Autor: Diógenes Pereira da Silva – Oficial da Reserva da PMMG
Durante boa parte da minha vida, tive dificuldade em ficar calado diante daquilo
que me incomodava. Se alguma coisa estava errada, eu falava. Se me sentia
injustiçado, procurava esclarecer. Acreditava que uma boa conversa seria
suficiente para colocar as coisas no lugar.
Hoje já não penso assim.
Não foi uma mudança repentina. Foi a vida. Foram as experiências, algumas
decepções e, principalmente, aquelas situações em que a gente fala, explica,
tenta ser compreendido e, no fim, percebe que nada mudou.
Aprendi, então, a observar mais e falar menos.
Não porque tenha deixado de me importar. Algumas atitudes ainda me
incomodam, especialmente quando partem de pessoas de quem eu esperava
consideração. Talvez seja justamente aí que esteja a maior decepção:
descobrir que nem sempre recebemos dos outros aquilo que,
espontaneamente, oferecemos.
Também levei algum tempo para entender que parentesco não é sinônimo de
proximidade. O sangue aproxima, mas são as atitudes que constroem os
verdadeiros vínculos. Há relações antigas que permanecem importantes e
outras que, mesmo carregando uma história em comum, precisam encontrar
uma nova distância.
Isso não significa esquecer. Significa apenas aceitar que algumas coisas não
dependem mais de nós.
Já houve momentos em que saí de uma conversa levando para casa muito
mais do que deveria. Repetia mentalmente as palavras, imaginava o que
poderia ter respondido e procurava uma explicação para atitudes que talvez
não tivessem explicação.
Hoje, quando percebo que uma conversa não vai produzir nada além de
desgaste, prefiro encerrá-la.
Às vezes, simplesmente vou embora.
Não como quem perdeu, mas como quem finalmente entendeu que não precisa
permanecer em todos os lugares nem participar de todas as disputas.
Ainda me indigno. Ainda fico triste. Ainda me decepciono. Não me tornei
indiferente, apenas aprendi a não transformar todo sentimento em uma reação.
Talvez essa seja uma das poucas vantagens que o tempo nos oferece: a
capacidade de escolher melhor aquilo que merece nossa energia.
Não quero passar os próximos anos tentando convencer pessoas sobre quem
sou, o que penso ou aquilo que senti. Quem me conhece de verdade sabe.
Quem não conhece, talvez nunca saiba — e tudo bem.
Tenho histórias suficientes para saber que algumas coisas precisam ser
conversadas, outras precisam ser perdoadas e algumas, simplesmente,
deixadas para trás.
Hoje, se preciso escolher entre a última palavra e a serenidade, fico com a
segunda.
Não porque tenha desistido de mim, mas porque aprendi a me preservar.
No fim, talvez amadurecer seja isso: continuar sendo quem somos, mas deixar
de carregar aquilo que já não precisa fazer parte da nossa caminhada