por uberlandiahoje | set 22, 2026 | Ponto de Vista |
Marília Alves Cunha – Educadora e escritora 
Após o espetáculo que assistimos em reunião plenária do STF, realizada no último dia 15\9, para resolver questão relativa ao Ministro Alexandre de Moraes e suas incursões ao mundo podre de Vorcaro e Banco Master, a gente fica um pouco desanimada. Será possível continuar acreditando que um democrático, poderoso e justo Brasil poderia surgir, a continuarem estes acontecimentos que deturpam qualquer regime, qualquer capacidade de entendimento, qualquer significativo sinal de que as coisas vão dar certo, vão melhorar?
Para falar a verdade, nem parecia uma reunião do STF para deliberar sobre qualquer coisa. Gilmar mendes, Flávio Dino e o próprio Alexandre de Moraes acabaram por destruir restos de reputação da Corte quando, com a máxima imprudência e insensatez uniram-se para defender imperiosamente não a honestidade e honra de uma instituição, mas de um membro da Alta corte ou a si mesmo. Jogaram por terra tudo que se espera de um guardião da nossa Constituição.
O que temos visto no Brasil nos últimos tempos? Uma inundação de corrupção e escândalos inimagináveis varre o Brasil e, o pior, membros da Suprema corte e da PF envolvidos até o pescoço nestes acontecimentos. Momentos de vitória contra esta inundação se revelavam, quando André Mendonça, um Ministro terrivelmente evangélico, punha à mostra fatos que denunciavam a participação de membros da Suprema Corte no maior crime financeiro já visto no país. Mas neste país de peripécias jurídicas imperdoáveis, os investigadores tornam-se também investigados e muitas vezes são sujeitos a processos e situações que nada fizeram para promover.
A situação de Alexandre de Moraes face às investigações feitas, era o assunto principal do dia. A defesa do Ministro constava de 44 páginas, um amontoado de palavras muito criticadas, com um amontoado de erros de português, escrita parecida a mensagens de WhatsApp (deve ter sido feira por um estagiário inexperiente) e acusações a Mendonça de coisas que ele mesmo fez muitas vezes, desrespeitando o devido processo legal.
Tudo desabou quando Flávio Dino, intransigente na defesa do colega, percebendo que não iriam obter vitória, pediu vista do processo, mesmo já tendo declarado seu voto, tendo já encerrado sua participação, num gesto de suprema proteção e autoproteção. Moraes deve estar aliviado, respirando fundo. Se Flávio Dino não tivesse pedido vista, penso que o próprio Moraes teria pedido… Absurdo o que estou dizendo? Não! Alexandre de Moraes, o intocável, expediu voto em processo do qual ele era o julgado… E tudo bem! Você quer uma coisa mais absurda do que isto?
Um ministro, por enquanto, salvou a pele do outro. Já disse e repito: isto é colocar a autoproteção acima dos preceitos e regras constitucionais e acima de qualquer investigação quando se trata de ministros do STF e acima de qualquer tentativa de serem investigados. Que me perdoem os inocentes no caso, enquanto tivermos certos elementos manchando a grandiosidade de uma Suprema Corte, certamente não haverá maneiras de se fazer uma boa política e ver nosso país singrando por águas tranquilas.
As eleições estão aí, batendo à nossa porta. O último recurso do povo é eleger bons candidatos, aqueles que mostraram-se lutadores contra poderes que, indisfarçadamente ou não, mostraram a incompetência e a ânsia de poder pelo poder, aqueles que trabalharam contra o Brasil e não a favor dele. A minha esperança é que façamos escolhas inteligentes e que não morra nas urnas a esperança de um país mais iluminado e gentil para os brasileiros. O Brasil exige mudanças, com urgência.
por uberlandiahoje | set 19, 2026 | Ponto de Vista |
Diógenes Pereira da Silva – Oficial da Reserva da PMMG
Há perguntas que precisam ser feitas, principalmente quando envolvem dinheiro, poder e instituições da República.
