PCC, CV e os Riscos para o Brasil

Diógenes Pereira da Silva – Tenente Quadro de Oficiais da Reserva Remunerada da PMMG

A decisão dos Estados Unidos de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas gerou reações diversas no Brasil. À primeira vista, muitos enxergam a medida como mais uma ferramenta de combate ao crime organizado. E, de fato, ninguém em sã consciência defende facções criminosas que há anos espalham violência, corrupção e medo pelo país.

Mas a questão vai muito além disso.

O que está em debate não é a defesa do PCC ou do Comando Vermelho. O que está em debate é até onde um país estrangeiro pode influenciar decisões que dizem respeito exclusivamente ao Brasil. Quando os Estados Unidos classificam organizações brasileiras como terroristas, eles não apenas ampliam mecanismos de investigação e sanções financeiras. Também criam um precedente que merece atenção e reflexão.

Especialistas alertam que bancos, empresas e instituições financeiras poderão ser submetidos a controles ainda mais rigorosos, sob pena de sofrer restrições ou sanções internacionais. Isso pode gerar impactos econômicos importantes e aumentar a dependência de decisões tomadas fora das fronteiras brasileiras.

Confesso que vejo com preocupação o apoio irrestrito de alguns candidatos à Presidência da República, aos governos estaduais, ao Senado e à Câmara dos Deputados a essa iniciativa americana. Combater o crime é obrigação do Estado. Contudo, entregar a terceiros o poder de definir quem são nossos inimigos e quais instrumentos devem ser utilizados para combatê-los pode abrir um precedente extremamente perigoso.

Hoje a medida atinge facções criminosas. Amanhã, quem garante que o mesmo entendimento não será utilizado para pressionar instituições, setores econômicos ou até autoridades brasileiras?

O Brasil precisa enfrentar o crime organizado com firmeza, inteligência e dentro da lei. Mas essa luta deve ser conduzida pelas instituições brasileiras, respeitando nossa Constituição, nossa legislação e, acima de tudo, nossa soberania.

Defender a soberania nacional não é proteger criminosos. É defender o direito de o Brasil decidir seu próprio destino, sem interferências externas e sem abrir mão da independência que caracteriza uma nação verdadeiramente livre.

