SAUDOSISMOS

Marília Alves cunha – Educadora e escritora

Concordo, não podemos viver do passado. O passado é só lembrança, algumas inesquecíveis. O mundo evolui a cada instante e nossa evolução é necessária, muitas vezes imprescindível. A tecnologia não espera ninguém, avança, cria novas conexões, repagina-se a todo momento. Viver neste mundo de admiráveis mudanças e procurar adaptar-se a elas é necessário, tem seus atrativos imensos. O melhor é procurar percorrer modernidades, nem que seja por pura sobrevivência.

Nos dias de carnaval, atoa na vida, estive pensando sobre isto e matutando sobre o que fazer na solidão do ninho. Ver desfiles de escola de samba? Não tenho o mínimo interesse, acho tudo sempre igual, monótono e sem graça. Vi alguns recortes da escola de samba de Niterói, que elogiava o Lula, batia no Bolsonaro, zombava da família e da religião e era tudo de péssimo gosto. Não foi novidade, sempre fazem isto, coisas erradas, quando querem ressaltar para melhor o presidente. Talvez seja difícil mesmo. O personagem não ajuda. Escrever sobre política não estava nos meus planos. Escapulir do Master, dos velhinhos roubados ,dos covardes senadores, de ministros corruptos, de acordão, do joguete em que se transformou o povo brasileiro, da pizza em que tudo, parece, vai se transformar consegui a muito custo! Esquecer por breve tempo o fracasso nacional em vários aspectos era o intento.

O melhor a fazer seria ouvir música, embalar-me em suas delicadezas. Dizem alguns que, em matéria de música, sou saudosista. Sou mesmo, quase que por completo. De alguma maneira também, um pouco crítica da maneira como nos comunicamos hoje em dia. Muito WhatsApp, muita mensagem, muita distância. Faltam encontros, o dar-se as mãos, o sorriso bom que atrai e é carinho. Faltam abraços apertados, aconchegantes, gostosos, daqueles que fazem a gente entregar-se, nunca mais querer soltar-se. Faltam as conversas sem telinhas, olhos nos olhos, gargalhadas explodidas, cheias de luz. Os meios digitais não trazem estas sensações, mas vivemos aqui e agora e é forçoso acostumar-se. E curtir o que puder deste admirável mundo, sem deixar de lado heranças lindas do passado.

Como dizia antes de perder-me, ouvi muita música neste carnaval, tirando proveito do sensacional Spotify à minha disposição, a qualquer hora ou lugar. Gosto de ouvir música, prestando atenção nas letras, no romantismo ou graça que elas contêm, na poesia de seus versos. Grandes poetas as escreveram, com a alma em transe e o coração nas mãos… Vamos relembrar algumas, revisitar este legado lindo que o passado nos deixou?

“Olhos nos olhos, quero ver o que você faz/ ao sentir que sem você eu passo bem demais/e que venho até remoçando/me pego cantando sem mais nem porquê/e tantas águas rolaram/tantos homens me amaram bem mais e melhor/ que você.” OLHOS NOS OLHOS (Chico Buarque)

“A porta do barraco era sem trinco/ e a lua furando o nosso zinco/salpicava de estrelas nosso chão/ tu pisavas nos astros distraída/ sem saber que a beleza desta vida/ é a cabrocha, o luar, o violão.”
CHÃO DE ESTRELAS (Orestes Barbosa e Silvio Caldas)

“Eu falo porque esta dona/ já mora no meu barraco/ à beira de um regato e um bosque em flor/ de dia me lava a roupa/ de noite me beija a boca/ e assim nós vamos vivendo de amor.”
SE ACASO (Lupicínio) Rodrigues)

“Enfim, volto ao jardim/ com a certeza que devo chorar/ pois bem sei que não queres voltar para mim/ queixo-me as rosas/ mas que bobagem/ as rosas não falam/simplesmente as rosas exalam/ o perfume que roubam de ti.”
AS ROSAS NÃO FALAM (Mestre Cartola)

“Tanto riso, Ó, quanta alegria/ Mais de mil palhaços no salão/Arlequim está chorando por amor da Colombina/ no meio da multidão. MÁSCARA NEGRA (Zé Keti)
“É bom passar uma tarde em Itapoã/ ao sol que arde em Itapoã/ouvindo o mar de Itapoã/ falar de amor em Itapoã.
TARDE EM ITAPOÃ (Vinicius de Morais)

