Bolsonarista raiz não usa Lei Rouanet, pega o dinheiro na fonte.

Rafael Moia Filho: Escritor, Membro da Academia Bauruense de Letras, Blogger, Analista Político e Graduado em Gestão Pública.

Para que não fique nenhuma dúvida no futuro, visto que o bolsonarismo é campeão em alterar fatos através de narrativas falsas vou relatar neste artigo o teor completo do áudio vazado de uma conversa entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro.
No áudio, o senador Flávio que recebe um vencimento elevado no senado reclama de problema com dinheiro, chegando a dizer que está passando por momentos de dificuldades para conseguir arcar com os custos da produção do filme que estava sendo feito para homenagear o presidiário: seu pai.
“Irmão, eu preferi te mandar o áudio aqui pra você ouvir com calma. Bom, aqui a gente tá passando por um dos momentos mais difíceis da nossa vida, né? Não sei como é que vai ser daqui pra frente, como é que isso tudo vai acabar, mas tá na mão de Deus aí. E você também, eu sei que você tá passando por um momento dificílimo aí também, essa confusão toda, não… Não sei se você sabe exatamente como é que vai caminhar isso tudo. “Apesar de você ter dado a liberdade, Daniel, de a gente te cobrar, eu fico sem graça de ficar te cobrando, tá? Mas, enfim, é porque está num momento muito decisivo aqui do filme. E como tem muita parcela para trás, cara, está todo mundo tenso, e eu fico preocupado aqui com o efeito ao contrário do que a gente sonhou para o filme, né? Imagina a gente dando calote num Jim Caviezel, num Cyrus, uns caras, pô, renomadíssimos lá no cinema americano, mundial. Pô, ia ser muito ruim”, declarou Flávio a Vorcaro.
Em seguida, Flávio cobra Vorcaro para dar continuidade aos pagamentos e diz que está correndo o risco de “não honrar compromissos”.
“Então, se você puder me dar um toque, uma posição aí, Daniel, porque a gente precisa saber o que faz, cara, da vida, porque eu já tenho muita conta para pagar esse mês e o mês seguinte também. E agora que é a reta final, que a gente não pode vacilar. Não pode não honrar com os compromissos aqui, porque senão a gente perde tudo, cara, todo o contrato, perde ator, perde diretor, perde equipe, perde tudo. Pode me dar um toque aí, irmão”, completou.
Os R$ 61 milhões alegadamente pagos por Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, após os insistentes pedidos de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), foram mesmo para a produção de Dark Horse, filme sobre a vida de Jair que conta com o ator Jim Caviezel no papel do golpista? Ou tiveram, total ou parcialmente outro destino ainda menos nobre? Esses são os tipos de perguntas que apenas a Polícia Federal será capaz de responder.
É gravíssimo que um senador da república prometa lealdade eterna a um banqueiro investigado e preso no maior escândalo financeiro da história do Brasil. Para tentar ludibriar o gado patriotário Flávio faz vídeos pedindo CPI do Master, como se isso fosse redimi-lo ou aos demais envolvidos como Ciro Nogueira, Ibaneis e tantos outros do espectro de direita da nossa política.
Enquanto isso em São Paulo, o deputado federal Mário Frias (PL-SP) e a produtora responsável pelo filme, a Group Entertainment, divulgaram nota afirmando que “não há um único centavo do sr. Daniel Vorcaro” no filme. Se estão falando a verdade, para onde foi o dinheiro?
O legado de Flávio aumentou e muito com esse áudio, soma-se a suspeita de pratica de rachadinha na Alerj, lavagem de dinheiro na Loja de Chocolates Copenhagen, aquisição de mansão sem recursos compatíveis e comprovados, compra de diversos imóveis…

Delação de Vorcaro

Paulo Henrique Coimbra de Oliveira – Economista – RJ

A PF rejeitou a delação de Vorcaro. Nada foi divulgado mas tenho certeza absoluta que não foi uma delação. Foi uma declaração de amor a seus protetores e comparsas.. E são muitos e ainda não divulgados. Tem membros da esquerda, provavelmente a maioria, de direita , centro, membros importantes nos 3 poderes. Está na mão desse marginal o futuro do país. Ou seja, como está , na lama ou dando um passo à frente extirpando da vida pública essas figurinhas carimbadas há décadas que ilustram com louvor suas atividades deletérias. É a hora da virada. Vamos torcer.

