por uberlandiahoje | dez 4, 2025 | Ponto de Vista |
Paulo Henrique Coimbra de Oliveira – ECONOMISTA RS
Os grandes empresários brasileiros, suponho, já pagam bastante imposto. Tem muitas exceções e a mídia divulga sempre que ocorre um escândalo de altas proporções. Tirando o empresariado hoje as grandes fortunas são de membros do legislativo , do judiciário e ex -presidentes, governadores e prefeitos. Sob uma capa de impunidade fazem o que querem com o dinheiro público criando sempre as melhores situações em proveito próprio. Então fica difícil de acreditar que venham a fazer algo, taxar super ricos , nesse sentido .De verdade , há somente muita hipocrisia.
por uberlandiahoje | dez 2, 2025 | Ponto de Vista |
Marília Alves Cunha – Educadora e escritora
“O mal do malandro é achar que todo mundo é otário!”
O Brasil, no ocaso da democracia, assiste com tristeza mais alguns capítulos de uma longa história. Uma história de corrupção que, parece, entranhou-se de tal maneira no ser e estar do nosso país, como uma praga que insiste em estabelecer-se, resistindo a todos os remédios que lhe são administrados. E a impunidade que também assola este país, podemos assegurar, é o mais eficiente fertilizante que faz a corrupção florescer e dar preciosos frutos.
Entramos num círculo vicioso de miséria moral, intelectual e social como nunca antes aconteceu. Somos um país cheio de riquezas, habitado por um povo cada vez mais pobre e despreparado. Infelizmente, o ambiente é perfeito para que se instale um regime autoritário que acabará levando o restinho da única coisa que sobrevive, como muito esforço do povo: a liberdade. E esta riqueza, depois de perdida, dificilmente poderá ser reconstituída.
O caso do Banco Master e do INSS são típicos de um país que já deixou para trás a sua moralidade, a sua soberania, o exemplo de país onde a lei era igual para todos e a justiça confiável, na sua integridade e isenção. Faz-se aquele barulhão (nas redes sociais é claro) com a descoberta diária de inúmeros meios de pilhar, roubar apoderar-se do bem público e privado. A mídia tradicional esmera-se em tratar os assuntos com a maior delicadeza, deixando que as notícias não cheguem tão fortes e estrondosas ao grande público. Principalmente quando a coisa começa a chegar muito perto dos políticos, apadrinhados e das grandes autoridades. Espera-se que os clamores pela justiça, a indignação e o sentimento de revolta daqueles que ainda se importam e querem um Brasil melhor, se arrefeçam e se calem diante de tanta barbaridade. É inacreditável o que vem acontecendo neste nosso Brasil. Não há boas notícias. Se alguém souber de alguma coisa boa que esteja sendo feita sem a interferência dos inconvenientes, avise a todos para que haja uma réstia de esperança no nosso coração.
E enquanto o país é destroçado diuturnamente, esmagado pela ânsia de poder, pela ambição desmedida, pela falta de interesse ou interesses escusos pela coisa pública, pela indiferença de muitos que poderiam estar fazendo a diferença, pela vaidade e orgulho, pelo egoísmo, pelo insano desejo de transpor qualquer obstáculo para impor suas vontades, o que faz o nosso Presidente?
Primeiro critica a classe média, dizendo que esta ostenta demais. Como se não pudesse esta classe que sustenta este país, como muito trabalho e pagando muito imposto, ter por exemplo duas televisões ou comprar blusinhas na Shein. Como se não pudesse a classe média, ter uma casa para alugar. Como não pudesse a classe média ousar sonhar, amealhando economias para viver um futuro melhor. E o nosso Presidente, não satisfeito em criticar a classe média, volta agora a sua metralhadora para os pobres. Pobre não deve consumir, pobre deve viver de vento, trabalhar mais e mais para viver cada vez mais miseravelmente. Tudo isto para, simplesmente, evitar que os ricos fiquem cada vez mais ricos. Disse com todas as letras: se o pobre consumir mais, o rico vai ficar mais rico…Quanta idiotice, meu Deus!
