por uberlandiahoje | jul 22, 2026 | Ponto de Vista |

João Batista Domingues Filho – Cientista Político – Professor UFU/INCIS
Governo de esquerda é bom quando tem a crença na economia de mercado, submetida a regras democráticas, e na democracia. As rotas singradas apontam a bússola da administração pública para o papel do Estado na economia, o Estado de Direito, a propriedade, a transparência, a liberdade e a justiça social. A democracia como valor universal.
O objetivo último da boa esquerda é a construção do Estado de bem-estar: vida boa para a maioria da sociedade civil. Bom governo identificado com o bem comum. Sem esses ideais colocados em prática, não se governa bem. No bom governo, o governante exerce o poder em conformidade com as leis, atuando para reduzir desigualdades e ampliar oportunidades.
O bom governo de esquerda deve perseguir o bem comum; o mau governo busca o bem próprio. O conflito aqui é estabelecido entre o interesse comum e o interesse particular, entre vantagem pública e vantagem privada: qual fim deve ser perseguido?
O cientista político Peter Gourevitch, professor da Universidade da Califórnia, em estudo citado pelo jornal Valor Econômico em fevereiro de 2011, ao analisar a política econômica de diversos países, chegou a uma conclusão contrária à visão tradicional: governos de esquerda também podem atrair capital e investimentos.
Um bom governo de esquerda entra em harmonia com os interesses do “capital”, quando este se apresenta como investimento produtivo e benéfico à sociedade civil. Governos de esquerda podem ser bons para os investidores quando oferecem estabilidade institucional, segurança jurídica, políticas sociais consistentes e condições favoráveis ao desenvolvimento econômico.
O argumento apresentado por Gourevitch questiona a concepção tradicional de que capital e trabalho estão sempre, necessariamente, em conflito. Isso não ocorre quando a esquerda realiza um bom governo para a sociedade civil, conciliando desenvolvimento econômico, proteção ao trabalho e redução das desigualdades.
De fato, determinados setores do “capital doméstico” podem rejeitar o “capital estrangeiro”, evitar a concorrência e buscar o protecionismo estatal. O nacionalismo é usado, em algumas circunstâncias, para proteger os interesses do capital nacional.
A esquerda e a direita, quando não realizam o bem comum, refugiam-se, por meio do Estado, na proteção de interesses particulares e na concessão de privilégios, impedindo a criação de mais empregos, maior produtividade e mais prosperidade.
No contexto em que este artigo foi originalmente escrito, os dois primeiros governos Lula eram apresentados como exemplo de uma esquerda que procurava atender aos trabalhadores e aos mais pobres, sem deixar de atrair investimentos estrangeiros.
Esse tipo de eficiência da gestão estatal pode reduzir a influência excessiva e a concentração de poder dos grupos econômicos nacionais, desde que o Estado preserve a concorrência, fiscalize os mercados e submeta os investimentos ao interesse público.
A distinção entre esquerda e direita, feita de maneira tradicional, não explica quando a esquerda realiza um bom governo. A aliança entre o capital doméstico e o trabalho se expressa no nacionalismo em qualquer governo de esquerda que não tenha sucesso em relação às demandas da sociedade civil.
Peter Gourevitch afirma que “há um tipo de esquerda que os investidores não gostam, assim como há um tipo de direita que eles também não querem”. Investidores e cidadãos tendem a rejeitar governos autoritários, instáveis, corruptos ou personalistas, independentemente de sua identificação com a esquerda ou com a direita.
É bom para a sociedade civil e para os investimentos produtivos que o governo seja democrático, moderado, transparente e comprometido com o bem comum. A qualidade do governo não deve ser medida apenas por sua identificação ideológica, mas por sua capacidade de transformar princípios em resultados sociais.
Para atender melhor às necessidades da sociedade civil, atraindo investimentos nacionais e estrangeiros, os bons governos de esquerda tentam estabilizar a economia, criar políticas para o mercado, investir na educação e na saúde, facilitar a vida econômica e ampliar os investimentos sociais em infraestrutura, comunicação e estradas.
