Uma tragédia na estrada com muitas perguntas sem respostas

Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Acadêmico da ABLetras, Blogger, Analista Político e Graduado em Gestão Pública.

Um ônibus sem autorização legal para fazer fretamento e sem autorização da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) saiu do Maranhão/MA com destino a Santa Catarina e sofreu acidente grave em Marília/SP, vitimando até o momento sete passageiros e deixando dezenas de feridos em hospitais da região.
O veículo com pneus sem condições de uso, sem possuir cintos de segurança, sem ter a lista exigida com nomes e os documentos dos passageiros tombou na Rodovia BR-153, entre os munícipios de Ocauçu e Marília. Uma das muitas rodovias federais que estavam no caminho entre o Maranhão e Santa Catarina.
A primeira pergunta sem resposta até o momento é a seguinte: Quem contratou os trabalhadores para saírem do Maranhão com destino a Santa Catarina para trabalharem na colheita de maçãs? Quem é o dono da propriedade em Santa Catarina? Outra pergunta pertinente é: Quem fez a contratação do ônibus irregular para realizar transporte de passageiros (fretamento) e transitar em rodovias?
Em seguida, surge a seguinte questão: se o veículo não tinha condições de transitar por rodovias, estando totalmente irregular perante as autoridades de trânsito, como conseguiu percorrer mais de 2.200 quilômetros sem que nenhum agente da Policia Rodoviária Federal ou Estaduais tenham parado e fiscalizado o ônibus?
Esse veículo cruzou diversas cidades, passou por postos da PRF e da PRE de vários estados sem que nenhum policial tenha notado as péssimas condições deste ônibus. Como? Quem poderia explicar essa situação?
A ANTT tem fiscalização ou apenas como agência reguladora dos veículos de transporte faz as regras? Segundo o site da Agência: a ANTT possui Postos de Fiscalização e Atendimentos (PFAs) espalhados pelos principais terminais de transporte rodoviário de passageiros do país. Nesses locais, o usuário do transporte interestadual pode esclarecer as suas dúvidas, fazer reclamações ou solicitar a ajuda de um fiscal.
Os PFAs garantem uma ampla cobertura de fiscalização do transporte interestadual regular de passageiros em razão das suas localizações estratégicas.
Tudo isso está no papel, porém, nas estradas essa situação não impede que veículos sem nenhuma condição transitem impunemente colocando vidas em risco.
Fica a nítida impressão de que muitas pessoas fizeram vistas grossas desde a contratação dos trabalhadores em que haja um contrato formal com valores, CNPJ, ou dados da fazenda onde exerceriam seus trabalhos, passando pela contratação do ônibus em péssimas condições.
Tudo isso nos faz pensar em trabalho escravo, sem a devida regularização da contratação, utilizando-se meios irregulares para o transporte dos trabalhadores por milhares de quilômetros sem documentação, alimentação adequada e um ônibus decente.
Enquanto o Congresso Nacional discute a questão da escala 6X1, nós ainda assistimos trabalhadores rurais vítimas do trabalho escravo ou semiescravo, do desprezo dos empresários envolvidos com a vida dessas pessoas pobres e sem voz.

AÇÃO DO GOVERNO CONTRA AS DROGAS

Ivan Santos – Jornalista

A questão do tráfico de drogas no Brasil é mais séria e complexa do que imagina o nosso ingênuo conhecimento sobre o assunto. O Governo manda as Forças Amadas patrulharem as fronteiras, mas as drogas continuam a entrar no País e circulam em todas as cidades, vilas ou becos. Recentemente um servidor do Alto Escalão do Governo revelou que o trabalho realizado nas fronteiras do país evitou a entrada de 112 toneladas de entorpecentes no mês passado. E quantas toneladas entraram? O governo não sabe porque as drogas que entraram. não são vistas pela polícia e circulam no silêncio da noite O Governo recentemente anunciou mais um Plano Federal contra o crack. Plano Estratégico de Fronteiras. Mais um Plano, mas as drogam continuam circulando e quem quiser pode comprar maconha, cocaína, crack, o que quiser onde estiver.
O Governo anunciou mais um Programa para “reprimir o tráfico de drogas”. Mais uma promessa, mas o tráfico continua ativo hoje como antes.
Sem saída para impedir o tráfico, o Governo promete que vai fazer um trabalho eficiente de prevenção e educação para evitar o consumo e o contato das crianças e jovens com as drogas. Nas planícies torcemos para que o Plano do Governo seja bem-sucedido, mas lembramos da enfática declaração do traficante colombiano Pablo Escobar, antes de morrer: “Enquanto houve quem consuma drogas, haverá quem as produza e quem as distribua, queiram ou não os governos nacionais”. Esta é uma verdade cristalina. Só há tráfico de drogas onde há consumo. Esta é uma lei elementar de mercado que não pode ser revogada por vontade política.
Os planos nacionais para enfrentar os problemas sociais provocados pelo consumo de crack e de outras drogas entorpecentes, lançado no Brasil pelo Governo custam caro e desviam recursos da Saúde, da Educação e da Segurança. Os programas anunciados são ações políticas para manter a confiança dos eleitores no Governo. A realidade continua como sempre foi.