Sinceramente, que inveja daqueles países onde o povo é estimulado ao progresso, a ganhar mais, a adquirir as coisas que lhe são necessárias para viver melhor, para crescer. Inveja das grandes democracias onde há liberdade econômica, onde as pessoas pagam impostos com a certeza que tudo retornará ao povo em forma de benefícios e melhor qualidade de vida, onde a educação não é uma mentira, onde não se estimula a mediocridade e o viver de assistencialismo, sem sonhos ou vontade de progresso. Que inveja!
por uberlandiahoje | dez 2, 2025 | Ponto de Vista |
Paulo Henrique Coimbra de Oliveira – Economista – RJ
Cristãos acreditam que Jesus é o Messias. Lula também, mas Lula não é Jesus nem nenhuma divindade. Só seus fãs acham. Fazer o que? Porque Messias não? Não é juiz. Não parece ter notório saber jurídico tem seu valor. Passou num concurso para Advogado da União, tem mestrado e doutorado. Mas repito, não é juiz. E é amigo do Lula que prometeu, mas mentiu que não nomearia amigos. E o mais grave: foi sancionado pelo governo americano. Algo de grave cometeu. Só por essa ocorrência deveria, por decência e zelar pelo próprio nome, renunciar à indicação. É melhor para ele, para o STF e para o país. Recado dado.
por uberlandiahoje | dez 2, 2025 | Ponto de Vista |
Tania Tavares – Professora – SP
No Estadão (pag.A10 1º/25), li que o Itamarati cria regra para permitir “sigilo” a documentos antes públicos. Várias associações contestam estas restrições ao aceso às informações. Resumindo, esta portaria traz muitas dúvidas, estão querendo esconder o que de nós brasileiros?
por uberlandiahoje | dez 1, 2025 | Ponto de Vista |
Diógenes Pereira da Silva – Tenente do Quadro de Oficias da Reserva Remunerada da PMMG
No cenário brasileiro contemporâneo, verifica-se um aumento progressivo no número de indivíduos em situação de dependência química, configurando um fenômeno que envolve fatores biomédicos, socioeconômicos e territoriais. A chamada Cracolândia, situada historicamente no centro de São Paulo, representa um caso emblemático de concentração urbana de vulnerabilidades, caracterizada pela interação entre uso problemático de substâncias psicoativas, exclusão social e insuficiência de políticas intersetoriais.
Declarações recentes de autoridades municipais apontam para a suposta “extinção” do fluxo de usuários, restando apenas um grupo reduzido de indivíduos. Essa narrativa, contudo, suscita questionamentos à luz de conceitos amplamente discutidos no campo das políticas públicas.
Nesse sentido, é pertinente indagar qual foi o destino real das centenas de usuários que tradicionalmente ocupavam aquela área. Teriam sido integrados a estratégias baseadas em redução de danos, que priorizam o cuidado continuado e a preservação de vínculos sociais? Foram incorporados a programas de acolhimento institucional, que buscam oferecer suporte habitacional e acompanhamento psicossocial? Ou, de forma coerente com práticas recorrentes de higienização urbana, teriam sido apenas deslocados para regiões periféricas, fenômeno descrito pela literatura especializada como dispersão territorial induzida, no qual o problema é apenas deslocado espacialmente, sem que haja redução efetiva dos agravos?
Além disso, a análise técnico-científica demanda considerar a possibilidade de mortalidade associada a agravos decorrentes do uso de substâncias, bem como os impactos da ausência de políticas continuadas de reinserção social, que são reconhecidas como essenciais para romper ciclos de uso compulsivo, reincidência e vulnerabilidade.
A avaliação desse contexto exige, portanto, o emprego de abordagens metodológicas robustas, baseadas em epidemiologia social, análise territorial, indicadores de saúde pública, estudos sobre populações em situação de rua e monitoramento das políticas de drogas. Somente a partir de dados consistentes e da integração de ações intersetoriais, saúde, assistência social, habitação, trabalho e segurança, é possível mensurar se houve redução real do fenômeno ou apenas uma mudança de sua visibilidade espacial.
por uberlandiahoje | nov 30, 2025 | Ponto de Vista |
Antônio Pereira – Jornalista e escritor
Desde 1853, ou por aí, a população de São Pedro de Uberabinha usava uma água poluída que vinha por um rego aberto das cabeceiras do córrego de São Pedro até a esquina das atuais rua XV de Novembro e praça Cícero Macedo. Eram quatro quilômetros de exposição em que os animais serviam-se primeiro que os moradores.
