por uberlandiahoje | nov 13, 2025 | Ponto de Vista |
Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Acadêmico da ABLetras, Blogger, Analista Político e Graduado em Gestão Pública.
Um dia após a maior chacina da história do país, com um saldo trágico de 119 mortos, muitos sem qualquer relação com o crime, o governador Cláudio Castro promoveu uma operação sem plano de ocupação das áreas dominadas pelo tráfico. Enquanto isso, governadores se reúnem em um ato de apoio eleitoreiro, tentando impor uma narrativa de “nós contra o governo federal”.
Cláudio Castro (PL) reuniu nesta quinta-feira (30/10/25) seis governadores de direita para oficializar a criação de um “consórcio de paz”, voltado à integração de políticas de segurança e inteligência entre os estados e contou com a participação de Jorginho Mello (PL-SC), Romeu Zema (Novo-MG), Ronaldo Caiado (União Brasil-GO), Eduardo Riedel (PSDB-MS), Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) — que participou virtualmente — e Celina Leão (PP-DF), vice-governadora do Distrito Federal.
Nenhum deles conseguiu explicar o que seria e como funcionaria o Consórcio da Paz, nome estranho para quem acaba de apoiar a chacina de mais de 100 mortos no RJ. Assim como Cláudio Castro, os seis governadores não possuem projeto de ocupação das áreas tomadas pela Organização Criminosa, não abordaram a questão do avanço das milícias em diversos estados, não explicitaram como será o combate ao tráfico de drogas, entrada de armas e a participação do Estado na retomada de áreas ocupadas por criminosos.
Não existe plano. Apenas uma coisa move esses sete governadores: a ladainha bolsonarista contra Lula. Afinal, foram estes mesmos personagens que votaram contra o Plano de Segurança do Ministro da Justiça do governo federal.
Em São Paulo, o governador Tarcísio não consegue explicar uma série de suspeitas que mancham seu governo e o colocam muito próximo de uma organização criminosa (PCC).
O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, exaltou a operação que resultou na chacina, classificando-a como “a mais bem-sucedida do Brasil”. “O que vimos foi planejamento e eficiência. Não ouvi falar de inocente morto, e sim de uma das maiores apreensões de armas e prisões da história. Isso mostra que é possível fazer segurança pública com resultado e responsabilidade”, disse Zema, em tom de defesa das forças policiais.
Já o goiano Ronaldo Caiado destacou a necessidade de atuação integrada. “A tese do consórcio é garantir resposta imediata. Nossas forças integradas poderão agir em qualquer estado sem burocracia. Quando o crime ataca um de nós, ataca todos”. Quem viver verá nos próximos meses que toda essa falação não passa de teatro dos horrores, discursos vazios, e não haverá combate algum as organizações criminosas.
Inclusive no RJ, onde os especialistas em segurança pública suspeitam de que a matança foi realizada apenas e tão somente para liberar áreas para a atuação dos milicianos, que todos sabem são amigos dos bolsonaristas no poder.
Claro que o governo federal não pode jamais ficar a reboque de quaisquer ações de governadores obtusos que não possuem vontade alguma de colaborar com o que quer que seja no plano federal. O bolsonarismo tomou o cérebro desses políticos que ocupam cargos de governadores em GO, MG, MS, RJ, SC, SP e DF. Gestões que nada fizeram em prol da sociedade, nem na segurança, muito menos na saúde, educação ou habitação.
O único plano desses inábeis políticos é retomar o poder no governo federal, algo que eles estão percebendo ser cada dia mais difícil, senão impossível. O tempo dirá em palavras garrafais que este natimorto Consórcio da Paz é mais uma falácia da direita em nosso país.
Não se combate o crime com palavras, promessas ou sem planos consistentes que devem estar em consonância com todas as forças da sociedade. É preciso atuar firmemente utilizando toda tecnologia existente para combater lavagem de dinheiro.
Exceto se os governadores estão se inspirando na atuação invisível dos quatro anos de Bolsonaro quando além de não combater a criminalidades, liberou armas pesadas e afastou a Polícia Federal para que está não investigasse filhos e amigos. Incluindo no período de dois anos o pior ministro da Justiça que o Brasil já teve, Sérgio Moro, uma sombra morta que nada fez no sentido de combater as organizações criminosas.