Também devem assegurar trabalho digno, proteção social, responsabilidade na administração dos recursos públicos e condições para que o crescimento econômico alcance a maioria da população.
O bem-estar dos cidadãos é o objetivo do bom governo de esquerda, independentemente da origem do capital mobilizado para promover o desenvolvimento do país.
por uberlandiahoje | jul 21, 2026 | Ponto de Vista |
Marília Alves Cunha – Educadora e escritora
Mais que um país do futuro (já não acredito tanto nisto), hoje é um país de contrastes, dominado por antagonismos, corrupção, perseguição, autoritarismo, injustiças. Neste ano, daqui a poucos dias, teremos importantíssimas eleições, pois podem mudar completamente o ritmo deste andar: ou continua como está, dando passos atrás em todos os aspectos, com um governo fraco, incompetente, sem realizações, minado de corrupção ou persegue um novo modelo, onde reine absoluta a vontade de andar em frente, perseguir não oponentes, mas a vontade de prosperar, de desenvolver-se. Um Brasil que caminhe firme em busca da prosperidade, não de alguns, mas de toda a nação.
O governo atual continua fazendo sua propaganda enganosa, andando pelo Brasil, tentando mostrar o que não existe, tentando seduzir por palavrório populista um povo que não se ilude mais. Dia desses tivemos um impressionante exemplo de como este governo age para mentir aos eleitores que está realizando, que obras não estão paradas. A princípio não acreditei no que estava vendo: Lula apressou-se em inaugurar uma ponte que não existe, um trecho de estrutura hidráulica que desmanchou-se aos olhos de todos ao primeiro pingo de água e um triste túnel feito de um container velho e enferrujado. Santo Deus, julgam mal o povo brasileiro, subestimam o povo brasileiro, abusam de sua boa vontade. Lula exige respeito, mas não se dá ao respeito, como fica patente nesta exibição esdrúxula de obras…
O Brasil já tem leis demais, muitas completamente esquecidas ou desrespeitadas. A própria Constituição Federal tem sido jogada de lado quando interesses escusos se adiantam e mais vale desrespeitar as regras constitucionais. Afinal de contas, “os fins justificam os meios”, este o lema dos governos petistas para mantença do poder. A liberdade de expressão, por exemplo, pedra angular do Estado Democrático de Direito, indispensável para o exercício da cidadania e à manutenção de uma sociedade livre e plural, tem sofrido livres interpretações, dependendo da ocasião e das pessoas que a ela se sujeitam. A Constituição Federal não é uma concessão, uma coisa que se dá e tira quando necessário a certos interesses. É um pilar solidamente construído pelos constituintes originários na Constituinte de 1988. A intromissão do judiciário impondo sobre o assunto, suscita graves questionamentos sobre o ativismo judicial e a usurpação de competências do poder legislativo. Um super dimensionamento do poder judiciário, contrastando com um encolhimento absurdo do poder legislativo e, em consequência, a castração da voz do povo que, de acordo com nossa Lei maior, deveria ser soberana.
