DONA PHYLLIS

Gustavo Hoffay – Agente Social

Sigo envelhecendo e comigo as lembranças dos primórdios da minha vida vão surgindo de maneira cada vez mais nítida e constante. Pais, irmãos, sobrinhos, netas, fazendas, banhos em açudes ou em cachoeiras e pequenos riachos, passeios a cavalo, gostosas travessuras, a reza do terço próximo do fogão à lenha e logo após a janta, o amanhecer com vacas e bezerros mugindo no curral, saboreando com a minha mãe e o meu irmão caçula o “sanduiche americano” no restaurante do Minas Tênis Clube em BH…..Fui, sim, um garoto alegre, feliz, ria alto e a mamãe dizia que a minha gargalhada não iria tornar mais dolorosa a dor de alguns dos nossos vizinhos; ela completava: -“Mas quando chorar soluce baixinho, bem baixinho e de modo a não apagar o sorriso de alguém próximo e que tem o direito de estar sorrindo enquanto se diverte”. Certa noite, após o jantar em nossa pequena fazenda, pouco antes de colocar um disco do Martinho da Vila e abrir uma garrafa de cerveja, ela disse-me :- “Se você escorregar na estrada da sua vida e cair com a bunda no chão, não fique chorando; levante-se pois você ainda tem um longo caminho a seguir, muito chão para pisar e, além do mais, ainda vai atrapalhar a passagem de quem vem atrás e tropeçar no seu corpo caído. Ter medo de que? Se é triste cair, ainda pior é você arrastar alguém na sua queda! Se alguma vez você ficar nervoso e gritar, lhe der vontade de sair chutando tudo o que encontrar pela frente, então se esforce o quanto puder para manter-se na linha. Sim, porque atrás vem muita gente e que igual a você também deseja encontrar o mundo belo e inteiro”! Minha mãe, dona Phyllis, era sábia. Devorava livros, meditava romances kardecistas enquanto pintando seus quadros ou cuidando dos jardins naquela gostosa fazenda no município de Gouveia, abundante de cristais e Sempre-Vivas, no portal sul do Vale do Jequitinhonha. Ao encontrar uma muda ou semente de alguma árvore frutífera, lembro que ela nunca a plantava entre cercas mas, sempre, bem ao lado da trilha que saia da porteira, seguia até à porta da nossa casa e depois saia em direção ao moinho mais abaixo para que, segundo ela, um dia muitos pudessem descansar à sua sombra e se alimentar dos seus frutos…..sem nada pagarem para deles deliciar-se. Aaaah, minha mãe…! E ela continuava dizendo:-“ Mas se você encontrar apenas um caminho onde exista benditas árvores frutíferas, não siga sozinho por ele; poste-se bem no início dele e com um braço estendido , assim, desse jeitinho, como a uma flecha apontando, diga aos viandantes: -“Esse é o caminho da felicidade! E, Gustavo, quando enfim você chegar depois de todos e iluminado por sorrisos recebidos, verá que os outros estarão à sua espera, para que você entre primeiro”. “-Onde, minha mãe”? “-Por caminhos onde passar feliz e certo que as intempéries previsíveis em nada impedirão você de continuar contornando obstáculos, visto que não estará sozinho e ciente de que a sua fé e as suas ações estimularam o desempenho dos seus deveres a favor da vida em plenitude, inclusive para muitos que seguem com você”. Minha mãe faleceu feliz, imagino, quando eu contava vinte e um anos de idade. Despediu-se desta vida junto com o meu pai, de imediato, em um acidente rodoviário no ano de 1.979. Pois é, mãe! Muito escorreguei, caí, levantei, não arrastei pessoa alguma em minhas quedas, sofri, delirei, chorei e aos trancos e barrancos , um dia , finalmente, reencontrei a linha da vida, a qual proporcionou-me a oportunidade de tornar a ver, abraçar, beijar e curtir um casal de filhos que eu não via a mais de dezesseis anos, uma outra filha de quem eu não tinha notícias a mais de trinta anos, conhecer três netas maravilhosas e também a graça de ter contribuído para ver nascer e educar uma filha, hoje com vinte e quatro anos de idade. Não me arrastei, levantei e segui sem medo, me mantive na linha e hoje gozo do orgulho que sinto de mim mesmo e de você, minha mãe Phyllis!