“Mas é preciso ter manha/ é preciso ter graça/ é preciso ter sonho sempre/ Quem tem na pele esta marca/ costuma ter a estranha mania de ter fé na vida.
MARIA, MARIA (Milton nascimento)

DONA PHYLLIS

Gustavo Hoffay – Agente Social

Sigo envelhecendo e comigo as lembranças dos primórdios da minha vida vão surgindo de maneira cada vez mais nítida e constante. Pais, irmãos, sobrinhos, netas, fazendas, banhos em açudes ou em cachoeiras e pequenos riachos, passeios a cavalo, gostosas travessuras, a reza do terço próximo do fogão à lenha e logo após a janta, o amanhecer com vacas e bezerros mugindo no curral, saboreando com a minha mãe e o meu irmão caçula o “sanduiche americano” no restaurante do Minas Tênis Clube em BH…..Fui, sim, um garoto alegre, feliz, ria alto e a mamãe dizia que a minha gargalhada não iria tornar mais dolorosa a dor de alguns dos nossos vizinhos; ela completava: -“Mas quando chorar soluce baixinho, bem baixinho e de modo a não apagar o sorriso de alguém próximo e que tem o direito de estar sorrindo enquanto se diverte”. Certa noite, após o jantar em nossa pequena fazenda, pouco antes de colocar um disco do Martinho da Vila e abrir uma garrafa de cerveja, ela disse-me :- “Se você escorregar na estrada da sua vida e cair com a bunda no chão, não fique chorando; levante-se pois você ainda tem um longo caminho a seguir, muito chão para pisar e, além do mais, ainda vai atrapalhar a passagem de quem vem atrás e tropeçar no seu corpo caído. Ter medo de que? Se é triste cair, ainda pior é você arrastar alguém na sua queda! Se alguma vez você ficar nervoso e gritar, lhe der vontade de sair chutando tudo o que encontrar pela frente, então se esforce o quanto puder para manter-se na linha. Sim, porque atrás vem muita gente e que igual a você também deseja encontrar o mundo belo e inteiro”! Minha mãe, dona Phyllis, era sábia. Devorava livros, meditava romances kardecistas enquanto pintando seus quadros ou cuidando dos jardins naquela gostosa fazenda no município de Gouveia, abundante de cristais e Sempre-Vivas, no portal sul do Vale do Jequitinhonha. Ao encontrar uma muda ou semente de alguma árvore frutífera, lembro que ela nunca a plantava entre cercas mas, sempre, bem ao lado da trilha que saia da porteira, seguia até à porta da nossa casa e depois saia em direção ao moinho mais abaixo para que, segundo ela, um dia muitos pudessem descansar à sua sombra e se alimentar dos seus frutos…..sem nada pagarem para deles deliciar-se. Aaaah, minha mãe…! E ela continuava dizendo:-“ Mas se você encontrar apenas um caminho onde exista benditas árvores frutíferas, não siga sozinho por ele; poste-se bem no início dele e com um braço estendido , assim, desse jeitinho, como a uma flecha apontando, diga aos viandantes: -“Esse é o caminho da felicidade! E, Gustavo, quando enfim você chegar depois de todos e iluminado por sorrisos recebidos, verá que os outros estarão à sua espera, para que você entre primeiro”. “-Onde, minha mãe”? “-Por caminhos onde passar feliz e certo que as intempéries previsíveis em nada impedirão você de continuar contornando obstáculos, visto que não estará sozinho e ciente de que a sua fé e as suas ações estimularam o desempenho dos seus deveres a favor da vida em plenitude, inclusive para muitos que seguem com você”. Minha mãe faleceu feliz, imagino, quando eu contava vinte e um anos de idade. Despediu-se desta vida junto com o meu pai, de imediato, em um acidente rodoviário no ano de 1.979. Pois é, mãe! Muito escorreguei, caí, levantei, não arrastei pessoa alguma em minhas quedas, sofri, delirei, chorei e aos trancos e barrancos , um dia , finalmente, reencontrei a linha da vida, a qual proporcionou-me a oportunidade de tornar a ver, abraçar, beijar e curtir um casal de filhos que eu não via a mais de dezesseis anos, uma outra filha de quem eu não tinha notícias a mais de trinta anos, conhecer três netas maravilhosas e também a graça de ter contribuído para ver nascer e educar uma filha, hoje com vinte e quatro anos de idade. Não me arrastei, levantei e segui sem medo, me mantive na linha e hoje gozo do orgulho que sinto de mim mesmo e de você, minha mãe Phyllis!

