*O Brasil que chamou a cor de defeito.*

*Diógenes Pereira da Silva

*O Brasil que chamou a cor de defeito.*

Uma história de um país que transformou a cor da pele em critério de exclusão e ainda convive com as consequências.

O Brasil não nasceu desigual por acaso. Foi construído assim. E poucas expressões revelam isso com tanta clareza quanto “defeito de cor”.

Durante séculos, a cor da pele funcionou como critério de exclusão. Ser negro, no Brasil dos séculos XVIII e XIX, não era apenas uma condição. Era uma condenação social. Transformaram a cor em falha, em mancha, em justificativa.
Não foi algo espontâneo. Foi um sistema.

O Exército, a Igreja Católica e outras instituições consolidaram essa lógica. Para um negro ocupar espaços de destaque, não bastava competência. Era preciso negar a própria origem, se adequar, se submeter.

Em muitos casos, pedir desculpas por ser negro não porque fosse necessário, mas porque era exigido.
Isso não é detalhe histórico. É estrutura.

Quando se fala em reparação, ainda surgem discursos que tentam minimizar esse passado. Como se a abolição tivesse resolvido tudo. Não resolveu.

Após 1888, a população negra foi deixada à margem. Sem acesso à educação, sem inserção digna no trabalho, sem qualquer política de integração. Liberdade sem condição é abandono.

O “defeito de cor” foi um mecanismo de exclusão institucionalizado. Mesmo livres, negros e mestiços eram impedidos de ocupar cargos públicos relevantes, de avançar nas estruturas militares ou de ter espaço no clero. A cor definia limites, e esses limites eram rígidos.

Hoje, muitos tratam esse passado como distante. Mas seus efeitos permanecem. A desigualdade não é coincidência. É herança. A literatura ajuda a expor o que a história muitas vezes silenciou. Em Um Defeito de Cor, de Ana Maria Gonçalves, essa realidade aparece com profundidade.

Reconhecer esse processo não é olhar para trás por conveniência. É entender o presente. Negar o passado não o apaga. Só prolonga suas consequências.

*Diógenes Pereira da Silva
Tenente do Quadro de Oficiais da Reserva Remunerada da PMMG

Reintegração na USP

Tania Tavares – Tania Tavares – Professora – SP

As greves são lícitas, mas parece que os alunos, quase sempre os mesmos, na USP, não fazem uma “greve” passiva reivindicando seus direitos, mas têm que tumultuar, quebrar vidros, mobiliários que são parte do patrimônio público e pagos com os impostos dos paulistas. Deviam ser obrigados a pagar o que destruíram.

Vale do Lítio completa três anos marcados por avanço no PIB de municípios do Jequitinhonha

Desde sua implementação, o projeto estratégico garantiu a geração de mais empregos, pesquisas científicas e atraiu mais investimentos para a região

GOV. MG

Neste sábado (9/5), o projeto Vale do Lítio, iniciativa do Governo de Minas para estabelecer o estado como protagonista na cadeia de valor do lítio, completa três anos. Desde o lançamento na Nasdaq, maior bolsa de valores do mundo, em Nova Iorque, nos Estados Unidos, a ação também promoveu o avanço econômico de municípios da região em diversas frentes.

O Produto Interno Bruto (PIB) do Vale do Jequitinhonha alcançou R$ 12,56 bilhões em 2023, segundo os últimos dados divulgados pelo IBGE. Entre as cidades com atividades minerárias ligadas ao lítio, Araçuaí e Itinga, o PIB dobrou após o lançamento do projeto, com aumento de 108,1% e 91,3% entre 2021 e 2023, respectivamente.

No mesmo período, o PIB per capita de Araçuaí cresceu 122,7% e Itinga 109,5%. Além disso, em números absolutos, Araçuaí apresentou o maior PIB per capita da região (R$ 31,5 mil), superando até mesmo municípios como Téofilo Otoni, que possui uma população quatro vezes maior.

Ainda, os Vales do Jequitinhonha e Mucuri mantêm destaque na abertura de empresas, tendo apresentado o maior crescimento proporcional em 2023 e 2025, e a segunda com melhor desempenho em 2024.

“Minas Gerais tem convertido o potencial do lítio em resultados diretos para a população do Jequitinhonha, com mais empregos, rendas e oportunidades. Observamos também uma diversificação na economia, uma vez que, a partir dos investimentos atraídos, outros setores, como serviços e comércio, também se tornam janelas de oportunidades para empreendedores da região”, afirma a secretária de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mila Corrêa da Costa.

Cientistas transformam rejeitos em fertilizantes

A partir do projeto Vale do Lítio, o Governo de Minas, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), já destinou mais de R$ 13,2 milhões em projetos ligados ao mineral crítico.

Grande parte das pesquisas são desenvolvidas pela Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) na própria região. Uma delas é conduzida pelo professor do curso de Engenharia Hídrica, Alexandre Sylvio da Costa, cujo objetivo é reaproveitar o rejeito da mineração do lítio para produzir fertilizantes.

