por uberlandiahoje | fev 20, 2026 | Blog |
Iniciativa reúne 16 produtores mineiros e leva cafés premiados ao consumidor de Belo Horizonte
O Governo de Minas participou, nesta quinta-feira (19/2), do lançamento da linha especial Cafés Campeões, no Supermercado Verdemar, em Belo Horizonte. A iniciativa leva ao consumidor os melhores cafés da safra 2025, vencedores do Concurso de Qualidade dos Cafés de Minas Gerais, promovido pela Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG).
GOV. MG
O concurso chegou à 22ª edição, consolidando-se como importante instrumento de valorização da cafeicultura mineira e de estímulo à melhoria contínua da qualidade. Ao todo, 16 produtores mineiros, que obtiveram as melhores classificações na edição de 2025 do concurso, passaram a integrar a linha Cafés Campeões.
Os produtos já estão disponíveis para venda nas unidades do Verdemar, nas versões torrado em grãos e torrado e moído, para preparo em filtro ou espresso. A parceria com a rede de supermercados, que está no oitavo ano, visa valorizar os cafés especiais de alta qualidade produzidos por produtores mineiros, principalmente os agricultores familiares, reconhecendo o talento e a dedicação destes trabalhadores.
“Quero, primeiramente, reconhecer o trabalho de toda a equipe da Emater-MG, fundamental para que o nosso café, ao longo dos últimos 20 anos, tenha deixado de ser uma commodity para se transformar em um produto totalmente diferenciado, estando entre os melhores do mundo”, disse o governador de Minas Gerais, Romeu Zema.
Minas Gerais é o maior produtor e exportador de café do Brasil, responsável por cerca de 50% da produção nacional. Em 2025, as exportações do agronegócio mineiro atingiram novo recorde: US$ 19,8 bilhões. O café foi o carro-chefe das exportações do agro mineiro e alcançou US$ 11,4 bilhões, respondendo por 57,2% do valor total exportado do setor. O volume embarcado foi de 27,4 milhões de sacas.
Concurso
A edição de 2025 do Concurso de Qualidade dos Cafés de Minas Gerais registrou recorde de inscritos, com 1.857 amostras provenientes de 162 municípios mineiros das principais regiões cafeeiras do estado: Sul de Minas, Cerrado, Matas de Minas e Chapada de Minas. Foram mais de 10 mil xícaras provadas.
Como parte da premiação e estratégia de valorização, os cafés mais bem colocados tiveram a compra garantida pela rede de supermercados, com pagamento de até R$ 6 mil por saca, valor superior ao praticado no mercado convencional. As embalagens da linha Cafés Campeões destacam o nome do produtor, a pontuação obtida no concurso e as características sensoriais da bebida, reforçando a conexão entre quem produz e quem consome.
“Parabéns a todos os produtores que estão sendo reconhecidos e que foram classificados no concurso, mostrando que temos em Minas um produto que, talvez, nenhum outro lugar do mundo consiga produzir, nessa qualidade e quantidade”, destacou Romeu Zema.
Vencedores
Para chegar ao resultado do concurso, as amostras passaram por rigorosas análises físicas e sensoriais, conduzidas por provadores especializados, seguindo os protocolos da Specialty Coffee Association (SCA), referência internacional na avaliação de cafés especiais.
O concurso contou com duas categorias: Café Natural e Café Cereja Descascado, Despolpado ou Desmucilado. No caso do Café Natural, o grão recém-colhido pode passar ou não por um processo de lavagem e é levado para secar em terreiros ou secadores. Já o Cereja Descascado, Despolpado ou Desmucilado, passa por um processo de lavagem e, posteriormente, descascamento (ou desmucilagem) antes da secagem.
Confira a lista completa dos vencedores
O campeão foi o agricultor familiar João Pedro Emerick Ramos, de Alto Jequitibá, na Zona da Mata e da região cafeeira de Matas de Minas, que alcançou 93,2 pontos na categoria Cereja Descascado, a maior nota já registrada na história do concurso. Ele começou a plantar em 2018 e avalia que a competição foi decisiva para abrir portas no mercado.
“Fazer o café e ter um comprador é muito importante. Em 2018, eu não tinha para quem vender o café. Hoje está quase faltando café para tanto comprador. O concurso foi muito importante para a divulgação do nosso nome e da nossa propriedade”, afirmou o cafeicultor João Pedro Emerick.
O 22º Concurso de Qualidade dos Cafés de Minas Gerais foi uma realização da Emater-MG, em parceria com a Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), a Universidade Federal de Lavras (Ufla), a Fundação de Apoio ao Ensino, Pesquisa e Extensão (Faepe) e o Conselho Nacional do Café (CNC), com patrocínio do Sistema Sicoob Crediminas e do Verdemar.
por uberlandiahoje | fev 20, 2026 | Blog |
GOV. MG.
Seplag orienta cidadãos que perderam ou tiveram o documento furtado. Atendimento nas UAIs deve ser agendado
Os cidadãos que perderam sua Carteira de Identidade Nacional (CIN) durante o Carnaval podem solicitar a segunda via com segurança e facilidade em Minas Gerais. A Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag-MG) disponibiliza canais digitais e atendimento presencial nas Unidades de Atendimento Integrado (UAIs).