Trilhas de Futuro alcança marca histórica de 100 mil profissionais formados em Minas Gerais

Programa do Governo de Minas tem impacto direto na empregabilidade e geração de oportunidades para os mineiros

O Trilhas de Futuro, maior programa estadual em Educação Profissional do Brasil na atualidade, alcançou um marco histórico: 100 mil estudantes já concluíram cursos técnicos gratuitos por meio da iniciativa.

GOV. MG

Criado pelo Governo de Minas, por meio da Secretaria de Estado de Educação (SEE/MG), o programa amplia oportunidades, fortalece a empregabilidade e contribui diretamente para o desenvolvimento econômico e social do estado.

O programa também fortalece parcerias com instituições de ensino e com o setor produtivo, promovendo inovação, qualificação e geração de oportunidades.

“É um orgulho muito grande para nossa gestão alcançar esta marca. O Trilhas de Futuro é um programa referência em todo o Brasil, que tem o poder de transformar a realidade dos mineiros por meio da capacitação profissional e do emprego. Seguiremos trabalhando para que o Trilhas continue crescendo e forme muitos outros profissionais no nosso estado”, diz o governador Romeu Zema.

Atualmente em sua sexta edição, o Trilhas de Futuro já soma mais de R$ 2 bilhões em investimentos desde o seu lançamento, consolidando-se como uma das maiores políticas públicas de qualificação profissional do país. Desde 2021, o programa já ofereceu cerca de 374 mil vagas em cursos técnicos gratuitos em diversas áreas.

Nesta edição, estão sendo disponibilizadas 50 mil vagas, distribuídas em 143 municípios mineiros, com 98 opções de cursos técnicos, entre eles Farmácia, Enfermagem, Informática, Design Gráfico e Edificações, contemplando diferentes perfis e vocações regionais.

“O Trilhas é um dos maiores motivos de orgulho meu e do governador Romeu Zema. Mais do que capacitarmos os jovens para exercerem atividades que realmente são demandadas pelo mercado de trabalho, permitimos que cada um escolha o curso que quer fazer. O resultado não poderia ser diferente: sucesso em todas as regiões do Estado e mudança de vida para milhares de mineiros”, avalia o vice-governador Mateus Simões.

Atualmente, além dos 100 mil formados, o programa conta com mais de 115 mil estudantes em formação, ampliando ainda mais o impacto da iniciativa em todo o estado.
“O alcance de 100 mil profissionais formados pelo Trilhas de Futuro mostra a força de uma política pública que transforma vidas por meio da educação. Estamos falando de oportunidades reais para os jovens e trabalhadores mineiros, que passam a ter mais qualificação e perspectivas de futuro”, afirma a secretária de Estado de Educação em exercício, Stephanie Carvalho.

Apoio para permanência e conclusão

Com presença em todas as regiões de Minas Gerais, o programa tem transformado a realidade de milhares de estudantes, abrindo portas para o primeiro emprego, recolocação profissional e aumento de renda.

Para apoiar os estudos e garantir a permanência, o programa oferece uma ajuda de custo de R$ 20 por dia para alimentação e transporte, mediante comprovação de frequência nas aulas.

Daniel Rodrigues, 19 anos, participou da quinta edição do Trilhas de Futuro, fazendo o curso técnico em Administração enquanto ainda estava no 3º ano do ensino médio. Sempre dedicado nas aulas, ele chamou a atenção da instituição onde estudava, a Conhecer Escola Técnica, que realizou um processo seletivo e o contratou.

Hoje, Daniel atua como auxiliar técnico na mesma escola, mostrando na prática como o Trilhas de Futuro abre portas para oportunidades reais no mercado de trabalho.

“O Trilhas me proporcionou um acesso gratuito à uma formação técnica de qualidade, algo que talvez eu não conseguiria realizar naquele momento sem apoio do programa. Além disso, o auxílio para transporte e alimentação foi fundamental para que eu pudesse permanecer no curso com tranquilidade e dedicação”, afirma Daniel.

