ÁGUA: DE MARQUEZ A VILELA

Antônio Pereira – Jornalista e escritor

Desde 1853, ou por aí, a população de São Pedro de Uberabinha usava uma água poluída que vinha por um rego aberto das cabeceiras do córrego de São Pedro até a esquina das atuais rua XV de Novembro e praça Cícero Macedo. Eram quatro quilômetros de exposição em que os animais serviam-se primeiro que os moradores.
Em 1909, ou seja, depois de mais de meio século de uso desse serviço rude e porco, o Agente Executivo Alexandre Marquez conseguiu um empréstimo junto ao Governo do Estado, da ordem de cento e quinze contos de réis, contratou gente competente e simplesmente canalizou a água que escorria pelo rego e as jogou dentro das residências mediante o pagamento de determinada taxa. Foi um serviço muito simples, com 16 quilômetros de canalização metálica. Os canos foram comprados em Londres. Toda casa de valor locativo superior a quinze mil réis por mês foi obrigada a ligar pelo menos uma pena.
Marquez construiu um reservatório nos altos da avenida Floriano Peixoto de onde a água descia por gravidade para a cidade. Foi serviço simples: não mudou nem a qualidade nem a quantidade de água.
Menos de um ano após a inauguração, que foi a 12 de novembro de 1909, o povo já reclamava da falta de água e se arrependia de ter atendido a Câmara que pedira a todos que entupissem suas cisternas.
Em 1912, o grande Joanico assumiu o comando da Municipalidade e começou a trabalhar na remodelação do sistema. Não foi fácil nem rápido. Faltavam verbas.
O Governo do Estado, atendendo seu pedido, mandou para cá o engenheiro Domingos Barbosa que realizou novos estudos para captação e distribuição da água.
Em novembro, outro engenheiro veio para cuidar das nossas necessidades líquidas. Foi o dr. Mendes Teixeira.
Enquanto isso, o povo passava apertos com a falta de água, principalmente na seca. Ainda bem que havia minas pelas vertentes do Cajubá (sob a avenida Getúlio Vargas) e do São Pedro (sob a avenida Rondon Pacheco). E havia a negra Eugênia que vendia latas d’água de 20 litros, captadas nas minas, a cem réis.
Em 1913, saiu o Edital para os serviços.
O fim de 1914 já vinha chegando e a distribuição de água continuava deficitária.
Enfim, chegou o dinheiro do empréstimo do Estado e o Joanico arregaçou as mangas. Ele ampliou a represa conseguindo maior volume de água; construiu um novo reservatório com capacidade bem superior ao antigo; instalou usina hidrelétrica aparelhada com bombas centrífugas para impulsionar a água para os reservatórios e estendeu a rede para toda a área urbana.
Bem ou mal, criticado ou elogiado, o serviço do Joanico perdurou, com eficiência, até a época da ditadura getulista.
Vasco Giffoni, prefeito nomeado, foi o primeiro, depois do Joanico, a preocupar-se com a melhora da distribuição da água. Ele não mexeu no que estava feito. Simplesmente adquiriu para a Prefeitura a área da nascente do córrego Jataí e construiu nova linha adutora. Construiu o primeiro reservatório elevado da avenida Floriano Peixoto, próximo ao Estádio Juca Ribeiro. A intenção era levar água, também por gravidade, à parte alta da cidade que não era habitada ao tempo do Joanico.
Em seguida, o prefeito Euclides de Freitas, também nomeado, reconstruiu a adutora do córrego de São Pedro e Cleanto Vieira Gonçalves, outro nomeado, adquiriu novas máquinas.
Ninguém mais mexeu na água. Afrânio Rodrigues da Cunha, eleito, tentou atualizar o serviço para atender a demanda sempre crescente, mas esbarrou num mal insanável, a falta de verba. Não conseguindo melhorar o serviço existente, conseguiu do Estado o empréstimo de perfuratrizes com as quais furaria poços artesianos. Infelizmente não deu certo e logo a primeira máquina teve problemas.
Em razão da distância entre Uberlândia e Belo Horizonte, antes que se superasse o impasse da máquina quebrada, mudou-se o Governo do Município. Foi eleito e empossado o empresário Tubal Vilela da Silva.
O trabalho de Tubal Vilela na área do abastecimento de água foi importantíssimo e merece um capítulo à parte. (Fontes: publicações da época)

Ah, árvores!

