A FORÇA DO AMOR

Gustavo Hoffay – Agente Social

Nasci na fé católica e fui batizado no Santuário Nossa Senhora da Boa Viagem, primeira catedral da arquidiocese da capital mineira, minha terra natal. Por uma série de circunstâncias perdi a fé e o contato com Deus logo início da minha fase adulta, quando comecei a dedicar a maior parte do meu tempo à responsabilidade dos afazeres que assumi, em razão de um cargo de alta confiança a mim delegado pelo governo de Minas, enquanto funcionário de uma grande empresa de economia mista e graças a interferência direta de um senador biônico. Sem moral centrada em Deus e impulsionado por firme dedicação a muito do que as minhas funções laborais exigiam, inclusive representar o estado e mais especificamente a secretaria da Agricultura em alguns eventos oficiais em algumas cidades interioranas, cumpri com desvelo o que me cabia. Almoços, jantares, recepções e reuniões diversas lá estava eu, com os meus vinte e poucos anos, engalanado pelas incumbências a mim delegadas pelo Estado. Corriam os anos setenta. Então recém-casado acumulei as funções de professor de Segundo Grau Técnico em uma escola particular, quando então comecei a colocar-me a serviço do pior e mais completo dos males: o ataque à própria vida; sim, por meio de uma existência entregue à luxúria e aos prazeres imediatos originados das bebidas alcoólicas. Sem descer a detalhes que julgo não serem necessários reportar, falhei como marido e pai de duas crianças e ainda na honrosa qualidade de representante do governo estadual em minha área de atuação na secretaria de Estado da Agricultura. Foram duas décadas suportando um peso moral intolerável, inimaginável, psicologicamente esgotado. Passados poucos anos a mão de Deus ajudou-me e um sacerdote franciscano, em Uberlândia(MG), impulsionou-me a sair do nada. Um dia, quando em tratamento da minha saúde física e mental em uma comunidade terapêutica, aquele religioso perscrutou-me e em seguida fez um convite para que o procurasse assim que eu concluísse aquele meu tratamento, ao qual estava submetendo-me de maneira voluntária. Eu aceitei! Ele era Santo Puglisi , atendia pelo nome religioso “Frei Antonino de Bronte” e já contava quase oitenta anos de idade. A partir daquele breve encontro nasceu entre nós uma profunda e respeitosa amizade e mesmo que mal interpretada e mal avaliada por alguns dos seus confrades; nossa proximidade era admirada e mesmo invejada por muitos. A nossa relação de amizade, sadia e diariamente cultivada ao longo de toda uma década….até o seu falecimento, aos oitenta e oito anos de idade, foi-me algo fantástico, extraordinário. Nossas conversas diárias serviram-me, também, para que eu pudesse basear mais firmemente as minhas convicções a favor da vida e, em pouco tempo, na fundação que ele criou e levava o nome da sua mãe, sra. Giuseppina Saitta, fui convidado a exercer as funções de Coordenador e poucos anos depois aceitei assumir um cargo na sua diretoria. Ali, nos anos 90 e inicio dos anos 2.000, tive a grata oportunidade de poder atender a centenas de pessoas necessitadas de orientações a respeito da doença dependência química e enquanto, também, encaminhava-as a cuidados específicos junto a profissionais da saúde física e mental, fundamentado em conhecimentos práticos e também teóricos, esses últimos adquiridos por meio de três cursos universitários e em diferentes estados, além de conhecimentos técnicos que obtive por meio de quatro viagens a clinicas de reabilitação de dependentes químicos nos Estados Unidos. Hoje, passadas todas essas fantásticas experiências e analisando friamente muito daquilo que amarguei, suportei e venci, percebo o quanto a mão de Deus trabalhou de maneira silenciosa a meu favor para que eu pudesse alcançar as funções de diretor do Conselho Municipal Antidrogas de Uberlândia, presidente do Conselho Deliberativo da Fundação Frei Antonino Puglisi, ter editado por dez anos consecutivos o único jornal (Palavra-Vida) que tratava da prevenção ao uso de drogas nesse mesmo município e ter sido convidado para promover mais de uma centena de palestras em escolas e empresas diversas no Triangulo Mineiro. Com o auxílio da minha esposa Eliane, a trinta anos saí da condição em que encontrava-me, apostei na minha capacidade de dar a vota por cima e recomecei a minha vida, mesmo desacreditado por muitos. Apostei na certeza de que eu podia e merecia ser feliz ao lado dela. Permitam-me concluir esse breve testemunho, dizendo-lhes que o amor é o poder mais duradouro deste mundo; essa força criadora e tão formosamente exemplificada na vida de Jesus Cristo é, sim, o instrumento do qual dispomos para buscar e fazer acontecer a paz e a justiça. Uma força que serviu para reestruturar a minha família, ser pai de uma moça cujo coração é maior que ela própria, rever meus filhos do primeiro casamento e obter a graça de ser avô de duas lindas norte-americanas. Creiam: o amor tudo pode!