A solicitação da nova via pode ser feita de forma prática pelo MG App, pelo Portal MG (www.mg.gov.br) ou presencialmente em uma UAI, mediante agendamento prévio feito gratuitamente nesses mesmos canais. O cidadão que perdeu, teve o documento furtado ou roubado deve ficar atento aos procedimentos específicos para cada situação.
A medida reforça o compromisso do Governo de Minas em oferecer serviços públicos acessíveis, digitais e eficientes, garantindo mais segurança e comodidade à população.
Segunda via de documentos perdidos
Nos casos de perda, é necessário solicitar a segunda via da Carteira de Identidade Nacional pelos canais oficiais. Nessa situação, há cobrança da taxa de emissão do documento.
Gratuidade em caso de furto ou roubo mediante B.O.
Quando o documento for furtado ou roubado, o cidadão deve registrar o Boletim de Ocorrência junto à Polícia Civil de Minas Gerais em até 60 dias da data do fato. A apresentação do boletim é obrigatória para assegurar o direito à gratuidade da segunda via da identidade.
Como fazer a solicitação
O serviço está disponível nos seguintes canais digitais:
MG App
Portal Cidadão MG
Ou com atendimento presencial em uma das 60 UAIs no dia e no horário marcados, apresentando a documentação necessária:
Certidão de nascimento ou casamento
Boletim de Ocorrência, nos casos de furto ou roubo
Em casos de urgência comprovada, é possível solicitar o agendamento excepcional por meio do “Fale Conosco”, disponível neste link.
Primeira via da CIN é gratuita
A primeira emissão da Carteira de Identidade Nacional é gratuita. A cobrança de taxa ocorre apenas nos casos de solicitação de segunda via que não estejam relacionados a furto ou roubo comprovados por Boletim de Ocorrência.
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por uberlandiahoje | fev 20, 2026 | Ponto de Vista |
Ana Maria Coelho Carvalho – Bióloga
É preciso escrever sobre pessoas que são gente de verdade. Pessoas que semeiam paz e luz onde estão, que enfrentam desafios com garra silenciosa, que vivem uma vida humilde -mas cheia de grandeza- e que representam um Brasil que muitos desconhecem. Registrar suas histórias, suas forças nunca celebradas, mas que, ainda assim, importam. Por isso escrevo sobre Tim.
Lucilene Atanásio dos Santos, carinhosamente chamada de Tim, nasceu em Gongogi, interior da Bahia. É a décima primeira entre 14 filhos de Elizabeth. A mãe tinha nome de rainha, mas jamais teve qualquer honraria. Os filhos nasceram todos de parto normal, no mato ou na casinha de chão batido, às vezes com parteira, às vezes sem ninguém. Três morreram ainda na infância; dois, já adultos.
Hoje, aos 44 anos, Tim é pequenina- mede 1,30 m. Robusta, de braços e pernas fortes, pele muito negra, olhos bondosos e bonitos, sobrancelhas espessas. O cabelo, sempre esticado, preso e enfeitado. Um sorriso largo, mostrando os dentes muito brancos. Mora na comunidade quilombola de Ambuba, no meio da mata, na península de Maraú, numa casa simples com paredes de barro. Os pais já faleceram. Sem água encanada, sem energia e com fogão à lenha.
Conheço Tim há muitos anos. É irmã de Djalma, pai dos meus três netos baianos. Recentemente, passou uma semana em minha fazenda e perguntei se poderia escrever sua história. Gostou da ideia. Sentada à mesinha, debaixo de um pé de baru, foi contando sua vida. Disse que a bisavó materna fora encontrada e capturada no mato. Já o avô paterno possuía terras em Ambuba; um dia partiu e deixou tudo para Antônio, seu pai. Esse distribuiu um pedaço de terra para cada filho, menos para ela (no quilombola, ninguém tem escritura, chegaram e ficaram). Quando a mãe era viva, todos comiam junto. Mãe e filha cozinhavam para 8, 10 pessoas, buscando água no rio (Tim chama de fonte). Hoje, três irmãos trabalham por lá extraindo borracha no seringal e almoçam com ela.
Acorda entre quatro e cinco horas. Varre a casa e o quintal, depois acende fogo para cozinhar feijão com carne seca, arroz e mandioca, sempre acompanhados de farinha. Alimentam-se também dos frutos da região: cacau, coco, dendê, manga, banana. Alguns da família têm os dentes da frente gastos de tanto rasparem o coco do dendê. Vai a Maraú apenas uma vez por mês fazer compras, numa canoa com motor, acompanhada por um irmão. Na volta, carregam tudo morro acima. Com uma risadinha curta e gostosa, conta que, se o alimento acaba antes do fim do mês, há o mangue para ajudar. Pescam algum peixe, caranguejo, guaiamum, siri, camarão- pitu. Não cultivam verduras, pois falta água. Passou a vida carregando lata d’água na cabeça: meia hora para descer ao rio, meia hora para subir. Conta, alegre, que a vida dela melhorou muito, pois um irmão instalou placa solar; agora ela tem água corrente para beber e cozinhar, mas continua indo ao rio para tomar banho, lavar as louças e a roupa. A energia solar chega das 18h às 20h. Nesse intervalo, assiste às novelas “Êta mundo melhor” e “Coração acelerado”, da Globo. Perguntei se entendia o enredo todo, disse que não, que gosta mesmo é das roupas dos personagens e de um casal que canta junto, aprecia as músicas. Completou que agora tem celular para enviar e receber áudios e que não usa mais candeeiro, agora pode comprar velas. Conseguiu, depois de muitos anos tentando, um auxílio do governo. Disse que, quando a mãe era viva, usavam candeeiro. E quando o óleo para acender acabava, faziam uma fogueira no meio da casa para iluminar. Está contente porque agora acende velas.
