MAFALDA a contestatória

Tania Tavares – Professora – SP

Muito bom a volta da Mafalda (C8; 27/05). Em SP aprendi a gostar dela após ler “Mafalda- a contestatória”, publicação em capa dura do autor Joaquín Salvador Lavado Tejón, conhecido por QUINO. Mafalda criada por Quino, na década de setenta, é uma garotinha de 6 anos que brinca, dança, mas tem consciência do mundo do em que vive, cheio de injustiças, guerras e intolerância. Ela e sua turma gostam dos Beatles, mas questionam o insano universo dos adultos, suas manias e suas maneiras de encarar o mundo e a realidade. Em suas tirinhas mostra com humor, que ser politizado e consciente não significa ser pessimista, e, principalmente, não significa ser adulto.

1808

Ana Maria Coelho Carvalho – Bióloga

O livro intitulado “1808”, de Laurentino Gomes, conta como uma rainha louca, um príncipe medroso e uma corte corrupta enganaram Napoleão e mudaram a história de Portugal e do Brasil. O livro é o resultado de doze anos de investigação jornalística, apresentando uma extensa lista das fontes consultadas e narrando fatos de uma maneira divertida e interessante.
Por exemplo, a mudança de Dom João VI e sua corte para o Brasil foi simplesmente uma fuga apressada e atabalhoada: ou ele fugia ou muito provavelmente seria preso e deposto por Napoleão. A pressa foi tanta que na confusão da partida, centenas de caixas repletas de prata das igrejas e milhares de volumes da preciosa Biblioteca Real ficaram esquecidos no cais de Belém, em Lisboa.
Assim, no dia 29 de novembro de 1807, os portugueses acordaram com toda a corte fugindo para o Brasil, sob proteção da Marinha Britânica. Reis e rainhas europeus já haviam sido destronados e decapitados, mas nenhum tinha cruzado o oceano para morar e governar em uma colônia. Os portugueses ficaram órfãos de sua monarquia e os brasileiros, acostumados a serem apenas uma colônia extrativista de Portugal, ficaram encantados com a chegada da corte.
No dia sete de março de 1808, a esquadra de D.João VI aportou na baia de Guanabara, depois de três meses em alto mar. As condições da viagem foram péssimas, pois os navios eram autênticas saunas flutuantes. O excesso de passageiros e a falta de higiene favoreciam a proliferação de pragas. No navio onde viajava a princesa Carlota Joaquina aconteceu uma infestação de piolhos. Todas as mulheres rasparam a cabeça e lançaram as perucas ao mar. Quando desembarcaram no Rio, usaram turbantes. Ao verem as princesas assim cobertas, as mulheres do Rio pensaram que era a moda da Europa. Em pouco tempo, passaram a cortar o cabelo e a usar turbante para imitar a nobreza.
D. João desembarcou do navio Príncipe Real com sua vasta casaca sebosa de galões velhos, puída nos cotovelos. Era baixo e gordo, tinha de aristocrata apenas as mãos e os pés muito pequenos. O rosto era redondo e sem majestade, com o lábio inferior grosso e pendente. O povo do Rio ficou decepcionado com a aparência da corte, mas lhe prestou todas as homenagens que estavam a seu alcance. O cortejo com a nobreza portuguesa, cansada e desfigurada pela longa viagem, caminhou vagarosamente para a catedral da cidade.
Embora feio, inseguro, tímido, separado da mulher, com medo de caranguejos e trovoadas, D. João foi um rei popular, que passou para a história como um monarca bonachão, sossegado e paternal, sendo considerado o fundador da nacionalidade brasileira. A colônia ganhou muito com sua vinda, a começar pela independência. Mas os custos da família real no Brasil foram enormes. Era preciso alimentar e pagar as despesas de uma numerosa corte ociosa, corrupta e perdulária. Começou com o sequestro das casas para alojar a nobreza, que eram marcadas com PR, de ”Príncipe Regente”, mas que o povo interpretava “Ponha-se na Rua’. No dia 24 de abril de 1821, quando regressou a Portugal, depois de treze anos, D. João ainda raspou os cofres do Banco do Brasil. Assim, a corte, que viveu na corrupção, ainda fez um assalto ao erário brasileiro ao partir, deixando o país à míngua. Duzentos anos depois, ainda convivemos com heranças desse passado, como apropriação indevida de bens, roubo e corrupção, que continuam assombrando o presente e o futuro dos brasileiros.

