Gustavo Hoffay – Agente Social

Porque Flavio Bolsonaro vem crescendo nas pesquisas de intenção de voto? Penso que a influência dos programas de propaganda eleitoral foi decisiva, ao transmitirem os ataques do candidato petista àquele seu opositor e ao contrário de objetivamente ele apresentar propostas de governo. Pergunto: propaganda negativa sobre o concorrente tem alguma eficácia junto ao eleitorado? Ora, quando esse tipo de “propaganda” envolve questões sistemáticas de personalidade e caráter, torna-se algo que muito estranhamente agrada os eleitores; quando impropérios atingem diretamente a honra do oponente e extrapola pelos porões da baixaria, então a ofensa é rejeitada pela grande maioria de cidadãos política e sabiamente informados. No caso das porradas desferidas por Lula contra o Flávio, as mesmas, em sua essência, abrigam comportamentos e atitudes que precisam ser de conhecimento dos eleitores, mesmo porque em relação ao atual governo implica não apenas a duvidosa eficácia de programas mas, também, a real qualidade de liderar. E essa questão de controle de gestão, convenhamos, tem tudo a ver com atitudes, caráter, estilo e personalidade do comandante. A grande maioria dos eleitores não é chegada a insinuações maldosas e que tentam denegrir o candidato oponente por meio da crítica adjetivada, amparadas em meras presunções ou fofocas e futricas da sua vida pessoal. Sinceramente penso que os eleitores deveriam saber separar aspectos da vida particular e da vida pública dos candidatos, mesmo sabendo-se que tais limites são muito e muito tênues. Os ataques de Luís a Flávio parecem levar em consideração situações onde o filho do ex-presidente se parece mais a um ex-presidiário, desferindo pontadas que provocam milhões de eleitores. A campanha de Lula, sem querer, estabeleceu uma dissonância cognitiva e que é a dúvida massificada. E quando esse fenômeno acontece, os eleitores tendem naturalmente a equilibrar os seus pensamentos; em outras palavras é o feitiço voltando-se contra o feiticeiro. As palavras de Luís Inácio, colocadas em xeque, funcionam como a um bumerangue contra ele. Quanto ao Flávio o seu erro foi abrir demasiadamente o flanco e enquanto os erros de Luís Inácio ficaram gravados na memória da maioria dos eleitores e entre eles, claro, as suas mentiras e total descompostura. Ora, francamente….! Flávio passa pelo caminho da sua campanha quase que incólume e mesmo depois de ataques desferidos pelo seu opositor, o auto declarado “homem mais honesto do Brasil”. Penso que a nítida retirada de apoio à candidatura de Luís Inácio por parte de seus aliados era algo previsível; ninguém consegue ser enganado por tanto tempo, exceto aqueles que são tratados no cabresto e também por conta de notícias negativas de grande repercussão ou seja, o candidato petista está sendo enforcado aos poucos pela corda que ele mesmo criou durante todo o tempo em que permaneceu no Palácio do Planalto. É possível que Luís Inácio recupere a liderança nas pesquisas de intenção de voto, mas tudo irá depender da forma como irá se comportar diante de fatos tornados públicos pelo exército de Eduardo Bolsonaro. A condição de vítima com a ancoragem aparentemente carismática de artistas diversos é uma faca de dois gumes que poderá espetar o atual presidente e poderá, até, convencer uma parcela de eleitores, mas irá conflitar aqueles votantes orgânicos situados em espaços de formação de opinião na internet e que, sabe-se, estão abandonando barco circense. Mesmo às vésperas do Segundo Turno, é cedo a qualquer pessoa apontar a vitória de Flavio e muito embora ele conte com a simpatia de grande parte da mídia de quase todo o país e de fortes núcleos de formação de opinião. Quem será o vencedor dessa contenda ainda é uma incógnita. A posição olímpica de Eduardo Bolsonaro nas mais recentes pesquisas eleitorais, não deve ser comemorada pelos bolsonaristas pois Luís Inácio vem, aos poucos, transformando-se de leão raivoso em cachorro amoroso, vem abrindo sorrisos e já desfila com as cores verde e amarela. A única certeza é a de que quem for eleito terá , forçosamente, de obter um colchão social monumental. Se for o Luís Inácio, não terá o apoio do Congresso e por isso estará de mãos atadas, exceto se for governar exclusivamente por decretos; se for o Flávio, lhe faltará a experiência de ocupar a chefia do poder executivo. Façam as suas apostas!