Ivan Santos – Jornalista

A criação do diploma específico de jornalista não dispensa o treinamento do jornalista do treinamento numa redação. A
vigência da Lei de Imprensa permitiu à indústria do ensino montar Faculdades para fornecer diploma. Algumas venderam
diplomas e ganharam muito dinheiro. Na realidade, o mercado hoje é obrigado a contratar jornalistas diplomados – muitos sem cultura geral, sem conhecimento da técnica de editoração, sem conhecimento da Língua Portuguesa e, por isto, alguns veículos são obrigados a divulgar textos cheios de gerúndios misturados de tu com você, sentenças com verbos na voz passiva que não indicam o sujeito, enfim, pobreza de informações e de comunicação com a mistura de conceitos sem ordem e sem nexo. A qualidade da produção jornalística não melhorou com a expedição do diploma. Desde que a exigência do diplomo foi imposta por lei as escolas as escolas festejam. O ideal é copiar o modelo da Europa que exige do candidato a jornalista uma formação de nível superior seguida de um curso de pós-graduação em técnica de editoração e de texto.
Outra aberração é a exigência de registro no Ministério do Trabalho. Jornalista não precisa ser controlado através de um registro profissional em um órgão governamental. Os jornalistas precisam se reunir para organizar uma Ordem Profissional como a OAB. Essa Ordem poderá exigir o cumprimento da Ética Profissional e montar um Exame de Ordem para expedir a Carteira de Jornalista somente a quem se mostrar preparado para o exercício da profissão. Caso isto não ocorra, continuaremos sujeitos às exigências do mercado e o nível de desemprego crescerá.
Outros temas para discussão:
1- Para ser apresentador ou apresentadora de TV nunca foi preciso ter diploma de jornalista. Esta função no Brasil é regulada pela Lei do Radialista e tem o nome de “locutor (a) noticiarista”.
2- Os jornalistas invadiram a profissão de Relações Públicas com o rótulo de “Assessor (a) de Imprensa”. Esta qualificação profissional não existe. Não há no Brasil uma lei que reconheça “assessor de imprensa”.
Tem muita coisa errada no exercício do Jornalismo que precisa de séria discussão. Todo jornalista precisa analisar as informações que receber, avaliar de forma dialética para tentar identificar a verdade. É preciso trabalhar sempre sem preconceitos e com a mente aberta. Ninguém consegue ser bom jornalista sem boa cultura e respeito à ética. Isto ninguém consegue sem muita leitura. Jornalista de verdade sabe que um indivíduo com formação elementar não tem competência para distinguir alho de bugalho.
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