Carta Aberta ao Prefeito de Uberlândia, Odelmo Leão

José Carlos Nunes Barreto*

Prezado prefeito:

Como eleitor de Sua Excelência, venho colocar a seguir algumas questões relativas à seu governo, e ao futuro da cidade que escolhi para viver, liderada pelo senhor há vários mandatos, e pelo que consta, o será por mais um, ao final do atual, com relativo sucesso, frente ao desastre da última gestão petista. Todavia, alguns itens da cidadania, precisam ser respeitados e discutidos, e permanecem no escuro, face ao despreparo e omissão do poder legislativo da cidade, que seria a principal instituição para estabelecimento dos freios e contrapesos constitucionais. A questão da transparência dos atos do poder executivo, neste contexto, portanto, é fundamental, haja vista a cidade estar em quinquagésimo lugar, entre cidades com transparência na gestão no país.

Saltam a vista alguns itens, notadamente contratos espúrios realizados na área de saúde, como por exemplo, o realizado no âmbito da FUNDASUS, que apesar de extinta neste governo, foi usada para escoar recursos públicos, também obras realizadas no DEMAE em 2012, durante seu mandato anterior. A justiça, através do Ministério Público, foi acionada nestes casos, e seu governo tem feito de tudo para não esclarecer, onde foram parar cerca de 40 milhões de reais no primeiro caso, e 20 milhões no segundo (Não há informações oficiais para o cidadão comum ,nestes dois casos, a não ser em vociferações da oposição ao seu governo ). Desvio de dinheiro significa roubo, e o elegemos para evitar a ocorrência de outro sórdido evento, como o do IPREMU no valor de 300 milhões ( comprovado na justiça e por CPI), e o que queremos é que, além de não roubar, o prefeito não deixe roubar, e puna os que roubam, facilitando a justiça e promovendo, aí sim , a transparência- o que pode significar também, uma oportunidade para o político ser absolvido pela opinião pública, caso se comprove sua probidade administrativa, ao longo do processo.

Quando, em redes sociais Sua Excelência afirma que, transparência é poder olhar no olho do eleitor, eu o respondi, na ocasião, e volto a afirmar, que isso não é suficiente, pois este é o dever de todo homem público…Usar protocolos para evitar desvios, isso sim é papel do gestor, e, ter mecanismos para evitá-los , realizar “compliance ” baseado na norma ISO 37001/ 2018 ,é mandatário , pois o que a “Lava Jato” ( que o senhor , infelizmente, como parlamentar, tentou prejudicar ,ao não votar favoravelmente projetos que a fortaleciam) , tem mostrado, na maioria de vezes ,é que nestes casos, algo estrutural ocorre ,orquestrado por quadrilhas, cujos chefes são os dirigentes , como aconteceu na última gestão da cidade, o que levou às grades o ex- mandatário, o que esperamos não seja o seu caso, e a única forma de termos certeza disso, é dar suporte aos protocolos acima referidos, favorecendo o esclarecimento público dos mesmos, por parte do executivo, independentemente do andar do processos judiciários – papel que o poder legislativo teima em não fazer, ao não inspecionar, auditar e exigir estas soluções do executivo, por simples subordinação política da maioria da casa à Sua Excelência.

As medidas acima, são as maiores questões, como no atacado – podemos comparar. Todavia, salta à vista, questões do varejo, cito por exemplo, a construção de pontes e ruas sem ciclovias, e passagens adequadas para pedestre, além da falta de sinaleiros com temporizador para pedestres e idosos, a ausência de prioridade para estruturas que nos tirem das recorrentes crises de dengue, que tem matado pessoas, ano a ano ,durante suas gestões, um item de execução fácil e baixo investimento, porém com resultados excelentes para salvar vidas, o que não tem preço… a falta de comunicação social com o eleitor, para ensiná-lo a atravessar só na faixa, fazendo o sinal de vida, como em Brasília, após contratar campanha educativa para que motoristas parem .