por uberlandiahoje | nov 12, 2025 | Ponto de Vista |
Dr. Flávio de Andrade Goulart*
O conservadorismo no Brasil, apesar de um pequeno recuo em 2025, puxado por mulheres, idosos e gente baixa renda, continua mostrando forte presença. É o que revela um levantamento da Ipsos-Ipec divulgado na última segunda-feira, 28 de julho, mostrando índices mais baixos de uma série histórica construída desde 2021. Foram ouvidos dois mil entrevistados em 131 municípios entre os dias 3 e 8 de julho, com margem de erro é de dois pontos percentuais. Contudo, apesar de tal decréscimo, metade da população ainda tem perfil considerado de alto conservadorismo, com apenas 8% das pessoas mostrando um perfil mais, digamos, progressista. As pautas são as tradicionais: defesa de prisão perpétua e outros tipos de apoio a pautas de segurança; rejeição do casamento homoafetivo; redução da maioridade penal; apoio à pena de morte; leniência em relação a à posse de armas de fogo. A legalização do aborto, por exemplo, segue com ampla rejeição: 75% dos brasileiros se dizem contra, enquanto apenas 16% apoiam a medida. Alguns segmentos sociais específicos se mostraram mais expressivos em tal redução do índice geral de conservadorismo, embora de forma discreta, foram eles: as mulheres, em geral; as pessoas com mais de 60 anos, curiosamente; as pessoas com ensino fundamental e com renda familiar até 01 salário mínimo; os moradores das regiões N e CO. Por outro lado, certos grupos ficaram ainda mais conservadores, como foi o caso de homens; moradores de capitais; renda acima de 05 salários mínimos; pessoas com curso superior. A pesquisa não entra em detalhes sobre a questão de como essas pessoas percebem e reagem frente aos problemas de saúde, de si mesmas ou da população, mas analisando a questão à luz da proverbial constatação do surgimento no Brasil da estranha figura do pobre de direita, seria possível estimar algumas possíveis consequências deste renitente conservadorismo do modo de ser brasileiro.
1. A desconfiança no SUS e em toda ação pública e estatal no campo da saúde seria grande, em que pesem as evidências contrárias.
2. A preferência por especialistas e atendimento direto em hospitais dominaria o cenário, sendo opções como a estratégia de saúde da família consideradas como um típico recurso “pobre e para pobres”.
3. A filiação a um plano de saúde seria um sonho de consumo, seja de sindicalistas ou da população em geral, sendo isso de preferência pago integralmente pelo governo ou pelos patrões.
4. Os servidores públicos do próprio setor da saúde dariam preferência, diante de necessidades próprias ou de familiares, a recorrer aos hospitais privados e planos de saúde.
5. As listas de medicamentos ora oferecidos no sistema público deveriam ser ampliadas, de forma a contemplar tudo o que as drogarias oferecem pelo país a fora, independente da aprovação formal da Anvisa.
6. Deveriam ser oferecidas mais vagas nas faculdades de medicina, para que cada vez mais jovens pudessem realizar “o sonho de ajudar ao próximo”.
7. As vacinas deveriam ser oferecidas apenas a quem acredite nelas ou as solicite especifica e formalmente, não devendo fazer parte de nenhuma obrigatoriedade, por exemplo, para filiação a programas sociais ou admissão na rede escolar.
Para inferir tais coisas, admito, não precisei fazer nenhuma pesquisa. Apenas me baseei em coisas que ouço na fila do supermercado, nas declarações de certos políticos, nos debates legislativos, em alguns artigos da imprensa, além de eventual contágio, digo contato, com as chamadas redes sociais. Sim, porque é preciso deixar claro que a pobreza direitista de que falo aqui não é, necessariamente, de natureza material, mas muitas vezes é apenas de espírito. Alguns desses “pobres” consomem uísque de 20 anos e passam suas férias, com as famílias, em Miami. Simples assim.
Isso é apenas um exercício de livre pensamento, ok? Mas nada impede que a realidade seja ainda pior…
*Flávio de Andrade Goulart é médico, professor de Medicina na UFU e na UNB, secretário de Saúde em Uberlândia e sobrinho do poeta Carlos Drummond de Andrade
por uberlandiahoje | nov 11, 2025 | Ponto de Vista |
Marília Alves Cunha – Eucadora e escritora
“No Brasil o fundo do poço é apenas uma etapa. Ou sai da m…. ou estará condenado à esperança…”
Estamos vivendo em um clima propício a sentimentos espúrios – raiva, intolerância, antagonismos sem fim – tudo acumulando-se e tornando o país inviável do ponto de vista da concórdia e união. E como dizem por aí: nada está tão ruim que não possa piorar.
Os acontecimentos nefastos do dia 29 de outubro expandiram situações antagônicas. Não há como não sentir tristeza com os acontecimentos que culminaram em morte e dor no Rio de janeiro, nos complexos da Penha e do Alemão. Todo cidadão que deseja viver em paz e tranquilamente, trabalhando, criando sua família, esperando ser protegido pelas leis, nunca espera ou deseja que aconteçam estas situações, que haja violência, que haja injustiças, que haja sofrimento. Porém, por outro lado, não mostra-se tranquilo com as situações que o Brasil tem vivido há muito tempo e que, ultimamente, tomaram um rumo catastrófico, com o aumento da violência em nosso país.