OMITIR NUNCA, ABRAÇAR SEMPRE

Gustavo Hoffay – Agente Social

Há anos ouvimos comentários a respeito da educação sobre prevenção ao uso de drogas ilícitas em escolas públicas e particulares, a partir de pessoas que não concordam e por julgarem uma provocação, algo inconveniente, desnecessário. Esta consideração pode ter sido oportuna em seu contexto histórico pois, em não poucos ambientes, evitava-se mesmo falar publicamente de drogas, enfim, um tabu. Nos tempos atuais e visto que o universo de ocorrências que envolve a grave questão drogatícia chama a atenção da grande maioria dos cidadãos -desde a puberdade, afirmo a necessidade de uma sadia e bem orientada educação sobre o tema ser aplicada naqueles estabelecimentos e desde que, naturalmente, o educando evidencie interesse; algo do tipo extracurricular. Com efeito, penso, é preciso que a criança ao despertar para a triste realidade das drogas, aprenda o quanto antes (e na medida da sua capacidade de assimilação) a comportar-se diante das mesmas, de forma a tomar consciência das responsabilidades que lhe tocam diante de uma notável, explicita e crescente oferta daquelas substâncias. Há pessoas que acreditam não haver necessidade da transmissão de conhecimentos a esse respeito e por imaginarem que o instinto dos jovens estaria propenso ao reto uso da sua razão; por outro lado há a teoria do quietismo e que admite, sim, a desordem das concupiscências instintivas dos jovens, mas julgam que a consciência dos mesmos encontre o caminho da virtude, mesmo sem qualquer intervenção dos pais e mestres. Tal quietismo justificaria, do seu modo, o absoluto silencio de educadores no tocante às drogas. Ora, a minha genuína posição situa-se entre os dois extremos. Sim, assevero que a natureza da juventude é sedenta de impulsos instintivos e cegos; por conseguinte necessita de educação e sem dispensar, porém, a mediação de educadores e familiares responsáveis. Por outro lado não se pode dizer que a natureza humana seja, por si mesma, propensa tão somente ao bem! Todos nós viemos ao mundo trazendo um potencial de qualidades positivas não plenamente desabrochadas e, portanto, mescladas de deficiências ou más tendências. Esse potencial ainda não maduro tem que amadurecer, ser burilado, testado e para tanto necessita da ação de pessoas tecnicamente aptas ao pleno desabrochamento das boas qualidades da criança e do adolescente., quanto o assunto é “drogas”, ao mesmo tempo que a ajudem a se desvencilhar de possíveis inclinações ao uso daquelas substâncias, tanto a nível genético quanto ao meio facilitador em que vivem. Francamente….., o papel do educador ou de algum profissional da saúde mental incluiria profundo respeito ao educando e à matéria ministrada. E o amor a si mesmo e à sua família, com todas as suas expressões, deve então aparecer ao adolescente como algo belo, respeitável ou mesmo sagrado. A educação sobre drogas, penso, tem de ser dividida entre pais e escola, na prática a partir de exemplos e na teoria a partir da ciência. Os pais, mais que nunca, devem adquirir ao menos um conhecimento razoável sobre as drogas e vencer a timidez que muitas vezes os impedem de exercer a sua sagrada missão. O silencio dos pais nesse particular, pode tornar-se grave omissão e dado que o assunto “drogas” está sempre presente na vida das crianças e dos adolescentes.

Retalhos da infância

Ana Maria Coelho Carvalho – Educadora e escritora

Como escreveu Cora Coralina, nós somos feitos de retalhos, de pedaços coloridos de cada vida que passa pela nossa e que vamos costurando na alma. Nem sempre são felizes, nem sempre são bonitos, mas sempre acrescentam algo e fazem de nós o que somos. Em cada retalho, uma lição, um carinho, uma saudade, uma lembrança que nos torna mais pessoas, mais humanos, mais completos. E de retalho em retalho, tornamo-nos um imenso bordado de nós mesmos.

Na minha colcha de retalhos, os que mais gosto são os acrescentados pelas crianças da minha vida. São retalhos bem coloridos, divertidos e originais. Por exemplo, há um retalho acrescentado pela Lia, minha netinha que mora nos States. Ela é uma artista: faz desenhos e artes incríveis, combina as roupas como uma estilista, confecciona cartões lindos todo dia para o pai, enfeita a casa com bilhetes coloridos, faz toucas e cachecóis de crochê. Uma graça. Mas, quando ela perdeu seu primeiro dentinho de leite, foi uma confusão. No começo, com o dente bem mole, estava entusiasmada esperando a chegada da fadinha do dente que iria pegar o dentinho debaixo do travesseiro e trocá-lo por uma nota de cinco dólares. No entanto, quando a fadinha chegou na calada da noite e fez exatamente isso, Lia caiu em prantos na manhã seguinte. Queria o dentinho de volta para guardá-lo para sempre. Então, tentou cativar a fadinha. Fez uma espécie de altar para ela, com flores, guloseimas, bugigangas e escreveu uma cartinha (com alguns errinhos de inglês) pedindo o dentinho de volta. A fadinha aceitou.

Depois veio a confusão do terrário. Tudo começou quando estive lá e construímos nós três – ela, o irmão Enzo e eu- um terrário fechado para observar aranhas, minhocas, insetos, a formação da chuva e o crescimento das plantinhas. Eles adoravam coletar os animais e colocar dentro do terrário, mas Lia ficou com pena das minhocas, remexeu a terra e soltou todas. Antes, porém, fez uma casinha de folhas e barro para elas. Enzo ficou indignado.