O Governo anunciou a instalação de câmeras especiais para controlar delinquentes em locais onde se concentram usuários de drogas. O plano prevê o funcionamento de consultórios de rua em todo o país. Só promessa.

Os consultórios, segundo o Governo, contarão com médicos, enfermeiros e psicólogos para atender dependentes, principalmente os da população de rua. A intenção é boa, mas o plano parece improvisado e lançado só para produzir efeito de marketing em ano de eleições. A criação de enfermarias nos hospitais do SUS para tratar de drogados não passa de boa intenção.

Uma medida eficaz seria a liberação do comércio de drogas. Se acabar a proibição, comprará drogas quem quiser e o governo tratará os viciados, Hoje, a polícia se ocupa com pequenos vendedores de drogas e deixa o crime organizado crescer como cogumelo no verão. Promessas em véspera de eleição levam nada a lugar nenhum.

Resiliência é algo que também se aplica aos sistemas de saúde

D., Flávio de Andrade Goulart – Médico, professor de Medicina na UFU e na UNB, secretário de Saúde em Uberlândia e sobrinho do poeta Carlos Drummond de Andrade

Resiliência é uma palavra que tem origem na metalurgia, significando a capacidade dos metais em manter ou voltar à sua forma original mesmo após serem estressados pela temperatura ou esforços mecânicos – ao algo assim. A psicologia também utiliza o termo, como um aspecto positivo da personalidade, que faz com que as pessoas sejam capazes de manter o élan vital mesmo após serem expostas a traumas profundos. Curiosamente, em versão mais atual, gerada no período pós pandemia, esta palavra tem sido utilizada também em relação aos sistemas de saúde. É do que trata este artigo da tradicional revista médica britânica, The Lancet, em atualíssima matéria, em edição para as Américas datada de outubro de 2025 (ver link), cuja síntese, traduzida e adaptada por mim, trago para os leitores deste blog.
O conceito de Funções Essenciais de Saúde Pública (FESP), é aspecto fundamental na abordagem de Atenção Primária à Saúde (APS), e fundamental para compreender a chamada resiliência dos sistemas de saúde, particularmente durante emergências, como foi o caso da recente pandemia de Covid. O presente estudo se aprofunda sobre as lacunas eventuais na implementação das FESP e o fortalecimento (ou não) da resiliência do sistema de saúde em 17 países da América Latina e do Caribe, mediante aplicação de questionários a gestores nacionais, através de uma Abordagem Delphi modificada. Foram identificadas variadas capacidades de implementação das FESP e definidas duas dezenas de tópicos para direcionar as políticas e os investimentos necessários. Entre os temas levantados estão a vigilância; as respostas a emergências; os sistemas de informação em saúde; o desenvolvimento de políticas; a alocação de recursos e a equidade em saúde.
Os achados do referido estudo confirmam a convergência entre os conceitos de FESP e de APS e de sua importância na construção da resiliência nos sistemas de saúde, cabendo aos países desenvolver planos de ação abrangentes com roteiro individualizável, através de abordagens estruturadas e baseadas em evidências.
A APS, é bom lembrar, representa uma abordagem de ação setorial bastante abrangente, envolvendo toda a sociedade, voltada à organização dos sistemas de saúde, englobando em si as funções de saúde pública, as políticas setoriais múltiplas e o empoderamento da comunidade, constituindo ainda um nível específico de cuidado que serve como o primeiro ponto de contato, oferecendo atendimento acessível, contínuo e coordenado aos usuários.
Já as FESP têm sido cada vez mais reconhecidas como fundamentais para a dinâmica dos sistemas de saúde, por incorporarem ações essenciais, como prevenção de doenças, promoção da saúde e gerenciamento da saúde da população, ampliando o alcance dos sistemas de saúde além do cuidado individual e clínico, abordando necessidades de saúde da população mais amplas e determinantes sociais da saúde. Integrar este par de conceitos (FESP e APS) fornece uma estrutura operacional para ações de saúde pública proativas e sustentáveis, apoiando tanto a prestação rotineira de serviços quanto as capacidades necessárias para uma resposta eficaz a emergências, atendendo as necessidades de saúde da população de maneira holística, fortalecendo assim a resiliência.