Continuando a conversa, perguntei-lhe sobre os estudos. Contou que frequentou a escolinha de Ambuba por cerca de oito anos. Caminhava quarenta minutos por uma trilha no mato até chegar. A professora, Ildete, ensinava alunos de várias idades na mesma sala. Quando aprendeu um pouco, aos 12-13 anos, passou a estudar em Maraú. Ia de barco, juntamente com outros alunos. Saia de casa às quatro e meia da madrugada e chegava à escola às sete e vinte. Viveu assim por muitos anos, parou de estudar aos 30 anos. Sempre começava e desistia. Concluiu a quinta e a sexta séries, não terminou a sétima. Perguntei se sabia ler, disse que lê e escreve um pouco. Perguntei também se sabia as quatro operações matemáticas, respondeu com um risinho maroto, que dependia da conta…Disse que os professores eram bons, explicavam bem; o problema era ela- “dava um branco na cabeça e eu esquecia tudo”. Na sequência, perguntei porque ela era assim tão pequenina. Respondeu que um médico lhe dissera que ela era “infantil”. Parece que ficou satisfeita com a resposta e nunca se preocupou com isso, nem a família, vida que segue. Talvez tenha a síndrome de Turner, condição genética que afeta apenas mulheres; ocorre quando há uma ausência total ou parcial do cromossomo X e pode causar baixa estatura e ausência de menstruação. Mas Tim não sabe disso e nem imagina o que seja um cromossomo…Perguntei se já teve namorado, se é feliz, se tem algum sonho. Rindo, respondeu que nunca teve namorado; nunca pensou nisso. “Sou só eu mesma”. É feliz sim. E já realizou o sonho de viajar, sair um pouco de Ambuba. No ano passado foi sozinha para Joinville – quase três dias de ônibus-onde ficou três meses na casa de um irmão. E agora veio para a fazenda, já conhece Uberlândia, Ilhéus, Itabuna, Serra Grande, está bom. Rimos quando lhe disse que nunca vi alguém gostar tanto de varrer casa e quintal como ela. E de lavar roupas, é impressionante.
Sem pressa de nada, Tim às vezes fica parada, quieta, parecendo meditar, sentada em algum canto ou olhando para o céu. Nunca reclama de nada, não discute com ninguém, está sempre de bom humor, limpinha e arrumada, pronta para trabalhar e ajudar. Em sua simplicidade- e no desconhecimento de tanta coisa que existe neste vasto mundo- Tim tem uma rara serenidade. É uma paz estar perto dela. Acende velas para iluminar sua casinha, mas ela mesma é luz. Não nasceu para brilhar nos palcos: pequena como uma chama, nasceu para clarear caminhos.
por uberlandiahoje | fev 19, 2026 | Blog |
Nesta quarta-feira (18/2), foram pagos R$ 101,7 milhões ao Tesouro Nacional
O Estado de Minas Gerais quitou, nesta quarta-feira (18/2), a segunda parcela do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), no valor de R$ 101,7 milhões. A formalização ao programa ocorreu por meio da assinatura do aditivo contratual, em 31 de dezembro de 2025.
GOV. MG
A adesão implicou não apenas uma mudança estrutural relevante no perfil do endividamento estadual, com a revisão dos encargos financeiros para IPCA acrescido de juros reais de 0% ao ano, como também a observância das condições pactuadas para a utilização desse benefício. Nesse contexto, o Estado ofereceu ativos em montante suficiente para a amortização de 20% do saldo devedor da dívida com a União.
O saldo devedor confessado, no valor de R$ 179,3 bilhões, apurado na data-base de 1º de dezembro de 2025, foi refinanciado pelo prazo de 360 meses. O Estado assumiu, de forma expressa, o compromisso de efetuar aportes anuais ao Fundo de Equalização Federativa (FEF), no percentual de 1% do saldo devedor, bem como de executar investimentos em áreas estratégicas na mesma proporção.
Importa destacar, ainda, que a adesão ao Propag marcou a retomada do pagamento integral das operações de crédito com garantia da União, reforçando o compromisso do Estado com a regularidade fiscal e contratual. Em 2026, até a presente data, foram pagos R$ 924 milhões referentes a essas operações.