Uma prova inigualável dos contrastes existentes neste país, prova imbatível da diferença de tratamento com que trata a nossa justiça pessoas que estão submetidas a sua égide, vemos claramente no momento presente: em 2018 Lula foi preso, acusado de crimes gravíssimos, sentenciado a mais de 12 anos de prisão. Ficou preso em departamento da PF em Curitiba. Neste tempo (pouco) em que esteve preso Lula comportou-se e foi tratado como se estivesse hospedado em um hotel: recebeu inúmeras visitas, inclusive de autoridades estrangeiras como José Mujica e outros, namorou à vontade com dona Janja, deu entrevistas a rodo, fazendo política com Haddad e outros petistas de alto escalão. Teve a sua porta um pequeno grupo de petistas fazendo barulho, gritando obstinados “Lula livre” e fazendo discursos desarrazoados. Com Bolsonaro tudo se diferencia, por decisão de Alexandre de Moraes e silêncio do plenário do STF. É tratado como se fosse o maior criminoso do mundo por faltas que não cometeu. Sua prisão domiciliar virou uma masmorra, onde nem família pode entrar, onde a casa é vigiada diuturnamente por policiais, onde tem que imperar o silêncio e duros castigos para quem é respeitado e amado pelo seu povo. Aliás, a história de Bolsonaro e a perseguição contra sua pessoa só tem um objetivo: impedir sua participação na política brasileira, pelo perigo que representa à esquerda. Pelo perigo que representam suas ideias e ações patrióticas, seus propósitos democráticos e sua acolhida pelo povo brasileiro que, há muito tempo, cansou-se de ouvir o discurso vazio e lenga-lenga da esquerda, baseados apenas em pautas ideológicas. E abraçou com fé seu líder maior, Bolsonaro.
Isto é um país do futuro? Quem acredita mais nesse engodo? São assim os países socialistas: enquanto o povo sofre, cala e consente, através de suas atitudes reprimidas e obscurecidas pelo medo, os donos do poder se regalam, conscientes da impunidade que é marca registrada deste país.
por uberlandiahoje | jul 21, 2026 | Ponto de Vista |
Tania Tavares – Professora – SP
Tem governante* no mundo que fala grosso: ” olha a cobra”, e se dá errado diz “é mentira”, e nem é festa junina. Que perigo corremos!
*Pr. dos EUA.
por uberlandiahoje | jul 20, 2026 | Ponto de Vista |
Diógenes Pereira da Silva – Tenente Quadro de Oficiais da Reserva Remunerada da PMMG
A decisão dos Estados Unidos de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas gerou reações diversas no Brasil. À primeira vista, muitos enxergam a medida como mais uma ferramenta de combate ao crime organizado. E, de fato, ninguém em sã consciência defende facções criminosas que há anos espalham violência, corrupção e medo pelo país.
Mas a questão vai muito além disso.
O que está em debate não é a defesa do PCC ou do Comando Vermelho. O que está em debate é até onde um país estrangeiro pode influenciar decisões que dizem respeito exclusivamente ao Brasil. Quando os Estados Unidos classificam organizações brasileiras como terroristas, eles não apenas ampliam mecanismos de investigação e sanções financeiras. Também criam um precedente que merece atenção e reflexão.
Especialistas alertam que bancos, empresas e instituições financeiras poderão ser submetidos a controles ainda mais rigorosos, sob pena de sofrer restrições ou sanções internacionais. Isso pode gerar impactos econômicos importantes e aumentar a dependência de decisões tomadas fora das fronteiras brasileiras.
Confesso que vejo com preocupação o apoio irrestrito de alguns candidatos à Presidência da República, aos governos estaduais, ao Senado e à Câmara dos Deputados a essa iniciativa americana. Combater o crime é obrigação do Estado. Contudo, entregar a terceiros o poder de definir quem são nossos inimigos e quais instrumentos devem ser utilizados para combatê-los pode abrir um precedente extremamente perigoso.
Hoje a medida atinge facções criminosas. Amanhã, quem garante que o mesmo entendimento não será utilizado para pressionar instituições, setores econômicos ou até autoridades brasileiras?
O Brasil precisa enfrentar o crime organizado com firmeza, inteligência e dentro da lei. Mas essa luta deve ser conduzida pelas instituições brasileiras, respeitando nossa Constituição, nossa legislação e, acima de tudo, nossa soberania.