Tania Tavares- Professora – SP

Quando li a primeira notícia sobre o corte de 384 árvores fiquei revoltada e ainda mais ao saber que 128 delas são nativas. Porque não transplantar estas árvores para locais que precisam? Fui procurar quanto tempo uma árvore leva para crescer até o tamanho destas, e encontrei 40 anos! “A natureza já não se defende. Vinga-se!” (Jacir J. Venturi). Estamos assistindo as catástrofes ambientais recentes.*

Punição?

Tania Tavares- Professora – SP

Não entendi, o ministro do STF Flávio Dino pune o pai do blogueiro bolsonarista Paulo Figueiredo, negando passaporte para que pudesse ir ao casamento do filho? O que o pai fez de errado? Cruzes!

Governo de Minas inaugura bases do Samu no Triângulo e caminha para 100% de cobertura no estado

Expansão do serviço para Fronteira e Pirajuba amplia capacidade de prestação de primeiros socorros

O Governo de Minas inaugurou, por meio da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG), as bases do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) Regional em Fronteira e Pirajuba, no Triângulo Mineiro. O serviço oferece transporte adequado aos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) e atua como um atendimento de urgência e emergência, possibilitando a prestação dos primeiros socorros ainda dentro das ambulâncias.

GOV. MG

As inaugurações em Fronteira e Pirajuba, nessa segunda-feira (24/11), fazem parte das ações da SES-MG para qualificar a Atenção Primária e expandir a Rede de Urgência e Emergência na Macrorregião de Saúde Triângulo do Sul. Com as novas bases, Minas Gerais caminha para chegar a 100% de cobertura do Samu no estado.

O secretário de Estado de Saúde, Fábio Baccheretti, frisou a importância do Samu nos fluxos que garantem que o paciente seja atendido no momento certo e no local adequado. “São casos como AVC, que podem ser tratados com medicamentos para evitar sequelas, infartos que, se tratados a tempo, permitem uma vida normal, e traumas graves que recebem atendimento oportuno, aumentando as chances de sobrevivência”, exemplificou Baccheretti.
O secretário contou ainda que o modelo de Samu consorciado, adotado em Minas, é uma referência nacional e, com a inauguração prevista de 17 bases na Macrorregião de Saúde Triângulo do Sul até dezembro, Minas passará a ter 100% de cobertura do serviço em 2026. “Todos os mineiros poderão discar 192 para acionar uma equipe altamente capaz de salvar vidas”, afirmou o secretário Fábio Baccheretti.

De acordo com a superintendente regional de Saúde de Uberaba, Ana Maria de Oliveira Bernardes, as novas bases do Samu da região vão qualificar o atendimento pré-hospitalar, salvando mais vidas. Ela explicou explica que as bases são localizadas estrategicamente nos locais onde a qualidade de assistência demanda a resposta com urgência.

“Além disso, com a possibilidade de custeio também do Governo de Minas, os municípios terão subsídio para um custo com o qual vinham arcando sozinhos, minimizando gastos e revertendo-os para outros serviços de saúde”, disse Ana Maria de Oliveira Bernardes.

O prefeito de Fronteira, Sérgio Paulo Campos, celebrou o momento. “É uma conquista histórica para o município e toda a região”, afirmou. Já o prefeito de Pirajuba, Airton Alves, ressaltou o impacto regional da base do Samu na resposta às urgências, pois “salva vidas mais depressa, o que melhora muito a qualidade do atendimento oferecido à população”.

A prefeita de Uberaba, Elisa Araújo, que é presidente do Consórcio Público Intermunicipal de Saúde da Rede de Urgência e Emergência da Macrorregião Triângulo do Sul (Cistrisul), disse que o Samu em Uberaba já estará em funcionamento a partir de dezembro, antes da inauguração, com uma equipe de 37 profissionais.
Unidade Básica de Saúde

O município de Fronteira inaugurou ainda, a UBS (Unidade Básica de Saúde) Ilson de Oliveira Neves, no Jardim Ângelo Passuelo, que faz parte de um novo padrão estrutural de atenção primária do Estado.

A unidade conta com consultórios individualizados, sala de vacinação, espaço para amamentação, área lúdica para crianças, farmácia com dispensação interna e externa, salas de procedimentos, além de ambientes para práticas coletivas, atendimento multiprofissional e espaços de acolhimento.