Histórico de pagamentos
Entre janeiro de 2019, quando a gestão atual assumiu, e 18 de fevereiro de 2026, o Governo de Minas pagou à União R$ 13,11 bilhões, em razão da dívida do Estado. Desse montante, R$ 6 bilhões foram pagos com base nas regras do Regime de Recuperação Fiscal (RRF), que vigorou entre outubro de 2024 e 31 de dezembro do ano passado.
por uberlandiahoje | fev 19, 2026 | Ponto de Vista |
Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Acadêmico da ABLetras, Blogger, Analista Político e Graduado em Gestão Pública.
O surgimento de mais um partido num cenário saturado com mais de 30 agremiações partidárias é um absurdo. O novo velho partido é o Missão, oriundo dos moleques do MBL, aqueles que invadiam universidades e hospitais em busca de imagens para poderem lacrar enquanto distorciam a verdade.
Estiveram ao lado da extrema-direita bolsonarista em 2018 e 2022. Depois da tentativa de golpe de Estado e dos casos de roubos de joias e outros escândalos, pularam fora da barca resolveram agir por conta própria criando um partido de extrema-direita. Mais um credor para o fundo partidário bilionário.
Ficou fácil, pois agora criticam o PT, PSOL na esquerda e os partidos de direita convencionais. Ninguém presta na ótica deles e só o que eles falam é a luz da verdade. Acontece que não possuem legado, nunca fizeram nada de útil a sociedade brasileira, portanto, não tem como comparar com algo dentro do já combalido cenário político nacional.
O Missão é mais do mesmo neste cenário exaurido em que os políticos criticam tudo e não fazem nada para mudar o que está errado. Nossa política precisa de uma reforma que acabe com o excessivo número de partidos, com as regalias recebidas pelos políticos, pelo número exagerado de vereadores, deputados estaduais e federais, pelo fim da concessão e auxílios infindos imorais que solapam nossos impostos.
O novo grupamento vai na contramão e a única coisa que pleiteiam é pena de morte para criminosos. Surgem com o surrado slogan “Bandido bom é bandido morto”. Um tanto quanto fascista e imoral, visto que bandido milionário que dá golpes em grande lojas e bancos não estão inclusos neste slogan.
Suas principais propostas são:
Segurança Pública: Defende o endurecimento de penas, o combate frontal ao narcoterrorismo e inspira-se em modelos como o de Nayib Bukele (El Salvador).
Economia: Segue uma linha liberal, mas com pitadas de desenvolvimentismo focado em infraestrutura e industrialização regional (como no Nordeste).
Valores: Defesa dos valores judaico-cristãos e da cultura clássica, mas com foco em um “projeto de nação” e ruptura geracional (focado nas gerações Millenial e Z).
Após o registro do partido Missão, outras 23 legendas tentam sair do papel no Brasil, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Atualmente, o País conta com 30 partidos políticos regularmente registrados na Justiça Eleitoral.
Pela Lei dos Partidos Políticos, é livre a criação de legendas, desde que seus programas respeitem a soberania nacional, o regime democrático, o pluripartidarismo e os direitos fundamentais da pessoa humana. A legislação também assegura autonomia para a definição de estrutura interna, organização e funcionamento das siglas.
Infelizmente, isso mostra que assim como existem igrejas em milhares de fundos de quintais, em busca de enriquecimento às custas da isenção de impostos, políticos de diversos grupamentos querem desfrutar do fundo eleitoral brasileiro e dos altos salários e benefícios a disposição dos políticos no país.
por uberlandiahoje | fev 19, 2026 | Ponto de Vista |
Tania Tavares – Professora – SP
Ao ver na mídia que aparece “Receita nega que houve acesso aos dados sigilosos de Gonet” e “PF investiga vazamento de informações de ministros do Supremo e do PGR”, fico pensando o que as pessoas que trabalham nestes locais devem saber e pensam que mais à frente tudo será abafado e eles criminalizados. E nós, o povo pagadores dos seus salários gostaríamos de saber a verdade.
por uberlandiahoje | fev 18, 2026 | Ponto de Vista |
Dr. Flávio de Andrade Goulart*
Imagino que esta seja uma palavra antiga na língua, mas que vem sendo usada com bastante frequência nos últimos anos. Sua aplicação mais usual refere-se à negação da existência da pandemia de Covid ou, pelo menos, recusa de enquadrar tal fenômeno dentro de uma lógica científica, se transformando em um quase sinônimo de bolsonarismo, em sua vertente, digamos, sanitário-cultural. Mas tal palavra espelha um conjunto muito mais amplo de situações, se estendendo também para fora do campo da saúde, dentro de um espectro que vai da ignorância pura e simples dos fatos à recusa em compreendê-los; da postura de avestruz em relação à realidade, à crença em realidades paralelas; das explicações fantasiosas dos fenômenos da vida ao crédito irrestrito às maluquices que vicejam nas redes sociais. Exemplos como o da terra plana, da crise climática ou da inocuidade ambiental da exploração do petróleo não faltam, ao contrário, abundam (palavra adequada…) em toda parte. Aliás, parece mais correto falar de negacionismos, assim no plural, pois as evidências mostram que quase sempre as negações da realidade se estendem a áreas diversas do conhecimento humano, como uma mancha de óleo (ou de esgoto) a se espalhar no oceano. O fato é que prospera no mundo atual o fenômeno traduzido por tal palavra, seja no singular ou no plural, já em vias de se transformar em uma mais uma marca essencial dessa nova era de pós-verdades, ilusões coletivas e manipulações do inconsciente coletivo de variadas naturezas, já antecipadas por Orwell em seu famoso 1984. Na área da saúde os efeitos perversos do negacionismo são evidentes e em muitos aspectos se fazem notar, como é o caso da queda acentuada das imunizações, verificada não só no Brasil como em outros países.