Defender a soberania nacional não é proteger criminosos. É defender o direito de o Brasil decidir seu próprio destino, sem interferências externas e sem abrir mão da independência que caracteriza uma nação verdadeiramente livre.
por uberlandiahoje | jul 20, 2026 | Política Nova |
Ivan Santos – Jornalista
Nem só de besteirol, mensalão e corrupção vivem os representantes do povo em Brasília. O jornal espanhol El País – um dos mais conceituados do mudo informou, no ano passado que um senador da República do Brasil iniciou uma séria discussão para classificar a pornografia como cultura. Se a intenção do sisudo senador vingar, os operadores de sistemas pornográficos se habilitarão a requerer verbas dos Programas Nacionais de Cultura operados pelo Ministério da Cultura. Comentou El País que “não se trata de uma discussão bizantina, mas prática, atual e se refere a uma decisão de alto nível para oferecer cultura aos trabalhadores que ganham menos de R$ 2000. Estes terão direito a uma “Bolsa Cultura” para pagar cinema, teatro, concerto ou comprar livros e revistas”. O jornal acrescentou que “quem quiser poderá gastar a Bolsa Cultura com revistas pornográficas”. Comentou ainda El País que “a discussão levanta polêmicas entre os austeros senadores do Brasil que deixaram entender que há grande interesse de editores de revistas pornográficas no Programa da Bolsa Cultura, naturalmente se o Senado aprovar “publicações pornográficas como cultura”. Informou também o diário espanhol que a Associação Nacional de Editores de Revistas (ANER) informou que somente 3% de mais de 4000 revistas publicadas no Brasil não são culturais”. “O Vale Cultura” deverá ser pago 90% por empresas e 10% por trabalhadores”.
As empresas que publicam revistas pornográficas estão interessadas no assunto e esperam que as publicações eróticas sejam instrumentos de cultura no Brasil.
Comentam alguns parlamentares federais que depois da Bolsa Família que ajuda 12 milhões de pobres no Brasil e a Bolsa Cultura – estas duas iniciativas – são importantes para os trabalhadores brasileiros cujo salário base é muito baixo. A novidade é vista por políticos da Situação como uma ação eficaz e positiva para a inclusão social.
Celular (telemóvel) também é cultura. Por isto o Governo prevê a distribuição de uma linha, aparelho e crédito para facilitar as comunicações entre beneficiários dos Programas sociais. O Plano ainda está em estudo, mas poderá ser viável a partir de 2028. O Programa visa beneficiar 12 milhões de lares pobres no Brasil.
por uberlandiahoje | jul 18, 2026 | Ponto de Vista |
Gustavo Hoffay – Agente Social 
Há anos ouvimos comentários a respeito da educação sobre prevenção ao uso de drogas ilícitas em escolas públicas e particulares, a partir de pessoas que não concordam e por julgarem uma provocação, algo inconveniente, desnecessário. Esta consideração pode ter sido oportuna em seu contexto histórico pois, em não poucos ambientes, evitava-se mesmo falar publicamente de drogas, enfim, um tabu. Nos tempos atuais e visto que o universo de ocorrências que envolve a grave questão drogatícia chama a atenção da grande maioria dos cidadãos -desde a puberdade, afirmo a necessidade de uma sadia e bem orientada educação sobre o tema ser aplicada naqueles estabelecimentos e desde que, naturalmente, o educando evidencie interesse; algo do tipo extracurricular. Com efeito, penso, é preciso que a criança ao despertar para a triste realidade das drogas, aprenda o quanto antes (e na medida da sua capacidade de assimilação) a comportar-se diante das mesmas, de forma a tomar consciência das responsabilidades que lhe tocam diante de uma notável, explicita e crescente oferta daquelas substâncias. Há pessoas que acreditam não haver necessidade da transmissão de conhecimentos a esse respeito e por imaginarem que o instinto dos jovens estaria propenso ao reto uso da sua razão; por outro lado há a teoria do quietismo e que admite, sim, a desordem das concupiscências instintivas dos