Resiliência, aplicada aos sistemas de saúde, é um conceito multidisciplinar que vem evoluindo bastante, podendo ser definida a como capacidade de antecipar, absorver, adaptar-se e se recuperar de choques, mantendo as funções essenciais. Isso sido refinado e expandido nos últimos anos, para incluir a capacidade de aprender e transformar em resposta adequada tanto os choques agudos quanto as situações contínuas [FA1] de estresse. Perspectivas interdisciplinares, particularmente da engenharia da resiliência, enfatizam a necessidade de capacidade proativa, da aprendizagem contínua e da adaptabilidade, dos sistemas de saúde, e não apenas de sua capacidade de recuperação. A resiliência não representa, portanto, uma propriedade inerente aos sistemas de saúde ou das FESP, mas sim um resultado de esforços deliberados para construir tal capacidade institucional, promover governança robusta e fortalecer uma força de trabalho qualificada e adaptável.
Quanto à aplicação prática disso, é importante levar em conta o contexto do país e o impacto potencial nas prioridades selecionadas, cabendo assim fazer uma avaliação profunda das capacidades e lacunas relativas às FESP em cada país, de forma a desenvolver planos de ação consequentes e adaptados adaptam aos requisitos locais.
O estudo aponta que na América Latina, e com certeza também no Brasil, o foco da mudança deveria incluir o aumento e a garantia de continuidade dos investimento em saúde, o aprimoramento da colaboração intersetorial e a melhoria da integração do cuidado para fortalecer as capacidades de desempenho, aspectos que se desdobram na necessidade permanente de se adaptar estratégias no enfrentamento dos impactos recorrentes nos sistemas de saúde, como no caso dos desastres naturais e migrações, além da habitual fragmentação na organização dos serviços. Isso requer, naturalmente, revisão e atualização constantes, na medida que novas evidências possam surgir, novas tecnologias se desenvolverem e evoluírem as circunstâncias nacionais, de forma a garantir que as políticas de saúde permaneçam capazes de dar respostas às necessidades em mudança. Caberia, assim, repetir tal exercício de revisão de forma regular, com envolvimento das diversas partes interessadas, mesmo externas ao setor de saúde, o que será fundamental para promover a desejável melhoria contínua.
Em conclusão, abordar as lacunas identificadas na integração das FPEP e da APS, particularmente no desenvolvimento da capacidade da força de trabalho e da alocação aprimorada de recursos, constituem fatores essenciais na resposta adequada emergências de saúde pública e, por consequência, no fortalecimento da resiliência do sistema de saúde. Isso implicar não só em avaliações rotineiras das FPEP, como na correta definição de áreas-chave de atuação e na priorização de investimentos e apoio político.
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Eu já havia publicado aqui algo sobre Resiliência em Saúde, sob o foco da pandemia de COVID. Veja abaixo
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Ainda dentro de tema da resiliência, no caso do nosso sistema de saúde, não há dúvidas que enfrentamento da pandemia revelou fortalezas, mas também fragilidades do SUS. Por um lado, seu caráter de sistema de saúde universal, integral e gratuito garantiu, apesar dos pesares, o atendimento a tempo e a hora de milhares e milhares de pessoas doentes ou por adoecer. É nisso é que podemos classifica-lo com um sistema de fato resiliente, essencial para efetivação do direito à saúde, mas também para a manutenção de atividades sociais e econômicas. Por outro lado, suas fragilidades, agravadas pela crise política e econômica e pela condução irresponsável do governo federal à época, ficaram evidentes. Efeito colateral da pandemia foi a ter gerado uma multidão de pacientes invisíveis, ou seja, pessoas portadoras de comorbidades e diversas patologias que acabaram sem atendimento ou tendo o mesmo retardado, pelo excesso de demanda durante o período crítico da pandemia. Isso acarreta o desafio de enfrentar a fila de quem ficou para trás, dos muitos problemas de saúde que não foram tratados e que podem ter se agravado. Tornam-se necessários, portanto, reforços à organização dos serviços bem como do aporte financeiro do SUS. Mas uma coisa é certa, mesmo com mais de 700 mil mortos os especialistas convergem na afirmativa de que sem o SUS, mesmo fragilizado, poderia ter sido muito pior.
• Saiba mais:
• The Lancet Regional Health – Americas – Volume 50, October 2025, 101237
• Essential public health functions for primary health care resilience in Latin America and the Caribbean: a regional assessment – ScienceDirect
• http://dx.doi.org/10.1590/1679-395120200185
• Estudo revela como a pandemia afetou os atendimentos no SUS | Agência Fiocruz de Notícias
• Pandemia, Sindemia e o Mundo Invisível – A SAÚDE NO DISTRITO FEDERAL TEM JEITO!