Ele ressalta ainda que, com professores extremamente qualificados, aprendeu não apenas conteúdos técnicos, mas também ampliou sua visão sobre o funcionamento de empresas e o mercado de trabalho.

“O curso me deu perspectiva de futuro. Antecipou minha entrada no mercado e aumentou minhas chances de empregabilidade, e também me proporcionou autonomia financeira. Mais que um certificado, eu adquiri experiência e postura profissional de confiança”, relata.

A SEE/MG segue investindo na expansão e no aperfeiçoamento do Trilhas de Futuro, reafirmando o compromisso do Governo de Minas com a formação profissional, a empregabilidade e o desenvolvimento dos mineiros.

O conteúdo está disponível na Agência Minas: https://www.agenciaminas.mg.gov.br/noticia/trilhas-de-futuro-alcanca-marca-historica-de-100-mil-profissionais-formados-em-minas-gerais

 

DEMOCRACIA, CULTURA CÍVICA E CORRUPÇÃO

João Batista Domingues Filho – Cientista Político – Professor UFU/INCIS

A corrupção no Estado democrático e na sociedade civil começa, quase sempre, pela desobediência à lei constitucional. Nesses contextos, o interesse individual escuso (autonomia sem limite da lei) tende a prevalecer sobre os direitos do cidadão. Um Estado democrático faz funcionar leis iguais para todos, desde que suficientemente enraizadas na sociedade, de modo a separar o que é direito público do que é direito privado entre os indivíduos. No Brasil, porém, a corrupção prevalece em todos os lugares da vida social, expressando-se como generalização da corrupção na governança pública e na conduta do indivíduo. Não há eficiência na imposição de “custos” (punição legal) à corrupção, pois ocorre a transmutação do interesse público em interesse privado sem lei. Nesse cenário, levar vantagem em tudo passa a ser a única lei que funciona bem.
Direita e esquerda não se diferenciam em capacidade de exercer a corrupção no interior do Estado. Em ambos os casos, a máquina pública converte-se no lugar privilegiado para buscar o “lucro” privado. Talvez isso seja apenas uma fase do desenvolvimento de nossa democracia, podendo configurar-se como características passageiras do processo de construção da democracia brasileira. Todavia, a participação política no processo de domínio da gestão pública é fisiológica e não ideológica. Por essa razão, não há pureza cívica do brasileiro: todos são capazes de corrupção no Estado e na sociedade. Esse diagnóstico se reflete na opinião pública reinante: “todo político é ladrão” e “o povo, fora da lei, dá um jeitinho em tudo”. Como consequência, instala-se o consolo popular de que a corrupção sempre existirá em qualquer governo e sociedade. A legislação existente para combatê-la — “impor custos” — torna-se, assim, impossível de ser cumprida no Estado e na sociedade brasileira, dada a situação quase “pandêmica” da corrupção.
O Estado democrático é o lugar de realização do interesse público e da cidadania cívica. Entretanto, a corrupção das instituições políticas evidencia que as regras constitucionais não são efetivas em assegurar a autonomia do Estado diante dos interesses privados. Numa democracia, cada indivíduo tem o direito de buscar seu interesse de quaisquer naturezas (autonomia). Contudo, os limites desse direito são constitucionais: não valem a violência, a trapaça nem a violação de normas que garantem a sociabilidade pacífica. Leis efetivas são aquelas que expressam uma cultura cívica, funcionando como orientação geral das condutas dos indivíduos. Assim, uma democracia só funciona adequadamente quando há o enraizamento de normas capazes de eliminar a corrupção das relações sociais. A questão central, portanto, é compreender o que favorece esse “enraizamento”, especialmente quando os padrões culturais e sociopsicológicos em operação generalizam a aceitação da corrupção como prática normal das interações sociais.
No Brasil, prevalece uma cultura que favorece a trapaça em benefício do interesse próprio. Essa configuração cultural tem origem e continuidade na herança escravista, no elitismo reinante e na desigualdade social persistente, naturalizada como “normal” entre os brasileiros. Grandes “maracutaias” dos políticos, formas brutais e violentas de criminalidade bem como a instabilidade das instituições políticas não abalam a leniência de nossa cultura com a busca do interesse próprio sem os limites da lei. As normas democráticas e cívicas, assim como eventuais reformas morais ou ideológicas e processos de conversão coletiva, não ocorrerão de forma suficiente para criar uma cultura cívica enquanto persistir a generalização da corrupção brasileira. Se há alguma possibilidade de criação de uma cultura cívica e democrática no Brasil, a porta de entrada para essa nova realidade passa, necessariamente, pela eliminação do padrão de desigualdade vivenciado pela maioria dos brasileiros.