Trilhas de Futuro alcança marca histórica de 100 mil profissionais formados em Minas Gerais

Programa do Governo de Minas tem impacto direto na empregabilidade e geração de oportunidades para os mineiros

O Trilhas de Futuro, maior programa estadual em Educação Profissional do Brasil na atualidade, alcançou um marco histórico: 100 mil estudantes já concluíram cursos técnicos gratuitos por meio da iniciativa.

GOV. MG

Criado pelo Governo de Minas, por meio da Secretaria de Estado de Educação (SEE/MG), o programa amplia oportunidades, fortalece a empregabilidade e contribui diretamente para o desenvolvimento econômico e social do estado.

O programa também fortalece parcerias com instituições de ensino e com o setor produtivo, promovendo inovação, qualificação e geração de oportunidades.

“É um orgulho muito grande para nossa gestão alcançar esta marca. O Trilhas de Futuro é um programa referência em todo o Brasil, que tem o poder de transformar a realidade dos mineiros por meio da capacitação profissional e do emprego. Seguiremos trabalhando para que o Trilhas continue crescendo e forme muitos outros profissionais no nosso estado”, diz o governador Romeu Zema.

Atualmente em sua sexta edição, o Trilhas de Futuro já soma mais de R$ 2 bilhões em investimentos desde o seu lançamento, consolidando-se como uma das maiores políticas públicas de qualificação profissional do país. Desde 2021, o programa já ofereceu cerca de 374 mil vagas em cursos técnicos gratuitos em diversas áreas.

Nesta edição, estão sendo disponibilizadas 50 mil vagas, distribuídas em 143 municípios mineiros, com 98 opções de cursos técnicos, entre eles Farmácia, Enfermagem, Informática, Design Gráfico e Edificações, contemplando diferentes perfis e vocações regionais.

“O Trilhas é um dos maiores motivos de orgulho meu e do governador Romeu Zema. Mais do que capacitarmos os jovens para exercerem atividades que realmente são demandadas pelo mercado de trabalho, permitimos que cada um escolha o curso que quer fazer. O resultado não poderia ser diferente: sucesso em todas as regiões do Estado e mudança de vida para milhares de mineiros”, avalia o vice-governador Mateus Simões.

Atualmente, além dos 100 mil formados, o programa conta com mais de 115 mil estudantes em formação, ampliando ainda mais o impacto da iniciativa em todo o estado.
“O alcance de 100 mil profissionais formados pelo Trilhas de Futuro mostra a força de uma política pública que transforma vidas por meio da educação. Estamos falando de oportunidades reais para os jovens e trabalhadores mineiros, que passam a ter mais qualificação e perspectivas de futuro”, afirma a secretária de Estado de Educação em exercício, Stephanie Carvalho.

Apoio para permanência e conclusão

Com presença em todas as regiões de Minas Gerais, o programa tem transformado a realidade de milhares de estudantes, abrindo portas para o primeiro emprego, recolocação profissional e aumento de renda.

Para apoiar os estudos e garantir a permanência, o programa oferece uma ajuda de custo de R$ 20 por dia para alimentação e transporte, mediante comprovação de frequência nas aulas.

Daniel Rodrigues, 19 anos, participou da quinta edição do Trilhas de Futuro, fazendo o curso técnico em Administração enquanto ainda estava no 3º ano do ensino médio. Sempre dedicado nas aulas, ele chamou a atenção da instituição onde estudava, a Conhecer Escola Técnica, que realizou um processo seletivo e o contratou.

Hoje, Daniel atua como auxiliar técnico na mesma escola, mostrando na prática como o Trilhas de Futuro abre portas para oportunidades reais no mercado de trabalho.

“O Trilhas me proporcionou um acesso gratuito à uma formação técnica de qualidade, algo que talvez eu não conseguiria realizar naquele momento sem apoio do programa. Além disso, o auxílio para transporte e alimentação foi fundamental para que eu pudesse permanecer no curso com tranquilidade e dedicação”, afirma Daniel.