jovens, mas julgam que a consciência dos mesmos encontre o caminho da virtude, mesmo sem qualquer intervenção dos pais e mestres. Tal quietismo justificaria, do seu modo, o absoluto silencio de educadores no tocante às drogas. Ora, a minha genuína posição situa-se entre os dois extremos. Sim, assevero que a natureza da juventude é sedenta de impulsos instintivos e cegos; por conseguinte necessita de educação e sem dispensar, porém, a mediação de educadores e familiares responsáveis. Por outro lado não se pode dizer que a natureza humana seja, por si mesma, propensa tão somente ao bem! Todos nós viemos ao mundo trazendo um potencial de qualidades positivas não plenamente desabrochadas e, portanto, mescladas de deficiências ou más tendências. Esse potencial ainda não maduro tem que amadurecer, ser burilado, testado e para tanto necessita da ação de pessoas tecnicamente aptas ao pleno desabrochamento das boas qualidades da criança e do adolescente., quanto o assunto é “drogas”, ao mesmo tempo que a ajudem a se desvencilhar de possíveis inclinações ao uso daquelas substâncias, tanto a nível genético quanto ao meio facilitador em que vivem. Francamente….., o papel do educador ou de algum profissional da saúde mental incluiria profundo respeito ao educando e à matéria ministrada. E o amor a si mesmo e à sua família, com todas as suas expressões, deve então aparecer ao adolescente como algo belo, respeitável ou mesmo sagrado. A educação sobre drogas, penso, tem de ser dividida entre pais e escola, na prática a partir de exemplos e na teoria a partir da ciência. Os pais, mais que nunca, devem adquirir ao menos um conhecimento razoável sobre as drogas e vencer a timidez que muitas vezes os impedem de exercer a sua sagrada missão. O silencio dos pais nesse particular, pode tornar-se grave omissão e dado que o assunto “drogas” está sempre presente na vida das crianças e dos adolescentes.
por uberlandiahoje | jul 18, 2026 | Ponto de Vista |
Ana Maria Coelho Carvalho – Educadora e escritora
Como escreveu Cora Coralina, nós somos feitos de retalhos, de pedaços coloridos de cada vida que passa pela nossa e que vamos costurando na alma. Nem sempre são felizes, nem sempre são bonitos, mas sempre acrescentam algo e fazem de nós o que somos. Em cada retalho, uma lição, um carinho, uma saudade, uma lembrança que nos torna mais pessoas, mais humanos, mais completos. E de retalho em retalho, tornamo-nos um imenso bordado de nós mesmos.
Na minha colcha de retalhos, os que mais gosto são os acrescentados pelas crianças da minha vida. São retalhos bem coloridos, divertidos e originais. Por exemplo, há um retalho acrescentado pela Lia, minha netinha que mora nos States. Ela é uma artista: faz desenhos e artes incríveis, combina as roupas como uma estilista, confecciona cartões lindos todo dia para o pai, enfeita a casa com bilhetes coloridos, faz toucas e cachecóis de crochê. Uma graça. Mas, quando ela perdeu seu primeiro dentinho de leite, foi uma confusão. No começo, com o dente bem mole, estava entusiasmada esperando a chegada da fadinha do dente que iria pegar o dentinho debaixo do travesseiro e trocá-lo por uma nota de cinco dólares. No entanto, quando a fadinha chegou na calada da noite e fez exatamente isso, Lia caiu em prantos na manhã seguinte. Queria o dentinho de volta para guardá-lo para sempre. Então, tentou cativar a fadinha. Fez uma espécie de altar para ela, com flores, guloseimas, bugigangas e escreveu uma cartinha (com alguns errinhos de inglês) pedindo o dentinho de volta. A fadinha aceitou.
Depois veio a confusão do terrário. Tudo começou quando estive lá e construímos nós três – ela, o irmão Enzo e eu- um terrário fechado para observar aranhas, minhocas, insetos, a formação da chuva e o crescimento das plantinhas. Eles adoravam coletar os animais e colocar dentro do terrário, mas Lia ficou com pena das minhocas, remexeu a terra e soltou todas. Antes, porém, fez uma casinha de folhas e barro para elas. Enzo ficou indignado.