A crescente onda mundial negacionista na ciência, apoiada em maciça circulação de fake-news tem como um de seus alvos principais tal questão das vacinas. Aqui, mais do que em outros setores, a máxima goebbeliana se aplica à perfeição: uma mentira repetida muitas vezes se transforma em uma verdade. E este caso traz a pior das consequências, que é o risco de vida real para muita gente. Vivemos em um mundo no qual abunda a informação, porém de forma violenta e sem regras. Neste aspecto, a OMS registra que nada menos do que 138 países reportaram casos de sarampo no último ano (2024), coisa inédita, sendo que em 61 sob a forma grandes surtos. O caso do sarampo não é apenas isolado, pois esta é uma doença tida como controlada em grande parte dos países, com os dados apresentados demonstrando um forte retrocesso recente, agravado por novos conflitos territoriais e mudanças climáticas (outro dos objetos alvo dos negacionistas modernos).
Um caso histórico (e recente) disso é o que ocorreu na África do Sul entre 1999 e 2008, quando o então presidente Thabo Mbeki, bem como sua ministra da Saúde (antecessora ideológica de Pazzuelo), negaram a gravidade do surto da Aids no país, que hoje detém quase 20% dos infectados do planeta, nada menos do que quase oito milhões de pessoas.
É assim que floresce em todo mundo um movimento antivacina, tendo como uma das vozes de destaque o atual Secretário (Ministro) de Saúde dos EUA, Robert Kennedy, que contesta sem nenhum embasamento científico a eficácia e a segurança da imunização. Por essas e por outras, o índice de cobertura vacinal cai em toda parte e que diversas doenças contagiosas erradicadas ou perto disso voltem a surgir, às vezes até com mais intensidade o que antes.
O ato de negar fatos evidentes e comprovados infelizmente não anda sozinho. Associam-se a ele as teorias e discursos conspiratórios e sem aprofundamento; as disputas ideológicas e de interesses políticos ou religiosos; os desejos subconscientes demasiadamente humanos de escapar da realidade; as situações de instabilidade social e crises; a busca de fantasmas e bodes expiatórios e outras modalidades de fuga da realidade; o descrédito da ciência, da pesquisa e das universidades; a tendência de se confundir fatos reais, inclusive científicos, com opiniões pessoais – e assim por diante.
O negacionismo e seus tentáculos
São variadas a manifestações associadas ao negacionismo, não só da ciência como de outros campos, confirmando o fato de que não opera sozinho. Vejamos algumas delas.
Vivemos uma era de valorização desmedida de práticas e praticantes das ciências da saúde, de forma independente de seu respaldo científico, particularmente na saúde mental, mas também em outras áreas. Isso tem como possível raiz o fenômeno da nêmesis da medicina, já explicitado por Illich algumas décadas atrás, derivado da pretensão histórica da mesma em se meter na resolução de problemas que vão além de sua alçada, deixando assim as pessoas frustradas e dispostas a procurar ouras soluções, mais humanas ou, pelo menos, não tanto tecnológicas.
Ao lado disso, veem-se tentativas forçadas de legitimação de tais práticas carentes de maior fundamento científico, por pressões corporativas, econômicas ou simplesmente por populismo sanitário, como acontece, por exemplo, nos programas oficiais de promoção de práticas integrativas e complementares (PIC), como aquele desenvolvido pelo Ministério da Saúde no Brasil. No limite, uma forma de medicina barata e destinada aos mais pobres, já que os mais bem aquinhoados continuarão a pagar e usufruir aquilo que a ciência já lhes oferece – no âmbito das drogarias.
Percebe-se, também, o fenômeno relativamente contemporâneo da inserção, nas franjas da ciência oficial, de temas que talvez não se adequem aos postulados canônicos e normativos da mesma, como é o caso da verdadeira febre das disciplinas voltadas para a espiritualidade em algumas faculdades de ciências da saúde. Não seria o caso de, mais uma vez, dar a César o que é de César, ou seja, deixar que tal tema seja tratado e aprofundado dentro do terreno mais propício da Filosofia, da Teologia ou das Ciências Sociais?
Está presente também no cenário a insistência a respeito da emergência de uma suposta “Nova Ciência”, uma categoria de criação precipitada, já que na verdade é (ou deveria ser) inspirada e fundamentada pelos postulados da mesma Ciência – nem velha nem nova – que abrigou Newton, Descartes, Einsten, Bohr e outros. O que se vê é um território alegremente ocupado por físicos e outros praticantes, que ao que parece procuram transferir, dos territórios epistemológicos próprios a seu campo de origem, conceitos e fórmulas estranhas a outros campos, o da saúde, por exemplo, justificando assim, muitas vezes, tal invasão de territórios e dando respaldo a teorias sem comprovação.