O problema piorou no dia em que foram ao parque e encontraram um besouro bonito, grande e preto, de asas luzidias. O pai teve que carregar o inseto na mão por vários quarteirões. Lia não quis colocá-lo dentro do terrário; preferiu montar um local especial para ele, decorado com pedrinhas, flores e grama. O Enzo ficou bravo novamente.

A mãe foi apaziguar a briga e dar uma olhada no besouro, todo confortável no seu recanto florido. E, surpresa: na verdade era uma barata- e das grandes! Foi a vez de ela ficar brava e indignada com o marido, que nem conhecia uma barata e ainda levara uma para dentro de casa. Ele, por sua vez, ficou com nojo de ter carregado a barata na mão.

Lia caiu em prantos novamente porque não queria que matassem a barata. Depois que os ânimos se acalmaram, optaram por soltá-la no parque onde a haviam encontrado.

Minha outra netinha, Maíra, também é uma graça e sempre acrescenta retalhos coloridos à minha colcha. No almoço do Dia das Mães, estávamos quatro mães reunidas para tirar a foto clássica quando ela chegou rapidamente e se posicionou bem à frente do grupo para aparecer na fotografia. A turma, indignada, pediu que ela saísse, pois não era mãe . Ela respondeu que era uma futura mãe e não arredou pé. Foi, inclusive, a mais sorridente do grupo.

Enfim, parafraseando a poetisa, é assim mesmo que a vida se faz: de pedaços de outras gentes que vão se tornando parte da gente também. E nunca estaremos prontos e acabados, pois sempre haverá um retalho novo a ser acrescentado à alma.

Oxalá nossas colchas de retalhos fiquem bem bonitas e coloridas, com muitos retalhos acrescentados pelas crianças de nossa vidas.

Quanto custa aos nossos bolsos manter os deputados federais?

Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Acadêmico da ABLetras, Blogger, Analista Político e Graduado em Gestão Pública.