O problema piorou no dia em que foram ao parque e encontraram um besouro bonito, grande e preto, de asas luzidias. O pai teve que carregar o inseto na mão por vários quarteirões. Lia não quis colocá-lo dentro do terrário; preferiu montar um local especial para ele, decorado com pedrinhas, flores e grama. O Enzo ficou bravo novamente.
A mãe foi apaziguar a briga e dar uma olhada no besouro, todo confortável no seu recanto florido. E, surpresa: na verdade era uma barata- e das grandes! Foi a vez de ela ficar brava e indignada com o marido, que nem conhecia uma barata e ainda levara uma para dentro de casa. Ele, por sua vez, ficou com nojo de ter carregado a barata na mão.
Lia caiu em prantos novamente porque não queria que matassem a barata. Depois que os ânimos se acalmaram, optaram por soltá-la no parque onde a haviam encontrado.
Minha outra netinha, Maíra, também é uma graça e sempre acrescenta retalhos coloridos à minha colcha. No almoço do Dia das Mães, estávamos quatro mães reunidas para tirar a foto clássica quando ela chegou rapidamente e se posicionou bem à frente do grupo para aparecer na fotografia. A turma, indignada, pediu que ela saísse, pois não era mãe . Ela respondeu que era uma futura mãe e não arredou pé. Foi, inclusive, a mais sorridente do grupo.
Enfim, parafraseando a poetisa, é assim mesmo que a vida se faz: de pedaços de outras gentes que vão se tornando parte da gente também. E nunca estaremos prontos e acabados, pois sempre haverá um retalho novo a ser acrescentado à alma.
Oxalá nossas colchas de retalhos fiquem bem bonitas e coloridas, com muitos retalhos acrescentados pelas crianças de nossa vidas.
por uberlandiahoje | jul 18, 2026 | Política Nova |
Tania Tavares – Professora – SP
Tem governante no mundo que fala grosso: “olha a cobra”, e se dá errado diz “é mentira”, e nem é festa junina. Que perigo corremos!
por uberlandiahoje | jul 16, 2026 | Ponto de Vista |
Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Acadêmico da ABLetras, Blogger, Analista Político e Graduado em Gestão Pública.
Todos sabemos que manter os deputados federais em Brasília custa muito caro. São ao todo 513 deputados eleitos para mandatos de quatro anos. Essa afirmação verdadeira sempre aparece em discussões sobre salários, benefícios e privilégios da classe política brasileira. Mas, para entender quanto custa um deputado federal, é preciso olhar além da remuneração mensal.
O funcionamento desta engrenagem que consegue moer milhões de reais anualmente envolve salários de assessores, estrutura de gabinete, passagens aéreas, deslocamentos, comunicação institucional e recursos destinados à atividade parlamentar. Além disso, deputados também participam da distribuição de emendas parlamentares, que movimentam bilhões de reais do Orçamento da União.
Embora a maioria dos brasileiros não utilize, essas informações estão à disposição de todos para consulta pública. Nos últimos anos, a transparência sobre gastos parlamentares, emendas e execução orçamentária se tornou tema central de debates entre Congresso, Executivo, órgãos de controle e Supremo Tribunal Federal.
É vital entender quanto gastam os deputados e quanto eles custam aos cofres públicos, já que são bancados pelos recursos de nossos impostos. Cada deputado federal recebe atualmente um salário bruto de R$ 46.366,19 por mês, conforme informações da Câmara dos Deputados no ano de 2026.
Apesar de ser um salário aviltante se compararmos com os vencimentos dos professores, médicos, engenheiros e demais profissões esse custo não se limita apenas à remuneração de cada parlamentar. Além do salário, cada gabinete dispõe de recursos destinados à contratação de assessores parlamentares. A Câmara disponibiliza uma verba mensal de R$ 227.000,00 para custear a equipe de apoio ao mandato. Com esse valor, os deputados podem contratar entre 5 e 25 secretários parlamentares, responsáveis por atividades legislativas, atendimento à população, comunicação e acompanhamento de projetos.