O caso Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, revela uma extensa rede de relações com políticos, empresários e autoridades. Reportagens já vinham mostrando essa aproximação. A jornalista Malu Gaspar, de O Globo, foi uma das profissionais que investigaram o assunto e trouxeram informações importantes ao conhecimento público.
Com o avanço das investigações, novas mensagens e documentos apreendidos pela Polícia Federal ampliaram as dúvidas. Vieram a público informações sobre contatos com autoridades, eventos milionários, viagens internacionais e utilização de aeronaves relacionadas ao grupo empresarial.
Nada disso, isoladamente, comprova crime. Ter amizade, participar de um evento ou viajar em determinada aeronave não significa, por si só, corrupção ou tráfico de influência. Cabe às autoridades investigar e separar fatos comprovados de suspeitas.
Mas uma pergunta é inevitável: por que um banqueiro, cujo negócio busca lucro, gastaria tanto dinheiro para construir relações tão próximas com pessoas que ocupam posições estratégicas na República?
Outro episódio chama atenção: o financiamento do filme Dark Horse, produção realizada nos Estados Unidos sobre Jair Bolsonaro. Segundo informações divulgadas pela imprensa, Vorcaro teria destinado milhões de dólares ao fundo relacionado ao projeto. Novos dados divulgados em 1º de setembro apontam para mais um repasse de US$ 1,6 milhão, elevando o total atribuído a Vorcaro para cerca de US$ 12,3 milhões, aproximadamente R$ 63,7 milhões.
Também foram divulgadas informações sobre negociações envolvendo valores ainda maiores para a produção.
É preciso esclarecer: quem recebeu o dinheiro? Onde ele foi aplicado? Quais serviços foram efetivamente prestados? E por que um banqueiro decidiu investir tamanhos recursos em uma produção ligada à família de um ex-presidente?
São perguntas legítimas, independentemente de ideologia.
O mesmo vale para festas, viagens, aeronaves, contratos e relações com autoridades. Não se trata de condenar ninguém antecipadamente, mas de exigir transparência quando dinheiro privado e poder público passam a conviver tão proximamente.
E a régua precisa ser igual para todos.
Se o banqueiro fosse aliado de Lula, Bolsonaro, de um ministro do STF ou de qualquer outro grupo político, a pergunta deveria ser a mesma: até onde pode chegar a influência do dinheiro privado sobre as instituições públicas?
Que se investigue tudo. Sem proteger amigos e sem perseguir adversários.
Porque a República não pertence a banqueiros, políticos, ministros ou empresários.
Pertence ao cidadão.
E quando o dinheiro chega perto demais do poder, a sociedade tem o direito de perguntar:
Até onde esse dinheiro consegue chegar?
por uberlandiahoje | set 18, 2026 | Ponto de Vista |
Ana Maria Coelho Carvalho – Bióloga 
Fazenda lembra leite e queijo fresquinhos, gado no curral, cheiro de mato, canto de passarinhos, jabuticaba no pé, comida no fogão de lenha, céu estrelado. Natureza, paz e amor. Mas não é bem assim.