Neste último aspecto é que ocorre a migração não crítica de conceitos, uma verdadeira invasão de um campo a outro, tendo a palavra quântico, por exemplo, como tópico verdadeiramente emblemático, quando se fala, como tem sido costume entre tais praticantes, de cura quântica. psiquiatria quântica e expressão afins.
Soma-se a isso tudo os riscos potenciais trazidos pelo advento da Inteligência Artificial (IA), que tem se mostrado capaz de realizar simulações aparentemente perfeitas da realidade, gerando novas formas convincentes de algo que é, ao fim e ao cabo, falso. No Brasil, o médico Drauzio Varela, uma liderança respeitada, tanto em termos científicos como humanos, tem sido vítima contumaz de tais artifícios, aparecendo em propagandas falsas de medicamentos e procedimentos, o que não deixa de ser também um modo de negacionismo – dos mais perigosos, aliás – que é negar o que é real de fato, em troca de uma simulação tecnológica.
Que não se esqueça, também, que alguns fatores sempre exerceram sobre a humanidade uma atração insuperável, entre eles, a magia da novidade; a crença nos saltos no conhecimento já existente, a partir de seres luminares; além do maravilhamento diante do que é ou parece ser “alternativo”, para não falar das situações de legítimo desespero humano diante da perda de esperança na ciência, na medicina, na vida, enfim, o que leva as pessoas a aderirem a qualquer coisa – ou à negação disso – de forma a lhes trazer de volta a esperança perdida.
Aspecto complementar é a associação disso com as atuais tendências antissistêmicas, que á se expandiram pra valer na política e parem ter chegado definitivamente na ciência, inclusive no campo da saúde. É dentro de tal categoria que assumem papel e respeito inusitado nos tempos atuais a valorização, muitas vezes acrítica, de determinadas práticas de saúde vernáculas ou “indígenas”, de forma independente de sua confirmação através da ciência,
O que nos diz Zygmunt Bauman sobre negacionismo
Zygmunt Bauman, um filósofo polonês contemporâneo, desenvolveu um conceito sociológico original, o de modernidade líquida, para configurar uma época em que as relações sociais se tornaram frágeis, fugazes e maleáveis, à maneira dos líquidos. Tal mudança se opõe ao conceito de modernidade sólida, vigente secularmente até meados do século 20, quando as relações sociais eram mais firmes e duradouras. Para ele tal mudança não representa propriamente uma ruptura com o estatuto anterior, mas sim uma continuação, só que conduzida de maneira diferente. A tal liquidez pode parecer vantajosa em alguns aspectos, mas segundo Bauman ela pode ser também porta aberta para distopias um tanto sórdidas. Tenho a impressão de que estes conceitos ligados ao negacionismo, ou melhor, aos negacionismos, também se filiam a este estatuto frágil, fugaz e maleável, que permeia as relações humanas contemporâneas, bem como os modos de se estar no mundo.
Os negacionismos de hoje devem muito à internet a ao prestígio e difusão das chamadas redes sociais. Bauman vê nisso uma marcante ambivalência, pois tais redes também estão na origem e na difusão de movimentos políticos voltados ao interesse geral. Ele aprofunda tal contradição, lembrando que as pessoas costumam usar a internet não apenas para expandir sua própria visão de mundo, mas para fechá-la dentro de “zonas de conforto”, ou seja, espaços idílicos sobre os quais é preciso indagar a que conduzem de fato e de seu enraizamento na realidade. Os movimentos antissistema, por exemplo, como é o caso de muitos dos negacionismos, não teriam a internet como causa, mas apenas como veículo. Existiria em tal cenário uma autêntica crise de confiança na democracia, derivada da contradição de se viver num mundo globalizado, de enorme interdependência, embora com a presença de um instrumento superado pela história e em vias de ruir, a crença nas vantagens de um Estado nacional, em um tempo em que, segundo ele: uma decisão tomada numa capital realizava-se no território daquele país e não valia cinco centímetros adiante.
Ao pesquisar sobre tal assunto, encontrei uma referência das mais interessantes, brasileira, por sinal. Chama-se De A a Z: um guia para entender os negacionismos e em anexo vai uma síntese de a livro, além da referência completa. Vejam a seguir a precisão com que os autores estabelecem conceito de negacionismo:
Negacionismo é um fenômeno persistente, mundial, multifacetado e que mira em diferentes objetos. Com origens em manifestações pontuais, ele passou a ser gradativamente integrado em campanhas políticas com inclinações autoritárias e antidemocráticas. Além disso, tornou-se uma estratégia política deliberada, com o propósito de promover o descrédito da comunidade científica e histórica, ao mesmo tempo em que atua como um instrumento para mobilizar grupos de interesse em busca de objetivos políticos específicos. É a partir dessa manifestação que surge a importância de se analisar o conceito em camadas, destacando como os diferentes negacionismos ganharam forma no Brasil e penetraram em tantas áreas da sociedade.
