por uberlandiahoje | abr 14, 2026 | Ponto de Vista |
Paulo Henrique Coimbra de Oliveira – Economista RJ
Lula insinuou numa conversa com Alexandre de Moraes, tornada pública pela mídia, que o ocupante do STF não pode usar o cargo para enriquecer (sic). Vale tal conselho para os 11 ministros do STF e, por analogia, para todos os ocupantes de cargos públicos nos 3 poderes e em todos os níveis. Talvez foi a única coisa séria que Lula proferiu, como presidente da república em todos os seus mandatos. Acho que vale para ele também. Pura hipocrisia porquê, na prática, o que se viu desde 2003 foi o enriquecimento ilícito de todos eles. Brasil, país sem futuro.
por uberlandiahoje | abr 14, 2026 | Ponto de Vista |
Tania Tavares – Professora – SP
Lula está acostumado a só escolher pessoas para cargos em que nem sempre são competentes, mas se tornam vassalos ao seu dispor. Gabriel Galípolo teve bons aprendizados ao longo de sua carreira e não iria macular sua biografia vilanizando Roberto Campos Neto no escândalo do Master para satisfazer Lula em ano eleitoral, muito diferente do nosso Congresso e STF!
por uberlandiahoje | abr 13, 2026 | Ponto de Vista |
João Batista Domingues Filho – Cientista Político – Professor UFU/INCIS
A capacidade de governar de Lula como um eterno comício é admirável. Criou uma fantasia de Brasil dos pobres na qual todos acreditaram, com pão (Bolsa-Família: cerca de 13 milhões de famílias) e circo (palanque permanente de sua pessoa). Contribuiu para retirar milhões de pessoas da pobreza. Ninguém deve ser contra oferecer alimentação suficiente a quem tem fome e moradia a quem precisa, como exige um ser humano civilizado, com recursos públicos.
É dever do Estado e direito de todo cidadão, numa democracia, viver com dignidade. O problema maior surge daí para frente: como ficará o futuro? Como produzir, com democracia, cidadãos brasileiros livres da dependência do Estado?
A desigualdade social permanece enorme no Brasil. Daí, “dar pão a quem tem fome e fome de justiça a quem tem pão” ser uma política pública justa. A mudança estrutural para acabar com a desigualdade é lenta. Lula preferiu fazer seu show para continuar no poder. Lula virou mito: não demonstra compromisso com a realidade, mas com a construção de sua própria narrativa. Deseja ser um Getúlio Vargas vivo.
Levou todo o movimento sindical para o Estado e ofereceu cada vez mais oportunidades de riqueza aos mais ricos. Não foi um estadista, mas um populista, como Getúlio Vargas e Jânio Quadros.
A política clientelista, com loteamento de cargos, ministérios e autarquias, tornou-se prática recorrente. Reformas estruturais não ocorreram não por falta de poder, mas por opção política. Lula teve condições para promovê-las.
Não realizou reformas essenciais: agrária, tributária e política. Contribuiu, de forma significativa, para a erosão do espaço público, para o enfraquecimento dos movimentos sociais e para a fragilização da cidadania. A esquerda não demonstrou capacidade de realizar reformas estruturais, e Lula foi o principal beneficiado: tornou-se mito.
Lula foi gerado e fortalecido pelos movimentos sociais, mas os ignorou como força política. O povo serviu de base de apoio nos palanques. Desse processo resultou o mensalão, com a cooptação de forças como CUT e UNE pelo governo.
Por que o Brasil não adotou um modelo econômico, social, político e ambiental próprio? Lula teve poder político para tanto, mas optou pela continuidade, assegurando governabilidade e aprovação. Isso caracteriza o populismo. Houve acertos na economia, mas erros na política e no social. Persistiram problemas na saúde, educação, segurança e saneamento.
Nunca houve reconhecimento efetivo de erros. A oposição foi frequentemente responsabilizada. Pesquisas indicavam elevada reprovação na área da saúde. Lula mostrou tolerância diante de práticas de corrupção. Ao final de oito anos de governo, afirmou que o mensalão não existiu, apesar de o esquema ter sido caracterizado pelo STF como envolvendo figuras centrais do governo.
Lula foi capaz de administrar a crise política gerada pelo mensalão. A oposição, por sua vez, apostou no desgaste eleitoral, esperando perda de força nas urnas. À luz da história posterior, vê-se que essa aposta não foi suficiente para interromper a força do lulismo no plano nacional, já que Lula retornou à Presidência e voltou a ocupar o centro da vida política brasileira.