Por exemplo, só a viagem para chegar até a fazenda pode se transformar em uma epopeia. Como da vez que fui com o Zé (meu finado marido) dois filhos, dois netos, três cachorras e uma tranqueira. Começou com o planejamento: quem vai, no carro de quem, quantos cabem, sai e volta quando, quantidade de bagagem (item que inclui desde pneu de trator até veneno de rato). Os filhos médicos só poderiam sair à tarde e o Zé não concordou. Nunca transitaria à noite nos buracos enormes, tipo cratera, que existem na BR 365 nas proximidades de Pirapora, perigoso demais. Fomos e o Zé ficou, justo quem mais precisava ir. Iria à noite, de ônibus, pois assim passaria pelos buracos de manhã. Levamos a bagagem dele, só ficou um saquinho com os remédios para ele levar. Fomos bem, no carro Kia de sete lugares, com a cachorras perdigueiras Dama e Fiona quietinhas dentro da gaiola, a Duda latindo esporadicamente e o Breno, de dois anos, puxando o cabelo e dando uns beliscões na Maíra, de oito anos. Chegamos às 22 h na fazenda Água Verde, onde dormimos para continuar a viagem para a fazenda Olhos D’Agua no dia seguinte. Arrumei as camas, ajeitei a casa, as crianças e as bagagens. Os dois filhos saíram de madrugada, em outro carro, para uma fazenda onde eles têm um reflorestamento de eucaliptos, dormiriam por lá. Fiquei sozinha com os netos e com a incumbência de buscar o Zé na rodovia às seis horas, quando o ônibus passaria na porteira da fazenda. Acordei os netos e peguei a estradinha de terra. Esperamos um bom tempo e ele não chegou. Daí consegui receber uma mensagem do filho – lá o sinal de celular é muito ruim -, avisando que não precisava esperar porque o ônibus havia batido! Felizmente complementou que o Zé estava bem. E só, mais nada. O Zé chegou às 11h, de carona, nem sei como. Desceu do carro abatido e mancando. Perguntei: – “Nossa, Zé, você se machucou? ” E ele: -“Não, é a gota”. Cruzes, foi a primeira vez em 30 anos que ele foi de ônibus, o ônibus desta linha nunca havia batido, trombou em outro numa reta com asfalto sem buracos e a gota ainda “atacou” o joelho dele! Muito azar, e tudo porque se negou a ir de carro conosco. Para piorar, levou o saquinho de remédios errado, trocou tudo.
Continuando a saga, fiz almoço com o que tinha e fiquei por ali com os netos para o Zé dormir e descansar antes de seguirmos para pegar a balsa, atravessar o São Francisco e chegar ao destino final. Coloquei o Breno e a Maíra em cima de um trator velho. O Breno esbarrou o braço em uma caixa de marimbondos atrás do banco e foi um ataque em massa. Ele despencou, aos gritos, lá de cima. Eu fui muito ágil e consegui aparar a queda. Mas só no bracinho ele levou 27 ferroadas. Eu levei várias também. A Maíra correu como nunca e levou só uma, mas gritou como se fossem 50. Coitadinho do Breno, se fosse alérgico, teria morrido! Coloquei-o debaixo do chuveiro e dei novalgina, fazer o que . Com o berreiro, o Zé nem dormiu. Resolvemos seguir viagem e pegar a balsa das 15h. Colocamos as tranqueiras no carro novamente e lá
fomos, com o Breno apaixonado e choroso, mostrando com o dedinho o local das ferroadas. Tivemos que parar em uma cidadezinha para o Zé comprar os seus remédios, demorou muito e quase perdemos a balsa. Durante a travessia, quando estávamos quase na outra margem, olhei para o horizonte e vi uma tempestade escura se aproximando. Tão rápida quanto pude, coloquei os netos dentro do carro e a cachorrinha. Mas a chuva foi mais rápida e como era uma chuva de pedras, levei umas boas pedradas antes de conseguir entrar no carro.
Depois, pegamos uma estradinha de terra, com o Zé todo feliz por estar chovendo na fazenda. Quando chegamos, nem deu tempo de pensar:- “até que enfim!”-, pois a casa estava toda inundada, tinha goteira pra todo lado, descia água pelas paredes. A casa da sede é agradável e bonita, a Globo até filmou lá o curta metragem “Dia de Reis”. Mas neste dia estava um caos.
Tudo isso foi apenas para chegar. Teve muito mais. Por exemplo, a Dama tem medo de boi e de vaca. Encontrou alguns pelo pasto e saiu em disparada, desapareceu. Foi uma tristeza geral e muita busca, até que um dia, como mágica, ela apareceu na varanda, esfomeada. E a Fiona parece que pegou alguma virose por lá e morreu 15 dias depois que voltamos. Quando estava doente, nem tinha ânimo de sair atrás dos ninhos de galinha de Angola, que existem no condomínio onde meu filho mora. Pois a Dama encontrou um ninho, pegou um ovo com a boca e levou para a Fiona. Foi o último ovo que ela comeu. Coisas de cortar o coração.
