Marília Alves Cunha

“Não existe dinheiro público, existe apenas o dinheiro do pagador de impostos. Existe o seu dinheiro”. Esta frase é frequentemente atribuída a Margareth Tatcher, por muitos anos 1ª. Ministra do Reino Unido, utilizada para destacar que o Estado nada produz, nenhuma riqueza, apenas arrecada e administra. No nosso caso brasileiro, arrecada e gasta. Luciano Hang, um dos maiores empresários brasileiros, também chegou a esta conclusão e expõe sobre o assunto: “Quando o Estado quer gastar mais ele só tem dois caminhos – ou toma emprestado o que você poupou ou aumenta os impostos. E não adianta pensar que alguém vai pagar a conta: este alguém é você! O dinheiro arrecadado com tanto esforço precisa ser respeitado e administrado com responsabilidade, transparência e foco no que realmente importa: saúde, segurança, educação e infraestrutura”.
Fico repetindo este refrão da gastança por imensa preocupação que sempre tive com nosso país, pelo seu presente e pelo seu futuro. O Brasil, apesar de não ser mais uma criança, já com seus 525 aninhos, anda muito desgastado, sem planejamento, coisas nefastas vindo de roldão e as boas esperando o trem que não chega nunca. O Brasil, no que precisa ser fortalecido, está ao abandono. A corrosão toma conta, tanto no sentido social, como econômico e cultural. Isto todos nós sabemos e por mais que queiramos dourar a pílula, acabou-se o estoque de dourado, não há mais como esconder.
O Presidente Lula também sabe que a situação é séria e que o país não conseguirá sobreviver sem esta noção de economia e responsabilidade. Sente que a coisa vai mal. Inclusive dá muitos conselhos para o bom brasileiro, para que se comporte melhor: pede a classe média que ostente menos, que não compre excessos; quase pede aos pobres que passem fome, mas não comprem nada que possa fazer os ricos mais ricos. Critica os ricos com espalhafato, para agradar a moçada da esquerda, mas está sempre ao lado deles com agrados e, muitas vezes até prejudicando toda a nação. E gasta, gasta o dinheiro público como se fosse propriedade sua, como se governar fosse apenas isto: cobrar do povo sem lhe dar nada em troca e gastar como se o vil metal nascesse em árvore, nesta terra que em se plantando tudo dá…
Bem, mais uma extravagância de Lula aconteceu há dias atrás. Viajou com sua enorme comitiva de 315 pessoas para a Coréia do Sul, composta de membros do governo, setor empresarial e outros setores que, de certo, nem vão aparecer na lista oficial de passageiros. Viaja, fica nos melhores hotéis, bebe da melhor bebida, não tem a mínima preocupação de evitar gastos excessivos de um país endividado e envolto em problemas econômicos. O que foi fazer lá? Isto fica meio obscuro, porque explicações seguras e definitivas nunca aparecem ,o povo não tem que saber dos projetos e relações do governo com outros países. Um exemplo do modo de governança pode-se vislumbrar quando gasta-se quase 10 milhões de reais no carnaval, pagando uma escola de samba para homenagear e fazer campanha eleitoral de si mesmo, enquanto as cidades de Minas Gerais, fortemente atingidas pelas chuvas, recebem uma miséria que não dá nem para começar. E a dinheirama derramada nos artistas, putz, nem é bom pensar…
Aconselhamos também ao Presidente Lula que pare com esta gastança e que seja mais positivo ao reagir contra os roubos que têm ocorrido neste país, como o dos velhinhos do INSS e o escandaloso rombo do Banco Master. DE vez em quando dou a louca e assisto sessões das CPMI. A do INSS dá vontade de chorar…Os esforços do Presidente e do Relator são ingentes, assim como de muitos senadores e deputados que depuram os fatos e tentam esclarecer os casos com muita segurança. Mas junto com a necessidade de apurar todos os esquemas, vêm os “habeas corpus” e a necessidade de blindar criminosos que lesaram em bilhões, centenas de milhares de aposentados. É um tal de “vou permanecer em silêncio” que dói nos ouvidos. Vontade existe, por parte de pessoas do bem, de apurar com seriedade e expor os criminosos. Mas, como sempre, há muita gente importante que enfiou o pé na jaca, lambuzou-se todo na podridão de bancos e instituições. É gente importante demais, tem o cúmulo da importância e não pode aparecer nesta lista tão feia e suja dos ladrões do Brasil. A corrupção escalou o mais alto das prateleiras do poder. Mas faça, presidente, como prometeu na TV. Não blinde ninguém, seja quem for. Todos serão investigados, foi o que disse. Assim é o correto, assim deve ser. A república vai aguentar, não se preocupe!
Finalizo com sinceras críticas à Janja pela roupa com que ela apresentou-se no encontro com o Presidente e esposa coreanos . Sinceramente, não ficou bem para ela. Se moda pega, daqui a alguns dias estaremos vendo primeiras damas de outros países aqui chegando, vestindo a tradicional “prenda”, roupa do RGS que valoriza a sobriedade, elegância rural, usada pelas mulheres tradicionais daquele estado. E, para ficar ainda mais brasileiro, mais sensacional, poderiam vir de baianas bem rebuscadas. Não seria engraçado?