A justificativa dada pelos políticos é que essa estrutura existe porque a atuação parlamentar vai além das sessões realizadas em Brasília. Deputados participam de comissões, acompanham políticas públicas, recebem demandas de municípios e realizam atividades em seus estados de origem. Isso é obviamente muito discutível e carece de informações que as comprovem.
Então, já sabemos que cada deputado federal recebe R$ 46.000,00 + R$ 227 mil de verba de gabinete, somados, fazem com que o valor mensal destinado à remuneração de um deputado chegue a obscena casa dos R$ 273 mil. Em um ano, esse valor supera R$ 3,2 milhões. Como a Câmara possui 513 deputados representantes dos nossos Estados esse gasto anual salta para R$ 1.680.000.000 (Um bilhão, seiscentos e oitenta milhões de reais). Como o mandato dura quatro anos o custo aproximado seria de R$ 6.723.000,00 (Seis bilhões e setecentos e vinte e três milhões aproximadamente.
Esse cálculo, porém, não inclui outras despesas vinculadas ao exercício do mandato, como recursos da cota parlamentar, passagens aéreas, auxílio-moradia em situações previstas pelas regras da Câmara e demais estruturas administrativas disponibilizadas pela instituição.
O que são as cotas parlamentares?
Outro componente importante dos gastos parlamentares é a Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar (CEAP), conhecida como cota parlamentar ou, até mesmo, “cotão”.
Esse recurso é destinado a despesas relacionadas ao exercício do mandato, incluindo:
• passagens aéreas
• aluguel de escritórios de apoio
• hospedagem
• combustível
• serviços postais
• divulgação da atividade parlamentar
• contratação de consultorias
• despesas de transporte
O valor da cota varia de acordo com o estado representado pelo deputado, considerando fatores como distância de Brasília e custos logísticos. A utilização desses recursos precisa ser comprovada por meio de notas fiscais e documentos apresentados à Câmara dos Deputados. Nem sempre isso é garantia de probidade, tem parlamentar que apresentas NFs de combustíveis em dois estados ao mesmo tempo.
O deputado pode gastar o dinheiro como quiser?
Não. As despesas precisam estar relacionadas ao exercício do mandato e obedecer às regras estabelecidas pela Câmara dos Deputados. Os gastos devem ser comprovados por documentação fiscal e ficam sujeitos à análise administrativa.
No entanto, existem questionamentos sobre reembolsos de passagens, locação de veículos e despesas vinculadas ao exercício dos mandatos. Essas suspeitas já motivaram operações da Polícia Federal investigando supostos desvios envolvendo recursos da atividade parlamentar, além de pedidos de apuração encaminhados ao Tribunal de Contas da União (TCU) e ao Senado.
Essas informações deveriam servir de alerta aos eleitores que votam e elegem ou reelegem políticos que ao longo de quatro anos não cumprem suas promessas, não trabalham pela sociedade, fingem lutar por pautas que dizem ser relacionadas a família, enquanto na verdade estão enriquecendo suas próprias famílias as nossas custas.
por uberlandiahoje | jul 16, 2026 | Ponto de Vista |
Paulo Henrique Coimbra de Oliveira – Economista – 
O governo tenta sabotar a aposentadoria dos agentes de saúde falando do impacto negativo que vai de ser de 30 bilhões de reais ao longo de vários anos. É a chamada pauta bomba.Não defendo privilégio de nenhuma classe. Afinal a constituição diz que todos são iguais perante a lei. Mas ninguém fala nada do impacto causado pelos penduricalhos aos poderes judiciário, MP e órgãos assemelhados da elite do funcionalismo que custam mais de 30 bilhões POR ANO.É muita hipocrisia , cara de pau. e incompetência junto. Brasil é um país sem passado , sem presente e sem futuro. Esses dados financeiros são amplamente divulgados pelas mídias e pelo próprio governo.