Pesos e medidas

Tania Tavares – Professora – SP

Gostaria de entender as posições tomadas:- ” em relação a apurar reunião secreta sobre Master no STF, onde houve vazamentos e não querem punir o autor. Já Kleber Cabral, presidente da Unafisco é ouvido pela PF como investigado por ordem de Moraes após ter criticado o Supremo, que focou nos auditores por suspeitar que vazaram dados de ministro(s).Coerência para serem respeitados.

Pesquisas científicas avançam nos parques estaduais e fortalecem a conservação da biodiversidade em Minas Gerais

Unidades de Conservação funcionam como laboratórios naturais, ampliam o conhecimento científico e subsidiam decisões estratégicas para a proteção dos biomas mineiros

GOV. MG

As Unidades de Conservação estaduais vêm se consolidando como espaços estratégicos para a produção científica e o avanço do conhecimento sobre a biodiversidade em Minas Gerais. Nos últimos dois anos, quase 170 novas pesquisas foram autorizadas em parques e reservas, contribuindo diretamente para a gestão ambiental e a preservação dos ecossistemas.

Entre 2024 e 2025, o número de estudos apresentou crescimento significativo: foram 69 autorizações em 2024 e 97 em 2025. Atualmente, há cerca de 335 pesquisas em andamento, considerando novas autorizações e renovações anuais, já que cada permissão tem validade de um ano.

Os estudos abrangem áreas como botânica, ecologia, zoologia e geociências, incluindo espeleologia, geoarqueologia e geologia. Entre os grupos mais pesquisados estão plantas, insetos, anfíbios, aves e mamíferos de médio e grande porte, evidenciando a diversidade biológica investigada nas áreas protegidas.

Para a diretora de Unidades de Conservação do Instituto Estadual de Florestas (IEF), Letícia Horta Vilas Boas, os parques funcionam como laboratórios naturais. “Os dados gerados pelas pesquisas subsidiam políticas públicas e contribuem para uma gestão mais qualificada da conservação da biodiversidade”, disse.

O pesquisador Marcos Magalhães, do Instituto Federal do Sul de Minas Gerais (IFSuldeMinas), ressalta que as Unidades de Conservação são fundamentais para identificar espécies, avaliar riscos de extinção e orientar ações de proteção. “A pesquisa científica fortalece a organização e a tomada de decisões na gestão ambiental”, destaca.

Pesquisa aplicada à conservação

Além de ampliar o conhecimento científico, os estudos têm impacto direto na conservação da fauna e flora. Entre os resultados recentes estão a identificação de duas novas espécies de pequenos sapos do gênero Crossodactylodes: uma no Parque Estadual do Pico do Itambé e outra no Parque Estadual da Serra Negra. Esses anfíbios, menores que uma unha, vivem exclusivamente em bromélias, o que os torna raros e vulneráveis.

Mais recentemente, uma nova espécie de libélula foi descoberta no Parque Estadual do Pico do Itambé. O inseto é associado a ambientes de água limpa e bem preservados, como riachos e cachoeiras, reforçando a importância da conservação desses ecossistemas.

Pesquisas de longo prazo também geram resultados relevantes. No Parque Estadual da Serra do Brigadeiro, o monitoramento do muriqui-do-norte subsidia estratégias de conservação da espécie. Já no Parque Estadual do Rio Doce, estudos sobre onças-pintadas e onças-pardas ajudam a compreender padrões de deslocamento e ameaças enfrentadas por esses felinos.

A pesquisadora Mellis Layra Soares Rippel, do Programa de Pós-Graduação em Entomologia da Universidade Federal de Viçosa (UFV), destaca que as Unidades de Conservação oferecem condições únicas para estudos em ambientes preservados, permitindo compreender processos ecológicos e a dinâmica das espécies.