Ao final de seu segundo mandato, Lula deixava uma herança política ampliada e uma agenda de reformas em aberto nas áreas previdenciária, sindical e trabalhista. Reformas implicam custos políticos elevados, que poderiam ter sido enfrentados naquele momento, mas foram evitados em favor da continuidade no poder. Hoje, porém, esse legado precisa ser lido em perspectiva histórica mais ampla, uma vez que Lula voltou ao poder e o debate sobre sua responsabilidade política já não pode ser encerrado apenas como balanço de um ciclo passado
por uberlandiahoje | abr 13, 2026 | Ponto de Vista |
GustavoAgente Agente Social
Em pauta, até a conclusão deste texto, a reação de muitos políticos e da maioria da população brasileira quanto a eleição de uma deputada transexual para a função de presidente da Comissão das Mulheres na Câmara Federal. Ataques transfóbicos pipocaram de todo lado e ao ponto de alguns dos colegas daquela excelência falarem em “ideologização” da referida comissão, enquanto outros mais tradicionais defendiam que o referido grupo deveria, sim, ser presidido por uma mulher cisgênero ou seja uma autentica representante do sexo feminino. Penso ter havido uma claríssima objeção de consciência por quem sentiu-se contrariado (a) com a ascensão daquela excelentíssima parlamentar, visto que normas éticas e jurídicas impregnadas no íntimo dos descontentes estariam sendo vergonhosa e absolutamente refutadas. Foi licita a eleição de Hilton, sim, mas seria realmente moral – dentro de um contexto cultural e histórico- os membros da referida comissão acatarem aquela pessoa como a sua presidente e visto que tal posicionamento é contrário à lei natural? A autoridade que legisla explicitando e aplicando uma lei incomum, também nesse caso merece ser respeitada e digna de obediência? Penso que os políticos concordantes com a referida eleição se exorbitam e determinam um comportamento legislativo que fere o direito natural , visto que que tal eleição não tem condições morais de exigir o acatamento da maioria da população que sente-se desonrada, pois acima de tudo a eleição de Erika Hilton não poderia ser maior que a nossa dignidade e ética. Em tal caso aqueles contrários a tal acatamento toca, sim, oporem objeção de consciência e ao ponto de recusarem-se a obedecer aquela parlamentar em nome de sua própria percepção moral. Aliás é de notar que a própria Constituição do Brasil garante o respeito à consciência dos cidadãos! Ao recordar essa verdade não pretendo intitular-me soberano nessa questão; não desejo entrar em seara alheia; falo em meu nome, de um pai de tradicional família mineira que preza e respeita valores. Meu velho sogro já dizia que este mundo “tá muito mudado” e o meu saudoso amigo Frei Antonino Puglisi diria que estamos todos “descombussolados”, mas eu ainda completaria “ pode ser”! Quem sabe num futuro próximo ou remoto a população brasileira não se insurgirá contra muito daquilo que a nossa tradição e educação familiar rejeita, se insurja contra esses modismos que, dóceis a governos iníquos, terminam provocando a ira de muitos que ainda suportam uma tendência claramente neo-totalitária e onde as pessoas são reduzidas a simples “coisas”, vítimas de manobras de alienação política e social e consideradas de gigantesca utilidade apenas no momento do voto.
por uberlandiahoje | abr 11, 2026 | Ponto de Vista |
José C, Martelli – advogado e professor
“Quem não preserva o passado não vive o presente e, por consequência, não tem futuro.”
Essas palavras vieram-me à mente quando em visita à Escola Estadual Cardeal Leme, deparei-me, em seu pórtico de entrada, com uma exposição, em dois quadros caprichosamente montados pela Senhora Elvira Florence Vergueiro, com documentos, fotografias e jornais que remontam à época da fundação da escola, em 05.05.1930, sob o nome de Gymnasio Pinhalense, fundado por obra e graça de pinhalenses ilustres e que ora leva o nome do Cardeal Leme.
A exposição passa por várias fases da história daquela casa de ensino, inclusive com a criação e eleição da Diretoria do Grêmio Estudantil Dr. Francisco Álvares Florence, em 1947. É uma história linda da qual tive a honra de participar como aluno e Diretor de seu primeiro jornal “A Juventude”.