*Flávio de Andrade Goulart é médico, professor de Medicina na UFU e na UNB, secretário de Saúde em Uberlândia e sobrinho do poeta Carlos Drummond de Andrade
por uberlandiahoje | fev 17, 2026 | Ponto de Vista |
Marília Alves Cunha – Educadora e escritora
Louvar a quem nos rouba, a quem nos tenta enganar com mentiras, a quem usa o poder para destruir seguidamente a imagem de uma nação é no mínimo uma prova de irracionalidade, imoralidade para consigo mesmo e absoluta ignorância do que acontece no país. Alguns rodeiam o poder para auferir lucros e vantagens. Estes são piores que os ignorantes e os ingênuos.
Não assisti a esta louvação terceiro mundista que aconteceu na Marquês de Sapucaí. Mais que um espetáculo ridículo, digno de quem o propôs, realizou e participou, tratou-se claramente de um crime eleitoral, não um espetáculo popular. Foi um espetáculo eminentemente e propositadamente político. Ficou claramente estabelecida a propaganda antecipada de um cidadão, auto declarado candidato a presidente da república, custeada por dinheiro público. Elogios fartos, mentiras escancaradas, crime disfarçado em máscaras e fantasias. A mais grosseira, absurda e enganosa propaganda eleitoral extemporânea que já se viu neste país.
Bem, aconteceu! Antes era apenas uma intenção agora, sem desculpas, transformada em realidade. O TSE, que costuma manejar as cordas do teatro de marionetes em quem têm se transformado as eleições neste país o que dirá? Deixou acontecer, não aceita censura prévia por aqui… como se o Brasil fosse guiado por uma moralidade absoluta quanto ao assunto. Será que vai se repetir aquela história da constitucionalidade do ato, apenas até o 3º. Dia de folia?
Este é um ano eleitoral. E não é uma eleição qualquer. É uma luta por uma radical mudança neste país, que encontra-se jogado às moscas, infestado de corrupção e um total desgoverno. O Brasil está se transformando num lixo moral, social e político, no qual os desonestos de plantão consideram-se reis, capazes de realizar malandragens e ousadias. E têm conseguido, seguros e protegidos por uma justiça que acata a impunidade de seus próprios membros e de criminosos, através de decisões inconsequentes e irresponsáveis.
O povo brasileiro não deve esperar salvação a não ser a realizada por si mesmo, vinda da atitude do próprio povo. O poder executivo está coalhado de oportunistas que nada fazem e que, a qualquer vestígio de perigo, podem abandonar o barco sem explicações, com o dinheiro nos bolsos e nas malas. O legislativo está em estado de corrosão, Câmara e Senado presididos por figuras que correm atrás de um único objetivo: arrumar suas próprias vidas e resguardar-se de acusações. Deputados e senadores, de maneira frequente, votam contra o povo, como foi o caso da reforma tributária que lançou os brasileiros à alçada de povo que mais paga imposto no mundo, sem auferir nada em troca. E que enforcam a avozinha em troca de emendas parlamentares. Aliás, neste país em que velhinhos são roubados ordinariamente, tudo é possível. No judiciário, pelo amor de Deus, a desmoralização já subiu a níveis alucinantes. A toga vai ser usada como armadura de proteção de quem as usa? O espírito de corpo ou corporativismo vai suplantar as regras morais, os juramentos feitos, com as mãos pousadas na Constituição, os princípios e doutrinas jurídicas? Os membros da Suprema Corte horrorizam-se: como podem simples mortais investigar membros da Suprema Corte sem pedir autorização à Suprema Corte? Parece piada, né?
Bem , estava matutando sobre uma coisa: se o projeto do Sistema, do Foro de São Paulo ou outro qualquer foi implantar no Brasil o regime socialista/comunista, certamente escolheram a pessoa errada para levar o projeto adiante. Lula, com seus erros, governos fracassados, atitudes “toscas” próprias de um apedeuta da longínqua Garanhuns, com sua extrema vulgaridade, jamais seria capaz de atingir a realização do projeto. Não que eu considere estes projetos uma maravilha. Esbarram em todos os princípios que norteiam uma verdadeira democracia. Graças a Deus, Lula destrói não só uma democracia, relativizando tudo que se refere a ela e colocando-a em risco.Com sua falta de seriedade, com sua absurda pretensão de ser sempre o mais certo e melhor, com sua vaidade tola e ignorância que salta aos olhos, tem potencial para anarquizar com qualquer regime que possa existir no mundo. E acaba também destruindo as pessoas que orbitam a seu redor, quase todas inapelavelmente incineradas politicamente, depois de um desastroso, incompetente e escandaloso governo.