Governo de Minas lança edital pioneiro para modernização da gestão da qualidade do ar no estado

Minas Gerais aposta em tecnologia para ampliar monitoramento, transparência de dados e controle das emissões atmosféricas

O Governo de Minas Gerais, por meio da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), com apoio logístico da Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam), publicou edital de licitação para contratação de uma solução tecnológica avançada voltada à gestão integrada da qualidade do ar e das emissões atmosféricas no estado.

GOV MG

A iniciativa posiciona Minas Gerais como referência no Brasil ao estruturar a contratação de uma plataforma moderna e especializada para subsidiar ações estratégicas na área ambiental. A proposta busca fortalecer atividades técnicas relacionadas ao monitoramento atmosférico, ampliando a capacidade de análise e tomada de decisão baseada em dados.

O objeto do certame prevê a contratação da subscrição de licença de software de gestão de dados de monitoramento ambiental com aplicação web. A solução contempla módulos considerados essenciais para o fortalecimento da política pública de qualidade do ar no estado, permitindo integrar informações de monitoramento atmosférico, inventários de fontes e emissões, variáveis meteorológicas, além de ferramentas de modelagem e simulação de dispersão atmosférica.

“Com a implantação da tecnologia, o Estado deverá ampliar a capacidade técnica para o acompanhamento contínuo da qualidade do ar, aumentar a transparência das informações ambientais e aprimorar a avaliação dos impactos causados pela poluição atmosférica. A expectativa é que os dados gerados fortaleçam políticas públicas baseadas em evidências e contribuam para o avanço da agenda ambiental, reconhecendo a interconexão e as sinergias entre as agendas de qualidade do ar e clima”, afirma a superintendente de Qualidade Ambiental e Mudanças Climáticas da Semad, Renata Araújo.

O edital, na modalidade Pregão Eletrônico nº 01/2026, será realizado pelo critério de menor preço, com valor estimado de R$ 6.970.854,60. A sessão pública está prevista para o dia 23/3/2026, às 10h, no Portal de Compras do Estado de Minas Gerais, onde também estão disponíveis o edital completo e seus anexos.

A contratação está fundamentada na Lei Federal nº 14.133/2021, conhecida como Nova Lei de Licitações e Contratos Administrativos, e no Decreto Estadual nº 48.723/2023, reforçando o compromisso estadual com a transparência, eficiência administrativa e inovação na gestão ambiental.

A medida representa um avanço na consolidação de instrumentos técnicos e digitais capazes de ampliar a precisão do monitoramento da qualidade do ar, aprimorar a regulação e o controle de emissões atmosféricas e fortalecer ações voltadas à proteção ambiental e à saúde da população.

A publicação do edital também reforça o protagonismo do estado na agenda ambiental brasileira e o compromisso institucional com soluções estruturantes e inovadoras voltadas à proteção da qualidade do ar e ao bem-estar da população mineira.

O edital completo e seus anexos estão disponíveis para consulta no Portal de Compras MG.

Governo de Minas lança Plano Estadual de Enfrentamento a Desastres Tecnológicos

Documento estabelece diretrizes para prevenção, mitigação e resposta a eventos tecnológicos até 2031