Já o lixo, esta é uma bomba, que sua gestão pode deixar para as futuras gerações. Fazer deste limão uma limonada é vital: contratar projeto e investimento via BNDES ,para queimar o lixo, e fazê-lo virar energia , como em Paris, não seria difícil até para estagiários de engenharia, e seus professores na UFU, a um baixo custo, e este recurso ajudaria as combalidas finanças da universidade federal, e serviria de exemplo para outras soluções que a cidade precisa, e que já poderiam estar acontecendo, não fosse a fogueira de vaidades do executivo uberlandense, e da reitoria da universidade, ambos sustentados pelo contribuinte, que sofre com esta falta de sinergia e bom senso.

Aliás, acredito que a UFU poderia colocar seus pesquisadores em campo, para dar soluções de inovação para a cidade, independente de quem estiver no governo, e isto, com certeza , a faria voltar ao ranking de melhores universidades o mundo, de onde foi recentemente excluída.

Esperando que estas soluções sejam realmente aplicadas, e me colocando à disposição, para, quaisquer esclarecimentos, me despeço.
Atenciosamente,

*Professor Doutor

Miserê

Marília Alves Cunha*

A reclamação do Promotor de Justiça mineiro viralizou. Em reunião de procuradores, dia desses, a queixa de um deles tomou conta e causou espanto em grande parte do país: o ganho de apenas R$ 24.000,00 mensais causará “miserê” ao promotor queixoso. Como viver com tão pouco? Como sustentar a família e o estilo de vida costumeiro? A situação é grave! Muito remédio controlado e antidepressivos para aguentar a terrível situação… Virar pedinte, será a solução?
O ilustre promotor esqueceu-se de dizer que, na realidade ele ganha bem mais do que isto, contadas as indenizações, auxilio alimentação e auxílio doença. De acordo com o portal de transparência, a média recebida pelo queixoso nos primeiros 7 meses do ano foi de R$ 68.275,34… Papagaio! Reclamar de que?
Tenho um grande apreço pelo Ministério Público e reconheço seu árduo trabalho na função precípua de defender a sociedade e seus interesses. É uma profissão complexa e exige, de quem a abraça, muita energia, motivação e espírito público. Diria até que, um promotor público tem personalidade diferenciada, que o talha para o exercício da função. Porém, na situação atual em que vivemos, na qual o desemprego é alto e preocupante, na qual as famílias mal vivem, com salários corroídos e dívidas a pagar, não vemos com tranquilidade este tipo de queixa.
Vivemos nós, servidores públicos mineiros da educação e da segurança, uma situação inacreditável. Um professor de Ensino Médio, com licenciatura, por exemplo, ganha o salário base (R$ 1.917,78). Este salário, desde Pimentel e sua ruinosa administração tem sido pago em prestações… O atual governador, diante de um Estado falido, procura se esforçar e faz economia de guerra para voltar a pagar o funcionalismo em dia. Mas o prejuízo já acertou muitos bolsos e muitas mentes e não temos a mínima ideia de quando os céus nos compensarão com um aumento, por menor que seja.. Falando a verdade, professores e polícia não terão muita condição de amainar suas estafas, depressões e desilusões com aqueles remedinhos salvadores que pacificam as almas…
É impossível aspirar a que todos tenham iguais e altas remunerações. Há pessoas diferentes e diferentes tipos de ofício. Sonhamos sim, com uma sociedade na qual as desigualdades não sejam tão gritantes, na qual não exista miséria e todos possam viver com dignidade, na qual a nação se irmane na solidariedade e no interesse pelo bem comum.

