Diógenes Pereira da Silva – Tenente do Quadro de Oficiais da Reserva Remunerada da PMMG
Falar de dependência química e de abuso sexual de menores é tocar em duas das mais graves feridas sociais do país. São dramas que destroem famílias, desestruturam comunidades e deixam cicatrizes permanentes nas vítimas. Contudo, tão grave quanto o crime em si é a omissão de quem deveria combater essas práticas com rigor e responsabilidade.
A dependência química, reconhecida como doença, exige tratamento, políticas públicas eficazes e acolhimento. Porém, quando o poder público falha na prevenção, abandona famílias à própria sorte e não investe em reabilitação, contribui para o agravamento de um ciclo de vulnerabilidade que expõe crianças e adolescentes a riscos extremos.
Já o abuso sexual de menores não admite relativização. É crime hediondo, covarde e devastador. Rouba a infância, compromete a saúde mental e pode marcar uma vida inteira. O que revolta a sociedade é perceber que, muitas vezes, processos se arrastam, provas se perdem, investigações são frágeis e decisões judiciais resultam em penas brandas, benefícios prematuros ou até absolvições que afrontam o senso de justiça.
Quando autoridades fazem vista grossa, deixam de fiscalizar, negligenciam denúncias ou tratam esses casos como estatísticas, a mensagem transmitida é de impunidade. E impunidade encoraja o agressor. Cada decisão leniente não atinge apenas um processo; atinge a confiança da população nas instituições e amplia a sensação de abandono das vítimas.
Não se trata de atacar o Estado de forma irresponsável, mas de exigir firmeza, celeridade e compromisso real. Crianças não podem esperar por burocracias intermináveis. Dependentes químicos não podem ser empurrados para as ruas sem assistência. E abusadores não podem contar com brechas legais como escudo.
A proteção da infância deve ser prioridade absoluta, não discurso vazio. Autoridades que negligenciam seu dever também precisam ser cobradas. Porque, diante de crimes tão graves, a omissão não é neutralidade, é cumplicidade.
Diógenes pereira da Silva
Parabéns pelo texto. Aliás, temas sempre em evidência. Especialmente no caso das drogas, cabe à família servir de exemplo e referência de comportamento aos seus filhos e atuar como primeiro escudo contra o ataque das mesmas sobre as crianças e adolescentes. Ao estado um trabalho continuo de prevenção e de reintegração profissional a dependentes químicos reabilitados. Importante salientar, ainda, que trata-se de uma doença incurável, porém tratável e sob cuidados terapêuticos específicos.