Viva a realidade, o sonho morreu!

Marília Alves Cunha – Educadora e escritora

Dia desses deu uma vontade doida de comer goiaba. Gosto de quintal, gosto de infância, gosto de alguma coisa linda que se perdeu no tempo. Lembrei-me daquelas goiabas divinas que existiam no quintal da tia Alcina, lá em Monte Carmelo. Terra vermelhinha, que tingia os pés descalços da meninada e que, nas fábricas, virava tijolo bonito, virava parede a proteger as almas que se escondiam do escuro e do silêncio das ruas.

Pois, como eu dizia, tive vontade de comer goiabas. Lembrei-me de como o tronco e galhos não eram empecilho, não eram barreiras, não eram obstáculo para pernas e mãos joviais, a subir aceleradas e alcançar o topo, onde se exibiam as mais bonitas, as mais lustrosas e vermelhinhas goiabas. Delicia! Conquistar território e colher com mãos ágeis e respiração ofegante as gloriosas frutinhas e enfiá-las uma a uma no saquinho que a tia fizera, para facilitar a colheita. E que colheita linda! Ficava a admirar um pouco, encantada com a perfeição, beleza e riqueza que a natureza produzia tão naturalmente, no quintal simples da tia Alcina.

A melhor parte era comer. Cada mordida uma onda de cheiros, sabor e sensações, quando os dentes se enterravam naquela polpa macia e aveludada, que se entregava ao prazer. E a tia a gritar de longe: “Se tiver bicho come assim mesmo. Importa não! Bicho de goiaba, goiaba é!” E a gente comia assim mesmo. Tia Alcina, cheia de razão.

A vontade era enorme, corri ao Supermercado, fazer o que? Nunca mais tinha visto um pé de goiaba e, mesmo que visse, minhas pernas e braços octogenários, não saberiam ou não poderiam mais escalar cada pedacinho e estender braços ansiosos à procura das mais bonitas, naquela profusão de beleza.

A prateleira estava cheia delas, um pouco estranhas ao primeiro olhar, mas eram goiabas. Peguei a primeira, estava gelada. Gelada e verde, muito gelada e verde. Coisa esquisita, pensei. Será que está na moda congelar as goiabas antes que amadureçam? E será que, sem aquela quentura que o sol dá, que o sol esparrama, sem raios luminosos que atravessam o ar e penetram a intimidade, será que amadurecerão? Coisa esquisita, ficou uma dúvida a apertar o peito, ficou uma sensação que estavam perdidas para sempre as goiabas do quintal da tia Alcina.

Comprei assim mesmo! Poucas! Mineira desconfiada, cismei que não estava certo. Era muito antinatural expor goiabas ao gelo, antes que suas entranhas, alimentadas pela natureza quente, virassem aquela tenra e doce e úmida massa vermelha que tantas delicias oferece. Goiaba não é coisa estrangeira que vive embrulhada, que cresce e amadurece sem sol, que não é alimento também para pássaros, no alto das árvores. Goiaba é coisa quente, coisa tropical, cheia de calor e requebros, frutinha danada de gostosa, tanto a casca como o enchimento…

Já em casa, tentei comer a primeira. Queria tanto que vocês vissem! Apesar da casca amarela dar sinais de madureza, não havia faca que desse conta de partir a coisa. Muito menos dentes. Não desisti à primeira empreitada. Esperei por um tempo, dez dias mais ou menos. As bichinhas que comprei eram teimosas, não amadureceram de jeito nenhum e, depois de tentativas inúteis, tive que jogá-las fora, verdes, geladas sem graça, sem tempero. Restou desejo…

Continuo com uma vontade doida de comer goiabas!