A vaca, o urubu e o Roque

Ana Maria Coelho Carvalho – Bióloga

Circula na internet um texto divertido, de autor desconhecido, explicando que Cristóvão Colombo era solteiro e por isso, descobriu a América. Se fosse casado, teria desistido da viagem ao ouvir da esposa coisas como: “-“E por que é você que tem que ir?”; “-Você não conhece nem minha família e quer ir descobrir outro mundo?”; “-E só vai homem nesta viagem? Acha que sou idiota? “;”-E por que não posso ir, se você é o chefe?”;”-Você não sabe mais o que inventar, pra sair de casa?”; “Tinha tudo planejado, né?”; “-E vai viajar a serviço, com essa roupa cheia de rendas e esse chapéu ridículo, com penacho? Me engana que eu gosto!”. “E que missão secreta é essa? Pode tirar o seu cavalinho da chuva, você não vai a lugar nenhum!”

É, acho que o Cristóvão não iria mesmo…

Lendo isso, lembrei-me de uma crônica de Antonio Prata, cronista da Folha, envolvendo histórias de casal. Ele contou que há tempos inventou e escreveu um texto sobre uma vaca que foi colocada em uma canoa para atravessar um rio, nas proximidades do mar. Na praia, olhando a cena, estava um casal de namorados. A canoa virou e a vaca foi arrastada para o mar. A namorada ficou indignada e revoltada com o namorado, pois ele não fez nada para evitar a tragédia. Terminou o namoro com ele.

Antônio explica que depois recebeu um email do Sidney, de Jequiaçu, Paraná, que havia lido a crônica da vaca. Sidney estava convencido de que o texto havia sido baseado em sua história verídica. Estava impressionado, sem entender como Antonio teve conhecimento do seu caso. Contou então que seu casamento terminou por causa de um urubu, como se segue.

Estavam ele, Sidney, e a esposa Letícia, assistindo felizes ao “Caldeirão do Huck”, na sala do seu apartamento no 12º andar. De repente, o vidro da janela se estilhaçou em mil pedaços que caíram no chão junto com um urubu ensanguentado. A mulher começou a gritar para Sidney fazer alguma coisa e quanto mais gritava, mais o urubu se debatia. Ele tentou pegar o urubu com duas almofadas e jogá-lo pela janela, mas a ave se libertou e ainda soltou um terrível grasnado, parecendo balido de bode. Pensou que a mulher ia ter um treco. Então ele, que não mata nem barata, agarrou a ave hedionda com as próprias mãos e quebrou seu pescoço. A mulher encarou-o atônita por um minuto. Então, levantou-se, saiu pela porta e nunca mais voltou.

Até hoje Sidney não conseguiu entender como um urubu desgovernado quebrou a janela e acabou com seu casamento. E, também, como a história chegou aos ouvidos do colunista. Esse, Antônio, termina a crônica afirmando que foi tudo coincidência e espera que Letícia, a esposa, se recupere do trauma e volte para Sidney.

Lendo o texto, não pude deixar de pensar no Roque, o cachorro perdigueiro do meu filho (casado e pai de três filhos) e as confusões que ele aprontou. O Roque, um cão cativante e endiabrado, foi presente de um amigo. Chegou ao apartamento na forma de uma bolinha branca e fofa, de pintas pretas, sendo recebido com entusiasmo pelas crianças e com frieza pela esposa. Foi crescendo, crescendo, até dominar todo o apartamento. Bagunceiro e brincalhão, mordia as almofadas, babava por todo lado, dava saltos mortais em cima das pessoas, derrubava vasos, arrastava por quarteirões inteiros quem se atrevia a passear com ele na coleira. Passou a ficar preso na varanda, arranhando o vidro da porta e ganindo sem parar, enquanto aguardava com impaciência a chegada do meu filho, a paixão da vida do Roque. A cada dia, crescia a paixão entre eles. Mas, também, cresciam os problemas, em razão diretamente proporcional ao aumento do tamanho do cocô e do xixi do Roque. A esposa, tal qual a Letícia da outra história, estava quase dando um treco. Até o dia em que ela falou a célebre frase: “você decide: ou eu ou o cachorro” (felizmente não saiu pela porta e sumiu, como a Letícia; pelo menos deu uma chance). O meu filho sentiu uma dor no coração ao pensar que não teria mais os pulos alegres e as lambidas grudentas do Roque, quando chegasse em casa. Sem saída, levou o “Roquinho”, como dizia ele, para a fazenda. O Roque ficou todo feliz, rolando na terra e correndo atrás das galinhas, perus e codornas. E o casamento continuou, mas sem o Roque.