GOV. MG

O Governo de Minas, por meio da Coordenadoria Estadual de Defesa Civil de Minas Gerais (Cedec), lançou, nesta sexta-feira (20/2), o Plano Estadual de Enfrentamento a Desastres Tecnológicos 2025-2031.
A iniciativa consolida uma política pública estruturada para reduzir riscos, ampliar a proteção da população e garantir maior eficiência nas ações de prevenção, mitigação, preparação, resposta e recuperação diante de eventos tecnológicos em Minas Gerais.
O plano foi apresentado durante solenidade realizada na Cidade Administrativa, em Belo Horizonte, com a presença de representantes de secretarias de Estado, instituições estratégicas e gestores municipais.
A proposta busca consolidar uma governança colaborativa e transversal entre as pastas estaduais, promovendo articulação interinstitucional e suporte técnico aos municípios mineiros.
Entre as inovações estão a criação de um programa estadual com previsão orçamentária específica, a instituição de um Comitê Gestor de Enfrentamento a Desastres Tecnológicos e a incorporação de uma abordagem voltada à harmonização e mediação envolvendo empresas, empreendimentos e populações potencialmente expostas.
O documento também passa a contemplar a dimensão psicossocial, considerando as necessidades de pessoas atingidas e vulneráveis.
De acordo com o coordenador estadual de Defesa Civil, coronel Paulo Roberto Bermudes Rezende, o plano estabelece um novo patamar de integração e planejamento. “É impossível vencer os desafios atuais trabalhando de forma isolada. Defesa Civil é um sistema, não é um órgão. Coordenar é ligar as pontas e caminhar junto. Nós precisamos atuar unidos, cada um exercendo o seu protagonismo”, destacou.
Ao abordar a dimensão humana dos desastres tecnológicos, o coronel reforçou o compromisso com a preservação de vidas e exaltou a participação ativa da Associação dos Familiares de Vítimas e Atingidos pelo rompimento da Barragem Mina Córrego do Feijão (Avabrum) na construção do plano. “Nós temos uma missão em comum, que é a da não repetição. O nosso trabalho é incansável para que não haja mais óbitos, nem na mineração, nem no período chuvoso, nem em qualquer outro desastre”, pontuou.
Para o coordenador municipal de Defesa Civil de Malacacheta, Bruno Rodrigues Caldeira, o plano representa um avanço estruturante para os municípios. “Enquanto Defesa Civil Municipal, ficamos muito satisfeitos com o lançamento de mais um plano estruturante por parte do Estado. O Plano Estadual de Enfrentamento aos Desastres Tecnológicos trata de uma temática cada vez mais presente no nosso dia a dia e coloca Minas Gerais como pioneira no país”, afirmou.
O plano consolida-se como um marco institucional para Minas Gerais e para o Brasil, refletindo o protagonismo do estado diante de sua extensão territorial, dos desafios estruturais e dos impactos humanos, ambientais e materiais registrados na última década, além dos recorrentes acidentes na malha de transportes que atravessa o território mineiro.

Com foco em sinalização, DER inicia programa para diminuir acidentes graves e fatais nas estradas

Medida integra estratégia de preservação de vidas e abrange todas as regiões de Minas Gerais

GOV. MG

O Departamento de Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DER-MG) publicou, no dia 31/1, edital de licitação para a contratação de empresas responsáveis pela execução contínua de serviços de sinalização viária nas rodovias sob sua jurisdição. A concorrência será realizada na modalidade eletrônica, com critério de julgamento pelo menor preço.
Com investimento estimado em R$ 138,4 milhões (valor de referência do edital), a iniciativa integra o Programa de Segurança Viária do DER-MG, que tem como objetivo reduzir acidentes e melhorar as condições de tráfego nas rodovias estaduais, por meio de ações permanentes de engenharia, sinalização e orientação aos usuários. O prazo contratual é de 24 meses, contados a partir da ordem e início dos trabalhos.
“A sinalização viária é um dos pilares da segurança no trânsito. Com esse investimento, o DER-MG reforça seu compromisso com a preservação de vidas e com a melhoria contínua da mobilidade em Minas Gerais. Estamos estruturando contratos que garantem manutenção permanente da sinalização, com padrão técnico elevado e cobertura em todas as regiões do estado, para que o usuário tenha mais orientação, conforto e segurança ao trafegar pelas rodovias mineiras”, afirma o diretor-geral do DER-MG, Matheus Novais.
O processo prevê a contratação de serviços de sinalização vertical e horizontal, além da instalação de dispositivos auxiliares de segurança, em regime de empreitada por preço unitário, com fornecimento de materiais, equipamentos e mão de obra especializada.
A licitação está dividida em quatro lotes e abrange cerca de 18 mil quilômetros de rodovias. Os serviços vão atuar na eliminação de pontos críticos da malha viária, com foco na melhoria da sinalização e na implantação de dispositivos de segurança em diversos trechos das estradas mineiras.
Novos materiais, mais proteção e menos roubo de placas
Dentro dessa ação, o DER-MG passa a adotar serviços e materiais já utilizados no mercado, mas ainda pouco empregados nas rodovias estaduais de Minas. Entre as inovações estão o uso do plástico a frio à base de resinas reativas para a sinalização horizontal, placas confeccionadas com chapa de alumínio composto que oferecem maior durabilidade contra chuva, sol e poluição, manutenção simplificada, menor peso que o aço e não possuem valor comercial para revenda, o que desestimula furtos.
Também serão utilizados suportes poliméricos ecológicos projetados para ceder ou fraturar de forma controlada em caso de impacto, além de defensas metálicas certificadas e terminais absorvedores de energia, dispositivos destinados a reduzir a força do impacto frontal e aumentar a proteção dos usuários das rodovias.
As propostas comerciais e a documentação devem ser enviadas exclusivamente pelo portal www.compras.mg.gov.br. A abertura da sessão pública está agendada para o dia 23/2/2026. O edital completo está disponível para download gratuito nos sites do Compras MG e do DER-MG neste endereço. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (31) 3501-5170 ou no portal do Departamento.