“Então, muitas vezes, aquele rejeito que para a empresa não tem valor, para outros processos, principalmente agricultura, pode ter um grande valor agregado. Estamos partindo para a etapa de campo, que vai ser desenvolvida lá na região com os produtores que produzem eucalipto para fornecer para a própria operação do lítio”, explica Alexandre.

Além disso, pesquisadores da universidade também trabalham em um projeto voltado para a criação de baterias de lítio, uma das principais utilizações do minério na indústria de tecnologia atualmente.

“A nossa ideia é justamente criar tecnologias nacionais que possam entrar para a cadeia finalística desses produtos. Ter pessoas bem formadas nessa área é importante para que a gente não perca esse ‘trem’”, afirma o professor do Instituto de Ciência, Engenharia e Tecnologia da UFVJM, Douglas Santos Monteiro.

Investimentos verdes na cadeia do lítio

Desde a implementação do Vale do Lítio, em 2023, foram atraídos R$ 6,9 bilhões em investimentos privados, com previsão de cerca de 6 mil empregos gerados. Dentre os aportes recentes está o investimento de R$ 220 milhões da empresa indiana Altman na Companhia Brasileira de Lítio (CBL) para a ampliação das operações da planta de refinaria da empresa localizada em Divisa Alegre, no Norte de Minas.

Governador vistoria conclusão das obras na MGC-354, entre Presidente Olegário e Patos de Minas

Novas intervenções já estão previstas no trecho, contemplando restauração de trevos e melhorias na segurança viária

O governador de Minas Gerais, Mateus Simões, realizou, neste sábado (9/5), uma vistoria técnica que marca a conclusão das obras de restauração e ampliação da capacidade da rodovia MGC-354, entre Presidente Olegário e Patos de Minas, no Noroeste do estado. As intervenções foram finalizadas em fevereiro de 2026, antes do prazo contratual inicialmente previsto, de 23 meses.

GOV. MG

Autorizadas em dezembro de 2024, as melhorias foram executadas pelo Governo de Minas, por meio do Departamento de Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DER-MG), dentro do programa Caminhos pra Avançar, maior conjunto de investimentos em infraestrutura rodoviária das últimas décadas no estado, com mais de 3,1 mil quilômetros de rodovias revitalizadas e investimento de R$ 2,91 bilhões.

O governador Mateus Simões comentou a importância da rodovia para a região.
“A ligação entre Patos de Minas e Presidente Olegário mudou muito ao longo do tempo. Hoje, mais de 8 mil veículos passam diariamente pela rodovia, o que demonstra a importância dessa obra para a região. O Governo do Estado realizou uma intervenção importante, com implantação de terceiras faixas e recuperação completa do pavimento, em um investimento de mais de R$ 70 milhões. Agora, estamos liberando outros R$ 31 milhões para novas obras de segurança viária, recuperação de trevos e intervenções em pontos críticos da rodovia. Ao todo, são mais de R$ 100 milhões aplicados nessa ligação estratégica para o desenvolvimento do Alto Paranaíba e Noroeste mineiro.”, ressaltou.

O empreendimento contemplou 47 quilômetros da rodovia, entre os entroncamentos com a MG-410 e a BR-365, com investimento de aproximadamente R$ 73 milhões. Além da recuperação do pavimento, foram implantadas terceiras faixas em pontos estratégicos, somando 8,5 quilômetros de novas pistas, especialmente em trechos de maior inclinação e na chegada a Patos de Minas.

Rodovia estratégica

A MGC-354 é um dos principais corredores logísticos da região, com fluxo médio diário superior a 7 mil veículos, dos quais cerca de 17% são veículos de carga. A rodovia desempenha papel fundamental no escoamento da produção agrícola da região, com destaque para culturas como milho, algodão, feijão, café e trigo, além da pecuária.

Antes das obras, a ausência de faixas adicionais em trechos íngremes comprometia a fluidez do tráfego e dificultava ultrapassagens. Com a conclusão das intervenções, a expectativa é de melhoria significativa na mobilidade, com redução do tempo de viagem, aumento da segurança viária e melhores condições de tráfego para os usuários.

Novos investimentos no corredor

O Governo de Minas avança com novos investimentos na MGC-354, com a emissão da ordem de início para obras de restauração de interseções e recuperação de erosão em trechos estratégicos da rodovia.

As intervenções contemplam a restauração de trevos e melhorias na segurança viária, além da recuperação de um ponto crítico de erosão. Estão previstos os seguintes serviços:

Restauração da interseção no km 150,9, na travessia urbana de Presidente Olegário;
Recuperação de erosão em talude de corte no km 167,8, no trecho entre o Ribeirão da Mata e a Avenida Marabá, em Patos de Minas;
Restauração da interseção no km 176,2, no segmento da Avenida Marabá até próximo ao entroncamento com a BR-365, em Patos de Minas;
Restauração da interseção no km 179, também no trecho da Avenida Marabá até o entroncamento com a BR-365.
Com investimento de R$ 31,4 milhões, as obras devem beneficiar diretamente os municípios de Patos de Minas e Presidente Olegário. Indiretamente, a melhoria da infraestrutura impacta a mobilidade e o escoamento da produção em cidades como Carmo do Paranaíba, Coromandel, Cruzeiro da Fortaleza, Guimarânia, Lagamar, Lagoa Formosa, Serra do Salitre, Tiros, Varjão de Minas, Lagoa Grande, João Pinheiro e São Gonçalo do Abaeté.