Bem, sempre é bom prevenir antes de viajar para a fazenda. Pois sossego, paz e amor, só em sonhos.
por uberlandiahoje | set 18, 2026 | Ponto de Vista |
Paulo Henrique Coimbra de Oliveira – Economista – RJ
Não é necessário ter formação ou conhecimento jurídico para fazer uma avaliação do que se passa no judiciário brasileiro. E simplifico minha teoria com uma única máxima. Hoje no Brasil não se faz justiça. Os representantes do judiciário estão na verdade se servindo da justiça em todos os aspectos desde o corporativismo até a locupletação. Então fica fácil para qualquer cidadão opinar sobre o caos instalado. O decano do STF estabeleceu que a régua para avaliar seus colegas do STF é a ética da Máfia . Então acabou o STF e em cadeia todo o sistema de justiça do país. Talvez nossa última esperança sejam as próximas eleições ou, não desejável, uma interferência externa. Que Deus nos proteja.
por uberlandiahoje | set 17, 2026 | Ponto de Vista |
Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Acadêmico da ABLetras, Blogger, Analista Político e Graduado em Gestão Pública.
Os políticos de partidos de extrema direita no Congresso Nacional, alguns Ministros do Supremo Tribunal Federal, algumas autoridades, alguns empresários nefastos que vivem criticando o governo, enquanto se beneficiam das isenções fiscais, transformaram Brasília e todo o andar de cima da República numa enorme orgia.
Uma orgia com tentáculos poderosos que consegue protege-los e ainda lhes dão impunidade plena. As denúncias se multiplicam, são áudios de candidato à presidência pedindo R$ 64 milhões ao então dono do Banco Master.
São áudios de deputado federal por MG, conversando com o dono do banco Master, onde demonstra tanta intimidade, que se refere a Daniel Vorcaro como “Dani”. Vejam que coisa meiga a relação entre corruptos. Ao povo desprezo ao banqueiro suspeito, o carinho e a doçura na voz melosa do deputado federal Nikolas.
Alguns jornalistas dizem que nos processos em mãos da Polícia Federal existem “ainda” vídeos alusivos às festas em resort com beldades estrangeiras, bebidas importadas e muita esbórnia. Voos em avião do banqueiro criminoso. O mesmo banqueiro que na eleição passada doou R$ 3 milhões a Jair (O presidiário) e R$ 2 milhões, ao atual governador de São Paulo, que agora concorre à reeleição.
Em comum, em todas as denúncias, estão três fatos que se repetem para nossa infelicidade:
1º Nada os atingem, por mais imoral que sejam os fatos e as denúncias, não serão investigados, julgados e condenados;
2º Os eleitores que diziam votar contra a corrupção, em 2014, 2018, 2022 e agora em 2026 irão dar seus votos a estes mesmos políticos corruptos enquanto recebem e espalham mentiras sobre Lulinha e o governo federal;
3º São estas pessoas do alto escalão da vida nacional que além da corrupção, querem perpetuar golpes em na nossa democracia, trair nossa pátria oferecendo riquezas aos EUA. São estes sanguessugas que não trabalham pela pátria nem pela sociedade em momento algum de seus mandatos.
A única solução para o Brasil é justamente aquela que obrigatoriamente tem de passar pelas mãos dos deputados federais e senadores, que jamais darão aval a uma reforma política completa nos três poderes da república. Começando por uma reforma política com a redução de 40% da Câmara Federal, com corte de assessores, redução de gastos e benefícios diversos aos deputados e senadores.
Enquanto isso, assistimos um enorme contingente da sociedade vivendo alheio a tudo isso e dando apoio e voto aos corruptos. Gente que acredita em mensagens disseminadas por aplicativos de mensagens espalhados pelos próprios políticos de direita, pastores e padres de suas igrejas, porém, não querem acreditar na verdade dos fatos.