Marília Alves Cunha – Educadora e escritora

Após o espetáculo que assistimos em reunião plenária do STF, realizada no último dia 15\9, para resolver questão relativa ao Ministro Alexandre de Moraes e suas incursões ao mundo podre de Vorcaro e Banco Master, a gente fica um pouco desanimada. Será possível continuar acreditando que um democrático, poderoso e justo Brasil poderia surgir, a continuarem estes acontecimentos que deturpam qualquer regime, qualquer capacidade de entendimento, qualquer significativo sinal de que as coisas vão dar certo, vão melhorar?

Para falar a verdade, nem parecia uma reunião do STF para deliberar sobre qualquer coisa. Gilmar mendes, Flávio Dino e o próprio Alexandre de Moraes acabaram por destruir restos de reputação da Corte quando, com a máxima imprudência e insensatez uniram-se para defender imperiosamente não a honestidade e honra de uma instituição, mas de um membro da Alta corte ou a si mesmo. Jogaram por terra tudo que se espera de um guardião da nossa Constituição.

O que temos visto no Brasil nos últimos tempos? Uma inundação de corrupção e escândalos inimagináveis varre o Brasil e, o pior, membros da Suprema corte e da PF envolvidos até o pescoço nestes acontecimentos. Momentos de vitória contra esta inundação se revelavam, quando André Mendonça, um Ministro terrivelmente evangélico, punha à mostra fatos que denunciavam a participação de membros da Suprema Corte no maior crime financeiro já visto no país. Mas neste país de peripécias jurídicas imperdoáveis, os investigadores tornam-se também investigados e muitas vezes são sujeitos a processos e situações que nada fizeram para promover.

A situação de Alexandre de Moraes face às investigações feitas, era o assunto principal do dia. A defesa do Ministro constava de 44 páginas, um amontoado de palavras muito criticadas, com um amontoado de erros de português, escrita parecida a mensagens de WhatsApp (deve ter sido feira por um estagiário inexperiente) e acusações a Mendonça de coisas que ele mesmo fez muitas vezes, desrespeitando o devido processo legal.

Tudo desabou quando Flávio Dino, intransigente na defesa do colega, percebendo que não iriam obter vitória, pediu vista do processo, mesmo já tendo declarado seu voto, tendo já encerrado sua participação, num gesto de suprema proteção e autoproteção. Moraes deve estar aliviado, respirando fundo. Se Flávio Dino não tivesse pedido vista, penso que o próprio Moraes teria pedido… Absurdo o que estou dizendo? Não! Alexandre de Moraes, o intocável, expediu voto em processo do qual ele era o julgado… E tudo bem! Você quer uma coisa mais absurda do que isto?

Um ministro, por enquanto, salvou a pele do outro. Já disse e repito: isto é colocar a autoproteção acima dos preceitos e regras constitucionais e acima de qualquer investigação quando se trata de ministros do STF e acima de qualquer tentativa de serem investigados. Que me perdoem os inocentes no caso, enquanto tivermos certos elementos manchando a grandiosidade de uma Suprema Corte, certamente não haverá maneiras de se fazer uma boa política e ver nosso país singrando por águas tranquilas.

As eleições estão aí, batendo à nossa porta. O último recurso do povo é eleger bons candidatos, aqueles que mostraram-se lutadores contra poderes que, indisfarçadamente ou não, mostraram a incompetência e a ânsia de poder pelo poder, aqueles que trabalharam contra o Brasil e não a favor dele. A minha esperança é que façamos escolhas inteligentes e que não morra nas urnas a esperança de um país mais iluminado e gentil para os brasileiros. O Brasil exige mudanças, com urgência.