Gustavo Hoffay – Agente Social

Há anos ouvimos comentários a respeito da educação sobre prevenção ao uso de drogas ilícitas em escolas públicas e particulares, a partir de pessoas que não concordam e por julgarem uma provocação, algo inconveniente, desnecessário. Esta consideração pode ter sido oportuna em seu contexto histórico pois, em não poucos ambientes, evitava-se mesmo falar publicamente de drogas, enfim, um tabu. Nos tempos atuais e visto que o universo de ocorrências que envolve a grave questão drogatícia chama a atenção da grande maioria dos cidadãos -desde a puberdade, afirmo a necessidade de uma sadia e bem orientada educação sobre o tema ser aplicada naqueles estabelecimentos e desde que, naturalmente, o educando evidencie interesse; algo do tipo extracurricular. Com efeito, penso, é preciso que a criança ao despertar para a triste realidade das drogas, aprenda o quanto antes (e na medida da sua capacidade de assimilação) a comportar-se diante das mesmas, de forma a tomar consciência das responsabilidades que lhe tocam diante de uma notável, explicita e crescente oferta daquelas substâncias. Há pessoas que acreditam não haver necessidade da transmissão de conhecimentos a esse respeito e por imaginarem que o instinto dos jovens estaria propenso ao reto uso da sua razão; por outro lado há a teoria do quietismo e que admite, sim, a desordem das concupiscências instintivas dos jovens, mas julgam que a consciência dos mesmos encontre o caminho da virtude, mesmo sem qualquer intervenção dos pais e mestres. Tal quietismo justificaria, do seu modo, o absoluto silencio de educadores no tocante às drogas. Ora, a minha genuína posição situa-se entre os dois extremos. Sim, assevero que a natureza da juventude é sedenta de impulsos instintivos e cegos; por conseguinte necessita de educação e sem dispensar, porém, a mediação de educadores e familiares responsáveis. Por outro lado não se pode dizer que a natureza humana seja, por si mesma, propensa tão somente ao bem! Todos nós viemos ao mundo trazendo um potencial de qualidades positivas não plenamente desabrochadas e, portanto, mescladas de deficiências ou más tendências. Esse potencial ainda não maduro tem que amadurecer, ser burilado, testado e para tanto necessita da ação de pessoas tecnicamente aptas ao pleno desabrochamento das boas qualidades da criança e do adolescente., quanto o assunto é “drogas”, ao mesmo tempo que a ajudem a se desvencilhar de possíveis inclinações ao uso daquelas substâncias, tanto a nível genético quanto ao meio facilitador em que vivem. Francamente….., o papel do educador ou de algum profissional da saúde mental incluiria profundo respeito ao educando e à matéria ministrada. E o amor a si mesmo e à sua família, com todas as suas expressões, deve então aparecer ao adolescente como algo belo, respeitável ou mesmo sagrado. A educação sobre drogas, penso, tem de ser dividida entre pais e escola, na prática a partir de exemplos e na teoria a partir da ciência. Os pais, mais que nunca, devem adquirir ao menos um conhecimento razoável sobre as drogas e vencer a timidez que muitas vezes os impedem de exercer a sua sagrada missão. O silencio dos pais nesse particular, pode tornar-se grave omissão e dado que o assunto “drogas” está sempre presente na vida das crianças e dos adolescentes.