Marília Alves Cunha – Educadora e escritora

A partir de 2018 vivemos tristes acontecimentos no Brasil. Um deles foi a tentativa de assassinato de um candidato, Jair messias Bolsonaro, no auge de uma campanha presidencial, campanha esta em preocupante crescimento (preocupante para a esquerda). Adélio Bispo, tido como um “lobo solitário”, quase deficiente mental, foi o autor do atentado. Deficiente mental que usava vários celulares, computador e tinha uma trinca de advogados de fazer inveja a qualquer mortal. Uma pobre investigação, Adélio incomunicável, tudo certo. Acreditamos? Claro que não! Mas fazer perguntas, duvidar, questionar com insistência já começava a oferecer perigo…

Em 2019, Bolsonaro já presidente, o Ministro Dias Toffoli instala o “Inquérito do Fim do Mundo”, pondo em risco a harmonia dos poderes, a imparcialidade do judiciário, o devido processo legal e o direito à ampla defesa a ser exercido pela advocacia. Este inquérito transformou-se num dos maiores processos em volume e número de investigados. Sem tempo para terminar e, incrível, sigiloso, perdendo-se aí, em grande parte, a função de garantidor de direitos que deve ser exercida pelo poder judiciário. Logo de início a bola foi passada, por Toffoli, ao Min. Alexandre de Moraes. Este inquérito não teve fim, até os dias de hoje…

Lula, na cadeia desde 07/04/2018, foi libertado depois de
ficar 580 dias preso. Não por ser inocentado, pois fora
condenado em três instâncias. Até os dias de hoje ninguém
conseguiu justificar com argumentos cristalinos a soltura
de Lula e, mais tarde, sua candidatura a presidente da
república. O Ministro Fachin demorou 05 longos anos para
descobrir que o foro legítimo considerado para a Lava Jato
estava errado. Depois de uma campanha eleitoral na qual
esforços foram grandes para minar a candidatura de Bolsonaro, fustigando sua campanha com inúmeras proibições, Lula foi eleito, mudando uma história que apenas começara a ser vivida. Mas o Brasil já mudara o suficiente para que se impusesse um “cala a boca” aos que questionassem o resultado das eleições e tentassem ferir os princípios do estado democrático de direito.

08/01/2023 – Uma simples manifestação popular contra o governo que se instalava, transformou-se num golpe violento, na boca de governistas. Golpe sem exército, sem Congresso, sem armas, sem disposição e liderança para ato de tal magnitude contra os três poderes da república. Baderneiros havia, uns, inclusive, sendo atendidos amavelmente pelo G. Dias (que sumiu do mapa) e alguns policiais que os tratavam a pão de ló, encaminhando-os pelos salões e corredores do Palácio do Planalto. Alguma coisa até engraçada, como um “terrorista” fazendo pose e sendo fotografado quando chutava uma porta. Sem dúvida nenhuma, se foi golpe foi terceiro mundista! À custa deste “golpe”, prisão por atacado, inocentes presos e condenados a penas altíssimas por estarem participando de uma manifestação.

Críticas intensas foram e são feitas por juristas, jornalistas e outros que se debruçaram sobre os fatos relativos ao 08 de janeiro: muito criticados o ativismo judicial e politização de membros do judiciário que consideraram isentos da imparcialidade constitucional, a violação do devido processo legal e ampla defesa, penas desproporcionais e falta de individualização das penas, erros na tipificação dos crimes, erros judiciais, prisões indevidas.

Por que lembrar tudo isto? Porque a história não pode ser esquecida ou só contada por um lado político ou jornalístico. Muitas narrativas foram criadas, muita coisa foi dita e ouvida que não têm semelhança com a realidade, muitas pessoas sofrem hoje o efeito daquele dia fatídico, ficando marcados para sempre como criminosos e pagando penas absurdas pelo que não cometeram. Houve um tempo em que os jornalistas eram escravos dos fatos. Hoje são donos dos fatos e, por isto mesmo, a história não pode ser deixada de lado pelos que as conheceram ou viveram.

Bem, o que resta fazer? Millor Fernandes disse um dia: “Dormimos com o Tancredo e acordamos com o Sarney, existe um túnel no fundo da luz”. Diferentemente do inesquecível Millor, quero pensar que existe luz no fundo do túnel e que, qualquer dia destes, sairemos deste pesadelo em que transformou-se o Brasil. Um Brasil onde um Ministro da Suprema Corte debocha abertamente de um ex-presidente, depois de transferí-lo de uma masmorra para a Papudinha. E pior, faz isto diante de alunos de Direito que deveriam estar aprendendo coisas melhores, com pessoas mais comprometidas com o Brasil e os brasileiros. E onde Ministros da mais alta Corte se embaralham num antro de criminosos, num dos maiores escândalos já visto neste país de meu Deus o que é isto!