*Educadora – Uberlândia – MG

Loucura pura nos laboratórios de manipulação

Percival Puggina*

A celeuma suscitada pela declaração do vereador filho do Presidente é um dos mais claros exemplos de o quanto pode ser inventiva e excitante a atividade nos laboratórios de manipulação em que se transformaram alguns veículos da imprensa brasileira. São entes estratégicos do velho “mecanismo”.
Neles, os fatos são escaneados, sempre, na perspectiva do dano que possam causar ao governo, conduta que inclui o descarte de quaisquer boas notícias ou matérias que possam fortalecê-lo. Para os manipuladores desse laboratório, com suas luvas descartáveis, pipetas e retortas, a notícia é destilada como lhes convém. Por exemplo: afirmam com ar sério, que as instituições nacionais funcionam às mil maravilhas; o Congresso Nacional é apresentado como voz do povo e voz de Deus; o Supremo Tribunal Federal, por sua vez, como um Olimpo regenerado, onde os deuses abandonam os vícios e apenas as virtudes são preservadas. Já ao Executivo, cada dia sua dose de veneno.
Quero deixar claro que não conheço o tal vereador e nada sei de sua biografia. Votei no pai dele e defendo o governo porque vejo o bem que faz e o mal que impede seja feito. Conheço seus inimigos e identifico o trabalho dos laboratórios de manipulação da informação (basta olhar a vitrina).
A frase que o vereador fez sobre democracia e velocidade foi muito mal redigida. No entanto, sequer com má redação se presta as interpretações que os laboratórios de manipulação quiseram impor à leitura de sua clientela. Bem ao contrário, tais interpretações evidenciam que, mesmo escrevendo mal, o autor da frase é muito mais sensível do que seus detratores à natureza política do problema que abordou. “Sorry periferia!”, como diria o saudoso Ibrahim Sued; o vereador carioca entende muito melhor o problema institucional e político brasileiro do que vocês.
Ele captou nas redes sociais o mesmo desalento nacional que venho observando e ao qual tenho me referido em sucessivos artigos e vídeos dos últimos meses. Em sua postagem, afirma uma obviedade gritante: na democracia, especialmente no nosso modelo, as mudanças acontecem em very slow motion. O episódio democrático eleitoral pode promover (como aconteceu no ano passado), um giro de 180 graus em apenas nove horas de votação, mas correspondentes câmbios na vida social, política e econômica se arrastarão ao longo dos anos. Ou não? É importante que todos tenham consciência disso para evitar o desalento cívico e inquietudes não democráticas.
Qual a celeridade esperável de um Congresso que se reúne três dias por semana e onde funcionam as obstruções, os longos prazos, as faltas de quórum? Como serem ágeis as mudanças quando a oposição, a toda hora, apela às interferências do STF?
Quem mais me espanta, como observador, são os juristas chamados às falas sobre o assunto. Fazem fila. E são unânimes em ignorar o caráter disfuncional de nossas instituições! Chegam ao absurdo de erguê-las ao nível da perfeição, mesmo quando basta não ser idiota para ver o quanto elas sempre se prestaram e se prestam a todo tipo de chantagem e extorsão. Objetivo sistemático e sistêmico: realizar aquilo que vem sendo rotulado nos laboratórios de manipulação como “interlocução” entre os poderes. Haja realismo cínico! Em que país vivem e que livros andaram lendo os jornalistas e os doutos entrevistados da Globo ao longo destes dias? Não sabem eles o quanto é suja a ficha desse modelo institucional, o quanto da corrupção a ele é devida? Ignoram o quanto nosso sistema eleitoral patrocina e é patrocinado pelo oneroso corporativismo? Ora, por favor, tenham dó da Nação! Parem de atrapalhar e comecem a ajudar o país. Trabalhem com pautas reais!
Tudo que maldosamente foi “presumido”, “intuído”, “inferido” da frase do vereador o foi para atingir o governo. Atribuíram-lhe o que não disse. Ocultaram, no laboratório de manipulação, outra verdade que enunciou: “a roda segue girando em torno do próprio eixo”. Na mosca! Com efeito, a regra do jogo político determina o comportamento dos agentes políticos. A democracia brasileira se arrastará em ritmo antagônico ao desejado pela sociedade enquanto continuarmos esperando que as coisas “se mudem”, mantendo o hábito segundo o qual “está tudo errado, mas não mexe”. A democracia brasileira funciona mal e poderia funcionar muito melhor. Nosso modelo institucional, ao operar, faz exatamente isso que vemos. Desconhecê-lo, repito, é idiotia. Afirmar que a frase expressa uma opção por ditadura é enorme desonestidade intelectual.

* Percival Puggina (74), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.

O Senado Federal e a ditadura do STF

Percival Puggina*

Há quem, diante dos problemas do país, intimado a reagir, proclame como sublimando sua cidadania: “Faço mais nada, cansei”. A energia cívica durou até a eleição? Não resiste o enfrentamento com a oposição? Subestimava, tanto assim, os interesses contrariados?