Especialistas do Hospital João XXIII alertam sobre riscos de mergulhos em águas rasas

Jovens do sexo masculino predominam entre as vítimas de traumas raquimedulares em acidentes que podem deixar sequelas permanentes

Acidentes em águas rasas continuam sendo uma das principais causas de traumatismo na coluna durante o lazer em rios, lagoas, cachoeiras e piscinas. O Hospital João XXIII (HJXXIII), da Rede Fhemig, recebe, todos os anos, pacientes vítimas de ocorrências deste tipo, com lesões potencialmente irreversíveis.

GOV. MG

Segundo o gerente médico do Complexo Hospitalar de Urgência, do qual o HJXXIII faz parte, Rodrigo Muzzi, as equipes da unidade lidam com casos que vão desde traumatismos cranianos até fraturas na coluna cervical, que podem comprometer a medula e provocar perda de movimentos, da respiração e outras sequelas permanentes, como paraplegia e tetraplegia.

“O risco é real e, muitas vezes, subestimado. Em Minas Gerais, a turbidez das águas naturais, causada pelo minério de ferro na terra, pode impedir a visualização do fundo e aumentar o perigo de choque contra pedras ou estruturas submersas”, orienta o profissional.

A principal recomendação é nunca mergulhar de cabeça em locais cuja profundidade não seja conhecida e evitar saltos em águas naturais, especialmente quando há ingestão de álcool, que reduz a percepção de risco e a coordenação motora.

Levantamento mostra que 80% dos pacientes do HJXXIII com lesões raquimedulares são homens jovens, metade dos quais tem, no máximo, 29 anos, o que ainda representa uma maior tendência masculina a comportamentos de risco e se reflete nos atendimentos de trauma.

Virada após o trauma

O que seria apenas mais um domingo de descanso em família, às margens de um rio próximo de casa em Almenara, no Norte de Minas Gerais, transformou-se em uma cena de tensão. O empresário Dielson Soares, de 33 anos, mergulhou de cabeça no local e, com a demora para voltar à superfície, a família entendeu que algo grave havia ocorrido.

“Conseguimos retirá-lo da água e levamos para uma cidade vizinha, onde ele foi imobilizado e recebeu o primeiro atendimento médico. Foi lá que ele acordou e disse que não estava sentindo mais os membros”, relembra Miranilde Porto, esposa de Dielson. Ele havia batido a cabeça em um banco de areia no fundo do rio. Horas depois, após a realização de um exame de raio-X, o diagnóstico foi realizado: uma lesão na coluna cervical.

No HJXXIII, para onde foi encaminhado, foi realizada com urgência uma cirurgia de correção da coluna. Segundo um dos médicos que participaram do atendimento, o ortopedista Thiago Abdalla, Dielson teve uma fratura cervical ao nível de C4-C5, que é considerada uma lesão grave.

“Três meses depois, ele compareceu ao ambulatório caminhando sem auxílio de muletas ou bengala, com uma considerável melhora de força nos braços e nas pernas”, conta o médico.

Thiago explica que a recuperação rápida depende de vários fatores, como idade, número de vértebras acometidas, desvio inicial da lesão e o tempo transcorrido até a operação. “Esperamos melhora neurológica, principalmente, nos dois primeiros anos e, após esse período, as chances de recuperação diminuem. A de Dielson foi mais veloz que a da média”, analisa Thiago.

O que fazer?
Em caso de acidente, o resgate da vítima deve ser feito com extremo cuidado. “O ideal é manter a cabeça e o pescoço alinhados, após a retirada da pessoa da água, ela pode se afogar em uma situação como essa, e acionar imediatamente o socorro especializado. A rapidez no atendimento e a forma correta de retirada da vítima podem ser decisivas para evitar sequelas mais graves”, finaliza Muzzi.