Ele ressalta ainda que, com professores extremamente qualificados, aprendeu não apenas conteúdos técnicos, mas também ampliou sua visão sobre o funcionamento de empresas e o mercado de trabalho.

“O curso me deu perspectiva de futuro. Antecipou minha entrada no mercado e aumentou minhas chances de empregabilidade, e também me proporcionou autonomia financeira. Mais que um certificado, eu adquiri experiência e postura profissional de confiança”, relata.

A SEE/MG segue investindo na expansão e no aperfeiçoamento do Trilhas de Futuro, reafirmando o compromisso do Governo de Minas com a formação profissional, a empregabilidade e o desenvolvimento dos mineiros.

O conteúdo está disponível na Agência Minas: https://www.agenciaminas.mg.gov.br/noticia/trilhas-de-futuro-alcanca-marca-historica-de-100-mil-profissionais-formados-em-minas-gerais

 

DEMOCRACIA, CULTURA CÍVICA E CORRUPÇÃO

João Batista Domingues Filho – Cientista Político – Professor UFU/INCIS

A corrupção no Estado democrático e na sociedade civil começa, quase sempre, pela desobediência à lei constitucional. Nesses contextos, o interesse individual escuso (autonomia sem limite da lei) tende a prevalecer sobre os direitos do cidadão. Um Estado democrático faz funcionar leis iguais para todos, desde que suficientemente enraizadas na sociedade, de modo a separar o que é direito público do que é direito privado entre os indivíduos. No Brasil, porém, a corrupção prevalece em todos os lugares da vida social, expressando-se como generalização da corrupção na governança pública e na conduta do indivíduo. Não há eficiência na imposição de “custos” (punição legal) à corrupção, pois ocorre a transmutação do interesse público em interesse privado sem lei. Nesse cenário, levar vantagem em tudo passa a ser a única lei que funciona bem.
Direita e esquerda não se diferenciam em capacidade de exercer a corrupção no interior do Estado. Em ambos os casos, a máquina pública converte-se no lugar privilegiado para buscar o “lucro” privado. Talvez isso seja apenas uma fase do desenvolvimento de nossa democracia, podendo configurar-se como características passageiras do processo de construção da democracia brasileira. Todavia, a participação política no processo de domínio da gestão pública é fisiológica e não ideológica. Por essa razão, não há pureza cívica do brasileiro: todos são capazes de corrupção no Estado e na sociedade. Esse diagnóstico se reflete na opinião pública reinante: “todo político é ladrão” e “o povo, fora da lei, dá um jeitinho em tudo”. Como consequência, instala-se o consolo popular de que a corrupção sempre existirá em qualquer governo e sociedade. A legislação existente para combatê-la — “impor custos” — torna-se, assim, impossível de ser cumprida no Estado e na sociedade brasileira, dada a situação quase “pandêmica” da corrupção.
O Estado democrático é o lugar de realização do interesse público e da cidadania cívica. Entretanto, a corrupção das instituições políticas evidencia que as regras constitucionais não são efetivas em assegurar a autonomia do Estado diante dos interesses privados. Numa democracia, cada indivíduo tem o direito de buscar seu interesse de quaisquer naturezas (autonomia). Contudo, os limites desse direito são constitucionais: não valem a violência, a trapaça nem a violação de normas que garantem a sociabilidade pacífica. Leis efetivas são aquelas que expressam uma cultura cívica, funcionando como orientação geral das condutas dos indivíduos. Assim, uma democracia só funciona adequadamente quando há o enraizamento de normas capazes de eliminar a corrupção das relações sociais. A questão central, portanto, é compreender o que favorece esse “enraizamento”, especialmente quando os padrões culturais e sociopsicológicos em operação generalizam a aceitação da corrupção como prática normal das interações sociais.
No Brasil, prevalece uma cultura que favorece a trapaça em benefício do interesse próprio. Essa configuração cultural tem origem e continuidade na herança escravista, no elitismo reinante e na desigualdade social persistente, naturalizada como “normal” entre os brasileiros. Grandes “maracutaias” dos políticos, formas brutais e violentas de criminalidade bem como a instabilidade das instituições políticas não abalam a leniência de nossa cultura com a busca do interesse próprio sem os limites da lei. As normas democráticas e cívicas, assim como eventuais reformas morais ou ideológicas e processos de conversão coletiva, não ocorrerão de forma suficiente para criar uma cultura cívica enquanto persistir a generalização da corrupção brasileira. Se há alguma possibilidade de criação de uma cultura cívica e democrática no Brasil, a porta de entrada para essa nova realidade passa, necessariamente, pela eliminação do padrão de desigualdade vivenciado pela maioria dos brasileiros.