Os corruptos e os corruptores, os que contam bandidos mortos e não contam suas vítimas, os jornalistas a serviço “da causa”, os “intelectuais” cuja fonte secou, os professores de narrativas ensaiadas, os abortistas e ideólogos de gênero não cansaram, não chutaram o balde e não mudaram de vida. Jamais!

A política, principalmente numa democracia instável como a nossa, não é um jogo que se assiste. É um jogo que se joga! Não faz sentido à cidadania ser exercida da arquibancada, entre os bocejos dos entediados. Não cabem, não hoje, não agora, neutralidades de observador forasteiro, sem interesse no resultado do jogo, sem conhecimento de que há um campeonato cujo resultado impactará a vida de todos. Esse tipo de alheamento, sim, cansa!

Muitos brasileiros, com razão, perderam a confiança nas instituições, notadamente em relação ao Congresso Nacional e ao STF. O compadrio tem sido evidente. Uma mão lava a outra; ambas, porém, não lavam a imagem refletida no espelho. Simultaneamente, poderosos setores da imprensa, para os quais “anormal” é o Presidente, buscam aparentar normalidade institucional mesmo quando o Congresso vota uma lei que vai inibir a persecução criminal, ou aumentar verbas partidárias, ou perdoar multas aplicadas pela Justiça Eleitoral. Até o velho realismo cínico do “é dando que se recebe”, graças ao qual centenas de parlamentares condicionam seus votos a favores oficiais, recebeu um polimento midiático e passou a ser demandado como desejável e normal “capacidade de interlocução”. Não! Isso é um escândalo. E note-se bem: na avaliação desse tipo de conduta, não se sonegue a informação de que nosso sistema de governo é ficha suja e, como tal, concede vantagem a quem dele se vale para tais práticas.

Estou convencido de que, hoje, nenhuma atitude política é mais relevante do que dar força a grupos parlamentares que se articulam para um upgrade nos padrões de conduta do Congresso Nacional. Refiro-me de modo especial ao Muda Senado, cujos atuais 21 membros organizam-se para forçar a Casa e, especialmente seu presidente, Davi Alcolumbre, a cumprir seus deveres democráticos e regimentais. Só o Senado tem o poder de reagir à ditadura do STF, seus desmandos, sua abusiva interferência na vida nacional, sua acintosa irreverência aos valores cultivados pelas famílias brasileiras e julgar a suspeitíssima conduta de alguns de seus membros, tantas vezes denunciados perante os silenciosos arquivos do nosso Senado.

O Muda Senado agendou grande mobilização popular para Brasília, no próximo dia 25 de setembro. Tão importante quanto o comparecimento de quantos possam é a pressão dos cidadãos sobre os senadores que desejam a eterna inviolabilidade dos arquivos onde Eunício de Oliveira, Renan Calheiros e Davi Alcolumbre têm sepultado todas as acusações formuladas contra ministros do STF. Têm explicações a dar aos eleitores de seus Estados. Querem eles que o Senado continue exatamente como está? Omisso? Escorando esse STF? Têm companheiros a proteger na Suprema Corte? São coniventes com a ditadura do Judiciário? Com a palavra os outros 60 senadores e seus eleitores.

* Percival Puggina (74), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.

Sem esperança nas três esferas de poder!

Rafael Moia Filho*

Sem esperança nas três esferas de poder!
O mundo é um lugar perigoso de se viver,
não por causa daqueles que fazem o mal,
mas sim por causa daqueles que observam
e deixam o mal acontecer (Albert Einstein).