A Ilusão de que o Mundo é dos Espertos

Diógenes Pereira da Silva – Tenente do Quadro de Oficiais da Reserva Remunerada da PMMG

Quando a vantagem pessoal é exaltada, valores como honestidade e caráter acabam sendo colocados em segundo plano.

Quem nunca ouviu a frase: “o mundo é dos espertos”? Repetida com naturalidade no cotidiano, ela parece apenas um comentário comum. No entanto, por trás dessa expressão existe uma ideia perigosa que, muitas vezes, acaba sendo aceita sem questionamento.

Em muitos casos, a chamada “esperteza” passa a ser vista como uma qualidade. O indivíduo que consegue tirar vantagem das situações, e não raramente das próprias pessoas, acaba sendo considerado alguém que “sabe viver”. Assim, atitudes questionáveis passam a receber uma espécie de aprovação silenciosa da sociedade.

O problema é que esse pensamento contribui para uma inversão de valores. A honestidade, o respeito e a integridade começam a ser tratados como ingenuidade, enquanto o oportunismo ganha espaço como sinal de inteligência.

Além disso, temos o hábito de julgar as pessoas de forma superficial. Observamos apenas resultados imediatos, sem considerar as razões, a história, o caráter e até mesmo os erros e acertos que fazem parte da trajetória de cada um. Pouco se discute sobre os meios utilizados para alcançar determinados fins.

Uma sociedade equilibrada não se sustenta sobre a lógica da vantagem pessoal, mas sobre princípios que fortalecem a confiança e o respeito entre as pessoas. As virtudes precisam ser mais valorizadas do que as atitudes daqueles que vivem de se sobrepor aos outros.

Talvez seja o momento de repensar a frase que tantos repetem com tanta facilidade. O mundo não deveria ser dos “espertos”, mas daqueles que agem com consciência, ética e responsabilidade. São esses que, de fato, constroem uma sociedade mais justa e digna para todos.

Filme triste

Paulo Henrique Coimbra de Oliveira – Economista – RJ

Votei em Bolsonaro em 2018 e 2022. Em 2018 para nos livrar do petismo. Em 2022 para dar uma chance para governar, pois desde 2019 foi sabotado pelo STF e em 2020 pela infelicidade da Covid. Mas agora em 2026 nem pensar. Seu tempo já passou. Nem na versão junior. Assim para que fazer um filme da sua vida. Imagino que será um roteiro vazio de falta de realizações e frustrações não só dele como de seus eleitores. Assim como o filme sobre a vida de Lula que não serviu para nada. Talvez diversão em presídios.E que filminho caro. É melhor dar esse dinheiro para instituições de caridade. Em tempo : votar em Lula jamais.

DIA DAS MÃES

14.05.2023
José C. Martelli – Advogado e professor

Homenagem à minha esposa Suely Vitiello Martelli, mãe de meus filhos Maria de Fátima, Paulo Vicente, Waldomiro Neto e José Eduardo, prematuramente falecida em março de 1993.
Dia destes estava relendo alguns escritos e crônicas que escrevera já há muitos anos. Apenas conjeturando, percebi que até não escrevia mal mas que aos poucos, com o passar inexorável do tempo, estou perdendo a inspiração que movia meus pensamentos em direção ao papel.
É o caso da presente crônica sobre os dia das mães. Estava buscando algo que valorizasse, como é preciso, o ato de ser mãe. Então entendi, pelo inicialmente exposto, que deveria reeditar crônica que escrevera sobre esse dia há 3 anos, exatamente no dia das mães de 2020.
Ela contém tudo que continuo querendo escrever. Por isso a reedito e abaixo a reproduzo:

“Já escrevi, mais de uma vez, que todos os dias deveriam ser “Dia das Mães,” tal a importância que elas têm na vida de cada um de nós.

Mas, de toda forma, entendo que há de haver uma data para que sejam lembradas e homenageadas.

Na esteira desse raciocínio vou fazer uma homenagem à minha mãe e estendê-la também às mães de meu circulo de parentesco e às nomeadas neste texto, com as quais, de uma ou outra forma, por um ou outro motivo, guardo atualmente algum tipo de relação, seja profissional ou de amizade.