A ordem de início dos serviços está prevista ainda para o mês de maio.

Governo Presente

Além da vistoria técnica na MGC-354, o governador também participou de uma reunião com prefeitos, vereadores e lideranças políticas da região, onde foram discutidas demandas prioritárias dos municípios, investimentos em infraestrutura, saúde e ações voltadas ao desenvolvimento regional.

A vistoria da conclusão das obras da MGC-354 faz parte da programação de transferência da capital do estado para Paracatu, também na região Noroeste de Minas Gerais, dentro da iniciativa Governo Presente.

As transferências provisórias se repetem por 19 cidades até junho, em uma ação que busca reconhecer a importância e valorizar cada uma das regiões mineiras, além de possibilitar ao governador conhecer ainda mais de perto as demandas dos moradores locais, incluindo os municípios ao redor de cada capital provisória.

Com isso, o Governo de Minas pretende destacar o papel estratégico desempenhado pelos municípios no fortalecimento das políticas públicas, na descentralização administrativa e na promoção do desenvolvimento regional.

A iniciativa reforça a importância de aproximar a administração pública estadual das diversas regiões de Minas Gerais, estimulando o diálogo federativo, a articulação institucional e a presença do Estado em cada território.

Governo de Minas fortalece ações para reduzir mortes maternas

Estratégia da SES-MG qualifica maternidades, reforça o pré-natal e amplia o cuidado às mães antes, durante e após o parto

GOV. MG

O Dia das Mães, celebrado neste domingo (10/5), também chama atenção para a saúde das mulheres durante a gestação, o parto e o pós-parto. Para reduzir mortes maternas evitáveis e ampliar a segurança de mães e bebês, o Governo de Minas, por meio da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), fortalece ações de cuidado materno-infantil em todo o estado.
Entre as principais iniciativas está a Estratégia Zero Morte Materna por Hemorragia, implementada em parceria com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas/OMS) e o Ministério da Saúde. A ação qualifica equipes e maternidades para aprimorar o atendimento às gestantes e o manejo da hemorragia obstétrica, uma das principais causas de morte materna.
“A SES tem trabalhado na qualificação da rede para garantir cuidado integral às mulheres e aos bebês, com o objetivo de fortalecer a assistência em todos os níveis de atenção, promovendo um atendimento mais humanizado e seguro”, destaca a diretora de Gestão da Integralidade do Cuidado da SES-MG, Lírica Salluz.
Maternidades mais preparadas
Em 2025, a SES-MG avançou na implementação da estratégia, que prevê a qualificação de 28 maternidades, distribuídas nas 14 macrorregiões do estado. A iniciativa já foi implementada nas macrorregiões do Jequitinhonha, Leste, Vale do Aço, Norte e Triângulo do Sul. Desde 2025, foram qualificados 110 médicos e 160 enfermeiros.
Para ampliar o alcance da ação, 36 profissionais, entre médicos e enfermeiros, estão sendo capacitados como instrutores. As oficinas incluem simulações clínicas, revisão de protocolos e capacitação das equipes para atuação rápida e segura em emergências obstétricas. Ao longo de 2026, novas macrorregiões devem receber as capacitações.
A médica obstetra e instrutora da Opas, Regina Aguiar, reforça que o preparo das equipes precisa caminhar junto com o acompanhamento regular da gestante.
“Temos trabalhado a capacitação das equipes nas maternidades para enfrentamento às situações de emergência, mas é necessário ressaltar a importância da realização das consultas de pré-natal na prevenção da hemorragia e na identificação das gestantes com maior risco”, pontua.
Cuidado começa no pré-natal
A Atenção Primária à Saúde (APS) é a porta de entrada para esse acompanhamento. Nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), as gestantes iniciam o pré-natal, realizam exames e recebem orientações sobre parto, puerpério, amamentação e métodos contraceptivos para o pós-parto.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que o pré-natal comece assim que a gravidez for identificada e tenha, no mínimo, seis consultas. Durante o acompanhamento, a gestante recebe o cartão da gestante, com informações sobre a saúde da mãe e do bebê.
Para os casos de maior complexidade, Minas conta com atendimento nos Centros Estaduais de Atenção Especializada (Ceae), unidades da Fhemig e hospitais regionais habilitados para gestação de alto risco.
Atualmente, o estado possui 205 instituições vinculadas à Rede de Atenção ao Parto e Nascimento, com capacidade para atender mais de 228 mil partos por ano.
Outra frente é a Linha de Cuidado Materno-Infantil, implementada em 2024 para organizar o percurso da usuária na rede pública. O estado também desenvolve o projeto Filhos de Minas, voltado a gestantes em situação de vulnerabilidade social. A iniciativa prevê, no mínimo, nove consultas de pré-natal e a distribuição de kits de enxoval para gestantes inscritas no CadÚnico. Até março de 2026, 816 municípios aderiram ao projeto.