Livre pensar

Tania Tavares – Professora –
Será que ao anunciar que Comando Vermelho(CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC), classificando-os como fações ou organizações terroristas e, portanto, podendo atacá-los, o governo americano quer forçar um bom acordo sobre as terras raras?

Com apoio do Governo de Minas, Samu 192 inicia operações em Uberlândia

Serviço vai beneficiar mais de 700 mil moradores e reforça a rede de urgência e emergência no Triângulo Mineiro
Mais de 700 mil moradores de Uberlândia passam a contar, a partir desta sexta-feira (29/5), com o atendimento do Samu 192. Viabilizada com apoio direto do Governo de Minas, por meio da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), a operação amplia a rede de urgência e emergência no Triângulo Mineiro e marca a entrada definitiva do município no serviço regional.

GOV. MG

A implantação teve participação direta do Governo de Minas, que acompanhou as etapas de estruturação do serviço em parceria com o município e com o Consórcio Público Intermunicipal de Saúde da Rede de Urgência e Emergência da Macrorregião do Triângulo do Norte (Cistri), responsável pela gestão do serviço na região.

“Essa é uma conquista muito esperada. No fim do ano passado, anunciamos a ampliação da cobertura do Samu para todo o estado, e faltava Uberlândia entrar definitivamente nessa rede. Agora, esse passo está sendo dado”, afirmou o governador de Minas Gerais, Mateus Simões.

Desde fevereiro, o Estado repassa R$ 1,3 milhão por mês para garantir o custeio da implantação integral do Samu 192 em Uberlândia. No dia 20/5, foi publicado no Diário Oficial do Estado um termo aditivo que amplia os recursos estaduais destinados ao Cistri. Com isso, o repasse mensal passa para R$ 2,1 milhões, assegurando o custeio integral do serviço até a habilitação federal.

“O Governo de Minas teve papel fundamental nessa articulação e está garantindo o custeio para que o serviço comece a funcionar com segurança”, destaca o secretário de Estado de Saúde, Fábio Baccheretti.

Cuidado mais rápido

Com o início da operação, a população passa a contar com atendimento pré-hospitalar móvel em situações de urgência e emergência. Na prática, o Samu 192 amplia a capacidade de resposta do município, reduz o tempo de espera em ocorrências graves e fortalece o encaminhamento adequado dos pacientes para a rede de saúde.

Para o médico socorrista Raphael Maia, a chegada do serviço representa um avanço importante para a saúde pública de Uberlândia, especialmente pela capacidade de garantir atendimento rápido e encaminhamento adequado em situações de urgência.

“A chegada do Samu representa um fortalecimento fundamental da rede de urgência e emergência da cidade, porque amplia a capacidade de oferecer atendimento rápido, qualificado e coordenado nos momentos em que o tempo faz toda a diferença”, afirma.

Cobertura em todo o estado

A chegada do Samu 192 a Uberlândia reforça o processo de expansão do serviço em Minas Gerais. Em dezembro de 2025, o Governo de Minas anunciou a cobertura do Samu em 100% do território mineiro, com a inauguração da Central de Regulação em Uberaba, no Triângulo Mineiro.

Entre 2019 e 2025, o Governo de Minas destinou mais de R$ 110 milhões ao fortalecimento do Samu 192, por meio de convênios e termos de compromisso voltados à expansão do serviço. Além disso, foram repassados mais de R$ 246 milhões em 2025 e, até o momento, outros R$ 113 milhões em 2026 para o custeio da operação em todo o estado, garantindo a continuidade e a sustentabilidade do atendimento à população.

A expansão do Samu é tratada pelo Governo de Minas como uma ação estratégica para reduzir desigualdades no acesso ao atendimento de urgência e emergência. A iniciativa garante mais proteção à vida, especialmente em situações críticas, quando o tempo de resposta faz diferença para o paciente.

