Marília Alves Cunha – Educadora e escritora

“Em uma república não basta o julgador dizer que é imparcial. O processo precisa parecer imparcial aos olhos da sociedade.”
(Gazeta do Povo)

Sinceramente, penso que o brasileiro não está nada feliz com o estado de coisas que o Brasil alcançou nos últimos tempos. A cada dia vemos a democracia degenerar-se, relativizar-se, algumas vezes perder o rumo, ser cada dia mais presente na boca dos políticos e mais longe do que parece ser uma democracia. Estamos à beira de uma eleição importante, onde serão eleitos deputados, senadores e presidente da república, pela qual será instalada a cúpula do poder por mais 4 anos. Deveríamos estar tranquilos, estudando traços de nossos candidatos para fazermos as melhores escolhas e dar a César o que é de César. Escolher aqueles que melhor possam tratar a nossa pátria, já saturada de problemas e sofrendo a consequências terríveis nas mãos de incompetentes administradores.

E os brasileiros, de modo geral desejam coisas simples, tão fáceis de serem realizadas que parece até mentira: os anos passam e a realidade fica cada dia mais avessa aos pedidos do nosso povo, povo soberano na teoria. Por que essa fragorosa negativa a eleições livres e transparentes, com contagem pública de votos como se fazem nas grandes democracias? Por que este cavalo de batalha contra condutas simples e que solucionariam a questão? A douta ministra Carmen Lúcia afirmou com todas as letras que o voto impresso traria insegurança ao eleitor…Não entendemos o porquê desta afirmação. Se você compra o valor de 10,00,exige comprovante; se você vota para presidente, vota no sua maior autoridade, negam-lhe um recibo…conta outra Ministra!

Entre muitas outras, cabe aos brasileiros uma grande insatisfação com o aparelhamento do Estado produzido por Lula. Vemos isto claramente quando o filho do presidente, o Lulinha, vê-se envolvido nos grandes escândalos que açoitam atualmente o nosso país. O rapaz hoje reside na Espanha, para onde foi quando a coisa começou a esquentar, as bombas começarem a estourar. E de onde só volta se prometerem não prendê-lo. Imaginem só! Muita audácia de quem acostumou-se a errar e escorar-se nas asas do pai. É sombrio e inaceitável um aparelhamento que visa a proteção de pessoas que interessam ao governo proteger, deixando de lado aspectos importantes quanto à evolução do país, com a ideia única de poder pelo poder. Gonet, por exemplo, o PGR, figura importante no contexto em que vivemos, descobriu com um certo atraso que pessoas que não têm foro privilegiado devem ser julgadas em 1ª instância. Mas não lembrou-se disto quando dos processos das vítimas do 8/1. A moça do batom, o pipoqueiro, o autista, heróis de nosso exército, o Jair e vários outros, foram presos e condenados sem possibilidade de interpor recursos em outras instâncias. O juiz natural existe, claro, mas só aparece de quando em vez, como no caso do Lulinha.

Finalmente, assistimos mais uma vez a quebra de nossa Constituição: o STF acaba de inutilizar o sigilo da fonte, uma das armas do jornalismo investigativo para proceder ao seu trabalho, valendo-se desse direito para melhor desempenho de seu ofício. E além disto, sem que seja provocado, emite opinião sobre exigência de diploma obrigatório para exercer ofício de jornalista. Esta exigência foi extinta desde a volta do país á “normalidade”, depois de Revolução de 64. O jornalismo investigativo depende de coisas muito mais importantes do que um diploma e, conhecendo alguns de nossos jornalistas, sabemos muito bem disto. Esta questão pertence ao Congresso Nacional e somente a ele compete explorar o tema e legislar sobre o assunto.

Finalmente, deixo aqui reproduzido integralmente um texto do jornal “Gazeta do Povo”, que considerei importante no contexto em que vivemos:
“O Supremo colocou a autoproteção acima da Constituição. Ministros não podem ter negócios suspeitos investigados, não podem ter seus métodos autoritários e ilegais revelados, não podem sem sequer ser investigados.”

Deveras preocupante o cerco que se faz às liberdades de imprensa e de expressão. É preocupante o aparato do Estado para erguer blindagens, na tentativa de esconder escândalos inconvenientes aos projetos petistas de poder. Este aparato estende-se desde a AGU aos bastidores do Congresso, infelizmente. Há certas verdades que precisam ser ditas, doa a quem doer.