Pesos e medidas

Tania Tavares – Professora – SP

Gostaria de entender as posições tomadas:- ” em relação a apurar reunião secreta sobre Master no STF, onde houve vazamentos e não querem punir o autor. Já Kleber Cabral, presidente da Unafisco é ouvido pela PF como investigado por ordem de Moraes após ter criticado o Supremo, que focou nos auditores por suspeitar que vazaram dados de ministro(s).Coerência para serem respeitados.

Pesquisas científicas avançam nos parques estaduais e fortalecem a conservação da biodiversidade em Minas Gerais

Unidades de Conservação funcionam como laboratórios naturais, ampliam o conhecimento científico e subsidiam decisões estratégicas para a proteção dos biomas mineiros

GOV. MG

As Unidades de Conservação estaduais vêm se consolidando como espaços estratégicos para a produção científica e o avanço do conhecimento sobre a biodiversidade em Minas Gerais. Nos últimos dois anos, quase 170 novas pesquisas foram autorizadas em parques e reservas, contribuindo diretamente para a gestão ambiental e a preservação dos ecossistemas.

Entre 2024 e 2025, o número de estudos apresentou crescimento significativo: foram 69 autorizações em 2024 e 97 em 2025. Atualmente, há cerca de 335 pesquisas em andamento, considerando novas autorizações e renovações anuais, já que cada permissão tem validade de um ano.

Os estudos abrangem áreas como botânica, ecologia, zoologia e geociências, incluindo espeleologia, geoarqueologia e geologia. Entre os grupos mais pesquisados estão plantas, insetos, anfíbios, aves e mamíferos de médio e grande porte, evidenciando a diversidade biológica investigada nas áreas protegidas.

Para a diretora de Unidades de Conservação do Instituto Estadual de Florestas (IEF), Letícia Horta Vilas Boas, os parques funcionam como laboratórios naturais. “Os dados gerados pelas pesquisas subsidiam políticas públicas e contribuem para uma gestão mais qualificada da conservação da biodiversidade”, disse.

O pesquisador Marcos Magalhães, do Instituto Federal do Sul de Minas Gerais (IFSuldeMinas), ressalta que as Unidades de Conservação são fundamentais para identificar espécies, avaliar riscos de extinção e orientar ações de proteção. “A pesquisa científica fortalece a organização e a tomada de decisões na gestão ambiental”, destaca.

Pesquisa aplicada à conservação

Além de ampliar o conhecimento científico, os estudos têm impacto direto na conservação da fauna e flora. Entre os resultados recentes estão a identificação de duas novas espécies de pequenos sapos do gênero Crossodactylodes: uma no Parque Estadual do Pico do Itambé e outra no Parque Estadual da Serra Negra. Esses anfíbios, menores que uma unha, vivem exclusivamente em bromélias, o que os torna raros e vulneráveis.

Mais recentemente, uma nova espécie de libélula foi descoberta no Parque Estadual do Pico do Itambé. O inseto é associado a ambientes de água limpa e bem preservados, como riachos e cachoeiras, reforçando a importância da conservação desses ecossistemas.

Pesquisas de longo prazo também geram resultados relevantes. No Parque Estadual da Serra do Brigadeiro, o monitoramento do muriqui-do-norte subsidia estratégias de conservação da espécie. Já no Parque Estadual do Rio Doce, estudos sobre onças-pintadas e onças-pardas ajudam a compreender padrões de deslocamento e ameaças enfrentadas por esses felinos.

A pesquisadora Mellis Layra Soares Rippel, do Programa de Pós-Graduação em Entomologia da Universidade Federal de Viçosa (UFV), destaca que as Unidades de Conservação oferecem condições únicas para estudos em ambientes preservados, permitindo compreender processos ecológicos e a dinâmica das espécies.