Todos sabemos que manter os deputados federais em Brasília custa muito caro. São ao todo 513 deputados eleitos para mandatos de quatro anos. Essa afirmação verdadeira sempre aparece em discussões sobre salários, benefícios e privilégios da classe política brasileira. Mas, para entender quanto custa um deputado federal, é preciso olhar além da remuneração mensal.
O funcionamento desta engrenagem que consegue moer milhões de reais anualmente envolve salários de assessores, estrutura de gabinete, passagens aéreas, deslocamentos, comunicação institucional e recursos destinados à atividade parlamentar. Além disso, deputados também participam da distribuição de emendas parlamentares, que movimentam bilhões de reais do Orçamento da União.
Embora a maioria dos brasileiros não utilize, essas informações estão à disposição de todos para consulta pública. Nos últimos anos, a transparência sobre gastos parlamentares, emendas e execução orçamentária se tornou tema central de debates entre Congresso, Executivo, órgãos de controle e Supremo Tribunal Federal.
É vital entender quanto gastam os deputados e quanto eles custam aos cofres públicos, já que são bancados pelos recursos de nossos impostos. Cada deputado federal recebe atualmente um salário bruto de R$ 46.366,19 por mês, conforme informações da Câmara dos Deputados no ano de 2026.
Apesar de ser um salário aviltante se compararmos com os vencimentos dos professores, médicos, engenheiros e demais profissões esse custo não se limita apenas à remuneração de cada parlamentar. Além do salário, cada gabinete dispõe de recursos destinados à contratação de assessores parlamentares. A Câmara disponibiliza uma verba mensal de R$ 227.000,00 para custear a equipe de apoio ao mandato. Com esse valor, os deputados podem contratar entre 5 e 25 secretários parlamentares, responsáveis por atividades legislativas, atendimento à população, comunicação e acompanhamento de projetos.
A justificativa dada pelos políticos é que essa estrutura existe porque a atuação parlamentar vai além das sessões realizadas em Brasília. Deputados participam de comissões, acompanham políticas públicas, recebem demandas de municípios e realizam atividades em seus estados de origem. Isso é obviamente muito discutível e carece de informações que as comprovem.
Então, já sabemos que cada deputado federal recebe R$ 46.000,00 + R$ 227 mil de verba de gabinete, somados, fazem com que o valor mensal destinado à remuneração de um deputado chegue a obscena casa dos R$ 273 mil. Em um ano, esse valor supera R$ 3,2 milhões. Como a Câmara possui 513 deputados representantes dos nossos Estados esse gasto anual salta para R$ 1.680.000.000 (Um bilhão, seiscentos e oitenta milhões de reais). Como o mandato dura quatro anos o custo aproximado seria de R$ 6.723.000,00 (Seis bilhões e setecentos e vinte e três milhões aproximadamente.
Esse cálculo, porém, não inclui outras despesas vinculadas ao exercício do mandato, como recursos da cota parlamentar, passagens aéreas, auxílio-moradia em situações previstas pelas regras da Câmara e demais estruturas administrativas disponibilizadas pela instituição.
O que são as cotas parlamentares?
Outro componente importante dos gastos parlamentares é a Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar (CEAP), conhecida como cota parlamentar ou, até mesmo, “cotão”.
Esse recurso é destinado a despesas relacionadas ao exercício do mandato, incluindo:
• passagens aéreas
• aluguel de escritórios de apoio
• hospedagem
• combustível
• serviços postais
• divulgação da atividade parlamentar
• contratação de consultorias
• despesas de transporte
O valor da cota varia de acordo com o estado representado pelo deputado, considerando fatores como distância de Brasília e custos logísticos. A utilização desses recursos precisa ser comprovada por meio de notas fiscais e documentos apresentados à Câmara dos Deputados. Nem sempre isso é garantia de probidade, tem parlamentar que apresentas NFs de combustíveis em dois estados ao mesmo tempo.
O deputado pode gastar o dinheiro como quiser?
Não. As despesas precisam estar relacionadas ao exercício do mandato e obedecer às regras estabelecidas pela Câmara dos Deputados. Os gastos devem ser comprovados por documentação fiscal e ficam sujeitos à análise administrativa.
No entanto, existem questionamentos sobre reembolsos de passagens, locação de veículos e despesas vinculadas ao exercício dos mandatos. Essas suspeitas já motivaram operações da Polícia Federal investigando supostos desvios envolvendo recursos da atividade parlamentar, além de pedidos de apuração encaminhados ao Tribunal de Contas da União (TCU) e ao Senado.
Essas informações deveriam servir de alerta aos eleitores que votam e elegem ou reelegem políticos que ao longo de quatro anos não cumprem suas promessas, não trabalham pela sociedade, fingem lutar por pautas que dizem ser relacionadas a família, enquanto na verdade estão enriquecendo suas próprias famílias as nossas custas.

Muita hipocrisia

Paulo Henrique Coimbra de Oliveira – Economista –

O governo tenta sabotar a aposentadoria dos agentes de saúde falando do impacto negativo que vai de ser de 30 bilhões de reais ao longo de vários anos. É a chamada pauta bomba.Não defendo privilégio de nenhuma classe. Afinal a constituição diz que todos são iguais perante a lei. Mas ninguém fala nada do impacto causado pelos penduricalhos aos poderes judiciário, MP e órgãos assemelhados da elite do funcionalismo que custam mais de 30 bilhões POR ANO.É muita hipocrisia , cara de pau. e incompetência junto. Brasil é um país sem passado , sem presente e sem futuro. Esses dados financeiros são amplamente divulgados pelas mídias e pelo próprio governo.

Zombaria…

Tania Tavares= Professora

O governo Lula colabora com a zombaria dos Correios, pois além de já ter ajudado os desgovernos dos Correios quer que outras estatais entrem nesta fria como o Banco do Brasil. Qualquer governante sério e comprometido com as contas públicas já teria privatizado os Correio$. Se o governo PT ainda não fez isto é porque algum lucro tem!