Pois bem, sobre essa história que é longa e bela pretendo escrever algumas crônicas. Mas hoje quero escrever uma outra história. Provavelmente não tenha palavras para transportar para o papel toda sua importância, mas vou tentar, por que ele é tão bela quanto a história do Cardeal Leme.
Então, em rápidas “pinceladas” vou tentar, como disse, coloca-la aqui.
Vou escrever sobre a autora dessa exposição, que espero se torne permanente, na entrada da vetusta escola, porque quem não preserva o seu passado, não tem futuro.
Vou escrever sobre a Sra. Elvira Florence Vergueiro, mais conhecida como Dona Elvirinha.
Não há o risco de confundi-la com outras porque ela é singular.
Se não me engano era o ano de 1970. Começava ali o meu conhecimento dessa criatura impar e singular, Senhora Elvira Florence Vergueiro. Sua vida, como percebi na sequência de nosso conhecimento, foi muito árdua e, muitas vezes sofredora, mas ela não deixava que os tropeços que a vida lhe reservara a esmorecesse. Era e é uma daquelas criaturas que não se abatem diante das dificuldades. Pelo contrário, as dificuldades dão-lhe força.
Viúva, muito nova, ficou com a responsabilidade de ser pai e mãe de três pequerruchos, Paula, Cristiane e Tito. Além disso tinha que administrar uma fazenda com todos os problemas daí advindos. Eu fui testemunha de muitos desses problemas, porque funcionário da Carteira Agrícola do Banco do Brasil, tive oportunidade de acompanhar sua labuta nas relações banco e sua propriedade rural. Nunca esmoreceu.
Por outro lado é muito longa a história de sua vida na preservação das artes e da cultura em nosso passado.
Mas, como merecida homenagem a ela e até para comprovar as palavras que iniciam esta crônica vou trazer aqui um pouco da Associação Cultural Antonio Benedicto Machado Florence cuja existência e atividades muito se deve a ela, reproduzindo artigo publicado em 7 de outubro de 2017 no jornal “O Pinhalense”.
Ei-lo: “Corria o ano de 1978 e o senhor Antonio Benedicto e sua esposa Maria Angélica resolveram doar parte das terras que possuíam no Vale do Paraíba à Prefeitura de Espírito Santo do Pinhal para que o produto de sua venda fosse aplicado em alta cultura literária, pictórica, musical e científica, pela ordem acima ou todas ao mesmo tempo, inclusive na construção ou aquisição de imóvel para abrigar tais eventos. O imóvel doado era constituído de três glebas. A Prefeitura aceitou a doação com a condicionante acima. O tempo passou, a prefeitura vendeu a sua parte na primeira gleba. Depois em 2006 vendeu o quinhão da terceira gleba, cujo dinheiro encontra-se depositado para a finalidade a que se destina, enquanto que a terceira gleba ainda não foi vendida, estando à disposição da municipalidade. Mas a grande verdade é que o desejo dos doadores, via prefeitura, não se consumou ainda. Nesta fase, representando a viúva codoadora, Senhora Maria Angélica, entrou em cena, com o entusiasmo e a garra que lhe são peculiares a Senhora Elvira Florence Vergueiro e, juntamente com uma plêiade de pessoas que sabem que a cultura é o alicerce das civilização, constituiu, em 31.03.2012 a ACBMF que, com 48 sócios fundadores, elegeu sua primeira diretoria e aprovou o respectivo estatuto. A associação, recém criada passo a colaborar com a Senhora Maria Angélica que, com o falecimento do marido, resolvera tomar providências pra que a vontade de ambos se consumasse. Isto feito, em 10.08.2012 Dona Maria Angelica adquiriu, com recursos próprios, o imóvel situado na Praça da Independência ,161, conhecido como Casarão e o doou à associação. Hoje – 07.10.2017 – abriga, além da própria diretoria, danças de salão, exposições de pintura, yoga, aulas de italiano e coral, ao mesmo tempo em que cede espaço à Casa do escritor Pinhalense Edgard Cavalheiro, ao Grupo Amor Exigente e Você, à Associação Eco-Mantiqueira e a outras atividade culturais consentâneas com o desejo dos doadores. E tudo isso graças a perseverança de Dona Maria Angélica na busca de seus ideias e de seu finado marido e, sobretudo, do incansável trabalho de D. Elvirinha e seus colaboradores para que tudo acontecesse. Dessa forma os desejos do casal de doadores estão sendo alcançados, enquanto se espera uma parceria com a prefeitura. Hoje a Associação está sob a presidência do professor Eliseu Martins que certamente dará sequência ao belíssimo trabalho até aqui realizado.”