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• Bolsa família & Saúde
• O Bolsa Família não apenas transformou vidas, mas também impactou a saúde pública no Brasil. Um estudo no The Lancet Public Health mostra que o programa reduziu mortes e hospitalizações, destacando a força de políticas sociais integradas ao SUS. De 2000 a 2019, foram mais de 713 mil mortes e 8,2 milhões de internações evitadas, resultados da sinergia entre transferência de renda, políticas de saúde e o trabalho das equipes de saúde da família. Esses números representam vidas salvas e comunidades fortalecidas. Projeções indicam que, com a ampliação do programa e o fortalecimento das redes de saúde, até 680 mil mortes poderão ser evitadas até 2030. Essa conquista é fruto de um esforço coletivo de sociedade, profissionais de saúde, gestores e pesquisadores, que transformam as condicionalidades em cuidado real. Convido você a ler o texto completo em nosso site e refletir sobre como fortalecer ainda mais o SUS, compromisso de todos nós.

PARA SER JORNALISTA DE VERDADE

Ivan Santos – Jornalista

A criação do diploma específico de jornalista não dispensa o treinamento do jornalista do treinamento numa redação. A
vigência da Lei de Imprensa permitiu à indústria do ensino montar Faculdades para fornecer diploma. Algumas venderam
diplomas e ganharam muito dinheiro. Na realidade, o mercado hoje é obrigado a contratar jornalistas diplomados – muitos sem cultura geral, sem conhecimento da técnica de editoração, sem conhecimento da Língua Portuguesa e, por isto, alguns veículos são obrigados a divulgar textos cheios de gerúndios misturados de tu com você, sentenças com verbos na voz passiva que não indicam o sujeito, enfim, pobreza de informações e de comunicação com a mistura de conceitos sem ordem e sem nexo. A qualidade da produção jornalística não melhorou com a expedição do diploma. Desde que a exigência do diplomo foi imposta por lei as escolas as escolas festejam. O ideal é copiar o modelo da Europa que exige do candidato a jornalista uma formação de nível superior seguida de um curso de pós-graduação em técnica de editoração e de texto.
Outra aberração é a exigência de registro no Ministério do Trabalho. Jornalista não precisa ser controlado através de um registro profissional em um órgão governamental. Os jornalistas precisam se reunir para organizar uma Ordem Profissional como a OAB. Essa Ordem poderá exigir o cumprimento da Ética Profissional e montar um Exame de Ordem para expedir a Carteira de Jornalista somente a quem se mostrar preparado para o exercício da profissão. Caso isto não ocorra, continuaremos sujeitos às exigências do mercado e o nível de desemprego crescerá.
Outros temas para discussão:
1- Para ser apresentador ou apresentadora de TV nunca foi preciso ter diploma de jornalista. Esta função no Brasil é regulada pela Lei do Radialista e tem o nome de “locutor (a) noticiarista”.
2- Os jornalistas invadiram a profissão de Relações Públicas com o rótulo de “Assessor (a) de Imprensa”. Esta qualificação profissional não existe. Não há no Brasil uma lei que reconheça “assessor de imprensa”.
Tem muita coisa errada no exercício do Jornalismo que precisa de séria discussão. Todo jornalista precisa analisar as informações que receber, avaliar de forma dialética para tentar identificar a verdade. É preciso trabalhar sempre sem preconceitos e com a mente aberta. Ninguém consegue ser bom jornalista sem boa cultura e respeito à ética. Isto ninguém consegue sem muita leitura. Jornalista de verdade sabe que um indivíduo com formação elementar não tem competência para distinguir alho de bugalho.
I

SAUDOSISMOS

Marília Alves cunha – Educadora e escritora

Concordo, não podemos viver do passado. O passado é só lembrança, algumas inesquecíveis. O mundo evolui a cada instante e nossa evolução é necessária, muitas vezes imprescindível. A tecnologia não espera ninguém, avança, cria novas conexões, repagina-se a todo momento. Viver neste mundo de admiráveis mudanças e procurar adaptar-se a elas é necessário, tem seus atrativos imensos. O melhor é procurar percorrer modernidades, nem que seja por pura sobrevivência.