O serviço funciona de forma integrada à rede pública de saúde, em articulação com hospitais, Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e outros pontos de atenção, garantindo o encaminhamento adequado e a continuidade da assistência.

Drones mapeiam 497 mil hectares e reforçam combate aos focos do Aedes aegypti em Minas

Política estadual identificou mais de 334 mil pontos com risco de proliferação do mosquito, com foco na prevenção e no controle das arboviroses

GOV. MG

A estratégia da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) que utiliza Veículos Aéreos Não Tripulados no enfrentamento das arboviroses, da política VigiDrones, concluiu o segundo ciclo de monitoramento no estado. Até agora, foram mapeados cerca de 497 mil hectares de área urbana em Minas, o equivalente a aproximadamente 696 mil campos de futebol, e identificados mais de 334 mil pontos de interesse.

O Governo de Minas já investiu cerca de R$ 30 milhões na execução da política, que realiza sobrevoos de acordo com os indicadores de cada município. O subsecretário de Vigilância em Saúde da SES-MG, Eduardo Prosdocimi, ressalta que Minas Gerais tem se destacado nacionalmente pela utilização de estratégias inovadoras no enfrentamento às arboviroses, contribuindo para a redução dos casos de dengue, zika e chikungunya e para o registro da menor letalidade da série histórica no estado.

“Os drones conseguem identificar focos de água parada em locais de difícil acesso e utilizam o larvicida para eliminar as larvas que geram o Aedes aegypti, ampliando a capacidade de atuação das equipes de vigilância. Com investimento, inovação e mobilização, Minas consegue vencer a guerra contra o Aedes aegypti”, diz Eduardo Prosdocimi.

Ciclo concluído no Jequitinhonha

Na macrorregião de Saúde Jequitinhonha, área da Superintendência Regional de Saúde (SRS) de Diamantina, o ciclo foi encerrado com cerca de 11 mil hectares urbanos mapeados, mais de 18 mil pontos de interesse identificados e 31 municípios aderidos. A região foi a primeira do estado a usar drones no monitoramento de áreas de risco.

“Concluímos os ciclos em nossa região com sucesso e o Consórcio Intermunicipal de Saúde do Alto Jequitinhonha (Cisaje) já manifestou interesse em renovar a parceria”, conta Kesley Duarte de Jesus, referência técnica em arboviroses da SRS Diamantina.

A supervisora de campo e agente de combate a endemias em Conceição do Mato Dentro, Sheily Nislene de Lima, afirma que a tecnologia tornou a vigilância mais precisa. “O uso de drones fortaleceu a nossa atuação, especialmente nos imóveis fechados. Com as imagens aéreas, chegamos ao morador com informações precisas sobre o próprio imóvel, o que facilitou a abordagem e gerou boa receptividade da população”, explica Lima.

Na região, 5.214 focos já foram eliminados ou solucionados pelas equipes municipais. Outros 1.472 receberam tratamento, 3.186 seguem em monitoramento e 1.125 foram descaracterizados. Para a superintendente da SRS Diamantina, Cleya da Silva Santana Cruz, os drones ampliaram a atuação das equipes. “Hoje, os municípios contam com um nível de detalhamento do território que não era possível alcançar apenas com o trabalho de campo convencional”.

Descarte irregular concentra focos

Os levantamentos no Vale do Jequitinhonha mostram que os principais pontos de risco estão ligados ao descarte inadequado de materiais e ao armazenamento irregular de água. Lixo, sucatas, plásticos e entulhos lideram os registros, com 7.496 ocorrências, o equivalente a 40,5% dos pontos identificados.

Também foram localizados possíveis criadouros em tonéis, barris e tambores (3.280), recipientes diversos e lajes com água acumulada (3.030), piscinas e fontes (2.017), caixas d’água elevadas (1.579) e pneus (590).

Para reduzir os casos de arboviroses, o Governo de Minas mantém ações contínuas de vigilância, prevenção e assistência. Entre as medidas estão o reforço às equipes municipais, a ampliação da oferta de exames, o uso de tecnologias de monitoramento e estratégias como o método Wolbachia.