A criminalidade avultou, principalmente nas grandes cidades e chegou a um ponto insustentável. Temos hoje presente e clara a ameaça de organizações criminosas que, diuturnamente, vão se apoderando de territórios e impondo a sua autoridade sobre as pessoas, crescendo como um quarto poder, imune a quaisquer outros poderes. Não é mais possível que milhões de pessoas vivam sob o signo do medo, desprotegidas e completamente inseguras. Não é possível que cidades inteiras sejam dominadas pelo crime como é o caso do Rio de Janeiro e algumas cidades do Nordeste onde a criminalidade age abertamente, dominando tudo pelo medo e opressão.
Sentimos claramente que há, por parte do governo e outras instituições, uma certa condescendência em relação a criminosos e ao crime organizado. Um presidente tem a capacidade de falar que “o traficante é vítima do usuário”. O Ministério da Justiça cria um Projeto de Segurança Pública que nada tem de mais significativo no enfrentamento da terrível situação que o Brasil enfrenta, em relação ao assunto. Parece que tudo se encaminha no sentido de dar mais proteção àqueles que tem agido criminosamente e ameaçado a paz e segurança dos brasileiros, que não têm a mínima intenção de viver em sobressalto e ameaçado pela violência.
O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, mediante mandados judiciais, ocupou dois Complexos dominados por criminosos. O resultado foi o que vimos: houve uma batalha, com vários mortos e feridos e muitas prisões. Houve lágrimas pelos mortos, inclusive quatro policiais que cumpriam o dever. Houve também muitos aplausos pela operação militar, de uma população que não aguenta mais conviver com o crime, uma reação de intolerância pela maneira como as autoridades têm deixado, por sua inércia, que cresçam e tornem-se as organizações criminosas cada vez mais poderosas e difíceis de serem dominadas. A aprovação ao governador aumentou sensivelmente depois da operação nos dois complexos.
Sobrou para quem teve energia e coragem de combater o crime, o governador do RJ, uma tarefa gigantesca: explicar para o Ministro Alexandre de Moraes, tim tim por tim tim, os acontecimentos do 29 de outubro. A lista do que deve ser mostrado e demonstrado é incrivelmente minuciosa e imensa. Penso que o governador passará muito tempo explicando os mínimos detalhes da operação e não terá muito tempo para combater o que precisa ser combatido. Alívio para os marginais…
Implantaram um projeto piloto no Espírito Santo chamado “Pena Justa”. O objetivo do Projeto é garantir dignidade, educação e trabalho aos presos. Parece que o tratamento será VIP e propiciará vida melhor a eles do que aos que, na pobreza, insistem em viver honestamente. A população brasileira pede “Pena Dura” e o governo vai na contramão do que a população tem exigido. É mole?
por uberlandiahoje | nov 10, 2025 | Ponto de Vista |
Diógenes Pereira da Silva – Tenente do Quadro de Oficiais da Reserva Remunerada
20 de Novembro – Dia da Consciência Negra
“Consciência é reconhecer, respeitar e valorizar nossas origens.”
O Dia da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro, homenageia a luta e a resistência do povo negro contra o racismo e a escravidão no Brasil.
Nos dias atuais, o país ainda caminha a passos lentos no enfrentamento ao racismo. A população negra precisa, cotidianamente, provar seu valor e sua competência diante de uma sociedade que ainda carrega marcas profundas de desigualdade.
Objetivo da Data
A data busca conscientizar a sociedade sobre as consequências do racismo e valorizar a história e a cultura afro-brasileira, reconhecendo a importância do povo negro na formação da nossa identidade nacional.
O racismo estrutural, enraizado em estereótipos negativos, reforça falsas ideias de inferioridade. Contudo, a beleza negra é inquestionável, assim como a de todas as raças — cada uma com suas características únicas, sem qualquer tipo de superioridade.
Reflexão e Compromisso
O Dia da Consciência Negra traz, para o século XXI, a marca do reconhecimento, da luta por igualdade e da reafirmação de que a discriminação racial precisa acabar.
Principais Dados e Estatísticas
Processos Criminais:
O número de processos criminais por racismo aumentou 64% entre 2023 e 2024, atingindo um recorde histórico. Em 2024, foram registrados 5.552 novos processos, e um total de 12.095 estavam em tramitação na Justiça.
Denúncias (Disque 100):
Em 2024, o Disque 100, do Ministério dos Direitos Humanos, registrou mais de 5,2 mil denúncias de racismo e injúria racial.
Aumento Percentual:
Os registros de casos de racismo aumentaram 127% no Brasil em 2023, em comparação com 2022. A injúria racial também apresentou crescimento significativo.
Percepção da População:
Pesquisas de opinião pública reforçam a gravidade do problema:
70% dos negros relataram ter sofrido preconceito e discriminação.
85% da população preta afirmou já ter sido vítima de discriminação racial.
45% dos brasileiros acreditam que o racismo aumentou nos últimos anos.
Os desafios ainda são enormes, e é preciso maior engajamento da sociedade para que se alcancem resultados efetivos a curto prazo.
Não é admissível que, após 137 anos da abolição da escravatura, ainda fechemos os olhos diante da barbárie e do racismo tão profundamente enraizado em nossa estrutura social.
ada da PMMG