Eis a importância de D. Elvira Florence Vergueiro, para Espírito Santo do Pinhal, em rápidas pinceladas.
por uberlandiahoje | abr 10, 2026 | Ponto de Vista |
Ana Maria Coelho Carvalho – Bióloga
Gosto de estátuas de bronze, dessas sentadas em um banquinho, onde se pode sentar, abraçar a estátua, sorrir e tirar uma foto. E, às vezes, conversar com elas.
No Rio, tem uma assim, do poeta Drummond, na Avenida Atlântica. Ela passa o dia com pessoas sentadas ao seu lado, tirando fotos e tentando arrancar seus óculos. Ruy Castro, colunista da Folha de São Paulo, na crônica “Papo com a estátua”, conta que observou duas pessoas com uma relação especial com essa estátua. O primeiro sujeito chega bem cedo e bate profundos papos com o poeta. Não se sabe o que fala, mas deve ser importante, porque dá para vê-lo gesticulando ou se inclinando sobre Drummond, como que para ouvi-lo melhor. Lógico, se ele fala com Drummond, porque Drummond não falaria com ele? Já o outro amigão do poeta chega ao anoitecer, quando está esfriando. Tira o casaco ou o que for e joga sobre os ombros de Drummond, para agasalhá-lo. Quando chove, abre um guarda-chuva e protege o poeta. E deve sofrer quando chove em outras horas e não pode cobri-lo.
Aqui em Uberlândia não tem uma estátua assim, que inspire conversas ou cuidados. Poderia ter talvez uma do Rondon Pacheco, sentadinho num banco na praça Tubal Vilela. Ele é uma pessoa simpática, eu iria conversar com ele. Mas só tinha uma cabeçorra do Juscelino Kubitschek, muito sisudo, olhando fixamente pra frente, não dava nem pra tirar fotos sorrindo ao seu lado.
Felizmente, em minhas andanças pelo mundo, encontrei duas estátuas de bronze que inspiravam aconchego. A primeira, em Boston, de um senhor simpático, de meia idade, feições fortes, com terno e gravata amassados, segurando dois tubinhos, sentado em um banco comprido onde havia uma bola de basquete embaixo. Não sei quem era, mas causava simpatia e curiosidade. Tirei uma foto sorridente sentada ao seu lado, de braços dados com ele e com o meu filho que morava em Boston.
A outra estátua, uma das mais famosas de Portugal, encontrei-a em Lisboa, na região do Chiado, na conhecida cafeteria “A Brasileira”. Lá estava, não em carne e osso, mas em bronze, o poeta português Fernando Pessoa, que foi frequentador assíduo desse café. Ele tinha um semblante tranquilo, um pouco sério, magro, com as pernas cruzadas, de terno apertado e gravata borboleta, chapéu tipo Panamá, de bigodinho, óculos redondos e pequenos, sentadinho em uma mesa onde apoiava uma das mãos. Dezenas de pessoas vão, diariamente ao local, tirar fotos com ele: fazem poses enlaçando seu pescoço frio, sentadas na cadeira ao seu lado, pegando em sua mão, olhando para o poeta intrigados ou com admiração. E ele ali, impassível, curtindo a movimentação em torno da sua pessoa de bronze.
Tirei uma foto abraçada com ele, feliz de documentar para a posteridade a minha presença ao lado de um poeta capaz de escrever versos tão singelos como:” eu tenho um colar de pérolas, enfiado para te dar: as pérolas são os meus beijos, o fio é o meu penar”. Ou então: “tens uns brincos sem valia, e um lenço que não é nada, mas quem dera ter o dia, de quem és a madrugada”. E outros profundos como: “não sei quantas almas tenho, cada momento mudei; continuamente me estranho, nunca me vi nem acabei. De tanto ser, só tenho alma. Quem tem alma não tem calma, quem vê é só o que vê, quem sente não é o que é.”
Pois é, Fernando, se eu morasse em Lisboa, iria sempre conversar com você, tiraria meu casaco para protegê-lo do frio e abriria o guarda-chuva quando chovesse.