Em assim fazendo estarei estendendo a homenagem às, dentre elas:

– que por circunstâncias várias, tornaram-se pais e mães de seus filhos e filhas;

– que gestaram seus filhos e filhas, não na barriga, mas no coração;

– a alguns pais que se tornaram mães de seus filhos e filhas, sem nomeá-los, obviamente;

– a algumas duplamente mães, porque são também mães dos seus netos. A elas uma homenagem dupla;

E, finalmente:

– a algumas que, em não tendo filhos ou filhas, dedicam-se como mães a outras criaturas tão importantes quanto.

Por último quero pedir desculpas se me olvidei de uma ou outra, mas podem ter certeza que estendo a homenagem, igualmente, a todas as mães.

Começo por orações à alma de minha falecida esposa Suely retratada no início, que foi mãe amantíssima e sempre dedicada aos filhos.

Depois uma homenagem à minha filha Fátima, exemplo pronto e acabado de dedicação e amor a um filho.

Na sequência às minhas irmãs Ana Teresinha e Maria Alice (esta recentemente falecida, deixando um vácuo impreenchível em nossas vidas).

Depois às minhas noras Denise e Fernanda (exemplos de mães dedicadas e sempre presentes).

Por fim às minha sobrinhas Ana Paula, Lelê, Fabiana, Paula e Guta.

Fora do circulo familiar, mas não menos partícipes da minha vida, embora em circunstâncias díspares, quero carinhosamente, homenagear também:

Adalgiza
Adélia Maria
Adriana
Alciele
Amália (Babaia)
Ana
Ana Maria
Ana Ruth
Ana Tereza
Analice
Anamaria Pasoti
Anna Trento
Andréa
Cilene
Cimina
Cineia
Clarice
Clarice Zanelatto
Célia Cristina
Cristina
Cynthia
Daniela
Dora
Edna
Eliana
Ellen
Fernanda Massuda
Florinha
Franciele
Francisca
Geni
Gisele
Hilsiene
Iamara
Ilda do Leandro
Ilda do Isomar
Iracema
Irene
Josiane
Karina
Karine
Kelly
Leandra
Letícia
Margareth
Maria
Maria Célia
Maria Odete
Maria Rita
Marilena
Marisa
Marli
Miriam
Priscila
Patrícia
Rita
Rosa
Rosana
Sandra
Sheila Beatriz
Shirley
Silvania
Thalitta

A homenagem é simples e singela, como foi minha mãe durante toda sua vida.
Principio por dizer o seu nome. Paula, mas ninguém a conhecia assim. Era Fiíca, diminutivo de filha ou substitutivo de filhinha.
Era pequena. Mas o que tinha de pequena tinha de grandeza e amor ao próximo.
Hoje, tantos anos passados, relembro que nunca a vira perder a calma. Era a mansidão em pessoa.
Pois é. Revirando meus papéis, nestes dias de solidão, pude revê-la maravilhosamente retratada em alguns poucos versos, compostos por um (então) jovem, que privava de sua amizade. É a reprodução desse retrato coloco no final, em homenagem não somente a ela, mas também a todas até aqui mencionadas, às quais o dedico do fundo de meu coração.
Comigo, de minha mãe, fica a saudade imorredoura.
Das demais, fica o meu grande abraço. Fiquem todas com Deus.
Eis os versos que retratam com fidelidade o que minha querida mãe sempre foi:

Fiíca
Vó Fiíca não vai, fica:
nos enroladinhos de mamão,
na caridade aos mendigos.
Vó Fiíca não vai, fica:
na religiosidade praticada,
na esperança sempre ensinada.
Vó Fiíca não vai, fica:
nas histórias à baixa voz,
dos tempos em que não vivemos.
Vó Fiíca não vai, fica:
no cuidado com a espera,
na esperança da chegada.
Vó Fiíca não vai, fica:
com Deus, como sempre esteve,
conosco que sempre a amamos.

Espírito Santo do Pinhal , 8 de agosto de 1985
Ezequiel da Silva (irmão