O Poder Executivo está presente em três instâncias de poder a saber – Municipal, Estadual e Federal. O eleitor escolhe nas urnas quem são os seus Prefeitos, Governadores e o Presidente da República a cada quatro anos.
Todos têm sua importância na democracia do país, o prefeito está ao lado da maioria dos moradores nas pequenas e médias cidades do país, podem ser vistos nas ruas com um grau de facilidade que os demais não possuem em relação aos eleitores.
Enquanto os governadores e o presidente da república ficam normalmente muito distantes do fácil acesso dos cidadãos brasileiros.
Outro dia olhei para o horizonte e pensei: Como estou neste quesito em relação as escolhas que me governam neste momento. Na minha cidade o Prefeito é Clodoaldo Gazzeta – PSD (2017-2020). O governador de SP é João Dória Jr – PSDB (2019 – 2022) e o atual presidente Jair Bolsonaro – PSL (2019-2022).
Não precisei me esforçar para chegar a triste conclusão de que estou vivendo e sendo governado por quem eu não votei, não acredito e não tenho esperança alguma de que venham a fazer uma gestão minimamente decente.
Em que pese o prefeito estar com seu mandato a dezesseis meses do final e os demais estarem com apenas oito meses de gestão, a minha avaliação quanto aos três é péssima.
Vou me ater ao prefeito que já governou por 32 meses até o momento, deixando as avaliações do governador e presidente para outra oportunidade quando ambos tiverem cumprido ao menos 50% do mandato para o qual foram eleitos.
A cidade de Bauru possui quase quatrocentos mil habitantes, polo comercial e universitário de uma região com quase um milhão de pessoas. O prefeito está fazendo uma gestão sofrível, sem criatividade, ousadia e inteligência. Peca em todos os critérios de avaliações que possamos fazer, sem ter nota alta em nenhum quesito.
Em sua posse herdou uma obra gigantesca da construção da Estação de Tratamento de Esgotos – ETE, com orçamento de R$ 129 milhões doados a fundo perdido pelo governo federal (Dilma Rousseff). A obra já consumiu milhões, está praticamente parada, sem que tivesse havido o acompanhamento do Poder Executivo e da Autarquia responsável – DAE. A obra que havia sido prometida pelo governo anterior (Deputado Federal Rodrigo Agostinho – PSB) para 2016.
Hoje, agosto de 2019, o munícipe não tem ideia de quando será inaugurada esta obra vital para a cidade. Aliás, uma boa parte nem acredita que a obra será concluída.
Não houve avanço nem obras de mobilidade urbana, deixa a desejar completamente a gestão no que tange a administração financeira, estando o munícipio com uma dívida próxima de R$ 350 milhões. Sem que haja arrecadação suficiente e algum plano de absorção desta dívida a média e longo prazo.
Um prefeito que nunca foi gestor público, completamente despreparado e sem conseguir demonstra a quem quer que seja, vontade, motivação e estimulo para enfrentar as tarefas decorrentes do cargo.
Olha nos dias atuais para o Palácio das Cerejeiras, Palácio dos Bandeirantes ou Palácio do Planalto é ter vertigem e medo do futuro.

*Escritor, Blogger e Graduado em Gestão Pública.

Faces do Brasil brasileiro

Cesar Vanucci*

“Meu Brasil brasileiro (…) vou cantar-te nos meus versos.”
(Ary Barroso, em “Aquarela do Brasil”)

1) Considerada pela Academia Brasileira de Letras como a obra musical que melhor reflete o espírito nacional, a “Aquarela do Brasil”, de autoria do genial Ary Barroso, mineiro de Ubá, completou este mês 80 anos. Seus lindos acordes e imponentes versos tornam-na amada e conhecida, no sentimento popular, como uma espécie de segundo hino nacional. Não tem como não sentir certo frêmito cívico na espinha quando se alteiam os sons inconfundíveis do “Brasil brasileiro”, do mulato inzoneiro, do samba e do pandeiro, exaltado em expressões de perene beleza e colorido humano. Cabe aqui rememorar singular emoção que vivi, em 2003, nas altitudes himalaianas de Lhasa, Tibete, ao ouvir, inesperadamente, num bar, um pianista extrair do teclado a nossa “Aquarela”. O grau de comoção que experimentei alcançou tal magnitude que cheguei a imaginar a hipótese de não conseguir resistir aos batimentos acelerados do coração. Passei até a criar na mente os transtornos que poderiam resultar de indesejável eventual traslado de meu corpo, daquelas lonjuras, até Belo Horizonte. O estado de espírito alterado foi, felizmente, desfeito com um chá terapêutico. Cedeu lugar a prazerosa serenidade. Recomposto do abalo, pude até mesmo desfrutar da alegria de acompanhar, aplaudir, a ponto de cantar, outras melodias da incomparável música popular brasileira, saídas magicamente do piano. Para quem eventualmente ignore o fato, seja revelado ainda que Ary Barroso, seguramente o maior compositor brasileiro de todos os tempos, com lugar garantido no panteão universal da criação musical, compôs quase 500 lindíssimas canções. A “Aquarela do Brasil” nasceu de um impulso único, num momento de súbita inspiração. Numa reunião em sua casa, diante de reduzida plateia composta de familiares e amigos, ele sentou-se ao piano, arrancou da cachola fértil a linha melódica, foi encaixando sem vacilações as palavras e, pronto, em curto espaço de tempo, inventou para embevecimento do mundo a melodia imortal.

