigilosos de Gonet” e “PF investiga vazamento de informações de ministros do Supremo e do PGR”, fico pensando o que as pessoas que trabalham nestes locais devem saber e pensam que mais à frente tudo será abafado e eles criminalizados. E nós, o povo pagadores dos seus salários gostaríamos de saber a verdade.