Eleição/2026

Tania Tavares – Professora – SP

Dúvida atroz: e se nas pesquisas para Presidente da República as pessoas estiverem blefando esperando uma terceira via? E se o voto nulo for o ganhador, leva?

A guerra continua…

Marília Alves Cunha – Educadora e escritora

A guerra não esmoreceu entre Rússia e Ucrânia. Pessoas continuam morrendo, famílias se separam, cidades são destruídas, bombas explodem em clarão no céu. Choros escorrem, lamentos se levantam e morrem sem ecos, animais assustados são sacrificados ou morrem de fome…

Nós, de longe, quase não ouvimos mais falar dela, da guerra. Notícias poucas, a mídia tem outras manchetes, guerra velha e feia não tem mais lugar nos centro das atenções. Ficou natural, banalizou-se, acabou-se a novidade, mesmo que a morte e a violência, o desamparo e o medo continuem seu trabalho. É assim hoje, tudo rápido como o raio que corta o céu ou como a exígua vida de um girassol. Como a nossa ânsia besta por um acúmulo de informações que levam a nada…

Deixo aqui, completando o texto, tristes palavras de Mahmoud Darwish, poeta e escritor palestino já falecido.

“A guerra terminará e o líderes apertarão as mãos. Ficará aquela velha á espera do filho mártir, aquela mulher á espera do marido e aquelas crianças á espera do pai herói.
Não sei quem vendeu o país, mas vi quem pagou o preço.”

Nem tudo precisa virar discussão Quando o diálogo vira imposição

Diógenes Pereira da Silva – Tenente do Quadeo de Oficiais da Reserva Remunerada da PMMG.

Nem tudo precisa virar discussão
Quando o diálogo vira imposição

As redes sociais, especialmente quando o assunto é política, se transformaram em um verdadeiro campo de batalha. Não de ideias, mas de egos. O que deveria ser debate virou disputa. O que deveria ser argumento virou ataque. E o mais preocupante: muita gente já não percebe mais a diferença.

Hoje, praticamente toda conversa acaba no mesmo lugar: política. Não importa o assunto inicial, cedo ou tarde ele descamba para direita contra esquerda, como se o mundo se resumisse a isso. Discordar deixou de ser algo natural e passou a ser tratado como afronta. Há uma necessidade quase obsessiva de vencer o outro, de impor a própria visão, de ter a última palavra.

Participo de grupos de mensagens e vejo isso de perto. Na prática, me tornei mais um observador. Não por falta de posicionamento, mas por excesso de desgaste. Há pessoas que não conversam, não escutam e não admitem a mínima possibilidade de estarem erradas. Para elas, o mundo se divide entre os que concordam e os que precisam ser combatidos.

E há um detalhe ainda mais incômodo: a repetição. Os mesmos discursos políticos, as mesmas frases prontas, todos os dias, como um eco infinito. A impressão é que pensar dá mais trabalho do que repetir. E talvez dê mesmo.

Nesse cenário, a frase de Arthur Schopenhauer soa menos como exagero e mais como constatação: “Quanto mais conheço os homens, mais estimo os animais”. Dura? Sem dúvida. Mas basta observar o comportamento de muitos para entender o desconforto que ela provoca.

A pergunta inevitável surge: por que permanecer nesses espaços? Porque é neles que as máscaras caem. É ali, no calor das discussões, que se revela o que muitas vezes ficou escondido por anos. E nem sempre o que aparece é agradável. Já me surpreendi. Já me decepcionei.

Ficar um dia longe de um grupo e voltar para centenas de mensagens, quase sempre sobre as mesmas discussões políticas, no mesmo tom, não informa, não agrega, não aproxima. Apenas desgasta.

Opinar é um direito. Mas transformar qualquer conversa em confronto político é uma escolha. E talvez esteja passando da hora de reconhecer o quanto essa escolha tem custado caro para o convívio, para o respeito e para a própria sanidade.

Emendas e penduricalhos

Paulo Henrique Coimbra de Oliveira – Economista – RJ

Qual seria a diferença entre as emendas parlamentares e os penduricalhos do judiciário, MP, tribunais de contas e órgãos assemelhados? Nenhuma é a resposta correta. Em comum todos têm como origem recursos públicos e todos inconstitucionais. Custo benefício ZERO para o país. Apenas privilegiam de forma ilegal e imoral classes de servidores que decidem ao arrepio das leis suas imorais benesses. Traduzindo em miúdos: corrupção institucionalizada. Não têm moral para chamar ninguém de corrupto.