Nos dias de carnaval, atoa na vida, estive pensando sobre isto e matutando sobre o que fazer na solidão do ninho. Ver desfiles de escola de samba? Não tenho o mínimo interesse, acho tudo sempre igual, monótono e sem graça. Vi alguns recortes da escola de samba de Niterói, que elogiava o Lula, batia no Bolsonaro, zombava da família e da religião e era tudo de péssimo gosto. Não foi novidade, sempre fazem isto, coisas erradas, quando querem ressaltar para melhor o presidente. Talvez seja difícil mesmo. O personagem não ajuda. Escrever sobre política não estava nos meus planos. Escapulir do Master, dos velhinhos roubados ,dos covardes senadores, de ministros corruptos, de acordão, do joguete em que se transformou o povo brasileiro, da pizza em que tudo, parece, vai se transformar consegui a muito custo! Esquecer por breve tempo o fracasso nacional em vários aspectos era o intento.

O melhor a fazer seria ouvir música, embalar-me em suas delicadezas. Dizem alguns que, em matéria de música, sou saudosista. Sou mesmo, quase que por completo. De alguma maneira também, um pouco crítica da maneira como nos comunicamos hoje em dia. Muito WhatsApp, muita mensagem, muita distância. Faltam encontros, o dar-se as mãos, o sorriso bom que atrai e é carinho. Faltam abraços apertados, aconchegantes, gostosos, daqueles que fazem a gente entregar-se, nunca mais querer soltar-se. Faltam as conversas sem telinhas, olhos nos olhos, gargalhadas explodidas, cheias de luz. Os meios digitais não trazem estas sensações, mas vivemos aqui e agora e é forçoso acostumar-se. E curtir o que puder deste admirável mundo, sem deixar de lado heranças lindas do passado.

Como dizia antes de perder-me, ouvi muita música neste carnaval, tirando proveito do sensacional Spotify à minha disposição, a qualquer hora ou lugar. Gosto de ouvir música, prestando atenção nas letras, no romantismo ou graça que elas contêm, na poesia de seus versos. Grandes poetas as escreveram, com a alma em transe e o coração nas mãos… Vamos relembrar algumas, revisitar este legado lindo que o passado nos deixou?

“Olhos nos olhos, quero ver o que você faz/ ao sentir que sem você eu passo bem demais/e que venho até remoçando/me pego cantando sem mais nem porquê/e tantas águas rolaram/tantos homens me amaram bem mais e melhor/ que você.” OLHOS NOS OLHOS (Chico Buarque)

“A porta do barraco era sem trinco/ e a lua furando o nosso zinco/salpicava de estrelas nosso chão/ tu pisavas nos astros distraída/ sem saber que a beleza desta vida/ é a cabrocha, o luar, o violão.”
CHÃO DE ESTRELAS (Orestes Barbosa e Silvio Caldas)

“Eu falo porque esta dona/ já mora no meu barraco/ à beira de um regato e um bosque em flor/ de dia me lava a roupa/ de noite me beija a boca/ e assim nós vamos vivendo de amor.”
SE ACASO (Lupicínio) Rodrigues)

“Enfim, volto ao jardim/ com a certeza que devo chorar/ pois bem sei que não queres voltar para mim/ queixo-me as rosas/ mas que bobagem/ as rosas não falam/simplesmente as rosas exalam/ o perfume que roubam de ti.”
AS ROSAS NÃO FALAM (Mestre Cartola)

“Tanto riso, Ó, quanta alegria/ Mais de mil palhaços no salão/Arlequim está chorando por amor da Colombina/ no meio da multidão. MÁSCARA NEGRA (Zé Keti)
“É bom passar uma tarde em Itapoã/ ao sol que arde em Itapoã/ouvindo o mar de Itapoã/ falar de amor em Itapoã.
TARDE EM ITAPOÃ (Vinicius de Morais)

“Mas é preciso ter manha/ é preciso ter graça/ é preciso ter sonho sempre/ Quem tem na pele esta marca/ costuma ter a estranha mania de ter fé na vida.
MARIA, MARIA (Milton nascimento)