2) Está certo, não há como desconhecer que as denúncias do presidente Jair Bolsonaro foram feitas em instante de descomedida irritação. Bem naquele manjado estilo belicoso, de feição revanchista, por ele comumente empregado quando das dificuldades pessoais que encontra na lida com o contraditório. Mas, mesmo postas assim as coisas, impõe-se admitir que os fatos narrados na fala do chefe do governo foram recebidos com visível desencanto pela opinião pública. Essa história, não devidamente contestada pelos interessados, de que alguns influentes personagens na área da comunicação social se deixaram também envolver em mutretas do tipo das que são praticadas por políticos inescrupulosos, objeto naturalmente de condenações em suas pautas de divulgação, soou mal prá valer. E com agravante. O silêncio tumular, de iniludível cunho corporativista, que a mídia eletrônica entendeu de estabelecer a propósito do assunto. Tá danado!

3) Integrantes dos poderes Executivo e Legislativo de Minas Gerais parecem mesmo firmemente empenhados em tocar pra frente, em que pese a manifesta discordância da comunidade, a manobra da privatização da Cemig. Deixam explícita, em reiteradas declarações, a disposição de atropelar a norma constitucional que rege a matéria, na consecução de seus objetivos. Terão que enfrentar, em determinada hora, um baita problema. Não será nada fácil explicar ao respeitável público a transferência para o setor privado, de mão beijada, de ativos estimados em 4 bilhões de reais pertencentes a uma empresa estratégica e de conceito que, num um único semestre apenas, acusa no balanço, lucro superior à metade desse valor. Ora, epa!

4) “Empresas não são corruptas”, este o título de sugestivo artigo, estampado na “CartaCapital”, de autoria do jornalista Pedro Serrano. O cerne da argumentação é o seguinte: “Quem comete crimes, muitas vezes por meio ou em nome das organizações, são pessoas físicas, que podem e devem ser punidas criminalmente ao praticar delito.” Sublinhando que nos países mais desenvolvidos, em casos de corrupção, os indivíduos que representam as empresas são severamente punidos, mas essas, em função de respeitáveis interesses econômicos e sociais, são sempre preservadas, o comentarista se reporta ao tratamento totalmente diferenciado que o Brasil adota em circunstâncias análogas. As sanções aqui aplicadas são de um impacto tal que acabam excluindo as empresas de participar de processos licitatórios, obterem crédito, tornando-as, irremediavelmente, insustentáveis. O Sindicato Nacional de Construção Pesada e Infraestrutura promoveu, recentemente, um levantamento a respeito do que andou acontecendo com as maiores organizações do setor que figuraram, pela irresponsabilidade de seus executivos, na lista das atividades ilícitas investigadas pela Justiça. A potencialidade econômica e social dessas companhias, todas legitimamente nacionais (esse é um dado relevante a registrar), sofreu drástico encolhimento. Em quatro anos, a receita líquida despencou cerca de 85 por cento. Um milhão de empregos formais foram riscados do mapa. Sobrou a contundente evidência de que o peso maior das punições aplicadas recaiu sobre a mão de obra das companhias, alvejando trabalhadores comuns, chefes de família, não implicados, em instante algum, nas condenáveis praticas desonestas perpetradas. O correto será cogitar de uma reavaliação na metodologia do combate intransigente, do qual não se pode abrir mão, à corrupção. Atenderá ao interesse nacional assegurar a empresas legitimamente brasileiras condições de sobrevivência. Garantia de espaço no mercado de negócios, de modo a que possam se inserir no processo da necessária e urgente retomada do desenvolvimento.

* Jornalista (cantonius1@yahoo.com.br)

Free WordPress Themes, Free Android Games