Em 1909, ou seja, depois de mais de meio século de uso desse serviço rude e porco, o Agente Executivo Alexandre Marquez conseguiu um empréstimo junto ao Governo do Estado, da ordem de cento e quinze contos de réis, contratou gente competente e simplesmente canalizou a água que escorria pelo rego e as jogou dentro das residências mediante o pagamento de determinada taxa. Foi um serviço muito simples, com 16 quilômetros de canalização metálica. Os canos foram comprados em Londres. Toda casa de valor locativo superior a quinze mil réis por mês foi obrigada a ligar pelo menos uma pena.
Marquez construiu um reservatório nos altos da avenida Floriano Peixoto de onde a água descia por gravidade para a cidade. Foi serviço simples: não mudou nem a qualidade nem a quantidade de água.
Menos de um ano após a inauguração, que foi a 12 de novembro de 1909, o povo já reclamava da falta de água e se arrependia de ter atendido a Câmara que pedira a todos que entupissem suas cisternas.
Em 1912, o grande Joanico assumiu o comando da Municipalidade e começou a trabalhar na remodelação do sistema. Não foi fácil nem rápido. Faltavam verbas.
O Governo do Estado, atendendo seu pedido, mandou para cá o engenheiro Domingos Barbosa que realizou novos estudos para captação e distribuição da água.
Em novembro, outro engenheiro veio para cuidar das nossas necessidades líquidas. Foi o dr. Mendes Teixeira.
Enquanto isso, o povo passava apertos com a falta de água, principalmente na seca. Ainda bem que havia minas pelas vertentes do Cajubá (sob a avenida Getúlio Vargas) e do São Pedro (sob a avenida Rondon Pacheco). E havia a negra Eugênia que vendia latas d’água de 20 litros, captadas nas minas, a cem réis.
Em 1913, saiu o Edital para os serviços.
O fim de 1914 já vinha chegando e a distribuição de água continuava deficitária.
Enfim, chegou o dinheiro do empréstimo do Estado e o Joanico arregaçou as mangas. Ele ampliou a represa conseguindo maior volume de água; construiu um novo reservatório com capacidade bem superior ao antigo; instalou usina hidrelétrica aparelhada com bombas centrífugas para impulsionar a água para os reservatórios e estendeu a rede para toda a área urbana.
Bem ou mal, criticado ou elogiado, o serviço do Joanico perdurou, com eficiência, até a época da ditadura getulista.
Vasco Giffoni, prefeito nomeado, foi o primeiro, depois do Joanico, a preocupar-se com a melhora da distribuição da água. Ele não mexeu no que estava feito. Simplesmente adquiriu para a Prefeitura a área da nascente do córrego Jataí e construiu nova linha adutora. Construiu o primeiro reservatório elevado da avenida Floriano Peixoto, próximo ao Estádio Juca Ribeiro. A intenção era levar água, também por gravidade, à parte alta da cidade que não era habitada ao tempo do Joanico.
Em seguida, o prefeito Euclides de Freitas, também nomeado, reconstruiu a adutora do córrego de São Pedro e Cleanto Vieira Gonçalves, outro nomeado, adquiriu novas máquinas.
Ninguém mais mexeu na água. Afrânio Rodrigues da Cunha, eleito, tentou atualizar o serviço para atender a demanda sempre crescente, mas esbarrou num mal insanável, a falta de verba. Não conseguindo melhorar o serviço existente, conseguiu do Estado o empréstimo de perfuratrizes com as quais furaria poços artesianos. Infelizmente não deu certo e logo a primeira máquina teve problemas.
Em razão da distância entre Uberlândia e Belo Horizonte, antes que se superasse o impasse da máquina quebrada, mudou-se o Governo do Município. Foi eleito e empossado o empresário Tubal Vilela da Silva.
O trabalho de Tubal Vilela na área do abastecimento de água foi importantíssimo e merece um capítulo à parte. (Fontes: publicações da época)