Só na avenida mesmo, ao som do carnaval, cercado de bajuladores e crédulos fanatizados pelo lulismo que aos poucos dá seus últimos suspiros, a plateia delirante aplaude.
por uberlandiahoje | fev 17, 2026 | Ponto de Vista |
Tania Tavares – Professora – SP
-Se após o desfile da “Acadêmicos de Niterói” for constatado abusos de poder monetário e político e, portanto, prejudicar os demais candidatos à Presidência da República, o que fará a Justiça Eleitoral que segundo a presidente do TSE Cármen Lúcia :-” a Justiça não está dando salvo-conduto a quem quer que seja “.Pergunto:- se prejudicar as demais candidaturas o estrago já está feito. E se o homenageado fosse um concorrente forte e da direita o PT iria concordar? Com a palavra o TSE, lembrando que o Carnaval já começou!
por uberlandiahoje | fev 16, 2026 | Política Nova |
Ivan Santos – Jornalista
Há pouco tempo o jornalista Cláudio Júlio Tognolli publicou na Revisa “Caros Amigos” o texto realista que vamos apresentar, a seguir:
“O jornalismo investigativo está morto. Sobrevive, tão somente, em salas de aula. Apenas porque lá repórteres engravatados vão dar palestras. Diante do silêncio maravilhado dos alunos, mostram o que é deter o júbilo de ser um ungido pelos deuses pagãos do jornalismo. Mas esta farsa luminosa, lacunarmente encenada, logo se dissipa como água na água: o aluno logo aprende que o jornalismo investigativo é um defunto tresnoitado. O que sobrou para os jornalistas investigativos, agora, é copiar grampos degravados por peritos policiais sonolentos. Ou copiar boletins de ocorrência. Tanto faz: o que era para ser ponto de partida (os dados oficiais), virou ponto de chegada.
O curativo arrepio de delícia, que percorre a espinha do repórter, sempre que pega um furo, passou a ter um preço. E este tem deixado diretores de redação numa rarefação de causar rodopios. Levantamento feito pelo jornalista Márcio Chaer, do site Consultor Jurídico, mostra que há no Brasil quase 2,8 mil jornalistas processados. Um recorde mundial. Os dados são de dois anos passados. Tudo porque, mesmo defendendo publicamente a tão aclamada “transparência”, diretores de jornais sucumbiram, ano passado, à assoprada dada pela entidade patronal que congrega os donos de jornal. A saber: não revelem novamente os dados dos processos sofridos por jornalistas. Isso custa caro ao preço das ações das empresas.
Sabe-se que esse número de processos contra jornalistas dobrou. Ninguém é mais processado pela Lei de Imprensa. Desde a Constituição de 1988, advogados preferem processar jornalistas pelo artigo quinto, inciso décimo, da Carta Magna, que prevê a inviolabilidade de imagem. Ações cíveis contra empresas de jornalismo viraram um bom investimento. Estima-se que, no Brasil, pelo menos RS$ 70 milhões estejam sendo postulados na Justiça contra jornalistas.
O número total de ordens judiciais de interceptação telefônica no país em 2008 ultrapassou 400 mil, segundo levantamento feito pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) junto às operadoras, entre 1º de janeiro e 5 de dezembro do ano passado, da CPI e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Segundo o relatório da Anatel, foram determinados 398.024 grampos em celulares e 11.905 em telefones fixos, totalizando 409.929 pedidos de interceptações.
Numa sondagem feita com 8 repórteres investigativos, referiram-me que, de tudo o que publicaram ano passado, em seus jornais e revistas, mais de 90% “veio pronto”. Ou seja: essa produção industrial de grampos acabou escoando nas páginas da mídia. Agora entendemos porque o jornalismo investigativo dá sinais alusivos de agonia, e uma inervação indissolúvel toma conta dos advogados contratados para escangalhar o couro de repórteres.
A filosofia que preside um inquérito, naturalmente, é aquela chamada, em lógica, de princípio do terceiro excluído, ou, em latim, “tertio non datur”. Ou lidamos com culpados, ou com inocentes. Ou com o bem, ou com o mal. Jamais se pensaria em absurdidades logicamente possíveis, como, digamos “bondade que mata”. O ministério público, titular da ação penal, está aí para isso. A defesa dos acusados que se vire: a princípio todos são culpados. Esse mecanismo veio funcionando bem, com seus excessos, é claro, até que vieram os grampos. E até que vieram as “bolachas” (CD’s) com todas as gravações e grampos e o escambal a quatro. Esse escarmento, levado aos repórteres, criou uma enxurrada de “jornalistas investigativos”, cujo único papel tem sido reproduzir o que se recebeu da polícia ou das procuradorias.
Roda nas redações do Brasil, a boca pequena, um documento de onze páginas, sobre a chamada Operação Satiagraha, que levou Daniel Dantas à cadeia. Nele alguns jornalistas são citados como partícipes do movimento que teria levado à privatização da Satiagraha, daí o afastamento do delegado Protógenes Queiróz. O documento tem servido como “mea culpa” para todo o repórter que o lê. A concorrência para dar o furo tem feito o repórter surfar os limites do impossível. Tem nos aproximado do velho alpendre filosófico de Nietszche quando alertou que, toda vez que nos aproximamos por demais do monstro que queremos combater, corremos o risco de nos tornarmos iguais a ele. A indústria dos grampos, e a cobrança no esquema da concorrência pelo furo, deixou o repórter pairando no intermédio de ambos: hoje é juiz. Amanhã será carrasco. O populacho que consome shows aplaude a transmutação. Os advogados de redações coçam os rubis dos anéis.